quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Ruralidades: A Apanha da Batata

Estamos no Verão, em pleno Agosto, época em que a maioria dos portugueses está a banhos na praia, mas muitos outros portugueses têm de fazer a sua praia no campo por causa das suas culturas. Não estamos a falar de latifundiários mas de pessoas que têm um pequeno terreno e cultivam a sua horta para consumo próprio.  


Desde pequeno que sempre me lembro de ter estado envolvido na plantação das batatas, quer em casa para os meus pais, quer em casa dos meus avós. E se aquando da plantação competia-me colocar a batata no rego e adubar, meses depois, já no Verão era tempo de a apanhar.  E férias grandes era sempre também sinónimo de apanhar batatas. 


A apanha da batata tem todo um ritual que conheço bem. Mas antes de mais eu sempre gostei de andar descalço na terra e era assim que me sentia bem. E assim aconteceu esta semana quando voltei a ajudar os meus pais. 


A primeira tarefa que se tem de fazer é cortar a rama da batata e então depois seguidamente começa-se a arrancá-las com a enxada. E é necessário que se seja preciso para que não se acerte e corte as batatas. As batatas arrancam-se e ficam no chão, e em seguida é então preciso e separar o que é para armazenar (que levará um pó inseticida por causa da borboleta) das cortadas (que serão consumidas de imediato) e as miúdas que servem, por exemplo, para alimento do gado (quem o tiver). 

No fim toda a rama da batata junta-se e coloca-se na pilha do estrume, ou faz-se uma nova pilha. 


Outras das coisas engraçadas que acontecia já em criança era eu olhar para o formato de algumas batatas pois mais pareciam verdadeiras esculturas. E essas colocáva-as de lado para depois as admirar! Tal como fiz esta semana também!


Outra coisa que achei curiosa foi encontrar pequenas batatas que, ainda debaixo da terra e já estavam a grelar!, ou seja, uma batata que já iria dar origem a uma nova planta para dar mais batatas!


Eu continuo a achar que todo este trabalho, neste caso específico da batata não compensa, porque estamos a falar de um produto que é barato e os meus pais já começam a não ter idade para este tipo de trabalho que exige algum esforço. Mas eles gostam de ter o terreno cultivado e dizem-me que as batatas que se vendem por aí não se comparam e pronto, todos os anos vão tendo batatas para apanhar. E, segundo eles, esta foi uma das melhores produções de batata dos últimos anos. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Ramos de Nespereira? É no Compostor!

Hoje andei a cortar alguns ramos de uma nespereira que tenho nas traseiras e ainda juntei algum volume que muitas pessoas tentariam colocar no contentor do lixo, ou por exemplo, chamar os serviços da câmara municipal que recolhem este tipo de podas de jardim gratuitamente. 



O que eu fiz e sugiro é, colocar no compostor. Os ramos da nespereira onde estão as folhas são muito tenros e bastam dois dedos para os partirem. Tudo aquilo apodrece com extrema facilidade. Aliás, é graças à nespereira que tenho sempre folhas para fazer de parte seca na compostagem, porque se trata de uma árvore de folha permanente. Precisamos dos verdes e dos secos, e as folhas de nespereira são grandes e vão caindo ao longo do ano. 

Então, parti todas aquelas extremidades com folhas, e meti numa pilha de composto, que quando vai ficando mais curtido meto nos compostores. E dez minutos depois estava o trabalho feito:


Dez minutos não dava para juntar tudo no carro de mão e levar ao contentor que fica a mais de cem metros o mais próximo. E o que sobrou foi isto, os ramos mais grossos que podem facilmente ir para a lareira, ou até estacar qualquer coisa. E está o trabalho feito. O ambiente agradece e a pilha de compostagem também!




Quinta das Lágrimas

Depois de uma curta passagem pelo Jardim Botânico de Coimbra, pelo Penedo da Saudade e do Parque Santa Cruz (Jardim da Sereia) dirigi-me para a Quinta das Lágrimas para revisitar um local que até é membro da Associação Portuguesa de Jardins Históricos e que por mera distração ainda não o tinha abordado aqui no blogue.

Apesar de ser domingo, estacionei na rua, mesmo em frente da bilheteira, aquela pequena tenda em cimento, pintada de vermelho que se vê na imagem abaixo, e por lá não havia mais carro nenhum estacionado, o que indica que a maioria dos turistas que lá dentro encontrei eram quase todos estrangeiros. E Coimbra tem essa vantagem, de as coisas serem todas umas ao pé das outras: Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Portugal dos Pequenitos e Quinta das Lágrimas. Tudo se faz facilmente a pé. 


Depois de entrarmos, e de mapa na mão que nos é entregue gratuitamente na bilheteira, a primeira coisa que encontramos, à esquerda, é a Academia de Golfe. A Quinta das Lágrimas pertence a um grupo hoteleiro nacional que como é óbvio explora o Hotel e potencia financeiramente o espaço como acha melhor. À entrada, os visitantes são convidados a experimentar esta modalidade mais elitista por 4€.

