Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Guias Árvores de Portugal e Europa, Insetos, Aranhas e Repéis


Há algum tempo que gostava de arranjar um bom guia sobre árvores, hoje surgiu-me a oportunidade de conseguir este "Árvores de Portugal e da Europa" a um excelente preço, tendo em conta que novo custa 25€.

Descrição:

Guia de campo que permite identificar as principais espécies europeias de árvores e de arbustos de maior porte que podem ser encontrados em Portugal e na Europa, bem como de algumas espécies ornamentais exóticas.
O texto está adaptado a Portugal, com indicação das espécies que podem ser vistas no nosso país.
São apresentadas mais de 400 espécies, das quais 335 são ilustradas a cores.
São ilustradas, em particular, diversas características sazonais e permanentes das árvores e arbustos, permitindo a sua identificação ao longo de todo o ano.
Contém uma chave de identificação para as famílias botânicas.
Guia traduzido e adaptado para Portugal pelo Prof. Luís G. Pereira, Prof. José Pissarra, Dr. Rubim Almeida da Silva e Dr. Fernando Tavares (Departamento de Botânica da Universidade do Porto).

Aproveitei e, já que a pessoa tinha outro de Insetos, Aranha e Serpentes e comprei também:




terça-feira, 1 de maio de 2018

Livro Portugal Natural

Mais um livro que me chegou às mãos (fruto de mais uma troca por plantas) para ser certamente futura fonte de pesquisa. É uma edição de 320 páginas da Deco Proteste com a colaboração da Liga para a Proteção da Natureza de Abril de 1995. 

Aborda diferentes temas da fauna e flora portuguesa com capítulos sobre árvores (folhosas e resinosas); plantas e flores silvestres invertebrados; aves (terrestres e aquáticas); mamíferos; répteis; animais de água doce e ainda um capítulo sobre cogumelos. 



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O Bosque Como Bomba de Água

"Mas afinal como é que a água chega à floresta, ou ainda mais elementar que isso, como é que a água chega sequer às partes terrestres do planeta? Ainda que a pergunta pareça simples, responder-lhe é inicialmente tarefa difícil. Uma das principais caraterísticas das regiões terrestres é estarem a um nível mais elevado do que os  mares. A força da gravidade faz com que a água escoe sempre para o nível mais baixo, o que em princípio faria com que os continentes secassem. Isto é evitado pelo permanente reabastecimento de água proporcionado pelas nuvens, as quais se formam no mar e são transportados pelos ventos. No entanto, este mecanismo só funciona até umas poucas centenas de quilómetros de distância da costa. Quanto mais avançamos para o interior, mais seco se torna o território, uma vez que as nuvens se desfazem entretanto em água e desaparecem. A 600 quilómetros da costa é já tão seco que começam a aparecer os primeiros desertos. Em princípio, a vida só seria possível numa estreita faixa continental costeira, pois o interior seria seco e desolado. Mas só em princípio, pois felizmente existem as florestas. Estas constituem a forma de vegetação com a maior superfície de folhagem. Por cada metro quadrado de floresta, estendem-se nas copas 27 metros quadrados de folhas e agulhas. Na copa fica desde logo retida uma parte da precipitação, evaporando logo de seguida. No verão, as árvores consomem até 2500 metros cúbicos adicionais de água por quilómetro, que libertam durante a respiração. Este vapor de água faz com que se voltem a formar nuvens, que depois avançam para o interior, onde dão origem a precipitação. Este jogo vai-se desenrolando em zonas cada vez mais interiores, de modo que a humidade é também fornecida às regiões mais distantes. Esta bomba de água funciona tão bem, que a precipitação em algumas regiões do nosso planeta, como, por exemplo, na bacia do rio Amazonas, a vários milhares de quilómetros da costa mal se distingue daquela que se verifica no litoral. A única condição é que entre o mar e o canto mais recôndito haja floresta (...)

Chuvas regulares são de extrema importância para os nossos ecossistemas, já que água e floresta são dois elementos quase inseparáveis. Quer se trate de ribeiros, charcos ou do próprio bosque, todos os ecossistemas estão dependentes de proporcionarem aos seus habitats condições o mais constantes possível.  (...)

A importância que as árvores têm para os ribeiros também não diminui depois da morte destas. Se, por exemplo, uma faia cai e fica atravessada sobre o leito do ribeiro, então fica aí deitada durante décadas. Funcionando como uma pequena barragem, permite que aí habitem espécies que não suportam correntes fortes, como é o caso das discretas larvas de salamandra. 


domingo, 12 de novembro de 2017

Eucaliptização: As Consequências

"A eucaliptização é pois um verdadeiro atentado à identidade portuguesa."


