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sábado, 12 de agosto de 2017

Sementes que se agarram à Vida

Por vezes deixo crescer algumas plantas silvestres, como estes cardos das fotografias. E é curioso ver a estratégia de propagação  suas sementes. As sementes voam como se fossem de paraquedas mas depois colam-se naquilo que encontrarem, e a semente cai e irá germinar ali. 

Veja-se como se agarraram nas estevas:







# Frenesim num cardo mariano

sábado, 8 de julho de 2017

Semear Romãzeiras

Já contei aqui no blogue que plantei a minha primeira romãzeira (Punica granatum) no início de 2009. Mas só sete anos depois (no ano passado) é que tive as primeiras romãs:



E claro que das primeiras romãs, tive também as primeiras sementes, que estão envoltas naquela polpa vermelha que nós comemos e que tantos benefícios tem para a saúde. 

Dos múltiplos rebentos que surgem no tronco da romãzeira já eu tinha propagado algumas romãzeiras, uma que transformei em bonsai e duas que já têm mais de um metro de altura. 




Mas e porque não propagar por semente? Foi o que fiz, e posso desde já afiançar que é extremamente fácil, sendo mesmo indicado para as pessoas completamente inexperientes nestas coisas. 
Há muitas espécies em que a germinação não é fácil, são precisas determinadas condições específicas, ou demoram anos a germinar e temos de acelerar o processo, mas com as sementes de romãzeira não, o processo é extremamente simples! Qualquer pessoa em casa pode experimentar e pode até, se for o caso, ensinar às crianças. 

E não é de estranhar que as sementes germinem muito facilmente. A estratégia da romãzeira é produzir um grande fruto que no seu interior tem unicamente sementes - diz-se que tem 613 sementes no interior - envoltas naquela polpa vermelha muito saborosa. E não somos só nós que gostamos daquela polpa, aliás, ela terá sido pensada sim, mas para os pássaros, e por isso a estratégia da árvore, é rachar o fruto (como se vê na primeira imagem) e permite assim que os pássaros se alimentem das sementes. E como os pássaros ingerem a semente, depois irão expeli-la em qualquer sítio e esta terá de tentar germinar.  

Então como é que eu fiz? Peguei num tabuleiro plástico, que teria menos de 10cm de altura, fiz-lhe uns furos e enchei de terra. Fiz uns pequenos orifícios onde depois coloquei as sementes. Reguei e fui sempre tratando de humedecer a terra e esperei que as sementes começassem a germinar. 

Algumas semanas depois já se viam pequenos rebentos a surgir. Deixei-os crescer um pouco e depois transplantei individualmente para pequenos vasos, e voltei agora a transplantar para vasos maiores, usando aquele método simples que mostrei aqui.

 

Agora é esperar que as pequenas plantas cresçam normalmente para depois serem plantadas no sítio definitivo. Acrescentar ainda que, romãzeiras propagadas por semente, podem não dar origem a uma variedade exatamente igual à planta-mãe (daí os viveiros propagarem por estaquia ou alporque) mas sendo esta uma variedade que em Portugal é basicamente usada para fins decorativos também não tem qualquer problema. E a variedade genética de espécies mais selvagens só favorece a biodiversidade. 

Concluindo, se querem propagar uma espécie que é extremamente simples, a romãzeira é uma boa possibilidade. É uma pequena árvore ou arbusto, de lindíssima floração abundante, de cor vermelha, que dá uns frutos que fazem muito bem à saúde, e é uma espécie que, como já viram, permite fazer bonitos bonsais com grande facilidade. E é ainda uma espécie de riquíssima história e simbolismo. 

Sabiam por exemplo, que o fruto proibido, o "fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal", e que em nenhum lugar da bíblia diz que era uma maçã, mas assim acabou por ser referenciado graças traduções erradas, seria na verdade, muito provavelmente, uma romã?

sábado, 20 de setembro de 2014

Sementes nauseabundas

No fim-de-semana passado andei pelo Jardim das Virtudes e reparei em alguns frutos caídos da maior Ginkgo bilova de Portugal. Ótima oportunidade de recolher algumas sementes pensei. O problema veio a seguir. Mal apanhei o primeiro fruto, senti logo um cheiro horrível, investiguei logo as solas dos sapatos e não estava bem a perceber de onde vinha o cheiro, até que me apercebo que vinha mesmo dos frutos! 

Recolhi só quatro sementes, passei numa casa de banho e lavei bem as mãos, mas o cheiro continuava entranhado! Acho que o mais aconselhável, será da próxima vez recolhê-las com sacos plásticos, como quem recolhe os dejetos dos cães!

