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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Oliveiras: as Multirresistentes

Foi no Outono de 2013 que estive em Tomar no Convento de Cristo e na Mata dos Sete Montes. De lá trouxe duas azeitonas que enterrei no jardim. E no ano seguinte já tinha duas oliveiras: uma enorme de tronco aprumado, e uma outra só com alguns centímetros de altura:



Observe-se como, em apenas um ano, a oliveira já tinha uma altura assinalável (ao lado uma piracanta que também cresceu muito bem, também veio de Tomar, e foi uma pequena estaca trouxe):



Entretanto cinco anos volvidos, já tinha uma oliveira com uns impressionantes três metros, e isto porque estava num vaso de trinta litros, senão, por certo já estaria bem maior. 



No ano passado tive inclusive de aparar a copa pois estava a ficar muito grande. Dos ramos que cortei aproveitei para tentar propagar por estaca. E este ano todas as estacas que enterrei deram origem a novas árvores. Incrível, porque a taxa de sucesso foi de 100%!




A oliveira é uma árvore verdadeiramente multirresistente. Vive milhares de anos; são arrancadas à força dos terrenos e amputadas dos seus ramos grossos  e plantadas em jardins; propagam-se muito facilmente por semente e por estaca. Aguentam verdadeiramente todas as maldades que o ser humano lhes faz. 

domingo, 8 de março de 2015

Parque Botânico do Castelo

Em Crestuma, a dois passos da barragem, e ao lado do Clube Náutico, fica situado mais um dos parques de Gaia, provavelmente o menos conhecido e visitado, mas nem por isso menos interessante. 


Tinha lá estado pela última vez há poucas semanas e a sensação com que se fica quando o atravessamos, principalmente quando passarmos a Casa da Eira e descemos para o rio, é estarmos num bosque encantado.

Entretanto estive lá hoje, munido da máquina fotográfica, mas como seria natural, todo aquele verde carregado, cheio de musgos e liquens já se está a começar a desvanecer, fruto do sol e do calor que já se tem feito sentir desde a última semana. 

O Parque Botânico do Castelo foi inaugurado há poucos anos, e quem o visita pode observar muita da nossa flora autóctone, tem ao ser dispor mesas para um bom repasto ou descanso, uma belíssima paisagem sobre o rio Douro, e ainda alguns vestígios arqueológicos para observar.

Parque Botânico do Castelo

À semelhança do Jardim das Virtudes ou do Parque de São Roque, este é outro espaço que se apresenta em socalcos, aconselhando-se calçado apropriado e alguma atenção, pois muitos dos acessos são feitos através de degraus escavados nas fragas. A primeira parte do percurso é feita sempre a subir até à Casa da Eira lá no alto, e depois continua-se, sempre a descer até chegarmos às traseiras do clube náutico e à pequena praia fluvial. 

Vamos então começar a visita, é sempre a subir até à Casa da Eira:

Início do percurso





Bancos e mesas para usufruir do espaço


Murta









Musgos nas fragas


Quase...



Casa da Eira

Chegado lá cima à Casa da Eira, podemos então observar alguns dos trabalhos de escavação arqueológica que têm sido desenvolvidos.




Escavação arqueológica delimitada





Sepultura Medieval


Sardanisca

Depois de descansar um pouco da subida, saciando a vista com a paisagem e lendo as informações disponibilizadas sobre a escavação arqueológica, é tempo de começar a descer encosta abaixo, pelas traseiras da Casa da Eira. E mal começamos a descer, encontramos logo um ponto de interesse. Um medronheiro imenso, cravado nas rochas. 


Medronheiro no meio dos penedos

Raízes do medronheiro


Gilbardeira




Madressilva



Musgo e Hera


Esporos de feto

Tronco de árvore a decorar o caminho



Liquens e umbigo de vénus




E está feita a visita. Um pequeno espaço, mas com enorme riqueza, uma espécie de bolha de espécies autóctones, sempre muito bem documentado, com placas informativas junto das árvores e arbustos.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A moda das oliveiras

De repente, por todo o lado onde olho, vejo uma oliveira! Não sei bem quem se lembrou da ideia, se existiu um verdadeiro lobby da oliveira, mas a verdade é que alguém começou e agora de repente toda a gente parece querer ter uma casa, nem que seja por os outros todos terem uma!

Eu confesso que não é árvore que me entusiasme por aí além, pelo menos uma árvore dessas que se compram nas grandes superfícies. Um tronco a direito com uma bola de folhas, mais ou menos como uma criança desenharia uma árvore! Claro que uma oliveira com muitos anos, com um tronco envelhecido tem outra imponência, mas isso todas as árvores envelhecidas têm, aliás, como as pessoas também têm, apesar de nos dias de hoje ser velho e ter rugas parecer quase uma heresia.

Para mim as oliveiras deveriam estar é no olival e colherem-se as azeitonas para fazerem azeite! Só que o problema começou há uns anos. Estávamos nos meados anos anos oitenta do século passado e Portugal acabava de aderir à Comunidade Económica Europeia. Com a entrada na CEE os políticos prometiam que era desta que íamos todos ficar ricos, afinal já vivíamos em crise, pelo menos desde o terramoto de 1755! Vieram os subsídios para tudo e mais alguma coisa, e vendiam-nos a ideia que a agricultura (e as pescas) não eram precisas para nada, pois era muito mais barato comprar tudo ao estrangeiro que produzirmos nós mesmos as nossas coisas. Cortaram-se vinhas inteiras, acabou-se com a produção generalizada das culturas e em troca recebiam-se chorudos subsídios que serviram para comprar jipes e carros desportivos. (Ironicamente o tipo que teve a brilhante ideia de destruir a agricultura e frota pesqueira portuguesa vem agora dizer que a salvação do país está na agricultura e pescas.)

Enquanto por cá se estavam a arrancar oliveiras no Alentejo, camiões vindos de Espanha vinham para as carregar e levar para o outro lado da fronteira. Aquilo que para nós era lixo para os espanhóis era reaproveitado.

Especulando um pouco, é essa a explicação que encontro para que subitamente, velhas oliveiras terem saído do olival e começassem a servir de decoração em centros comerciais, jardins públicos, e de repente parece que toda a gente quer ter uma no jardim de casa!

Um dos mais recentes exemplos do uso de oliveiras num novo espaço comercial é no centro do Porto, entre a Torre dos Clérigos e a Livraria Lello. Vejamos como era o espaço antes das obras com a ajuda das imagens do Google Maps:



Atualmente a coisa ficou assim:



Vou deixar de lado observações sobre a questão arquitetónica e centrar-me unicamente no lado estético das oliveiras no topo do edifício. Devo confessar que gosto da ideia de jardins no topo dos edifícios, é também uma espécie de nova moda, o pensar verde e sustentável, mas é uma boa moda. 
Acho que as oliveiras resultaram bem ali, só tive pena que o espaço ainda esteja todo vedado com rede das obras, isto meses depois de ter sido inaugurado, mas estamos em Portugal não se pode exigir muito não é?

Aqui ficam algumas fotos tiradas hoje de manhã enquanto me confundia no meio de um montão de turistas!