Sobre a Água

Em áreas de precipitação elevada (acima dos 1000 mm) o seu consumo de água, embora muito acentuado, não reduz criticamente a disponibilidade hídrica das bacias, mas em áreas de menor precipitação, onde têm sido instalados grande parte dos eucaliptais nos últimos anos, o efeitos dos eucaliptais industriais adultos de alta intensidade sobre os recursos hídricos é acentuado, tornando-se praticamente nulo o rendimento em água das bacias hidrográficas onde está instalado. Este efeito  começa a verificar-se já quando as árvores têm 4-6 anos de idade. 

Nas zonas de baixa precipitação o eucalipto desenvolve um vasto sistema radicular superficial que absorve em grande parte a água da infiltração, bloqueando a recarga subterrânea e eliminando drasticamente a vegetação do sub-bosque. O sistema radicular também lhe permite explorar eficientemente aquíferos subterrâneos. 

Sobre o  Solo

Dada a elevada produtividade dos eucaliptais, para além da excessiva exploração da água, grande quantidade de nutrientes encontram-se imobilizados na biomassa (raízes, casca, ramos e folhas). O folhado de elevado pH é rapidamente mineralizado sem incorporação de matéria orgânica nos horizontes do solo, e os elementos libertados são novamente absorvidos pela planta, continuando os horizontes minerais pobres em matéria orgânica, em nutrientes e de pH baixo. 

Em especial em regiões de baixa precipitação e com solos de baixa fertilidade, a quase inexistência de vegetação herbácea e arbustiva não permite proteger o solo da erosão hídrica, pelo que os eucaliptais são ineficientes para conterem a erosão laminar, mesmo quando plenamente desenvolvidos.  

Após o fim do ciclo de produção resta o terreno coberto de cepos e raízes de difícil remoção. Se não forem retirados, deixarão os terrenos improdutivos e inutilizáveis para reconversão, em parte devido ao desenvolvimento de fungos. (...) Por outro lado, a cuidada remoção dos cepos e raízes em solos compactos será particularmente difícil e onerosa economicamente inviável, contribuindo assim também para a forte erosão em declives acentuados. 

Sobre a Flora e Fauna

A sua instalação e corte pressupõem a destruição das comunidades pré-existentes ou entretanto desenvolvidas durante o crescimento do povoamento. 

Estes aspetos são significativamente agravados no caso dos eucaliptais das zonas de fraca precipitação, onde o desenvolvimento do sub-bosque é quase nulo. Verifica-se assim uma redução drástica da riqueza florística. A flora mediterrânica contém numerosos endemismos muito localizados. A plantação indiscriminada de extensas áreas de eucaliptais   pode implicar assim a extinção completa de diversas espécies. 

É igualmente grave o desaparecimento sistemático de várias espéceis arbóreas e subarbóreas caraterísticas da nossa flora (carvalhos, medronheiros zambujeiros, etc) são frequentemente cortadas ou "abafadas" pelos novos eucaliptos. Com elas desaparecem as espécies epifíticas (musgos e líquenes) respetivas, muitas com valor económico. 

A substituição sistemática das fitocenoses naturais, que constituem valiosos habitats para a fauna, por eucaliptais exóticos, extremamente pobres em nichos ecológicos e de escassos recursos alimentares, constitui uma das mais importantes causas de perda de abundância e diversidade faunística. De facto os eucaliptais são muito mais pobres em fauna que, por exemplo, um montado de sobro. 

Incidindo sobretudo sobre áreas de agricultura marginal ou extensiva, e sobre os habitats naturais e semi-naturais ("incultos") a eucaliptização é a principal ameaça atual para diversas espécies em perigo - lince, gato-bravo, aves de rapina, cegonha negra, abetarda, etc. 


Sobre a Economia

Apesar de ser habitual afirmar-se que o eucalipto é a espécie silvícola que maiores rendimentos proporciona, esta afirmação é falsa. Na verdade, o montado de sobro em uso múltiplo, quando convenientemente explorado, proporciona rendimentos muito superiores, sem que apresente os impactes ambientais negativos do eucaliptal, os quais aliás não são contabilizados pelos que falam dos elevados rendimento do eucalipto. 

Assim, o eucalipto apenas permite atingir rendimentos mais rápidos, por ser uma espécie de crescimento rápido mas não é de forma alguma a espécie mais rendível, nem a que garante uma rendibilidade sustentada. 

