domingo, 31 de julho de 2016

Roedores de Physalis

Está a passar quase um ano, que no site das trocas, troquei, com uma senhora de Lisboa, umas suculentas por umas quantas plântulas de physalis. Eu só tinha provado este pequeno fruto há poucos anos em casa de uns tios meus, e por ter gostado fiquei logo com a ideia de vir a plantar em casa. A physalis é uma planta herbácea exótica, da mesma família que por exemplo o tomate, e é de muito fácil cultivo. Como a senhora me enviou muitas plantas, resolvi dar a maioria aos meus pais, que têm muito terreno disponível, e plantei depois algumas em minha casa. 



É uma planta que cresce e produz muito rapidamente, costumo dizer que é como as silvas! Mas o meu primeiro contratempo foram as geadas no inverno, que, ao contrário da casa dos meus pais que é mais abrigada, caem com frequência. O frio não foi assim tanto, mas foi o suficiente para que as plantas ficassem sem folhas e ficassem só com os paus ao alto. Até pensei que não escapasse nenhuma, mas na verdade mal as temperaturas começaram a subir brotaram de novo em força. 



Até que, esta semana semana comecei a ver um pequeno pé a tombar. O que de imediato pensei que estivesse a regar pouco e como o calor do último mês tem sido muito, bom, talvez tenha sido isso que tenha feito com quem este pé estivesse a querer secar. E passado um ou dois dias, outro pé também com as ramificações a tombar, e o calor até tinha sido bem menos, pois as temperaturas caíram neste fim-de-semana. 




Até que, estive agora a investigar a coisa, e o problema não é o calor nem a possível falta de água. O problema serão certamente os ratos que roeram completamente a planta! Certamente que os ratos que habitam no meu terreno nunca teriam provado physalis, mas ao contrário de nós que comemos os seus frutos, os ratos preferem roer as raízes e a base do tronco. E o lindo resultado foi este:




Ao contrário das minhas, as physalis dos meus pais não foram atacadas, mas também eu não tenho horta, só jardim, e a variedade de oferta é pouca ou nenhuma, e talvez possa estar aí a explicação.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ronronar de Prazer

A primeira coisa que ouviu assim que a porta do aerofone se abriu foi um "Que pouca vergonha!" coletivo. Azucena começou por se surpreender, mas depois entristeceu-se muito. As suas plantas tinham estado sete dias sem água e tinham todo o direito de a receber daquela maneira. Azucena costumava deixá-las ligadas ao plantofalante, um computador que traduzia em palavras as suas emissões elétricas, pois ela gostava de chegar ao trabalho e que as suas plantas lhe dessem as boas-vindas. 




Geralmente, as suas plantas eram muito decentes e carinhosas. Mais ainda, nunca a tinham insultado. Agora, Azucena não as censurava; se havia alguém que soubesse a raiva que dava ficar à espera , era ela. Deitou-lhes logo água. Enquanto o fazia pediu-lhes mil desculpas, cantou-lhes e acariciou-as como se fosse ela própria a ser consolada. As plantas acalmaram-se e começaram a ronronar de prazer.  (Laura Esquivel / 1995)


quinta-feira, 21 de julho de 2016

Jacarandás do Porto em Flor

Domingo depois de almoço, dia da final do Campeonato da Europa de futebol. Estaciono o carro na Praça da República, no Porto, onde já aqui falei do seu jardim Teófilo Braga. A bicicleta estava na mala do carro, mas saio a pé. O objetivo estava definido: começar por ir fotografar um jacarandá que está junto a um edifício em ruínas, do outro lado da rua da praça, e seguir depois para o Largo de Alberto Pimentel, voltar, e então tirar a bicicleta da mala do carro, e seguir até Foz em busca das flores vermelhas dos metrosideros.




Ao contrário, por exemplo, de Lisboa, não existem muitos jacarandás na cidade do Porto, nem tenho conhecimento de nenhum propriamente imponente. Existia o do Largo do Viriato mas que foi cortado há poucos anos. 

