domingo, 13 de julho de 2025

O Pequeno Terrorista Emplumado e a Beleza de Não saber

"De todas as caixas-ninho no nosso quintal, os chapins escolhem sempre a caixa suspensa no caramanchão das roseiras. Todos os anos, a fêmea constrói o seu belo ninho de musgo e põe o seu conjunto de ovos salpicados. Quantos ovos? Nunca sei. No caso dos chapins, podem ser até uma dúzia, ou apenas três.

Mas se ouço aquele glorioso e borbulhante rio de canto que anuncia a chegada de uma, sei que os chapins não têm hipótese. Uma carriça é um pequeno terrorista emplumado. Retira os ninhos das caixas ocupadas e enche as desocupadas com paus, para impedir que outras aves façam ali os seus ninhos. Esconde-se entre os arbustos, só surgindo para furar os ovos e matar as crias em ninhos desprotegidos. Se depender da carriça, todos os ninhos aqui estão condenados.

Este ano, uma carriça chegou a 9 de abril. Menos de uma semana depois, o ninho dos chapins estava em farrapos, enredado nas canas das roseiras. Prendia a respiração sempre que espreitava a caixa dos melros-azuis, mas eles conseguiram manter-se firmes perante o intruso. Os quatro filhotes cresceram e voaram em segurança para as árvores.

Os melros-azuis costumam começar uma nova ninhada pouco depois de os filhotes deixarem o ninho - enquanto o macho cuida dos juvenis, a fêmea constrói um novo ninho -, por isso limpei a caixa, tratei-a com terra de diatomáceas alimentar para afastar as formigas, reinstalei a grelha de arame que serve para prevenir parasitas e esperei pela segunda ronda.

Mas este ano, quando os melros-azuis deixaram a caixa, também deixaram o quintal - e não voltaram. Teriam levado as crias o mais longe possível da carriça?

Entretanto, a carriça continuava a fazer as suas rondas, passando de caixa em caixa, reivindicando todas para si. Se alguma fêmea de carriça aparecer, terá quatro caixas vazias por onde escolher. Aparecerá alguma? E escolherá este macho? Não sei. Passei 30 anos a aprender os hábitos deste quintal selvagem, e ainda assim há tantos mistérios.

Descontando os chapins em luto e a carriça macho solitária, foi uma boa primavera para as ninhadas. Vi os tentilhões jovens a seguir o pai pelo quintal, a eriçar as penas e a pedir sementes. Vi um melro juvenil a observar uma lagartixa-de-cauda-azul e a decidir que aquilo não era comida. Vi estorninhos-bebés a aprender a beber do bebedouro e um pica-pau jovem a seguir a mãe até ao comedouro de sebo. Quando se cansava de tentar perceber o mecanismo à prova de esquilos, inclinava-se de lado para que a mãe o alimentasse. E ela alimentava sempre.

Mas o verão trouxe outros mistérios, rápidos e espessos. Porque parou a carriça de cantar? Porque deixaram os cardeais juvenis o ninho demasiado cedo, ainda meio carecas e sem saber voar? Porque pôs um melro-azul um ovo sobre a grelha de arame, sem ninho?

Eu olho, e volto a olhar, mas nunca saberei.

O que mais me intrigou foi esse único ovo. Enviei uma mensagem à naturalista de Nashville, Joanna Brichetto, autora de “This Is How a Robin Drinks”, a perguntar porque razão uma ave poria um ovo numa caixa-ninho sem antes construir um ninho. Ela também não sabia, mas enviou a minha fotografia a Laura Cook, coordenadora de investigação ornitológica dos Warner Parks, que mantêm uma das mais antigas rotas de melros-azuis dos EUA.

A Sra. Cook sugeriu que eu tentasse construir um ninho. “Coloca o ovo lá e vê o que acontece”, escreveu. “Já fizemos isso quando um ninho com crias estava infestado com ácaros ou formigas - e resultou.” Resultaria também com um único ovo? Ela não sabia.

Se queres ser humilhado, tenta construir um ninho de passeriforme. Mesmo com polegares oponíveis, tive de pôr o ninho numa caixa para o conseguir manter unido. Coloquei o ovo órfão na minha fraca imitação da maravilha que é um ninho de melro-azul e fiquei a olhar. A esperança não me encheu o coração.

Mas, na manhã seguinte, já um melro-azul macho fazia guarda no topo da caixa enquanto a fêmea investigava o novo ninho. Seria dela o ovo? Estaria a questionar-se por que motivo o seu ovo estava subitamente num ninho que não construíra? Iria tentar incubá-lo?

Não sabia, mas a presença daquele ninho artificial pareceu intensificar o drama. O pica-pau-de-ventre-vermelho juvenil veio ver e os melros-azuis reagiram com fúria. A mãe pica-pau veio defender a cria. Depois, todos os filhotes da primeira ninhada dos melros-azuis desceram dos ramos para se juntarem à confusão. Durante uns 10 segundos, foi uma verdadeira zaragata de aves canoras.

Os melros-azuis defenderam aquele ovo órfão durante três dias, mas a fêmea nunca se instalou para incubar, nem acrescentou mais ovos ao ninho impostor. Sempre que eu espreitava a caixa, lá estava o ovo, exatamente onde o deixei. Estávamos todos em suspenso: eu, com as minhas perguntas sem resposta; os melros-azuis, a guardar um ninho que não construíram; até os pica-paus, que seguramente teriam apreciado uma refeição com ovo.