As empresas de celulose, que se têm apresentado como fonte de lucro para o país, possuem na maior parte dos casos uma forte componente de capital estrangeiro, que é mesmo maioritário nalguns casos, o que implica que, na realidade grande parte dos lucros gerados são exportados para outros países, os quais deles usufruem sem suportar os impactos da eucaliptização e da atividade industrial que lhe está associada. 

Numa verdadeira avaliação dos aspetos económicos da eucaliptização, há ainda que ter em conta que, em geral, ao fim de três cortes torna-se economicamente inviável nova plantação de eucaliptos. Os custos e consequência da remoção dos cepos e raízes são gravosos e ainda não completamente avaliados, pelo que implicam severa quebra na capacidade produtiva dos solos, riscos de erosão, etc. 

Só uma visão economicista estrita baseada exclusivamente no lucro imediato, pode explicar a opção económica pela monocultura intensiva do eucalipto, como a têm defendido alguns governantes. Esquecer deliberadamente as gravosas consequências que a mesma implica, embarcando em metáforas falaciosas como a do "petróleo verde", é tão lesivo da Pátria como o seria vender porções do território nacional. A eucaliptização desenfreada a que se assiste em Portugal só tem de semelhante ao petróleo o efeito de uma maré negra, alastrando sem parar na nossa floresta, e constitui uma ameaça preocupante ao desenvolvimento sócio-económico do país. 

Sobre as Regiões

Em primeiro lugar, o eucalipto constitui um elemento exótico, alheio à nossa região biogeográfica, não integrado culturalmente no sistema de sobrevivência das comunidades rurais, exceto como elemento de referência topográfica, ou outras utilizações secundárias. 

O proprietário que vende a terra às celuloses, aliciado pelos preços sobrestimados que esta não pode praticar, contraria a sua posição de residente: não deseja vender, mas não tem alternativa, o que lhe cria um conflito psicológico consigo próprio e com a sociedade de que faz parte. Ao perder a posse efetiva e o controle sobre a propriedade, perde o seu estatuto socio-económico habitual, desinserindo-se da comunidade. A função social do proprietário que a aliena a terra ou o seu uso em benefício das celuloses torna-se abstrata. 

Sobre a Cultura


A forma como são plantados os eucaliptos, implicando a mobilização dos terrenos e a utilização de maquinaria pesada, tem levado à destruição e muitos vestígios arqueológicos, em especial de monumentos megalíticos. Para esta situação muito contribui a falta de preparação e de sensibilidade dos responsáveis pela arborizações industriais. Embora também falte um inventário nacional exaustivo das áreas de interesse arqueológico, já tem ocorrido a destruição por parte da empresas de estações arqueológicas referenciadas. O que atesta a sua manifesta falta de respeito pelos valores culturais e históricos do nosso país. 

Por outro lado, a paisagem faz parte integrante da identidade cultural de um país e de um povo. O impacto paisagístico de monoculturas de uma espécie oriunda de outra região geográfica, descaracterizam em absoluto a paisagem portuguesa. A paisagem variada tradicional, aliás um dos sustentáculos do turismo, tem sido crescentemente substituída por manchas contínuas e monótonas eu eucaliptos, como sucede já em amplas extensões do país. 

Excertos de "A eucaliptização em Portugal: Análise da situação e propostas de resolução" / Agrobio - APB - GEOTA - GUEA - LPN - QUERCUS de 1989

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Lost in Translation

O livro A Vida Secreta das Palavras de Peter Wohlleben, revelou-se como um dos meus livros preferidos dos últimos tempos, e acho mesmo que todas as pessoas o deveriam ler. Contudo, a páginas tantas, o tradutor cometeu uma gaffe de tal ordem, que qualquer português comum, mesmo não sendo muito entendido em árvores percebia que há algo de errado na tradução.

Na página 170 do livro pode-se ler:

"O azevinho dispensa o moroso processo do crescimento ascendente, preferindo começar logo já lá em cima. É com esse objetivo que as suas sementes pegajosas se agarram aos ramos das copas, onde os pássaros vêm afiar os seus bicos. Mas como é que chegam lá a cima sem qualquer de contacto com o solo que lhe forneça água e nutrientes? Estes são recursos que se encontram em abundãncia nas zonas superiores, mais concretamente nas próprias árvores. Para isso, o azevinho estabelece as suas raízes no ramo onde se encontra, limitando-se depois a absorver aquilo que precisa."


Certamente que o autor não se poderia referir ao azevinho, pois como todas as pessoas sabem, o azevinho, árvore espontânea em Portugal (apesar de ameaçada de extinção) nasce no solo, à sombra dos carvalhos ou sobreiros. Creio que o autor se quereria referir ao visco, essa sim, uma planta parasita, que nasce na copa das árvores.  

