domingo, 17 de julho de 2016

Crime ambiental

Creio que já por mais do que uma vez aqui no blogue falei da ignorância das pessoas, que movidas por um qualquer sentimento de repulsa matam as cobras por pura maldade. As pobres das cobras fruto de crendices, principalmente religiosas, gozam de grande impopularidade e são odiadas fruto dessa ignorância. 

Na natureza, como digo muitas vezes, tudo estava em perfeito equilíbrio até ao Homem tudo destruir e desequilibrar. Existe uma cadeia alimentar, em que uns animais se alimentam de outros, e a cobra ocupa o seu lugar, maioritariamente de predador, mas muitas vezes também de presa. 

As cobras são fundamentais, por exemplo, no controlo das populações de ratos, apesar de, dependendo das espécies (e eu sou um leigo no assunto) terem uma alimentação muito diversificada.




Infelizmente constatei mais uma destas mortes. Estava a passar a poucos metros onde há dois anos encontrei uma cobra-de-água-de-colar (publicado aqui) e vi este pobre animal morto. 

As temperaturas estão muito elevadas e as cobras estão muito mais ativas, e sendo repteis também precisam de se aquecer e são mais vistas, e esta infelizmente ter-se-á cruzado, não com um predador, mas com o animal-homem que só mata por prazer ou por ignorância.

Felizmente que os animais vão sendo olhados, cada vez mais, com outros olhos. Nem faço ideia, se existe ou não, moldura penal, mas matar um animal da nossa fauna, cada vez mais ameaçado, para mim é um crime ambiental. 

sábado, 16 de julho de 2016

Parque Natural Douro Internacional - Miranda do Douro

Na despedida da Primavera desloquei-me à terra do sol nascente - Paradela (Miranda do Douro) - para uma caminhada pelo Parque Natural do Douro Internacional. 



Paradela é uma antiga freguesia, extremo nordeste e ponto mais oriental de Portugal, local do país que recebe os primeiros raios de luz do sol.


Ao longo de um estradão de terra batida preenchido por castanheiros e salpicado por rosmaninhos iríamos desaguar no primeiro miradouro sobre o rio Douro: o Miradouro da Penha das Torres, de onde se pode ver a última barragem espanhola.





E eis-nos chegados ao Miradouro (para mirar o Douro!) da Penha das Torres com a barragem espanhola em fundo:










Pausa para reabastecer energias e descansar um pouco à sombra, porque depois de tanta chuva, neste último fim-de-semana de primavera em meados de junho já se faziam sentir as altas temperatuas no planalto mirandês. E por alguma coisa se diz que, por lá, fazem nove meses de inverno e três de inferno. Agora imaginem por que terá sido que eu, mesmo tendo aplicado protetor solar 50+ (é verdade que só foi uma vez) acabei o dia com a testa e o nariz queimados! A paragem foi feita em Aldeia Nova já perto do Castro de São João das Arribas.





















Depois de uma noite mal dormida, e não foi por causa do empate da seleção, jogo que nem sequer tivemos oportunidade de ver, mas sim por causa do barulho de uma das muitas discotecas que estava junto do hotel - é verdade, Miranda do Douro, para quem gosta, tem bastante oferta de diversão noturna - no dia seguinte, domingo, fomos recebidos em Picote pela FRAUGA - Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote - e visitamos o Ecomuseu da Terra de Miranda e caminhamos um pouco pela aldeia até ao Miradouro da Fraga do Puio, antes de almoçarmos e de no final, antes de regressarmos a casa, ouvir o som da gaita de foles mirandesa tocada pelo mestre Ângelo das Arribas.










No Ecomuseu destaque para o Zimbro e para o Linho:











Um fim-de-semana muito bem passado por terras de Miranda, caminhando por entre a natureza com uma paisagem muito bonita e uma flora um pouco diferente do que estou habituado a ver e ouvindo falar, aqui e ali, por uma ou outra senhora já de idade avançada, a outra língua oficial de Portugal: o mirandês. E tive ainda o privilégio de ouvir o mestre Ângelo, que constrói com as próprias mãos as gaitas (de foles) que ele mesmo toca como ninguém. 

As Papoilas do Cemitério

Na sequência da anterior publicação sobre os arranjos florais no cemitério, lembrei-me da minha recente visita, chamemos-lhe "turística", a um dos maiores cemitérios do Porto: o cemitério de Agramonte.

Provavelmente algumas pessoas estranharão que haja alguém que faça turismo nos cemitérios, mas a verdade é que existe muita gente interessada em visitá-los e lembro-me até de ter lido que, por exemplo, em Lisboa criou-se um roteiro específico porque os cemitérios dos Prazeres e Alto de São João são muito visitados por estrangeiros.




O meu interesse é mera curiosidade fotográfica. Podem-se encontrar motivos interessantes para fotografar em qualquer lado e também se podem encontrar motivos de beleza diferente num cemitério, nomeadamente nos elementos escultóricos.




Não deixei de reparar nos arranjos de flores, umas sepulturas mais cuidadas, outras com flores secas, outras ainda com flores plásticas. E eu sempre achei que devemos cuidar e fazer tudo pelas pessoas que gostamos quando elas são vivas, depois de mortas podemos simplesmente mantê-las vivas na nossa memória, e no fundo acho que é isso que interessa. Tudo o resto é supérfluo.




Mas um pequeno espaço em particular chamou-me a atenção. Imensas flores vermelhas, naturais, espontâneas e silvestres. Talvez o arranjo mais bonito do cemitério fosse esta pequena porção de terreno, abandonado e repleto de papoilas vermelhas.


terça-feira, 12 de julho de 2016

Arranjos de Suculentas para o Cemitério

Na minha modesta opinião a minha mãe tem imenso jeito para fazer arranjos florais. Sempre gostou de todo o tipo de plantas e de cuidar do seu jardim. E sempre teve vários tipos de diferentes plantas que dão flor de corte, para que as pudesse ter durante todo o ano, com o intuito de ter flores para enfeitar no cemitério. Entretanto com a idade e com o trabalho que implica cuidar do jardim e de ter tantas plantas para cuidar, começou a ser demasiado cansativo, e teve então, na minha opinião, a brilhante ideia de cultivar arranjos de suculentas nas próprias floreiras que se usam no cemitério para enfeitar as sepulturas. 



Como sabem, as suculentas são plantas muito resistes e que necessitam de pouca água, aliás, muitas das vezes as pessoas acabam por as matar, precisamente por lhes deitarem água demais. São então plantas apropriadas para estar ao sol e que não necessitam de grandes cuidados. Muitas delas, em diferentes alturas também dão flor dando um colorido mais bonito à taça.Trata-se a meu ver, para quem gosta de ter as sepulturas enfeitadas, de uma boa ideia, e até bastante económica, de ter plantas naturais que também dão flor, e que resistem ao tempo, ao contrário das flores de corte, que, em pleno verão, ao fim de dois ou três dias estão com muito mau aspeto. Deixo-vos aqui mais alguns exemplos: