quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Ajudar a mapear as invasoras

Não precisamos ser botânicos para nos apercebermos que a flora portuguesa está repleta de plantas exóticas, muitas, que proliferaram de tal forma, que se tornaram verdadeiras pragas, invadindo extensas áreas, quer de terra como água, prejudicando gravemente as plantas nativas.

No site http://invasoras.uc.pt além de podemos ler a ficha de cada planta invasora em Portugal, podemos agora ajudar a mapeá-las on-line para para que se possa ter um conhecimento mais em pormenor da sua distribuição por todo o território e participar na construção de uma ferramenta científica que poderá ter muita utilidade no futuro.

É muito simples, basta fazer um registo no site, e assim que avistarmos uma invasora basta reportá-la no mapa de avistamentos.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Flores no outono - Estrelícia

Por estes dias comentava aqui que, além da nespereira quase não tinha mais plantas em flor, mas isso não é totalmente verdade, porque as estrelícias começaram agora a  florir.

Flor da estrelícia
É mais uma exótica tropical da África do Sul que tenho no jardim, e não é planta que venere por aí além, a não ser claro, quando está em flor! As flores são duplamente valorizadas, por um lado pelo efeito decorativo que a flor dá aos jardins onde está plantada, por outro a possibilidade de ter uma flor de corte para arranjos florais que dura bastante tempo. 

Estrelícia (Strelitzia reginae)
A estrelícia dá-se bem aqui por Portugal,  não necessita grandes cuidados mas as minhas, pobres coitadas, sofrem bastante com a geada que lhes queima sempre algumas folhas, e nem de propósito, hoje caiu a primeira camada. Mas também não é nada de especial, corto as folhas que secarem e vou também podando em volta para limitar a envergadura da planta, tendo cuidado para não cortar os novos rebentos que saem dos rebentos velhos.


E como todas as flores, também atraem os insetos polininzadores.

Abelhão em flor de estrelícia

domingo, 17 de novembro de 2013

Vida selvagem caseira II - Louva-a-deus caça inseto

Já tinha anteriormente falado no Louva-a-deus (ou ao Diabo depende da perspetiva!) e de facto é uma espécie muito comum aqui por casa, e ainda bem, pois trata-se de mais um grande predador, que ajudará de forma natural a combater as populações doutros insetos que possam ser nefastos às plantas.


Curiosamente têm estado dois Louva-a-deus nas portas da garagem, que são castanhas por serem em madeira, e julgo que esse detalhe não será coincidência, pois ambos apresentam agora uma coloração castanha que os ajudarão a camuflar-se tanto para caçar insetos, como evitar serem caçados por pássaros por exemplo.


Ontem consegui apanhar um dos Louva-a-deus que está na porta da garagem a devorar completamente um inseto, aparentemente uma espécie de escaravelho. 


Abrir a escotilha

Dois meses depois de ter recebido o meu primeiro compostor, resolvi abrir a escotilha para ver em que estado é que estava o cozinhado! O aspeto era este:

Vista do interior do compostor

Retirei cerca de um balde do cozinhado, e usei um crivo para separar a matéria já decomposta dos restos ainda por decompor. Ainda havia muitos bocados por se desfazer totalmente, até porque eu junto restos de podas que demoram mais tempo a decompor-se, mas acabarão também por se transformar em composto mais tarde ou mais cedo. 

Restos ainda não decompostos voltam para dentro do compostor
Todos estes bocados que ficaram no crivo voltaram para dentro do compostor para continuarem a decompor. As partículas mais finas que passaram o crivo já estavam num composto quase pronto, mas apesar de húmido, notei que ainda não tinham bem a textura do composto pronto que retiro da pilha. 

Composto orgânico pronto a ser usado ou guardado
De qualquer das formas já deu para me aperceber algumas diferenças entre usar este tipo de compostor e uma pilha a céu aberto. Se por um lado o compostor pode acelerar o cozinhado, por outro não é tão fácil de remexer a matéria orgânica, e creio que não devo ter remexido muito, porque ao retirar o composto, este estava como que prensado, provavelmente por estar sempre a acrescentar mais matéria. Também ainda só tinham passado dois meses, é pouco tempo, os especialistas falam em quatro meses, mas de qualquer forma já tenho ensinamentos a retirar.

Vida selvagem caseira - Vespas predam abelhas

Para observar e tentar compreender a vida animal, não é obrigatório que nos sentemos à frente de um televisor a ver um qualquer programa de de vida selvagem. É verdade que nas nossas casas não temos a savana africana - e ainda bem! - mas é possível observar algumas coisas, ainda que numa escala mais pequena.