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Guia Percursos Pedestres e BTT distrito de Leiria

Comprei por estes dias um guia dos percursos pedestres do distrito de Leiria e do concelho de Ourém (Santarém). É uma edição em estilo revista com 194 páginas. Cada percurso está bem ilustrado com fotografias, e encontramos todos os dados que é preciso saber como: a distância, o tempo que demora a percorrer, o grau de dificuldade e a época mais aconselhada. Encontramos ainda dicas para o caminheiro e ciclista (vestuário, equipamento e acessórios) e informações sobre a sinalização dos percursos. 

Neste guia podemos ficar a conhecer 16 municípios e 1360Km de circuitos de Natureza que vale a pena conhecer. Podemos encontrar este guia nas bancas pelo preço de um gelado (2€); acho que vale a pena comprar e faz melhor à saúde!


sábado, 24 de junho de 2017

Árvores: Política de Amizade II


"Há um fenómeno que foi observado nas savanas em África há já cerca de quatro décadas. Nesses territórios, as girafas alimenta-se de acácias, o que não é nada do agrado desta árvore. Para se verem livres detas devoradoras de árvores, as acácias libertam uma toxina nas suas folhas num espaço de minutos. A girafas sabes disto e abandonam uma árvore para passar a outra. Mas não passam para a que está mesmo ao lado. Nada disso. Deixam algumas árvores de intervalo e retomam a refeição uns 100 metros mais adiante. O motivo para isto é surpreendente: a acácia devorada emite um gás de alerta (neste caso, o etileno), que sinaliza às suas companheiras em redor que o mal está a caminho. Deste modo, todos os exemplares assim previamente alertados libertam de igual forma as suas toxinas para se prepararem para o pior. As girafas conhecem este jogo e por isso afastam-se um pouco mais, de modo a encontrar na savana árvores que ainda não tenham sido avisadas. Ou então prosseguem contra o vento, uma vez que as mensagens odoríferas são transportadas para as árvores seguintes através do ar, pelo que, se os animais avançarem na direção oposta ao fluxo do ar, logo encontram acácias sem a mínima ideia da sua presença.  

A Vida Secreta das Árvores / Peter Wohlleben / Pergaminho 


domingo, 4 de junho de 2017

Árvores: Política de Amizade

"Mas porque razão são as árvores seres tão sociais? Por que motivos partilham o seu alimento com as companheiras, cuidando assim tão bem da concorrência? As razões são as mesmas que conhecemos das sociedades humanas: juntos somos mais fortes. Uma árvore não faz a floresta, não é capaz de criar um clima local equilibrado, é vulnerável ao vento e às condições meteorológicas. Pelo contrário, muitas árvores juntas, logram formar um ecossistema, capaz e mitigar o calor e frios extremos, de armazenar toda uma quantidade de água e de produzir ar bastante húmido. É neste tipo de ambiente que as árvores são capazes de viver protegidas e por muitos anos (...)

Por conseguinte, cada árvore é valiosa para para a comunidade e merece ser preservada o mais possível. Daí que ate os exemplares doentes seja apoiados, sendo abastecidos de nutrientes até ficarem bons outra vez. Pode ser que da próxima vez seja ao contrário e seja a árvore que agora ajuda a necessitar por seu lado de auxílio. (...)


Será que também as árvores vivem numa sociedade de classes? Tudo indica que sim, embora o termos "classe" não seja exatamente o adequado. O que decide a disponibilidade ajudar os colegas é antes o grau de vinculação ou até mesmo de afeição. E isso podemos nós próprios compreender se levantarmos os olhos para as copas. Uma árvore mediana estende os seus ramos o mais que pode até tocar na ponta dos ramos de uma vizinha de altura idêntica. Além desse ponto já não é possível pois aí o espaço aéreo, ou melhor dizendo, o espaço de luz encontra-se já ocupado. Ainda assim, esses ramos tornam-se cada vez mais vigorosos, dando a impressão de que lá em cima a luta é intensa. Pelo contrário, um verdadeiro amigo coíbe-se à partida de formar ramos demasiado grossos na direção do seu companheiro. Ninguém deseja tirar nada a ninguém, pelo que as partes mais fortes da copa são apenas formadas para fora, ou seja, para longe de onde estão os amigos. Amigos assim encontram-se por vezes tão intimamente ligados através das raízes, que por vezes até morrem juntos. (...)