A cidade estava quase deserta. Atravesso o jardim e poucas dezenas de metros depois já estou defronte do jacarandá em flor, dentro de uma porção de terreno de um edifício em ruínas. Os carros eram tão poucos que dava para ficar no meio da estrada tentando enquadrar o melhor possível a árvore. 









Primeiro jacarandá fotografado, a missão seguinte era seguir para o Largo Alberto Pimentel que fica a quinhentos metros a pé. Já antes tinha comentado que falaria aqui deste pequeno espaço, interseção de duas ruas, porque as fotografias têm memória.



Reparem na imagem do Google de 2009 e depois comparem com as fotografias que eu tirei.



Contam-se cinco árvores já de algum porte. E agora vejam com a coisa ficou depois de umas pequenas mudanças nos passeios:



Restam unicamente dois, este na frente da imagem, e um mais atrás. Os outros três desapareceram num passe de mágica e foram plantados outros dois, pequenos. A minha pergunta é: para retirar uma pararem de autocarro e remodelar os ecopontos era necessário deitar abaixo três árvores? Acho que hoje em dia há muito pouca sensibilidade para com este tipo de questões. Deita-se abaixo uma árvore como se fosse uma parede. E é algo que me faz muita confusão. 



Enquanto descia da Praça da República para o Largo Alberto Pimentel, vi de relance um outro jacarandá, lá ao fundo, à minha direita. Então, na volta, resolvi passar por lá, para investigar. E cá está ele:





E daqui voltei à praça e ao carro. Tirei a bicicleta da mala e fui Rua da Boavista abaixo e depois Avenida abaixo - a zona mais burguesa da cidade - e nem de propósito, reparei que tinham plantado pequenas árvores, da Casa da Música até quase ao estádio do Bessa. E que árvores são essas? Precisamente jacarandás!

Um pouco mais abaixo, por trás de um gradeamento antigo, pintado de verde, num grande espaço com árvores de grande porte, que suponho ser privado apesar da cancela que lá tem, um outro jacarandá em flor:




Continuei tranquilamente pedalando avenida abaixo, observando os jardins das casas particulares, e fui até Foz - e até acabei agora mesmo de me lembrar que me esqueci de colocar essas fotografias, dos metrosideros, no post sobre os mesmos - e continuei ao longo da marginal e resolvi depois, cortar para o centro da cidade e decidi passar pelo Jardim Botânico, e entrei por lá adentro de bicicleta e tudo. Nesse dia, curiosamente, até decorria lá um evento qualquer sobre orquídeas.

E de cima da bicicleta, avistei, lá ao longe, perto da estufa e dos catos, as flores de um jacarandá.




E do Jardim Botânico regressei à Praça da República para deixar a bicicleta no carro e regressar a casa, apesar de ainda ter feito uma última paragem. A bicicleta será, sem dúvida, o melhor meio de transporte para conhecermos as cidades. A pé é excelente, mas demora-se muito tempo. Na bicicleta, ao nosso ritmo, vamos sempre redescobrindo novos recantos. Foi dos meus últimos passeios aquele em que me senti mais feliz. Talvez tenha sido da companhia das flores e dos ares do mar.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mariposa Beija-flor na Budleia

Ainda por estes dias partilhava aqui a minha budleia e mencionei que dela se diz que é o arbusto das borboletas. Infelizmente não tenho tido tempo para andar de volta dela, para ver que bicharada se aproxima das suas flores, mas surpreendentemente encontrei esta Macroglossum stellatarum (creio ser a identificação correta, pelo menos foi o que me pareceu ao passar os olhos no meu manual de borboletas) encontrando na net muita gente a chamar-lhe Mariposa-Beija-Flor, isto na terminologia brasileira, porque por cá chamamos-lhe colibri. 