Sementes de Ginkgo bilova


As sementes ficaram a secar e irei colocá-las num vaso com identificação (sim tenho de começar a ser mais organizado) e vou deixá-las lá até que germinem naturalmente. Seria sempre interessante ter filhotes da maior Ginkgo bilova do país.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Germinam sementes abandonadas

Como já por aqui várias vezes escrevi, por vezes, a melhor forma de propagar algo por semente, é simplesmente atirar as sementes para um canto qualquer e esquecer-mo-nos delas! Quantas vezes compramos as melhores sementes selecionadas, semeamos em tabuleiros ou recipientes próprios (com alvéolos) colocamos o melhor substrato, humedecemos, cobrimos para manter a temperatura, e andamos com muitos cuidados, e depois não nasce nada ou a taxa de sucesso é diminuta? Muitas vezes! Quantas vezes as pessoas, por exemplo, têm montes de cuidados para semear abóboras, e não nasce nada, e depois, se atirarem uma abóbora para um canto qualquer, é muito provável que as sementes germinem todas!

No outono passado colhi uma única cabaça, que por sinal teve um desenvolvimento deficiente e estava meia apodrecida. De qualquer as formas quis recolher as sementes, e despejei-as num vaso grande de cimento onde tenho um Acer palmatum e deixei-as ali, para que ficassem a secar. Entretanto esqueci-me delas, e com toda a chuva deste inverno, e porque a terra terá impermeabilizado o buraco do vaso, e quando dei conta, estava o vaso cheio de água até à borda, e as sementes ficaram ali, imenso tempo submersas em água. Pensei logo, que dali, nenhuma semente se aproveitaria.

Semente de cabaça

Pois estava bem enganado! Ontem, quando estava a tirar algumas ervas do vaso, reparo que já estavam várias sementes germinadas, e hoje mais umas quantas também já estavam a furar a terra!

Semente de cabaça a germinar

Com muito cuidado, arranquei as pequeninas plantas, e transplantei-as para copos plásticos, onde deixarei desenvolver até serem depois plantadas na terra. Entretanto lembrei-me que tinha uma outra variedade que comprei no ano passado, e coloquei a germinar, veremos se nasce alguma coisa!

Sementes de cabaça transplantadas

A cabaça é uma planta trepadeira anual, que pode ter vários usos. Antigamente eram usadas como recipiente para líquidos, símbolo, por exemplo, a par do cajado, dos peregrinos do caminho de Santiago, mas entretanto foi substituída pelo cantil. Hoje em dia são usadas maioritariamente usadas como matéria-prima para peças de artesanato, e são usadas também em instrumentos musicais, estou-me a lembrar do berimbau. Mas podem ter ainda outras utilidades, como por exemplo, servirem de ninho artificial para as aves, bastando para tal, fazer-lhes uma abertura, e isso ainda hei-de experimentar!

domingo, 28 de julho de 2013

Guardador de Azevinhos

Já não sei ao certo qual foi a primeira árvore que plantei, nem a idade que teria, e claro que aquelas árvores que as crianças plantam com a ajuda dos professores no dia mundial da árvore também não contam como é lógico. Mas lembro-me bem de, ainda na adolescência, teria uns quatorze ou quinze anos, ter recolhido duas pequenas plantas, e de as ter trazido para plantar em casa.

Eu vivo num pequeno meio rural recortado pelo rio Douro, e em criança era muito comum encontrarem-se muitos azevinhos por aqui, e lembro-me particularmente de uma zona onde o meu avô construiu a sua casa, reaproveitando uma velha casa centenária em pedra de laje a poucos metros do rio. Esse sítio era longe do centro da povoação, não tinha estrada, era basicamente um caminho de cabras, sem sequer iluminação. A estrada, os postes de eletricidade e a água canalizada chegariam depois dos meus avós terem ido para lá morar.

Naquele local, a cem metros da casa, tinha por lá imensos azevinhos, e eu achei que deveria trazer um bocadinho daquela planta mágica para casa. Ainda me lembro bem que na altura trouxe uns pequenos filhotes e tive a preocupação de escolher uns que fossem rebentos de árvores que tinham bagas. Ainda não teria a explicação na altura, mas já sabia que uns davam bagas e outros não, e assim teria a certeza que os meus azevinhos iriam dar bolinhas vermelhas no futuro. Esses dois pequenos azevinhos, plantados por mim, têm hoje mais de vinte anos, e talvez uns cinco metros de altura.

Azevinho - Ilex Aquifolium

E em boa altura os trouxe. A ganância por um lado e a estupidez por outro, ou os dois juntos! fez com que aos poucos esta árvore fosse completamente dizimada. Uns cortados para enfeites de natal e outros cortados para serem vendidos - e eu ainda me lembro bem de ver pessoas a vender montes de ramos de azevinho nas beiras das estradas - acabaram, em pouquíssimo tempo, por quase por extinguir a espécie que crescia aqui espontaneamente. A ganância era tanta que chegaram inclusive a ir cortar metade de um azevinho num terreno privado com uma pequena casa que só era habitada ao fim de semana - dá para acreditar? E o fenómeno não aconteceu por aqui mas um pouco por todo o país onde eles existiam, em especial no norte, onde a espécie se dá melhor, por preferir solos mais ácidos. 

