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domingo, 14 de outubro de 2018

Os Eucaliptos Um Ano Depois dos Incêndios de Outubro de 2017



Passa este fim-de-semana um ano dos grandes incêndios de Outubro de 2017. Na segunda-feira seguinte, quando me dirigia para trabalho, depois de atravessar a barragem de Crestuma-Lever o cenário era completamente desolador. Tudo preto, carbonizado, um intenso cheiro a queimado no ar. Da terra ainda saía muito fumo das raízes das árvores e ainda se vislumbravam algumas chamas. No Google Maps ainda podemos ver como era o arvoredo da zona em 2015, enormes eucaliptos por todo o lado:



Tudo ardeu, tudo ficou preto. Qual será o cenário um ano depois? É isso que vos vou mostrar. Mesmo depois desta pequena ponte, que na imagem tem as barras de proteção pintadas de amarelo, o cenário é milhares de eucaliptos que germinaram das sementes. São aos milhares, e alguns já têm meio metro de altura!








Dos eucaliptos adultos que arderam e dos troncos que entretanto foram cortados, nasceram, com grande vigor novos rebentos com metros de altura:







E é este problema que temos com os eucaliptos, a contínua perpetuação da pobreza. A destruição dos solos, dos recursos hídricos, a diminuição da fauna e a flora, e os constantes prejuízos para as pessoas e para a economia. Tudo em prol de alguns, muito poucos, que enriquecem à custa da pobreza de todos os outros. 



sexta-feira, 8 de junho de 2018

Depois dos Incêndios de Outubro, Renascem das Cinzas os Sobreiros

Conheço demasiado bem o local pois passo por lá todos os dias a caminha do trabalho. No dia 16 de Outubro de 2017 era uma dor no coração. Tudo completamente preto, carbonizado e cheio de fumo dos troncos que ainda ardiam enterrados na terra. 
Aos poucos o preto deu lugar ao castanho e, lentamente, alguns pontinhos de verde começaram a brotar. E nos últimos dois meses algo de fantástico começou a acontecer: os sobreiros, mesmo depois de terem ficado completamente carbonizados, renascem qual fénix das cinzas. 







Entretanto no solo há um completo frenesi, uma enorme corrida contra o tempo de plantas que crescem vigorosamente. Desde carqueja, sargaços, giestas, tojo, a Natureza volta a cobrir de verde, tudo aquilo que ainda há meses estava completamente carbonizado. 


domingo, 6 de maio de 2018

Depois do Preto dos Incêndios, da Chuva e do Vento, o Verde e o Amarelo da Primavera




Por aqui passo todos os dias junto ao Miradouro da Barragem de Crestuma-Lever (que com o arvoredo em frente não dá para mirar nada, não é Câmara Municipal de Gaia?). Desde o fim-de-semana dos grandes incêndios de Outubro, durante meses, todo este espaço esteve preto, carbonizado, e cinzento da cinza, das árvores e ervas que arderam. E esta mimosa, depois de queimada, manteve-se sempre de pé, até que veio a chuva e forte vento, e tombou. Mas entretanto todo o preto da terra, aos poucos, foi substituído por um mar de malmequeres amarelos bem como outras ervas silvestres.





Na falta das minhas próprias fotografias, podemos pode como estava a mimosa em 2015 com recurso ao Google Maps:




O enorme tronco da mimosa, partido ao meio...


Por entre as ervas ainda se vêem vestígios do incêndio, raízes queimadas.


E os pinheiros queimados...



Apesar dos milhares de flores disponíveis os polinizadores que se vêem são muito poucos, o que não é bom...






Mas o que é fantástico é como neste local (como em muitos outros) num curto espaço de tempo, depois do preto dos incêndios, a Natureza rapidamente coloriu de verde e amarelo a paisagem fazendo esquecer o que aconteceu há meio ano.

domingo, 12 de novembro de 2017

Por Que é Que as Casas Ardem em Portugal? (3)

Dizem-me que algo vai mudar no que aos incêndios diz respeito. Dizem-me que, depois de cem mortes, algo tem de mudar. Eu digo que não. Já conheço muito bem os portugueses. E nada mudará. Tudo continuará na mesma. As casas vão continuar a arder porque a lei não se cumpre e ninguém a faz cumprir. Os eucaliptos e pinheiros quase entram casas adentro. Não é preciso procurar muito. Basta estar atento e olhar em volta. Hoje parei o carro e fotografei mais estes dois exemplos. Ninguém limpa, ninguém corta as árvores, ninguém cumpre a lei, ninguém exige que ela se cumpra. E depois vêm todos fazer o choradinho do costume, com lágrimas de crocodilo e campanhas de solidariedade. 