A vida secreta das Árvores: o que sentem, como comunicam - a descoberta de um mundo misterioso / Peter Wohlleben / Pergaminho 

sábado, 13 de maio de 2017

O Espírito das Ruas

"Se tivesse um conto de réis por cada vez que falei revoltado com a mania de mudarem os nomes às ruas, estava rico. Tenho para mim que trocar topónimos bonitos, sensíveis e significantes por referências políticas de gosto duvidoso (e, quando não, usando sintaxe canhestra) ou por nomes de correlegionários, amigos, conhecidos, apanigados ou familiares, é desdém e desamor à cidade. 

O despautério ganhou forma com o advento do liberalismo, desenvolveu-se com as políticas oitocentistas, enraizou na 1a República e assumiu contornos antológicos durante o salazarismo. Para não ficarem atrás, com a 2a República, cuidaram de mudar, remudar, trimudar umas tantas designações. (Esqueceram-se, no afã, de restituir à cidade um do seus mais belos topónimos: Praça das Flores, pervertida com nome de político a quem o Porto nada deve.) Tem sido um vêr-se-te-avias no ataque à personalidade produnda do burgo, já que chamar a sítios cujos nomes têm centenas de anos coisa totalmente desadaptada do espírito do lugar é maneira insidiosa de descaracterização. (Convenhamos que quando se batiza o Jardim do Carregal por Carrilho Videira, ou se chama João Chagas à Cordoaria não há memória urbana que resista). 


João de Araújo Correia, que não tinha papas na língua para apontar os dislates contra a santa terrinha (e talvez por isso seja ignorado por modernos e pós-modernos), escreveu num dos seus textos belos e penetrantes: "Os nomes das ruas, antigamente, eram simples, eufóricos e de saber popular. Casavam-se, entre nós, com a índole da nossa língua e o modo de ser da nossa gente. Não feriam o bom gosto nem o bom senso de quem os lesse. Eram admiráveis na sua profunda singeleza, como linhas de autor clássico". O número de vandalismos toponímicos antiportuenses é um rosário. Infelizmente os responsáveis passam, mas o atentado fica. E como a escola, os costumes e a tradição desaprenderam a leitura da cidade, os descalabros ganham raízes, e em tempo de memória construída ao ritmo dos anúncios televisivos, as pessoas deixaram de saber os nomes verdadeiros. 

Porto, memória e esquecimento / Hélder Pacheco / 1994

sábado, 6 de maio de 2017

A Vida Secreta das Árvores

Acontecem coisas espantosas na floresta: árvores que comunicam entre si (enviando sinais elétricos através de uma rede subterrânea de fungos). Árvores que cuidam não só dos seus rebentos como também dos seus «vizinhos» doentes e velhos ou órfãos.

Árvores que têm sensibilidade, sentimentos e memórias. Incrível? Mas é verdade! O silvicultor Peter Wohlleben conta histórias fascinantes sobre as espantosas e pouco conhecidas caraterísticas das árvores. Com base não só nas descobertas científicas mais recentes, como também na sua própria experiência de vida na floresta, partilha com o leitor todo um mundo até agora desconhecido. Uma fascinante viagem pela vida secreta das florestas que é ao mesmo tempo uma verdadeira inspiração ecológica e nos leva a repensar a relação do homem com a natureza.



Após ter lido, no ano passado, algumas reportagens na net com este senhor Peter Wohlleben, de imediato fiquei com muita curiosidade em ler este seu livro, que estava a ser um sucesso lá fora. E já em Dezembro último tinha botado o olho ao livro de uma grande superfície comercial, mas achei que os quase 15€ (preço de qualquer livro em Portugal) eram dinheiro a mais e preferi aguardar. Tentei ver nas bibliotecas, mas como o livro é muito recente (2015) o título ainda não estava disponível. Comecei então a estar mais atento aos usados na net e por estes dias consegui comprá-lo por cerca de 5€ tendo a meu ver valido bem a espera para comprar no momento certo.

Seria certamente um livro para muitas pessoas lerem, tal é a forma, muitas vezes irresponsável, como se podam ou cortam árvores, que ali estavam há muitos muitos anos. Hoje em dia fala-se, e bem, da defesa dos animais (que não o homem) mas no que se refere ás plantas e árvores a insensibilidade ainda é muita. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A Arte do Bonsai

Já há algum tempo que gostava de ter um manual bonsai, então, tendo oportunidade de comprar este manual de Peter Adams usado por 2€ nem pensei duas vezes.


