segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Flores d'Inverno: Aloe arborecens

Planta suculenta, vulgarmente chamada de babosa, muito conhecida de todos pelas suas propriedades terapêuticas, e que até dá sempre jeito ter à mão em casa para queimaduras ou outros problemas de pele, este aloe é também muito interessante para se ter no jardim para fins decorativos, e torna-se figura de destaque nesta época, em que exibe a sua invejável floração vermelha.

Já há uns quantos anos que tenho um na frente da casa, mas como estava desprotegido, queimava-se quase todo com a geada. Não morria, e voltava sempre a rebentar na primavera, mas de inverno ficava com um aspeto de meter dó como se pode ver na imagem:

Aloe acastanhado queimado da geada (2009)
Entretanto o pequeno azevinho variegata que está na sua frente resolveu dar um enorme pulo, e agora tornou-se uma proteção natural contra a geada, e o mesmo aloe, está agora enorme, e todos os anos, sempre por esta altura (final de dezembro/início de janeiro) presenteia-me com a sua floração vermelha.

Aloe entre um Pittosporum tobira e um azevinho variegata
Babosa (Aloe arborecens)





Deve ser plantado a sol pleno ou meia-sombra, e não carece de grandes cuidados, o meu por exemplo, é regado unicamente quando chove. Para se propagar é tão simples como, cortar uma haste e meter em terra, que rapidamente ganhará raízes. 

Gilbardeira: silvestre e em casa

Não sei precisar, mas já foi há muitos anos (uns quinze talvez) que trouxe para casa um rizoma com uma gilbardeira, planta essa que recolhi no monte, perto do rio, junto à casa dos meus avós, e de certeza que nessa altura, nem sequer sabia o nome da planta. A esta distância nem sei ao certo porque o fiz, mas certamente que a planta me atraiu de alguma forma. 

É uma planta que pode ser encontrada espontâneamente aqui pela zona onde moro (como por todo o país), mas só em zonas específicas, onde encontrará as melhores condições para se fixar. Este fim-de-semana, fui dar uma caminhada ao longo do  rio, e encontrei algumas nos combros dos caminhos. 

Gilbardeira na natureza (Ruscus aculeatus




Pelo que me tenho apercebido, a gilbardeira nasce em locais mais sombrios e abrigada pelo arvoredo. Estas estão até, como se pode ver na primeira fotografia, a poucos metros do rio Douro, num solo argiloso e pedregoso. As plantas que tenho observado na natureza, variam no tamanho que atingem, entre os trinta centímetros e o metro de altura, mas a planta apresenta sempre poucos caules que brotam dos rizomas. À semelhança, por exemplo do azevinho, as sementes podem originar plantas femininas que produzem frutos (bagas com cerca de 1cm) ou originar plantas macho que só darão origem a flores. Propagando-se pelos rizomas, como é lógico, os novos rebentos serão do mesmo sexo da planta mãe. 

A Gilbardeira é uma espécie protegida em Portugal, não creio que por estar propriamente ameaçada, mas sim por ser alvo de grande colheita nesta altura do ano, em substituição do azevinho, para ser usada como decoração. Como já expliquei no artigo sobre o azevinho, se estamos a cortar ramos de uma planta fêmea, que contêm os frutos e as sementes estamos a impedir que a espécie se propague e isso irá contribuir para o seu desaparecimento. 

Em casa, a planta que recolhi no monte, acabou por ser mudada para um sítio onde posteriormente acabei depois acabei por construir um terrário com tartarugas aquáticas que adotei. 


Esteve muitos anos que não saiu da cepa torta, mas também é verdade que só mais tarde reparei que as rochas que coloquei em volta da planta, estavam a bloquear os rizomas de se propagarem, e depois que as retirei, a planta começou a alargar nunca mais parou! Aliás, nunca vi planta semelhante, tão compacta e densa, que além de ter caules com 1,10m, a planta toda tinha cerca de um metro de diâmetro, até que à poucas semanas a decidi transplantar, pois estava já a sombrear em demasia o lago. 




Estando no espaço das tartarugas, esta gilbardeira ficou intimamente ligada às peripécias de uma tartaruga em particular, a maior que tenho, que parece ter criado uma fixação de a trepar, apesar desta planta ser bastante picante!


Não foi de ânimo leve que a decidi arrancar e transplantar a gilbardeira, porque como disse, estava a causar bastante sombra no lago. Ainda pensei em várias alternativas para plantar outra coisa no mesmo sítio, pois poderia pegar numa das muitas plantas que tenho e pôr ali, mas acabei mesmo por manter a mesma estética, e decidi plantar, no mesmo sítio, outra pequena gilbardeira que tinha num vaso, mas desta feita uma fêmea, que trará sempre um colorido diferente com as suas enormes bagas vermelhas.