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Porque Ardem Empresas em Portugal?

Podem mudar governos, podem aumentar o número de bombeiros, podem contratar milhares de helicópteros e milhares de aviões. Podem fazer o que quiserem, mas se não limparem à volta das das casas e das empresas, tudo continuará na mesma. É essa a minha convicção. Arderam centenas de casas este ano, arderam também muitas empresas. E continuarão a arder se a lei, que existe há muitos anos, não for cumprida e não a fizerem cumprir. 

Não é preciso procurar muito para perceber o porquê de arderem empresas em Portugal nos incêndios. Na própria rua onde trabalho podemos encontrar casos gritantes. Não se limpa, não se obriga a limpar. E tem-se um belo eucaliptal a três ou quatro metros das paredes da empresa. E um dia a empresa arderá. E todos pagaremos pela preguiça dos outros. E tudo continuará na mesma, ano após ano.




Segundo o estipulado no n.º 2 do artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de junho alterado pelo Decreto-Lei n.º 17/2009, de 14 de janeiro, as e os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edificações, designadamente habitações, estaleiros, armazéns, oficinas, fábricas ou outros equipamentos, são obrigados(as) a proceder à gestão de combustível numa faixa de 50 metros à volta daquelas edificações ou instalações medida a partir da alvenaria exterior da edificação, de acordo com as normas constantes no anexo do referido Decreto-lei.

sábado, 26 de agosto de 2017

Eucaliptos: um ano depois do incêndio

Há um ano, como aqui mostrei, ocorreu um incêndio junto da barragem de Lever e tudo ficou queimado e preto, mas poucas semanas depois, já milhares de sementes tinham germinado. Um ano depois, o cenário é este:


Atente-se na diferença, dois meses depois as sementes germinaram e já estavam com um tamanho entre 5 e 10 centímetros:


E um ano depois do incêndio, as pequenas plantas estão agora com cerca metro e meio de altura:



E é este o cenário um ano depois de um incêndio. Corta-se alguma madeira queimada para fazer algum dinheiro, as sementes do eucalipto dispersam-se e novos eucaliptos tomarão conta de tudo, e ficam assim os terrenos ao abandono. Nada se limpa, tudo fica na paz do Senhor. Até ao próximo incêndio.

# Eucalipto: resistência e disseminação pós incêndio



domingo, 20 de agosto de 2017

Por que é que ardem casas em Portugal? II

A notícia hoje no Diário de Notícias explica muito bem o porquê de situações como a que relatei anteriormente. Quando a multa por não limpar os terrenos é inferior ao gasto que se tem de pagar para fazer a limpeza, e quando em 40% dos casos as multas nem sequer são pagas, é lógico que o crime compensa. 

Os incêndios são um negócio. Não interessa limpar. Não interessa punir os incendiários. Não interessa fazer prevenção, limpar e ordenar a floresta. Não interessa acabar com o eucalipto, espécie invasora, que destrói os solos e é um perigo quando arde. O que unicamente interessa é que a floresta arda, para que se possam fazer negócios de milhões no combate às chamas. E é por isso que , infelizmente, continuarão a arder casas em Portugal. 


GNR diz que proprietários preferem pagar multas de 140 euros a mandar limpar terrenos, o que custa entre 500 a mil euros


Até ao dia 18 de agosto, a GNR já tinha levantado 782 processos de contraordenação por incumprimento da legislação que estabelece o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios. São multas por comportamentos negligentes dos donos das terras, como a falta de gestão das faixas combustíveis, as fogueiras ou queimas, ou a falta de limpeza dos terrenos ou da limpeza junto às estradas, refere a Guarda Nacional Republicana. Mas até ao momento apenas foram pagos 74.040 euros em coimas (65.240,00 euros por singulares e 8.800,00 por empresas)."A maior parte dos proprietários prefere pagar a coima, no valor de 140 euros, do que mandar limpar o terreno, o que custa 500 a mil euros", diz o major Ricardo Alves, do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.


domingo, 9 de julho de 2017

Por que é que as casas ardem em Portugal?