O livro começa por abordar os diferentes estilos e como os podemos desenvolver. No capítulo seguinte ficamos a saber como conseguir recolher diferentes materiais para os nossos bonsais (de semente, enxertia, viveiro, etc); no terceiro capítulo ficamos a saber sobre a poda, terra, vasos, alimentação, etc e no último capítulo fala-nos das diferentes árvores e das suas necessidades. 



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O Simbolismo das Plantas

Há coisas de facto curiosíssimas. 

Por estes dias eu escrevia aqui que "talvez um dia eu comece aqui a falar do simbolismo associado às plantas"...

... E entretanto há já uns largos meses que a minha amiga do Liz me dizia que tinha um livro para me oferecer. São daqueles miminhos muito prazerosos, pois são dados sem obrigação, porque não fazemos anos, nem é Natal (logo eu que até detesto que me dêem prendas nessa época de consumismo!), e porque até parece que o Dia dos Amigos ainda ninguém se lembrou de inventar! E até já tínhamos estado juntos várias vezes, mas mas o livro havia ficado esquecido, como que adormecido à espera de germinar, que é como quem diz, ser entregue no momento certo. 

E eis se não quando chegou-me agora às mãos. E que livro é? Nem de propósito: "O simbolismo das Plantas"!



Os benefícios do Alho e da Cebola


Este é um tema que me é muito querido, a história mas também simbolismo que é atribuído às plantas já dos tempos da antiguidade. E agora já tenho um bom livro para ler, parasaber mais e consultar sempre que necessário, e até para me servir de fonte aqui para o blogue.

O Simbolismo das Plantas / Frank J. Lipp / 1997

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ronronar de Prazer

A primeira coisa que ouviu assim que a porta do aerofone se abriu foi um "Que pouca vergonha!" coletivo. Azucena começou por se surpreender, mas depois entristeceu-se muito. As suas plantas tinham estado sete dias sem água e tinham todo o direito de a receber daquela maneira. Azucena costumava deixá-las ligadas ao plantofalante, um computador que traduzia em palavras as suas emissões elétricas, pois ela gostava de chegar ao trabalho e que as suas plantas lhe dessem as boas-vindas. 




Geralmente, as suas plantas eram muito decentes e carinhosas. Mais ainda, nunca a tinham insultado. Agora, Azucena não as censurava; se havia alguém que soubesse a raiva que dava ficar à espera , era ela. Deitou-lhes logo água. Enquanto o fazia pediu-lhes mil desculpas, cantou-lhes e acariciou-as como se fosse ela própria a ser consolada. As plantas acalmaram-se e começaram a ronronar de prazer.  (A Lei do Amor / Laura Esquivel / 1995)


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Pequena extravagância

Há algum tempo que que andava de olho (entre outros) nestes dois livros: Tratado da Grandeza dos Jardins e Portugal e À sombra de árvores com história. Dois livros que se encontram disponíveis na biblioteca para consulta, mas o primeiro não se pode trazer emprestado, e o segundo, não é livro de ler, é bem mais um livro de ter, pois é quase uma espécie de manual dos monumentos vivos da cidade do Porto. Não é um romance que se lê de princípio a fim e que se encosta na estante depois de lido. É antes, como qualquer manual, um livro para se usar.

O Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal é um grande calhamaço, ricamente ilustrado com fotografias para se aprender mais sobre a história dos jardins portugueses, e para, quem sabe, os visitar posteriormente. 

"Este livro é um jardim. E, como nos poucos jardins onde se pode passar a vida sem pensar uma única vez como é que se pôde, há um coração dentro dele. É o coração do mundo. É claro que é um coração português." (Prefácio / Miguel Esteves Cardoso)




À Sombra de Árvores com História é, como disse, um verdadeiro manual para quem quiser, e será certamente o meu caso, de pegar nele e partir à descoberta dos seres vivos mais velhos da cidade do Porto. 

"Algumas das árvores do Porto são originárias de paragens longínquas, muitas são centenárias. São os mais antigos habitantes da cidade, contemporâneos dos avós dos nos nossos avós e testemunhas vivas da memória coletiva. Paulo Ventura Araújo, Maria Pires de Carvalho e Manuela Delgado Leão Ramos conhecem-nas pelo seu nome, a história de cada uma, da sua vida e daqueles, lugares e homens, que de algum modo a partilharem." (Manuel António Pina)



Eu por exemplo não sabia que maior metrosidero da cidade do Porto fica na rua de Cedofeita, num jardim onde provavelmente nunca lá passei. 


domingo, 31 de agosto de 2014

Mais livros para a estante

Nas últimas semanas fui adquirindo mais alguns livros sobre jardinagem e plantas. Alguns foram meras oportunidades de ocasião, outros já andava a namorar há algum tempo e que entretanto encontrei a um preço mais razoável. 

