domingo, 16 de outubro de 2016

Jardins do Palácio de Cristal

"Olhe, sabe-­me dizer onde é que fica o palácio?"

Esta foi a pergunta que certa vez uma turista portuguesa me fez, e que estou em crer que muitos outros turistas farão a si próprios, quando visitam na cidade do Porto, um espaço que tem por nome "Palácio de Cristal" mas que na verdade não existe qualquer palácio para ser visto. Há edificações e monumentos que mudam de nome, aqui no caso é ao contrario, existe um momento que se deitou abaixo há mais de sessenta anos, que foi substituído por outra edificação no mesmo sítio, mas continua-­se a dar oficialmente o nome do monumento que se destruiu.


Palácio de Cristal 1865-1950

"Olhe, isto chama-se Palácio de Cristal mas não há nenhum palácio para ver...!"

Curiosamente este espaço que outrora se chamava Torre da Marca, mudou de nome quando em 1861 começou a ser construído o Palácio de Cristal, inspirado, como o próprio nome indicia, no Cristal Palace do Hyde­Park de Londres. Foi inaugurado em 1865 para receber uma grande exposição internacional, tendo terminado no mês passado, no dia 18 de Setembro de 2016, as comemorações dos seus 150 anos (1865-2015).




Quem não conhece perguntar-se-à: mas então por que é que afinal já não existe nenhum palácio para ser visto? Porque em 1951 decidiu-se construir um recinto desportivo para acolher o campeonato do mundo de Hóquei em Patins que iria acontecer na cidade do Porto no ano seguinte. E então a edilidade portuense, teve a brilhante ideia de deitar abaixo um palácio, para construir, no mesmo sítio, um pavilhão, que ficou conhecido por Pavilhão dos Desportos. Mais recentemente, em 1991, também este pavilhão voltou a mudar de nome para Pavilhão Rosa Mota, por forma a homenagear a grande maratonista e campeã olímpica portuense.


E é graças a todas estas confusões com os nomes, que ainda hoje, muitas pessoas julgam que o palácio é afinal aquele pavilhão, em forma de disco voador, e depois arranjam as explicações mais mirabolantes possível para ele ser de cristal, quando há mais de sessenta anos que o edifício que dá nome ao espaço é um mero fantasma.

De qualquer forma, nomes à parte, o espaço designado como "Palácio de Cristal" é uma espécie de salão de visitas da cidade do Porto, sendo talvez, no meu entender, o espaço de lazer ajardinado mais nobre que a cidade tem para oferecer aos seus habitantes e às pessoas que visitam a cidade, rivalizando talvez só com Serralves.

Por aqui se passeia, namora, acontecem exposições, concertos de música e todo um sem número de diferentes eventos que vão acontecendo ao longo do ano, como por exemplo a Feira do Livro que já esteve dentro do pavilhão quando se realizava na primavera e chovia quase sempre, ou como acontece agora, na Avenida das Tílias no mês de Setembro.

Entrada Principal pela Rua D. Manuel II
Entrando pela porta principal da Rua D. Manuel II (existem duas entradas abertas na mesma rua), a entrada onde vemos o pavilhão de frente, encontramos um espaço amplo, relvado e salpicado por bolas de buxo e ladeado por dois chafarizes dispostos frente a ­frente de forma simétrica, e por quatro estátuas, duas de cada lado, invocando as diferentes estações do ano: Primavera, Verão (duas) e Inverno. Os chafarizes evocam o Oceano, com sereias e tritões. Todas estas estátuas são provenientes das melhores fundições francesas e foram instaladas em 1865. Este espaço tem o nome do seu criador: Jardim Émile David. Foi este arquiteto­ paisagista alemão encarregue de criar estes jardins românticos que envolviam o Palácio de Cristal, jardins esses que ainda se mantêm nos dias de hoje.




Também em simetria, tal como com as esculturas e bem perto delas temos também quatro Acer palmatum, espécie que muito aprecio pela beleza da sua folhagem que vai mudando durante as estações, mas que é conhecida pelo seu vermelho vivo:





Há mais vermelho a salpicar os jardins mas neste caso das flores vermelhas dos metrosideros e callistemon que florescem no final da primavera e início do verão. Uma fila deles serve quase de barreira, delimitando o jardim do pavilhão.