E então, subitamente, a carriça voltou a cantar - e o ovo na caixa dos melros-azuis tinha um buraco de perfuração. Limpei novamente a caixa e coloquei o ovo perfurado numa pedra, junto ao prato raso que mantenho sempre com água fresca. Suponho que um guaxinim ou uma cobra o comeu, mas claro que não sei.

Não sou uma criatura feita para a incerteza. Esperar pelo resultado de uma biópsia, por uma proposta de emprego, por palavras de amor de alguém que talvez não me ame de volta - não importa se as consequências são grandes ou pequenas, quero saber. Assim que sei com o que estou a lidar, consigo encontrar uma forma de reagir. Não saber é como uma paralisia.

Mas sou mais velha agora, e hoje em dia o não saber muitas vezes parece um presente. O país é governado por pessoas cruéis, gananciosas e míopes. A Terra está a aquecer até níveis insuportáveis. Aves, insetos e anfíbios estão a morrer. Uma lista completa desses horrores duraria dias. A única coisa que sei sobre tudo isto é que não sei o que vai acontecer.

Essa é a beleza de não saber: o que parece terrível pode não acontecer. Ainda há tempo para que as pessoas se unam e mudem a narrativa numa direção inesperada. Irão fazê-lo? Não sei. Tenho esperança, mas não sei. E sou grata pela forma como o não saber permite espaço para um futuro diferente daquele que receio.

Entretanto, o melro-azul macho voltou a instalar-se no topo da caixa da frente da casa. Outra vez, a fêmea entra e sai, a inspeccionar este local onde já criou não sei quantas ninhadas. De vez em quando, o companheiro traz-lhe uma traça ou uma lagarta. Está a lembrar-lhe que é um bom provedor. Ela acreditará nele outra vez? Escolherá esta caixa de novo? Estarão os seus ovos seguros se o fizer?

Não sei. Nesta estação de vida e perda, os momentos mais estranhos surgem sem resposta". 

O artigo pode ser lido no original aqui:

Opinion | The Questions Started With the Wren - The New York Times

terça-feira, 1 de julho de 2025

sábado, 28 de junho de 2025

Compostor: Mudar da Madeira para õ Plástico

 Como já expliquei aqui várias vezes, eu tinha vários compostores, oferecidos pela LIPOR, mas não chegava para o volume de resíduos de jardim que tinha. Então, em 2020, trouxe várias paletes de madeira da empresa e improvisei um grande espaço. 

Cinco anos volvidos e as próprias paletes começaram a decompor-se. Vai daí, resolver trazer várias paletes, mas, desta vez de plástico. Têm a vantagem de ser mais fechadas do que as de madeira, mas a principal vantagem é não se desfazerem com o tempo. 

Infelizmente não eram todas do mesmo tamanho e não ficou tão bonito, mas, para já cumpre a função. Se eventualmente encontrar outras iguais, depois troco. 

Tive que recolher todo o composto, em que a parte de baixo já estava a ser assaltada pelas raízes do magnório (nespereira) onde o compostor está, e recolhi, talvez, uns 780-800 litros de composto. E então, depois, comecei de novo a despejar restos de jardim. 

Os compostores de plástico de 300L que a LIPOR me ofereceu, são meros silos de compostagem onde armazeno o composto. 


Entretanto nestes anos as gilbardeiras cresceram bastante e algumas devem estar com mais de um metro de altura. 

terça-feira, 24 de junho de 2025

Rabo de Macaco em Flor

 Está quase a fazer um ano, quando visitei o Festival de Jardins do ano passado, que comprei dois catos na senhora que tem uma banca de plantas, na rua, em Ponte de Lima. 

O rabo de macaco, que vinha numa taça de plástico com umas hastes de plástico para pendurar, e acabei por mudá-lo no fim do ano passado. Transplantei para uma taça de barro, bem maior e meti composto proveniente da compostagem, e depois coloquei em cima de um tronco de madeira. A ideia seria que se fosse desenvolvendo e crescendo, de forma pendente, até perto do chão. 

Chegou a dar algumas flores, ainda no ano passado, mas floriu agora, um ano depois, estando já bem maior e com um muito maior número de flores. 


sábado, 14 de junho de 2025

Bicho-Pau na Mão

Criatura fascinante este bicho-pau. Desta vez fi-lo subir para a minha mão para melhor o fotografar.  



domingo, 1 de junho de 2025

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Primeiro Livro Ocidental Sobre Bonsai - As Árvores Anãs Japonesas

Jornal O Público 30 de Maio 2025

 "Primeiro livro ocidental sobre o bonsai vai a leilão hoje à noite em Guimarães. Obra rara francesa foi descoberta num alfarrabista e pode chegar aos 100 mil euros. Está em quase perfeito estado de conservação". (aqui no jornal Público, 30 de Maio 2025)

"O livro sobre bonsai marca um marco histórico na divulgação ocidental desta arte sino-japonesa, sendo a primeira obra escrita numa língua ocidental (francês) exclusivamente dedicada à técnica de miniaturização arbórea. Até então, o conhecimento europeu sobre bonsai era fragmentário, surgindo apenas em relatos esparsos desde a chegada dos portugueses ao Japão, em 1543, até aos primeiros artigos científicos publicados no final do século XIX." (Jornal de Guimarães)

sábado, 3 de maio de 2025