Os primeiros a chegar foram dois livros sobre flores, para juntar a outros dois que tenho da coleção Mundo Verde. Um volume é dedicado às flores do bosque de 1997, o outro, sobre as flores do campo de 1998.


Uma enciclopédia de plantas que já andava de olho há algum tempo, era as As plantas nossas amigas de 1979.   São oito volumes dedicados aos benefícios das plantas tanto à mesa, como no tratamento de diferentes maleitas. 


Compra de ocasião, por 1€, foi a Agenda 2014 Plantas Medicinais - Ervas Silvestres e Flores Comestíveis da Fernanda Botelho.


Há algum tempo trouxe da biblioteca o livro O Livro do Jardim das Seleções do Reader's Digest de 1996 e apesar de ter digitalizado algumas páginas sobre temas que mais me interessavam, de imediato decidi que este seria um livro que obrigatoriamente teria de arranjar, pois é umas das obras mais completas que já me passou pelas mãos e excelente para um jardineiro-amador como eu. 


Outra compra de ocasião, por 2€, foi a compra de um pequeno manual sobre como cuidar de roseiras.


E o último a chegar, outro caso de ocasião e proveniente de uma troca, por uma espécie de dicionário Portugal Botânico de A a Z - Plantas Portuguesas e Exóticas de 2003, em que partindo dos nomes vernaculares podemos chegar aos nomes científicos ou vice-versa.


São doze livros (oito volumes da enciclopédia) por cerca de trinta e cinco euros,  não creio que no global tenha sido uma má compra. Não são manuais para ler de princípio a fim como um qualquer romance, são livros práticos, para ir lendo, mas por temas de interesse, ou para ir consultando em caso de necessidade.

domingo, 15 de junho de 2014

Mais alguns livros

Adquiri por estes dias mais alguns livros técnicos sobre jardinagem/agricultura e temas da natureza para saber mais e poder consultar em caso de dúvida e certamente terão utilidade para ser consultados em temas que abordarei aqui no blogue. A vida não está propriamente fácil para gastos supérfluos, e no nosso país os livros novos são um luxo, mas cada um destes livros que comprei custou pouco mais que um gelado, nenhum destes ultrapassou os três euros. 

O primeiro livro a chegar foi "O Quivi - variedade, cultura e produção". Comprei-o porque os meus pais têm três pés (duas fêmeas e um macho) mas tinham muito desconhecimento sobre como se faz a poda, ainda por cima vêem-se muitas plantas podadas de forma diferente e também porque eu mesmo estou a pensar plantar, a médio prazo talvez, para consumir a fruta, que até é cara, e assim já sei bem mais sobre o que é necessário para me iniciar na cultura da actínídia, vulgo quivi. 


O segundo livro foi uma compra por impulso. Passava por uma rua do Porto, e vi numa montra de um alfarrabista cheia de livros, com uma placa "Todos os livros que estão na montra a 2,50€". Lá fui passar os olhos a ver se via algum título que me interessasse e pedi para ver um velho livro intitulado "Jardinagem". É um livro brasileiro de 1965, um verdadeiro compêndio de jardinagem extremamente completo detalhado sobre os mais diversos temas.


"Segundo uma lenda dos árabes, Adão, ao ser expulso do paraíso, teria levado, sub-repticiamente, um raminho de murta consigo como recordação do paraíso perdido. Mas a lenda não afirma que o galho de murta, fora do paraíso criou raízes e cresceu, sob os cuidados zelosos do primeiro casal humano. Se assim fosse, poder-se-ia concluir perentoriamente  que a jardinagem nasceu com Adão. Mas não há certeza.
Assim como não há certeza sobre os começos da jardinagem no Brasil. Sabemos que a primeira galinha chegou ao Brasil em 1532, trazia por Martim Afonso de Sousa, desembarcando em Santos, mas ignoramos quem fincou o primeiro pé de craveiro na terra brasileira ou quem semeou o primeiro canteiro de goivos. Os antigos documentos mencionam que nas hortas se plantavam algumas flores, de sementes trazidas de Portugal, como se não houvesse flores silvestres e nativas que merecessem ser cultivadas. 

Os dois últimos livros chegaram, como a maioria, via compra pela internet. Da coleção Mundo Verde da Círculo de Leitores "borboletas e lagartas" e "Árvores de folha caduca". 