E percebe-se porque lhe chamam mariposa-beija-flor, porque como pude constatar, esta borboleta usa uma técnica muito parecida com o pássaro de beber o néctar das flores. Tem uma espécie de longo aspirador e voa muito rapidamente e de forma frenética por entre as flores.



E talvez só mesmo voando tão rapidamente e de forma frenética tenha conseguido fugir da aranha-caranguejo que se ocultava nas flores e que por um triz não a apanhou.



E tão freneticamente que quase não tirei nenhuma fotografia em condições, mas isso é falta de jeito a fazer macros com os não-sei-quantos-pontos-de-focagem da máquina nova. A seu tempo lá chegarei. 




Mas importa dizer que sim, está comprovado que a budleia atrai de facto as borboletas, pois eu estou em crer que nunca tinha visto uma Mariposa-beija-flor antes! 

domingo, 17 de julho de 2016

As Árvores-do-Fogo da cidade do Porto

Não queria que passasse mais um ano sem partilhar aqui fotografias dos metrosideros da Foz do Porto em flor. E então conforme ia passando pela cidade, por vezes quando tinha de ir às consultas ou análises do Hospital Santo António  - não esquecer que eu não sou portuense, não vivo nem trabalho no Porto -  lá ia botando o olho aos metrosideros do Palácio que fica a meia dúzia de metros. As primeiras fotografias que tirei foram precisamente aos metrosideros, ainda jovens, que estão em frente do Pavilhão Rosa Mota. No Palácio os metrosideros estão muitas vezes intercalados com os escovilhões, um arbusto que tem uma flor relativamente parecida com a do metrosidero. 





A maior parte dos metrosideros que tenho visto são os excelsa mas ali no Palácio vi uma placa a identificar um Metrosidero robustus A. Cunn. E como são importantes estas placas com a identificação, pois assim, qualquer pessoa pode saber ao certo de que espécie se trata. Mas este ainda só tinha uma ou outra flor.












Ainda no Palácio um outro metrosidero enorme - passa-se por ele para ir para o Museu Romântico da Quinta da Macieirinha - mas este, das várias vezes que por lá passei não vi em flor. Mas o seu porte é tão imponente, que as suas raízes aéreas impressionam:






Se as primeiras flores dos metrosideros do Palácio estavam a florir, bom, então tinha de passar pela Foz para ver com os de lá estariam. E dias depois lá fui, mas só do lado nascente tinham algumas flores. Do lado do mar ainda nada.

O metrosidero é como sabem uma árvore exótica, não é natural da Europa, vem lá do outro lado do mundo, da Nova Zelândia, mas é precisamente, uma árvore conhecida por ser muito resistente aos ares salgados do mar. E na Foz do Porto, encontramos um enorme corredor de metrosideros, desde o Castelo do Queijo, da Avenida de Montevideu, passando pela Avenida do Brasil, até ao Passeio Alegre. E depois vê-se também, nas casas defronte do mar, metrosideros plantados em sebe, precisamente pelo mesmo motivo, por serem resistentes aos ares do mar. 






E como estariam os metrosideros juvenis do Passeio Alegre? Um aqui, outro ali, já estavam salpicados de vermelho.








Mas o tempo passa rapidamente e nem sempre tenho disponibilidade de passar pelo Porto, com a agravante de nem sempre o tempo junto ao mar estar muito propício à fotografia. Por duas vezes, de manhã, bem cedo, desloquei-me propositadamente à Foz, mas era só nevoeiro e aquela nortada característica. Consegui as fotografias possíveis, no fim-de-semana passado. O lado nascente já estava despido de flores, do lado do mar, umas flores aqui e ali, e muito vermelho pelo chão.












Talvez um dia me desforre e volte à Foz para ilustrar mais em detalhe estes jardins, onde os metrosideros reinam, também conhecidos por árvores-do-fogo, precisamente pelo efeito que as suas flores dão.