Estamos no outono, e neste momento poucas flores existem, tanto no monte como em minha casa. Talvez por isso se concentre um elevado número de abelhas nas flores brancas da minha nespereira. O número é tão grande que mesmo a alguns metros se ouve aquele zumbido de fundo de abelhas, e principalmente dos abelhões que debitam uns quantos decibéis acima

Nespereira em flor
Encontro também nesta altura algumas abelhas meias moribundas e até abelhões mortos no chão. No meu entender de leigo, e de quem não sabe nada de apicultura, talvez simplesmente tenham chegado ao fim da sua vida, como todos nós um dia chegaremos.

Mas isto leva-me de encontro ao que tenho visto acontecer todos os dias, que é, observar vespas a atacar abelhas no chão nas imediações da nespereira. E a minha dúvida é, se elas o fazem indiscriminadamente e têm capacidade de apanhar uma qualquer abelha saudável, ou se, à semelhança dos grandes predadores, que investem sempre as suas energias nos elementos mais fracos ou doentes das manadas.


O comportamento é sempre igual, depois de imobilizar e matar a abelha, retira-lhe a cabeça, deixando o resto do corpo abandonado. Estou em crer que só leve aquela parte específica para a alimentação da sua prole. Curiosamente o ninho de vespas que estava no poste de eletricidade em frente de minha casa e que começou a ser construído este ano foi abandonado e não mora lá nenhuma vespa.

sábado, 9 de novembro de 2013

Libélulas e libelinhas

Ainda me lembro muito bem, de ser muito pequeno, e sempre que passava aquele inseto que voava como um helicóptero, e que me deixava fascinado a observá-lo, toda a gente dizia "olha ali um tira-olhos"! E durante muito tempo, na minha ingenuidade de criança, perguntava-me mesmo se me deveria proteger de tal criatura diabólica, não fosse aquele nome ter algum fundo de verdade e eu correr sérios riscos de ver os meus olhos arrancados.

A ignorância do homem criou mitos e preconceitos e até as libelinhas que apareceram milhões e milhões de anos antes do Homem,  foram diabolizadas, daí serem chamadas de tira-olhos ou cavalinho-das-bruxas. Estima-se que as libélulas aparecem há 320 milhões de anos, cerca de cem milhões de anos antes dos dinossauros, e devido à sua extrema perfeição, pouco ou nada mudaram até aos dias de hoje, a não ser o tamanho, porque quando surgiram, tinham cerca de 70cm de envergadura e isso consegue-se saber através dos fósseis que chegaram intactos até aos nossos dias.

Chamamos libélulas às maiores, as que têm as asas posteriores maiores que as anteriores, e quando pousam mantêm as asas abertas, ao passo que as libelinhas, mais pequenas, quando pousam fecham-nas junto ao corpo.

Libélula pousa mantendo as asas abertas

As libelinhas pousam mantendo as asas junto ao corpo
As libélulas são consideradas as aves de rapina dos insetos, são caçadoras perfeitas, arrancam muito rapidamente e voam a grandes velocidades. As suas asas batem a umas incríveis trinta vezes por segundo e pensa-se que terão mesmo a melhor visão de entre todos os insetos. Os seus olhos compostos são enormes em relação ao corpo, ocupam grande parte da cabeça o que lhes permite uma visão de 360º. Alimentam-se da maioria dos insetos voadores como moscas, mosquitos, vespas, borboletas e são conhecidas também por se alimentarem por outros indivíduos da sua espécies (canibalismo). Este ano tive a oportunidade de conseguir captar uma libelinha a caçar como se pode ver na imagem:       

Calopteryx virgo
Foi a primeira vez que consegui fotografar uma libelinha a caçar e também a primeira vez que fotografei esta espécie. Esta espécie, além de não ter as asas transparentes como as libélulas, apresenta um voo mais gracioso e o bater das asas assemelha-se ao de uma borboleta. 

Encontrei esta espécie no rio Gadanha mesmo junto ao Palácio da Brejoeira em Monção. Vinha na estrada nacional à procura do Palácio e reparei na placa à direita "Praia fluvial". Resolvi então encostar e fazer um piquenique, para então depois de bem nutrido, visitar o palácio e jardins.

Palácio da Brejoeira em Monção
Naquele local pude encontrar um grande grupo desta espécie naquele seu bailado caraterístico, pousam e depois, de vez em quando abrem e fecham as asas. Têm umas cores lindíssimas, um azul/verde metalizado cintilante quase hipnotizante que me levou a aproximar bastante da água só para as fotografar!




A vida das libélulas começa sempre na água doce. Os casais acasalam naquela posição única na natureza, em que formam um coração, e as fêmeas depositam um ovo diretamente na água, ou em plantas e rochas próximo da água, e depois, as chuvas encarregar-se-ão de os levar para a água.

