sábado, 8 de julho de 2017

As Plantas na Primeira Globalização


Depois de 10 anos em viagem por Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Itália ou China, a exposição itinerante As Plantas na Primeira Globalização regressa agora a Lisboa, desta vez patente ao público no Centro de Interpretação da Estufa Fria de Lisboa, entre 7 de julho e 17 de setembro.

Esta exposição, organizada inicialmente pelo Instituto de Investigação Científica Tropical em 2007 e baseada no livro A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses do Professor José Mendes Ferrão, aborda a troca de plantas entre continentes no período dos Descobrimentos, um dos capítulos menos estudados sob o ponto de vista agrícola mas, sem dúvida, um dos que tiveram reflexos científicos, técnicos, económicos e sociais mais marcados e mais duradouros. Alimentos como a mandioca, o milho, a malagueta, hoje tão comuns nas várias gastronomias, são alguns exemplos da importância dos portugueses na introdução destas e outras plantas nos vários continentes, levando à alteração de hábitos alimentares e até no desenvolvimento económico dos diferentes países.

Para além da informação patente na exposição, os visitantes poderão percorrer a Estufa Fria de Lisboa e observar in situ as plantas vivas que, em tempos, estiveram na origem destas trocas entre os continentes.

Semear Romãzeiras

Já contei aqui no blogue que plantei a minha primeira romãzeira (Punica granatum) no início de 2009. Mas só sete anos depois (no ano passado) é que tive as primeiras romãs:



E claro que das primeiras romãs, tive também as primeiras sementes, que estão envoltas naquela polpa vermelha que nós comemos e que tantos benefícios tem para a saúde. 

Dos múltiplos rebentos que surgem no tronco da romãzeira já eu tinha propagado algumas romãzeiras, uma que transformei em bonsai e duas que já têm mais de um metro de altura. 




Mas e porque não propagar por semente? Foi o que fiz, e posso desde já afiançar que é extremamente fácil, sendo mesmo indicado para as pessoas completamente inexperientes nestas coisas. 
Há muitas espécies em que a germinação não é fácil, são precisas determinadas condições específicas, ou demoram anos a germinar e temos de acelerar o processo, mas com as sementes de romãzeira não, o processo é extremamente simples! Qualquer pessoa em casa pode experimentar e pode até, se for o caso, ensinar às crianças. 

E não é de estranhar que as sementes germinem muito facilmente. A estratégia da romãzeira é produzir um grande fruto que no seu interior tem unicamente sementes - diz-se que tem 613 sementes no interior - envoltas naquela polpa vermelha muito saborosa. E não somos só nós que gostamos daquela polpa, aliás, ela terá sido pensada sim, mas para os pássaros, e por isso a estratégia da árvore, é rachar o fruto (como se vê na primeira imagem) e permite assim que os pássaros se alimentem das sementes. E como os pássaros ingerem a semente, depois irão expeli-la em qualquer sítio e esta terá de tentar germinar.  

Então como é que eu fiz? Peguei num tabuleiro plástico, que teria menos de 10cm de altura, fiz-lhe uns furos e enchei de terra. Fiz uns pequenos orifícios onde depois coloquei as sementes. Reguei e fui sempre tratando de humedecer a terra e esperei que as sementes começassem a germinar. 

Algumas semanas depois já se viam pequenos rebentos a surgir. Deixei-os crescer um pouco e depois transplantei individualmente para pequenos vasos, e voltei agora a transplantar para vasos maiores, usando aquele método simples que mostrei aqui.

 

Agora é esperar que as pequenas plantas cresçam normalmente para depois serem plantadas no sítio definitivo. Acrescentar ainda que, romãzeiras propagadas por semente, podem não dar origem a uma variedade exatamente igual à planta-mãe (daí os viveiros propagarem por estaquia ou alporque) mas sendo esta uma variedade que em Portugal é basicamente usada para fins decorativos também não tem qualquer problema. E a variedade genética de espécies mais selvagens só favorece a biodiversidade. 

Concluindo, se querem propagar uma espécie que é extremamente simples, a romãzeira é uma boa possibilidade. É uma pequena árvore ou arbusto, de lindíssima floração abundante, de cor vermelha, que dá uns frutos que fazem muito bem à saúde, e é uma espécie que, como já viram, permite fazer bonitos bonsais com grande facilidade. E é ainda uma espécie de riquíssima história e simbolismo. 

Sabiam por exemplo, que o fruto proibido, o "fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal", e que em nenhum lugar da bíblia diz que era uma maçã, mas assim acabou por ser referenciado graças traduções erradas, seria na verdade, muito provavelmente, uma romã?

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Coraleira

Mais uma curta visita aos Jardins do Palácio de Cristal para fazer tempo até à hora de mais uma consulta no hospital. Reparei que estavam a montar os expositores do Cidade + que estará por lá até ao próximo domingo, passei a revista o atentado que fizeram recentemente com as podas criminosas e ainda olhei para os cepos dos plátanos abatidos que se recusam a morrer e já estão a puxar rebentos. 