Ontem, depois de almoço, desloquei-me à freguesia de Duas Igrejas em Paredes, para passar na casa de um senhor com vista à compra de um pequeno corta-relva elétrico, para ser usado num canteiro de graminha que os meus pais têm. O meu corta-relva é demasiado grande para contornar algumas plantas, e depois também não é prático andar a metê-lo na mala do carro todas as semanas. E cortar à relva à tesoura não é fazível porque os meus pais já não têm saúde para andarem vergados a fazer esse tipo de trabalho, e por isso mesmo agora sou eu que trato de lhes cortar a relva, e este aparelho semi-novo era mesmo o ideal.  

Chegado à casa do senhor, que já está reformado, este recebe-me cheio de boa disposição, vestindo de camisola alusiva ao Futebol Clube do Porto e depois de ter prendido um cão preto de grande porte.

Ainda cá fora no passeio em frente do portão disse-lhe: "estes eucaliptos não podem estar aqui"! 


Foi algo que, de imediato, me chamou a atenção. Enormes eucaliptos estavam a dois metros do muro da casa dele, com ramos já dentro dos limites do terreno. E os perigos são vários, desde um incêndio, que irá colocar a casa em perigo, a um eucalipto que possa deixar cair um grande ramo, ou até possa até mesmo cair por cima da casa (como já aconteceu aqui no meu concelho) e danifique a casa, ou pior, atingir alguma pessoa. 

Mas o que o senhor me disse, é que já há quatro anos anda numa luta constante, com a proteção civíl e a câmara municipal, mas ninguém faz absolutamente nada, até porque o dono do terreno será pessoa influente na terra. 

"Aqui ainda impera o caciquismo, e sabe que os móveis são feitos aqui, é normal que as pessoas estejam cheias de serrim dentro da cabeça", disse-me.

A lei, de 2006, há muito que é clara, e diz que matos e árvores têm de ser limpos pelos proprietários num raio de cinquenta metros em torno das casas.


"Ao abrigo no disposto no Decreto-lei n.º 124/2006, de 28 de Junho, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto-lei n.º 17/2009, de 14 de Janeiro, compete aos proprietários, arrendatários, usufrutuários, ou entidades que a qualquer título detenham esses terrenos a execução das operações de limpeza até ao dia 15 de Abril de cada ano. O não cumprimento destas acções de limpeza, são passíveis de aplicação de coimas que poderão ir dos 140,00 € aos 5.000,00 €, no caso de pessoas singulares, e de 800,00€ aos 60.000,00€ no caso de pessoas colectivas".


Mas então se a lei é tão clara, e supostamente deveria estar do nosso lado, por que é que as pessoas como este senhor, tantas voltas tem dado e o que sente é que estão contra ele, como se quem estivesse a fazer algo de errado fosse ele? Vivemos numa República das Bananas em que cada um faz o que lhe apetece, e que só se faz alguma coisa quando acontece uma tragédia? Infelizmente sim.

Para mim é incompreensível que ardam casas, o bem mais precioso das pessoas. Vivemos num país cheio de leis, muitas vezes até me parece que temos é leis a mais. Só que o problema é que todos se estão a borrifar para as leis. Ninguém as cumpre, nem os cidadãos, muito menos as autoridades estão empenhadas em fazê-las cumprir. Dá trabalho e talvez achem que não dá votos andar chatear as pessoas para cumprir a lei.

E se é verdade que muitas vezes as casas ardem por incúria das pessoas, por irresponsabilidade e preguiça, pois deixam os matos quase entrar porta adentro, noutros casos, infelizmente como aqui retrato, são as próprias autoridades que fecham os olhos, porque a pessoa em causa até será influente (se calhar ligada à política) e lavam as mãos como Judas, contribuindo para a falta de segurança de todos. 

As matas e tapadas neste país não se limpam porque são de gente, por norma rica e influente. Se fossem de gente pobre e prejudicasse as gentes ricas, pois não tenham dúvidas que nem um só incêndio ocorreria em Portugal. Mas se os governos e a Assembleia da República fez essas leis de limpeza e manutenção dos terrenos para prevenir os incêndios e elas não são cumpridas, então essa responsabilidade é do poder local que conhece bem as situações de perto. Essa responsabilidade é das Juntas de Freguesia e das Câmaras Municipais, que depois na prática, como se vê aqui, depois nada fazem. 