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Descoberta inesperada

Há muitos anos que não me lembro de ver salamandras. Lembro de certa vez, sei lá, há uns vinte anos, ter visto uma já adulta no passeio de casa, mas entretanto nunca mais as tinha visto, o que não quer dizer que andem por cá. Encontrei sim, duas salamandras na rua dos meus pais, há uns dois meses talvez, mas mortas, e das duas uma, ou foram mortas pelos carros, ou então foram mortas propositadamente, algo muito plausível, não fossem os repteis e as próprias salamandras (anfíbios) alvo de muitos mitos e crenças infundadas, que resultam na morte de muitos animais por mero ódio ignorante.

Nos últimos dias o tempo não tem dado tréguas para se fazer alguma coisa, é chuva e mais chuva e ventos fortes. Hoje esteve mais aos aguaceiros, calcei umas galochas  (parece que até estão na moda não é?!)  e aventurei-me a fazer umas pequenas coisas, ainda que andasse algumas vezes à chuva, mas como o tempo está quente até me sabe bem!

Depois de ter passado a ronda pelas muitas plantas que tenho, de ter feito umas pequenas podas, e ter andado a apanhar as muitas tangerinas e laranjas caídas no chão, fui varrer a enorme quantidade de folhas que se acumulavam no portão da frente da casa. Começo a apanhar as folhas, com as mãos, e de repente, alto! Era uma pequena salamandra com uns quatro ou cinco centímetros que estava escondida no meio daquela folharada toda! Fui buscar a máquina fotográfica, apesar de estar a chuviscar, pois queria registar o acontecimento. Segundos depois quando voltei, a pequena salamandra já não estava no mesmo sítio, mas deparei-me com outra escondida com o rabo de fora!

Estou-te a ver!

Destapei o animal e pude ver que se tratava de um animal adulto, talvez a progenitora da pequena cria. O animal estava muito imóvel, mas apercebi-me que estava bem vivo!


Olhei em volta e rapidamente encontrei onde a pequena cria que se tentava esgueirar:


Em Portugal é possível encontrar duas sub-espécies, a S. s. crespoi no Algarve, e no restante território a S. s. Gallaica. 

Uma última fotografia, (de jeito!) à maior, e a seguir ia-a tirá-las dali. 

Salamandra-comum (Salamandra salamandra gallaica)
Resolvi tirá-las dali, pois poderiam facilmente ir para a estrada, e o problema não seriam os carros, pois a minha casa é a última da rua, mas temia que se fossem vistas acabassem mortas. Então levei-as para junto de um monte de restos de jardim que tenho nas traseiras da casa, com muitas folhas também, que irá depois, em princípio ser uma segunda pilha de compostagem. 

Como se alimentam de insetos e pequenos invertebrados como caracóis, lesmas ou centopeias, parece-me um animal extremamente simpático e principalmente útil para se ter cá por casa!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Levandiscas

Estou em crer que esta será uma das aves mais conhecida dos portugueses, tanto devido à coloração preto/branco da cabeça e peito, como devido ao seu comportamento caraterístico e inconfundível, de estar sempre a levantar e baixar a cauda. É uma ave bastante atrevida até, aproximando-se bastante do homem quando anda entretida à procura de bichos nos terrenos cultivados, e é muito comum vê-las até a correr, para trás e para a frente, nas estradas. Por aqui são comummente chamadas de levandiscas, mas consultando o manual de aves, encontrei a designação de Alvéola-branca. 


Alvéola-branca (Motacilla alba)
Estas fotos foram tiradas hoje depois de almoço. Coincidência ou não, há muito que vejo uma levandisca a esta hora. Chega e empoleira-se em cima do portão de acesso ao campo dos meus pais. Depois, voa para cima de uma pilha onde estão restos de comida, mato, e esterco das galinhas para fazer estrume. 




Hoje chegaram duas, e sendo macho e fêmea muito semelhantes, esta segunda ave, que me parece até mais pequena e não tendo a mancha preta na cabeça, creio que será um juvenil. Esta foi diretamente para a terra, procurando bicharada para comer.




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Ódio de estimação: Azedas

Se há planta infestante verdadeiramente complicada de erradicar são as Azedas. No meu terreno também se fazem notar infelizmente. Trata-se de uma vivaz exótica, originária da África do Sul, com estatuto de invasora e que gosta preferencialmente de terrenos agrícolas. Onde aparece, só com muita persistência se pode minimizar o problema, mas será quase impossível erradicá-la totalmente. 