O mapa do folheto é o seguinte:


No Google Maps conseguimos ver melhor a zona envolvente que iremos percorrer:


No folheto ficamos a saber:

Nos jardins da Quinta das Lágrimas acumulam-se memórias desde o século XXVI, tanto nos elementos construídos como nas suas árvores, nas suas lendas populares e na sua verdadeira história. O documento mais antigo onde  Quinta é referida data de 1326, ano em que a Rainha Santa Isabel mandou fazer um canal para levar a água de duas nascentes para o Convento de Santa Clara. Ao sítio de onde saía a água chamou-se "Fonte dos Amores", por ter presenciado a paixão de D. Pedro, neto da Rainha Santa, por Inês de Castro. A outra fonte da Quinta foi baptizada por Camões de "Fonte das Lágrimas", por ter nascido das lágrimas que Inês chorou ao ser assassinada. O sangue de Inês terá ficado preso às rocha do leito, ainda vermelhas depois de 650 anos... "Lágrimas são a água e o nome amores", escreveu Camões nos "Lusíadas". 

Em 1650, a Quinta foi murada, fizeram-se caminhos e muros que suportam a terra e as árvores da mata e construiu-se o grande tanque que recebia a água da Fonte das Lágrimas e a encaminhava, através de um canal, para alimentar as mós do grande lagar onde e fazia muito e bom azeite.

Em 1813, o Duque de Wellington esteve na Quinta das Lágrimas a convite do seu ajudante de campo, António Maria Osório Cabral, dono da Quinta e antepassado dos atuais proprietários. Para festejar foram plantadas duas Wellingtonias (Sequoia gigantea) e ergueu-se um lápide com a célebre estrofe dos "Lusíadas" que situa a história de Pedro e Inês na Quinta. Miguel, filho de António, manda construir (por volta de 1850) um jardim romântico, com lagos serpenteados e árvores exóticas e raras, às quais o microclima da Quinta deu um porte impressionante passados dois séculos. 

Seu sobrinho, D. Duarte de Alarcão Velasquez Sarmento Osório, bisavô dos atuais proprietários, constrói junto à entrada da mina mandada fazer pela Rainha Santa uma porta em arco e uma janela neo-góticas, que dão acesso ao mundo misterioso da mata da Quinta. O século XIX testemuhou várias visitas reais, desde o imperador do Brasil ao Rei D. Miguel de Portugal. 

Em 1995, foi inaugurado o Hotel Quinta das Lágrimas, membro da famosa cadeia Small Luxury Hotels of the World e consierado um dos melhores de Portugal. 

Em 2006 a Arquiteta Paisagista Cristina Castel-Branco inicia o restauro dos jardins, doados à Fundação Inês de Castro. É recriado um jardim medieval, restaurados os muros da mata, os canais dos Amores e das Lágrimas, são plantadas cortinas de vegetação, uma alameda de sequóias e um jardim japonês dentro do Hotel e é construído o anfiteatro Colina de Camões. 



Deixando a Academia de Golfe para trás, entramos propriamente no percurso e, ou seguimos em frente diretamente para as Fontes ou podemos virar à direita e embrenharmo-nos na mata. 



Até que chegamos à tal porta e janela neo-góticos onde encontramos uma enorme figueira estranguladora, e avistamos as fontes, o anfiteatro, o tanque de água, o bambuzal e nos podemos perder por vários caminhos até à entrada do Hotel.



Fonte dos Amores (1326)



Figueira estranguladora (Ficus macrophylla)


Bambuzal
Vista para o Anfiteatro "Colina de Camões"


Tanque de água para o Lagar (séc. XVII)


Fonte das Lágrimas



Banco feito de tronco de árvore

E vamos agora entrar no Jardim Medieval, projetado por Cristina Castel-Branco e executado por Jaime Forte:










E seguidamente o Jardim Romântico:







Contornando as traseiras do Hotel...







Esta minha última visita à Quinta das Lágrimas foi um pouco apressada. Não percorri os caminhos da mata, e não me demorei como costumo fazer, porque já me estavam a pressionar para ir almoçar, isto apesar de eu ter sugerido que se almoçasse primeiro para ver a Quinta com tempo!

Há algumas coisas que ficaram por ver, mas também diga-se que o mapa fornecido (e é verdade que sendo gratuito também não se pode reclamar muito) mas é muito pequeno e torna-se complicado perceber o que podemos ver ou não, e não é de muito fácil orientação. E também só depois da visita percebi que, por exemplo, o Jardim Japonês está dentro do Hotel e só é visitável por marcação e tem um custo de 5€. 

De qualquer das formas, para quem gosta de sítios românticos e com história, quem passar por Coimbra torna-se obrigatório passar na Quinta das Lágrimas. 

O bilhete normal custa 2,50€; Menores de 15 anos e maiores de 65 só pagam 1€