Pelo meio parei a observar uma coraleira (Erythrina crista-galli) que é árvore bastante rara de se ver por estas bandas, ou pelo menos eu não as costumo ver. Da família LEGUMINOSAE, é originária do Brasil. 






quarta-feira, 5 de julho de 2017

Gatos nos Feijões

Anoitecer em casa dos meus pais. Vi a pequena gata preta a lamber-se por entre os feijões. E é curioso até, que achei muito interessante o facto de que quando a minha mãe me disse que a gata tinha tido as crias, eu reparei que os primeiros feijões que tinham sido semeados estavam também,no mesmo dia, a furar a terra. E eu duvido que este tipo de coisa seja mera coincidência. 



Pouco depois de fotografar a gatinha preta, aproximou-se dela o gato (irmão) que nasceu no ano passado:


E pouco depois esgueirou-se e fui encontrá-la depois escondida por entre as coroas-de-rei junto com a outra gatinha irmã.




(ainda estão para adoção)

terça-feira, 4 de julho de 2017

Países mais Desiguai$ são Menos Sustentáveis

O The Guardian publica hoje um artigo baseado no livro The Equality Effect de Danny Dorling em que fiquei a saber que os países onde existe maior desigualdade entre ricos e pobres, tendem a poluir mais do que os países que são mais igualitários. 

Deixo-vos alguns excertos soltos, numa rápida tradução livre, para vossa reflexão.

"Em suma, as pessoas nos países ricos mais iguais consomem menos, produzem menos resíduos e, em média, emitem menos carbono. Na verdade, quase tudo relacionado com o meio ambiente melhora quando a igualdade económica é maior.

Não comprar coisas de que não precisamos é muito melhor, mas num mundo onde a principal função da publicidade é fazer com que compremos coisas que poderíamos muito bem viver sem elas, torna-se complicado.

Nas sociedades mais desiguais, há uma proliferação de produtos que são fabricados especificamente para não durarem de modo a permitirem maiores lucros. Produzir infinitas novas versões de artigos que as pessoas acham indispensáveis, ​​explora os níveis mais elevados de insegurança emocional que a vida com grande desigualdade gera.

O sucesso da indústria da confecção (moda) é um exemplo interessante. As pessoas compram quantidades muito maiores de roupas mais baratas e deitam-nas fora com muito mais frequência nos países economicamente desiguais.

Uma recente pesquisa do Reino Unido com duas mil mulheres, sugeriu que a maioria das roupas são compradas porque são vistas como estando na moda e são usadas, em média, apenas sete vezes antes de serem descartadas. Um terço das mulheres vê essas peças de roupa como antigas depois de terem sido usados ​​três vezes.

Nos países economicamente desiguais, a pressão para comprar artigos para acompanhar os seus pares, "pessoas que contam", é enorme, especialmente quando se trata de roupas, moda, carros novos e outros símbolos de status. Somos encorajados a ser ambiciosos, a sermos melhores, não para um bem maior, mas por razões egoístas - em última análise, para poder obter todas essas coisas. Um bom trabalho não é mais um que beneficia a sociedade, mas o que paga bem.



O aumento do consumo de carne não nos tornou mais saudáveis. Em alguns países, agora estamos a comer tão excessivamente que está tornar as pessoas obesas. As taxas de obesidade são muito maiores nos países ricos que são economicamente mais desiguais. Uma teoria sobre o porquê é que os pobres nesses países têm que recorrer a fast food barata, o que lhes é anunciado de forma agressiva e muitas vezes inclui carne de fraca qualidade. Outra teoria é que, nos países mais equitativos, a população tende a ser melhor educada e, portanto, pode ver mais facilmente a loucura da publicidade e da gula da comida rápida.

O que sabemos é que as pessoas nos países economicamente desiguais, em geral, comem mais carne por pessoa em peso. Seja qual for o motivo, o mundo precisa que os seres humanos comam menos carne se quisermos evitar o esgotamento de nossos solos, aumentar os gases de efeito estufa e também reduzir a biodiversidade do planeta a tal ponto que as monoculturas prevalecem e perdemos habitats.

Tudo está relacionado. As pessoas são mais gordas nos Estados Unidos, porque comem mais alimentos; Porque andam de carro com mais frequência e por mais tempo; Porque estão expostos a mais publicidade e comem mais e compram mais carros como resultado; Porque vivem com maior medo do crime e têm medo de não conduzir; E porque eles estão cercados por outras pessoas obesas e, portanto, não se sentem essa estranheza se eles também são gordos.

Mas por trás de todos esses fatores reside a diferença básica em como os seres humanos são classificados. Ponham-nos em altas chefias, pagando-lhes muitas vezes mais do que outras pessoas, e eles podem-se tornar tão presunçosos que mais facilmente tratam outros que estão abaixo mal, sem respeito e com pouca empatia. Quando as diferenças de remuneração são menores e nenhum salário é fora deste mundo, as pessoas percebem que têm muito mais em comum com os outros. Então as pessoas defendem ciclovias, pavimentos, bons transportes públicos para poderem viver perto de onde trabalham."



Portugal é dos países da OCDE com maior diferença salarial entre ricos e pobres. E todos nós devemos reivindicar que essa diferença de esbata para que possa existir uma maior igualdade de oportunidade para todos. Agora temos mais um argumento de peso: um país tão desigual não é bom para o ambiente e só contribui para o aquecimento global, e que está aí ao virar da esquina para rebentar com o planeta, apesar de alguns o quererem negar.