Esta planta dispõe de vários truques que fazem com que se propague muito rapidamente, e além disso, que a sua destruição seja quase impossível. Desde logo porque podemos arrancar a parte acima da terra, que não estaremos a provar-lhe quaisquer danos, porque os pequenos bolbos e os muitos bolbilhos ficam enterrados bem fundo, e rapidamente se erguerão novas plantas. 

Azedas (Oxalis pes-caprae L.) 

Para aniquilar totalmente a planta é necessário cavar fundocom muito cuidado e remover todos os muitos pequenos bolbilhos enterrados, o que é extremamente complicado. Bastará só um ficar no terra para que todo o esforço tenha sido em vão. 

Bolbilhos

Parte aérea das Azedas

Flor amarela

Zona densamente infestada

Encher a barriga de dióspiros

Dia de grande temporal e chuva, que nem sequer dá para sair fora da porta. Coloquei-me junto à janela para olhar lá para fora, e por uma pude ver que uma grande macieira, no terreno do vizinho dos meus pais, foi arrancada pelo vento. Olhando por outra janela, virado a sul, pode-se ver o ambiente campestre e bucólico de quem vive numa aldeia ou meio rural.


E de imediato as grandes bolas alaranjadas do diospireiro do outro vizinho, apesar de poucas, chamaram-me a atenção, pois mesmo à distância que estava, consegui ver que um pequeno pássaro tratava de encher a barriga! 

Diospireiro

Eu não sou grande conhecedor de pássaros, mas com a ajuda de um bom manual de aves, qual detetive, creio que consegui chegar à identificação do pequeno ladrão de disóspiros! 

Toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla)
O barrete preto, sem dúvida que ajudou logo a identificação. Se não estiver errado, creio tratar-se de um Toutinegra-de-barrete-preto macho. Caso fosse uma fêmea o barrete seria acastanho/ruivo. 



sábado, 21 de dezembro de 2013

Aromáticas: Podar & Multiplicar

Tenho dois canteiros com diferentes espécies de aromáticas e ainda outras dispersas por outros locais do terreno. No inverno é conveniente podá-las, principalmente as mais lenhosas, para que possam depois brotar novos rebentos e manter sempre aquele aspeto viçoso. Se não forem podadas, vão crescer mais, mas vão  ficar esguias, e com os troncos velhos à vista e darão cada vez menos novos rebentos.

Hoje andei a dar uma poda na erva-do-caril (Helychrisum italicum) que já começava a apresentar algumas folhas acastanhadas:

Erva-do-caril (Helychrisum italicum)

E que depois de podada ficou assim:


É verdade que nesta fase fica quase só com os paus à vista, e como diria uma amiga minha, ficou muito "feiinha", mas muito rapidamente surgirão novos rebentos e estará de novo com aquela folhagem cinza muito caraterística. Basta ver, por exemplo, o rosmaninho, que há algumas semanas levou o mesmo tratamento e neste momento já está assim:

Rosmaninho (Lavandula stoechas) 

Com os restos da poda aproveitei e fiz umas estacas para propagar mais plantas, pois posteriormente ainda vou precisar mais para novos canteiros que estou a pensar fazer. As estacas das aromáticas por norma pegam muito bem, e temos assim uma forma muito simples e práticas de conseguir novas plantas gratuitamente. Não tenho grandes cuidados, faço estacas deste tipo que depois coloco diretamente em tabuleiros, por norma, com composto proveniente da compostagem, mas também já usei também areia. 

Estacas de erva-do-caril

Quando começam a crescer novos rebentos e já têm boas raízes, transplanto então para recipientes individuais como se pode ver na imagem abaixo. São quatro espécies em copos de cerveja usados: alecrim, santonlina, erva-do-caril e rosmaninho.
Aromáticas em recipientes individuais

Estaca de limonete a rebentar
O resto da poda vai direto para a compostagem.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Convento de Cristo e Mata Nacional dos Sete Montes

No fim de semana passado estive pela primeira vez em Tomar. Cidade histórica, fundada por Dom Gualdim Pais, doada inicialmente à Ordem dos Templários, que depois da sua extinção, ficou ligada ao  Infante Dom Henrique que se instalou no castelo como governador da Ordem de Cristo.

Estátua de D. Gualdim Pais - Fundador de Thomar
Nos dias de hoje, creio que Tomar, além de associada aos Templários, da Festa dos Tabuleiros, é essencialmente conhecida pelo Convento de Cristo e a sua Janela Manuelina que é património mundial desde 1983.

Mas junto do convento existe também um enorme espaço verde, que foi criado no século XVI, para permitir, tanto a clausura e recolhimento dos monges, como também a sua exploração agrícola. Hoje em dia, é utilizado como parque, onde se pode caminhar, andar de bicicleta, fazer um piquenique, ou simplesmente - como faziam os monges há quinhentos anos - contemplar um vasto espaço de floresta e jardim.

Chegados à Praça Infante Dom Henrique, onde fica situado também o Posto de Turismo, e virados para a estátua do navegador, estamos perante a Entrada da Cerca, mandada construir em 1938, ano em que o espaço foi transformado em Parque Florestal. Em 1986 o parque foi integrado nos Parques e Matas nacionais passando a ser designado por Mata Nacional dos Sete Montes.

Praça Infante Dom Henrique - Entrada do Parque 

Confesso que o meu principal objetivo da visita a Tomar, além de matar saudades de uma amiga que lá vive, era visitar os jardins da Mata dos Sete Montes, mas uma vez que ali estava, não visitar o Convento de Cristo, à qual a Mata pertence, seria quase como ir a Atenas na Grécia, e não visitar o Paternon! E então claro, aproveitei para passear um pouco pela cidade e visitar o Convento de Cristo no domingo (com entrada gratuita) e ainda andei sobre o Aqueduto dos Pegões. 

Junto ao rio Nabão existe um ilhéu, uma pequena porção de terra ajardinada, que está ligada por uma ponte (para uso exclusivo dos clientes da estalagem) onde está a Roda do Mouchão, uma grande roda hidráulica, feira em madeira de memória árabe. 







Mas desloquemo-nos então para os jardins do Convento de Cristo, conhecidos por Mata dos Sete montes. Logo à entrada, temos diante de nós o extenso Jardim Formal. Como a palavra indicia, formal, por ser constituído por linhas direitas e formas geométricas, formado geralmente por arbustos rasteiros como o buxo.








Seguindo em frente, depois do jardim formal, do parque infante e parque de merendas, encontramos a Alameda dos Freixos.

Alameda dos Freixos


Depois de ultrapassado o túnel dos freixos, virando à esquerda iremos encontrar a Charolina, uma casa de fresco do Renascimento, contemporânea do Convento, local de refúgio e meditação.


Charolina




O Jardim Formal e a Alameda dos Freixos são uma espécie de avenida que atravessam e dividem o parque ao meio, mas existem muitos outros caminhos que envolvem o espaço. Alguns caminhos estão sinalizados limitando o acesso, certamente ainda devido às consequências do tornado que varreu Tomar há precisamente três anos e derrubou várias árvores de grande porte, e algumas ainda podem ser vistas tombadas.

Muitas espécies podem ser observadas no parque, como as oliveiras, típicas da região que pude ver ao longo da estrada nacional, bem como imensos pinheiros mansos, mas também podemos ver muitos carvalhos, os já mencionados freixos, choupos, olaias, ciprestes, plátanos, medronheiros, e muitos arbustos, como gilbardeiras, folhado-comum, piracantas, entre muitas outras plantas que certamente nem identifiquei. 


Oliveira
Folhado-comum (Viburnum tinus)
Piracanta - Pyracantha coccinea

Piracanta que nasceu numa fissura das pedras


Cogumelos

Folhas de Plátano


No dia seguinte, domingo, levantei cedo e dirigi-me então para fazer a visita ao Castelo e Convento de Cristo.















Janela Manuelina 



 De tarde, ainda fui visitar o Aqueduto dos Pegões (Séc. XVII) obra filipina com seis quilómetros e 180 arcos, que fornece a Cerca e Convento de Cristo.




Fiquei encantado com a visita a parque, quer na dimensão, no jardim, floresta, ou diferentes espécies, e até estranhei o facto de estar, num fim-de-semana, quase vazio. Mas há aspetos negativos que tenho de salientar. Se temos um jardim formal, devemos assumir a sua formalidade. Ninguém veste um fato e gravata e depois calça umas sandálias não é? Ter um jardim formal, que depois está cheio de ervas daninhas, canteiros que estão cheios de trevo e heras, buxo por podar, podem ficar bonitos num jardim ao natural mas não na rigidez do jardim formal. Depois, entristece ver a Charolina completamente vandalizada, com as pedras e madeira cheia de sarrabiscos, dá um sinal de património ao abandono e incentiva a mais vandalismo. Por último dar nota que, os cãezinhos são muito bonitos, mas as raças perigosas são para andar de trela e açaime para não importunar que chega e quer fazer a sua visita tranquilamente e depois tem quase de andar a fugir dos animais. 

De resto, é um dos parques mais interessantes que já visitei, e aconselho toda a gente que gosta de jardins e natureza a passar por lá. Acrescentar ainda que o Convento de Cristo tem entrada gratuita (como convém) ao domingo, e que a Mata Nacional dos Sete Montes está aberta todos os dias, de Outubro a maio, das nove da manhã às cinco da tarde.