Entretanto o azevinho passou a ser espécie protegida em Portugal em 1989, mas só depois do mal feito é que se colocou trancas na porta, e a verdade é que a espécie está quase extinta. Quando antes se encontravam espontâneamente, debaixo dos carvalhais onde gostam de crescer, hoje quase só mesmo em parques ou nos jardins das nossas casas. Fez-se a lei, mas nestes mais de vinte anos foi feita alguma coisa para reverter a situação? Claro que não, se os governos não se interessam com as vidas das pessoas vão agora estar preocupados com uma árvore, ainda por cima que não dá nenhum dinheiro a ganhar, estão preocupados sim mas é em eucaliptar o país que dá muito ganhar aos senhores amigos da pasta do papel. 

Aqui perto de casa existe um azevinho no monte, já com uns três ou quatros metros de altura e intacto, certamente porque não dá bolas, se desse, estou em crer que não seria a lei que o impediria de ser mutilado, por outro lado também é verdade que está num sítio muito pouco visível e pouca gente passará lá. 

Azevinho silvestre

Do lado direito desta estrada em terra batida que serve unicamente de acesso à proteção civil e aos  montes da encosta eucaliptada encontra-se o azevinho à sombra de sobreiros e carvalhos. 
Não tem um só tronco mas sim vários pequenos troncos


Azevinho com múltiplos troncos
e mais interessante, não vi qualquer sinal de nenhuma praga. O azevinho, e falo pelo exemplo dos meus, é muito propenso à conchonilha e aos pulgões que atacam os rebentos novos, e muitas vezes em parque ou jardins, muitas vezes vejo azevinhos com fumagina, com as folhas completamente pretas. Pois este azevinho silvestre em plena natureza, está viçoso e com as folhas bem verdes e brilhantes.  



Mas o problema foi esse, dizimaram os azevinhos que dão as bolas vermelhas, que são os frutos que contêm as sementes que irão originar novas plantas. Ora matando as fêmeas - a explicação para uns darem bolas e outros não, é simples, na natureza a planta pode ser macho ou fêmea e só as fêmeas dão os frutos - e matando as fêmeas ou cortando todos os ramos com as bolinhas vermelhas, acaba-se com a propagação. Seria o mesmo que se cortar os testículos a todos os bebés que nasçam! quando o último homem morresse a espécie estaria extinta passados uns anos quando a última mulher morresse também.

Ainda por cima estamos a falar de uma semente que pode demorar vários anos a germinar. Cada baga contém três ou quatro sementes. Desde o momento em que a baga cai ao chão e a semente germina muito tempo se passará. Daí que se forem recolhidas sementes ainda verdes e colocadas a germinar nada acontecerá. Na imagem abaixo temos as famosas bolinhas vermelhas, e as sementes propriamente ditas, mas pelo menos já um ano depois de terem caído ao chão e estão então agora preparadas para germinar. 


Bagas e sementes de azevinho

Entretanto de há uns quatro ou cinco anos para cá, aos poucos começaram a nascer azevinhos um pouco por todo o meu terreno. São muitas as sementes que caem ao chão, muitas bagas comidas pelos pássaros e não é de estranhar que a maior quantidade de plantas nasça debaixo da copa das árvores, por um lado porque é onde as sementes encontram um solo mais solto e fértil, mas por outro, porque é local de refúgio da passarada que de inverno se alimenta das bagas. 

Com alguma paciência transplanto umas largas dezenas das pequenas plantinhas para vasos ou outros recipientes, afinal estamos a falar de azevinhos espontâneos provenientes de uma espécie autóctone cá da terra. Até no terreno baldio vizinho já nasceem azevinhos, não sei se sementes levadas pelo ventos ou pássaros, ou de sementes que eu mesmo atirei para lá.



E se a semente demora anos a germinar, a verdade é que depois de termos uma pequena planta com cinco centímetros, ela cresce razoavelmente bem. Basta ver a diferença como, em ano e meio, estes azevinhos trigémeos cresceram rápido.

Azevinho com ano e meio de diferença

Aproveitei e experimentei também pegar num azevinho - escolhi o que tinha as raízes mais interessantes - e tentei fazer dele um bonsai. Acho que fui demasiado ansioso, a árvore deveria ter estado mais tempo a engrossar e adquiri mais alguma forma antes de a transplantar para um vaso de bonsai, mas pronto, agora às poucos irei tentando reduzir-lhe o tamanho das folhas, e dar-lhe um formato mais interessante com melhores proporções. Não é fácil, ainda estou muito verde neste arte, afinal esta foi a primeira verdadeira experiência feita por mim, mas aos poucos pode ser que lhe apanhe o jeito.  


Evolução de azevinho transformado em bonsai

# Azevinho - Ilex aquifolium "Myrtifolia"