Libélula a depositar ovos na água
Do ovo nascerá uma larva que viverá durante vários meses, ou vários anos até, dentro de água, e já nasce com os olhos compostos caraterísticos e com o instinto de predação voraz. Alimentam-se de lagartas, larvas, mas também de girinos e pequenos peixes, podendo ter várias vezes o seu tamanho. Até que chega o momento de sair da água e transformar-se de larva em libélula. Depois da metamorfose, e se não forem caçadas por outros animais, acabam por morrer naturalmente passado algumas semanas, e no fim de vida apresentam já muitas vezes a ausência de partes das asas, tal como acontece como as borboletas.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Em busca do Absinto

No ano passado, quando fazia uma visita guiada na Horta da Formiga aquando da formação sobre compostagem, retive uma frase da formadora "esta planta é o absinto, devem plantá-la nos vossos jardins e hortas pois afasta algumas pragas e a poda serve ainda para fazer um ótimo biopesticida".
Li também entretanto que o absinto pode até ser usado para matar as pulgas dos cães, fervendo-se as folhas durante meia hora, e depois de arrefecer, retirar as ervas e esfregá-las no cão, no sentido contrário ao dos pêlos, e em seguida lavá-lo com a água fervida: as pulgas morrerão lentamente.


Absinto (Artemisia absinthium)
Pouco tempo depois perguntei na grande superfície de plantas que costumo visitar se tinham a planta para venda pois eu não a encontrava. A senhora foi questionar o seu superior e chega-me com a resposta "essa planta é proibida e não a podemos vender". Fiquei desanimado mas eu não sou pessoa de desistir facilmente à primeira contrariedade. 

Pensei para comigo, se não posso comprar a planta, vamos ver se consigo comprar as sementes. E isso sim, arranjam-se facilmente, o que não deixa de ser irónico. Comprei pela internet, e sem sair de casa, recebi uns milhares de minúsculas sementes por pouco mais de um euro. Procedi à sementeira, mas ou não lhes proporcionei as devidas condições, ou fiz algo de errado, o que é certo é que nada de absinto!

A coisa não estava fácil, não tinha conseguido comprar a  planta, não tivera sucesso com a sementeira, mas a dificuldade só me aguçava ainda mais o engenho! E a solução foi extremamente simples! O absinto é uma planta aromática, e como tal, deveria pegar facilmente por estaca, ou seja, bastaria encontrar uma planta num sítio qualquer, cortar uns pequenos rebentos e colocar na terra. Segundo se diz, a planta até é espontânea em Portugal, mas encontra-se plantada em vários parques do grande Porto que costumo frequentar, logo, encontrando uma planta seria fácil conseguir clones. Colhi unicamente dois rebentos por esta altura e coloquei naquela terra do monte que costumo usar, e dois meses depois já era evidente o crescimento dos pequenos rebentos que havia colhido. 


Finalmente, um ano depois, já tenho duas plantinhas de bom tamanho prontas a ir para a terra. 


Como todas as aromáticas lenhosas, devem ser podadas no inverno para que rebentem novamente com vigor, e não fiquem demasiado velhas precocemente, aproveitarei talvez esses restos para depois propagar mais algumas plantas. 

No meio de tudo isto continuo muito baralhado até porque não investiguei a questão a fundo, e se alguém passar por aqui que saiba as respostas, queira fazer o favor de me elucidar. - Será que é mesmo proibida a comercialização da planta em Portugal? Se é, por que é que a formadora disse para a plantarmos? E qual o sentido de se proibir uma planta que é nativa do nosso país? Depois é muito curioso que o site de vendas www.planfor.fr tem um artigo na sua página sobre "plantas proibidas" e refere que "apesar da sua reputação, o absinto é totalmente legal". É legal, mas curiosamente não a têm à venda! Mistérios!

Editado 15.3.2015:
Encontrei absinto (Artemisia absinthiumà venda na grande superfície Leroi Merlin, Um pequeno vaso, do mesmo tamanho de outras pequenas aromáticas por 3€. Talvez o preço excessivo, quando comparado com as outras aromáticas todas, talvez se deva a ser uma planta nova no mercado.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A vida num tronco

Dia de morrinha, pouco propício para a jardinagem. Acabei por calçar umas galochas, pegar na máquina fotográfica e embrenhar-me pelo monte para caminhar um pouco e conviver com a natureza. 
Entrou o outono, chegou a chuva e a humidade que são ambientes propícios a diferentes formas de vida. Deparei-me com várias bonitas imagens, de líquenes, musgos e um verdadeiro planeta dos cogumelos em velhos troncos apodrecidos.

Líquenes


Cogumelos em sobreiro caído




Musgo em tronco envelhecido


Na vinda ainda trouxe um rebento de madressilva com raiz que encontrei. Vamos ver se tenho sorte e pega.