E eu pergunto: se aquela estrada de Pedrógão Grande, em que morreram dezenas de pessoas dentro dos carros, estivesse, como manda a lei, limpa, numa área nunca inferior a dez metros em cada faixa de rodagem, quantas vidas se teriam poupado? Provavelmente todas. 
O incêndio destruiu ainda cerca de 200 habitações. Se os terrenos estivessem limpos, como manda a lei, cinquenta metros em tornos das casas, quantas é que teriam ardido? Nenhuma.  E então, de quem foi a culpa? Por que é que as casas ardem em Portugal?

domingo, 23 de outubro de 2016

Eucalipto: resistência e disseminação após incêndios

Fim-de-semana passado. Saí, depois de almoço, para um curto passeio que visava tirar algumas fotografias que eventualmente até poderei partilhar aqui. Acabei por me perder por estradas desconhecidas e acabei por ir ter a um sítio que até conhecia relativamente bem, mas que não conhecia o trilho que encontrei, junto ao rio Douro. Essa zona ardeu em Agosto, como grande parte do norte e centro do país.



Tudo ardeu, tudo ficou preto e carbonizado, mas quando olhamos em detalhe para o chão, vêem-se muitas "ervinhas" pensará qualquer leigo. Mas não são ervinhas, são pequenos eucaliptos que em dois meses nasceram e já estão com quase dez centímetros! E são aos milhares!!


Veja-se aqui em pormenor um pequeno eucalipto. Em dois meses a semente germinou e cresceu uma pequena árvore com dez centímetros, e observe-se onde cresceu, num autêntico fertilizante que é a cinza. Sem querer acusar ninguém, agora pensem comigo, quando um produtor tem um eucaliptal em fim de vida, vejam o que acontece se lhe deitar fogo... Uma sementeira gratuita!


Em Portugal em vez de se defender a floresta e as árvores autóctones, não, fez-se precisamente o contrário, e os interesses dos grandes grupos económicos, nomeadamente da pasta do papel, transformaram Portugal no maior produtor mundial de eucaliptos, e compare-se a dimensão minúscula do nosso país, com outros grandes produtores como a Espanha, Brasil, Índia ou China!

É completamente absurdo, é irreal e vergonhoso. É mais do que isso, é criminoso que os políticos portugueses tenham permitido este estado de coisas. Deveriam estar todos na cadeia, todos os que permitiram que chegássemos a este estado de coisas. E ainda muito recentemente, no anterior governo a senhora ministra Cristas, que nem sequer deve saber o que é um eucalipto, liberalizou a plantação dos eucaliptos! 

A nossa floresta está a ser assassinada e substituída por matéria-prima para as fábricas de papel e a culpa é exclusiva dos políticos. E é vergonhoso que venham depois fazer o choradinho quando o país arde, e a comunicação social querer culpar unicamente os pirómanos ou alcoólicos pela situação. A culpa antes de mais é também dos eucaliptos e das más opções políticas. Em duas semanas de Agosto, ardeu mais do que em toda a Europa! Será coincidência que existam mais eucaliptos em Portugal que no resto da Europa toda? Mais do que ninguém a culpa dos incêndios é também vossa, senhores governantes.  

O eucalipto desertifica, destrói os solos, destrói recursos hídricos e é altamente inflamável. E não é à toa que se diz "que os eucaliptos secam tudo à sua volta". É mesmo verdade. Onde estes se implantam, dificilmente outra vegetação nasce debaixo deles, sem falar que largam muitas cascas e ramos, fica um completo deserto à sua volta. Veja-se como fica o chão onde os eucaliptos são plantados:





E não se pense que quando ardem morrem! O eucalipto vem da Austrália, onde tem quem coma as suas folhas. Mas em Portugal não existem Koalas! E o eucalipto está muito apetrechado a sobreviver ao fogo. Vejam, há dois meses todos estes hectares arderam e vejam como eles estão a puxar novos rebentos por todo o lado. 




Todos se lamentam dos incêndios e dos prejuízos. Tudo fica destruído, os animais, as árvores. Mas poucos se insurgem contra o assassinato das nossas florestas autóctones, poucos se insurgem contra os eucaliptos. Todos os pequenos proprietários gostam do eucalipto pois, sem qualquer esforço, conseguem um bom rendimento extra plantando eucaliptos e vendendo a sua madeira para a pasta de papel Todos dizem serem mitos sobre o eucalipto quando a verdade está à frente dos olhos de todos. É mais ou menos como os produtores de culturas transgénicas que dizem maravilhas, porque metem muito dinheiro ao bolso quando estão a provocar danos irreversíveis à Natureza. No fundo todos parecem ficar satisfeitos com os eucaliptos porque estão todos comprados pelo dinheiro fácil. No enquanto o país fica cada vez mais pobre, mais desertificado, mais estéril, mais queimado. Todos nós ficamos mais pobres. E tudo isso é mesmo muito triste.  

# Eucaliptos: Um ano Depois