Com o manual de borboletas, agora já poderei identificar mais facilmente quer as lagartas, como as próprias borboletas que vou encontrando nos meus passeios. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Livro em feira de velharias

Como referi na mensagem anterior, no fim-de-semana passado estive em Viana do Castelo. Depois de uma passagem pela Citânia de Santa Luzia (ou cidade velha), ou o que resta dela para a construção do hotel (é assim que se preserva a história e a cultura em Portugal) andei a caminhar pela cidade, e deparei-me com uma feira de velharias no jardim Dom Fernando, que se realiza no primeiro sábado de cada mês. 

Citânia de Santa Luzia (Viana do Castelo)

Eu confesso que gosto de velharias, e claro, comecei logo a botar o olho ao que estava exposto! Logo numa dos primeiros expositores encontrei um livro de plantas, e vi logo que me ia meter em despesas! 

"-Quanto é este livro?" perguntei. "Posso deixar por 5€" disse a senhora. Bom, se calhar é habitual o cliente regatear o preço, e eu ainda comentei que o livro estava um bocado em mau estado, e é verdade, parece que andou na guerra! mas é um livro antigo, e o desgaste é só na capa, e também duvido que arranjasse mais barato. Ainda dei uma vista de olhos pelos restantes expositores, mas as pessoas já estavam a desmontar as coisas e a guardar os artigos. Mas ainda assim, trouxe para casa, mais um livro sobre plantas.





O livro é "O livro das plantas" de Rob Herwig e Claude Riou, edição Círculo de Leitores de 1980, e fala sobre diferentes tipos de plantas, de A a Z, organizadas pelo nome científico, e explica detalhadamente todos os cuidados a ter para poderem ser mantidas no interior das casas ou no local de trabalho. Tem ainda um capítulo dedicado exclusivamente sobre a melhor forma de as expor.


Encontramos catos e suculentas, trepadeiras como o jasmim ou a passiflora, palmeiras, e até árvores como a camélia e a romãzeira, como se vê na imagem. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Saldos et un cadeau spécial

A minha última mensagem em formato musical, reflete o que se tem passado. Estamos a meio do inverno e a chuva tem dado poucas tréguas para se fazer o que quer que seja. Vou aproveitando os intervalos dos aguaceiros, para mudar umas quantas dezenas de plantas do meu mini-viveiro para vasos maiores. Fiz também mais umas decorações com catos e suculentas em  taças de barro, e de resto, reservo tempo para as limpezas. Apanho a fruta caída no chão, as muitas tangerinas, clementinas e laranjas que caem, e que além de poderem ser uma fonte de bicharada, ajudam a acidificar o solo. E depois são as folhas e as flores, a imensa folharada que a nespereira solta, que conjuntamente com as imensas flores da japoneira, vão diretamente para a compostagem. Há umas semanas havia também dado uma poda valente nas sebes, que estão agora despidas, e tenho plantado algumas heras nos seus intervalos, algumas mesmo só de estaca, pois tenho em mente substituir toda a sebe de escalónias por heras. É uma mudança bastante drástica, e sei que é um projeto a médio prazo (três/quatro anos) pois as heras demorarão a pegar, fixar-se ao muro e crescer, mas já me decidi, e depois darei aqui conta da evolução das coisas. E basicamente, nos últimos tempos, a minha atividade no jardim tem-se resumido só a isto. 

Entretanto, hoje aproveitei uma passagem pela baixa do Porto, e passei na loja da Europa-América que está com descontos de 50% em muitos títulos mais antigos, até ao fim do mês, e no que me interessa, em grande parte dos seus títulos da secção jardinagem. Já tenho alguns livros sobre o tema, uns mais antigos, outros mais recentes, mas já andava de olho num livro de um senhor inglês, Alan Titchmarsh, jardineiro e figura televisiva, que descobri graças à internet, e que me deliciei a ver os seus programas na BBC. Além, da imensa sabedoria e dos conhecimentos que transmite, aprecio especialmente o fascínio com que fala quando mete mãos à obra e o seu excelente bom humor.

Os livros são um verdadeiro luxo em Portugal, e provavelmente nunca que compraria o livro ao preço normal, mas com um desconto de 50% acabei mesmo por o trazer para casa.


Entretanto chego a casa, passo na caixa do correio, e uma surpresa. Um verdadeiro miminho! Uma amiga minha, teve a simpatia de, juntamente com a correspondência, me enviar dois pequenos livrinhos, com fichas descritivas sobre trinta espécies de catos e trinta espécies de suculentas.




Oportunidade para adquirir mais alguns conhecimentos, e relembrar também, o meu muito enferrujado, francês.