A ladear a frente do Jardim Émile David temos duas avenidas de árvores que rasgam o espaço de norte a sul. Do lado esquerdo, virado a nascente, onde está sempre um porteiro que controla entradas de alguns carros que por lá entram, está a Alameda dos Plátanos que tem o piso

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Casa dos Polinizadores

Uma das coisas que me chamou a atenção no Festival de Jardins de Allariz, foi a Casa dos Polinizadores. Pelo efeito decorativo, pela pedagogia junto das crianças, mas principalmente pela importância que abrigos deste tipo podem proporcionar a estes insetos de extrema importância na natureza. 



A verdade é que também os polinizadores precisam da nossa ajuda, e neste caso é mesmo fácil ajudar,. Os polinizadores encontram-se ameaçados por diversas formas. Perdas de habitats, principalmente devido à massificação da agricultura, e os pesticidas e herbicidas. Há anos e anos que se massificou o uso de herbicidas, matando todas as ervas nas beiras das estradas, e nos terrenos particulares. E a verdade é que cada vez mais os polinizadores se vêem ameaçados, e são conhecidos os problemas com as abelhas. 

E relembro a célebre frase de Einstein:

"Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana."

Ao ajudarmos os polinizadores, estamos a ajudar a natureza e a ajudar-nos a nós mesmos como parte integrante da natureza que somos. E é muito fácil ajudar. Não precisamos construir uma enorme casa como o festival de jardins fez! Basta muitas vezes fazer uns furos nuns troncos de madeira, ou colocar umas canas. 

Para atrairmos os polinizadores precisamos de flores, principalmente silvestres e nativas, e depois então precisamos que eles encontrem boas acomodações, verdadeiros hotéis, para que se possam fixar e proliferar. E lembro até quando coloquei umas canas no espaço das tartarugas, que muito rapidamente começaram a ser ocupadas por diferentes tipos de hóspedes . 



No festival de Allariz, quis mesmo observar de perto, e verifiquei que inúmeros polinizadores entravam e saíam de casa. E lá está, diferentes tipos de diâmetros nos orifícios permitem que polinizadores de diferentes tamanhos possam ocupar as casas. 






domingo, 9 de outubro de 2016

Festival Internacional de Jardins de Allariz 2016

Apesar de ter estado de férias, aproveitei o feriado municipal e desloquei-me à Galiza na companhia da minha outra amiga minhota, a que conheci precisamente logo no início deste blogue - pessoa que me deixa por vezes embaraçado com o seu conhecimento de ervas e árvores autóctones, e que acabou também por me passar alguma da sua acérrima defesa da flora autóctone - com o intuito de visitarmos, pela primeira vez para ambos, o Festival Internacional de Jardins de Allariz.

Já sabia perfeitamente, tal como à semelhança da recente visita ao Festival de Jardins de Ponte de Lima em Setembro,  este mês de Outubro não é o ideal para visitar os jardins, porque já muitas flores estão a murchar e os jardins não estão no seu esplendor. Mas mais vale visitar agora que esperar pelo próximo ano! 

Acabei por fazer a viagem por Ponte da Barca, onde fizemos um pequeno percurso pedestre junto do rio e depois almoçamos, e fomos em direção a Allariz por Lindoso. Foi sempre uma viagem muito bonita, na companhia de grandes carvalhais e castanheiros, nunca se vislumbrando eucaliptos para gáudio da minha amiga, mas só corta um pouco o coração é ver algumas serras completamente devastadas pelo fogo criminoso da mão Homem. 


À semana, o Festival de Jardins de Allariz só abre às 16 horas - já sabemos bem que nuestros hermanos gostam de dormir a siesta  - o que significa que são 15 horas pela hora de Portugal, e eu já sabia que só teríamos luz natural para fotografar até essas 18 horas. 

Esta é a sétima edição do Festival de Jardins de Allariz, que começou a ser construído de raiz em 2010, e o tema deste ano é: "Os jardins do futuro". O espaço do festival fica na margem direita do rio Arnoia, mesmo antes da Ponte, numa zona, que em conversa com a simpática menina da receção, fiquei a saber que foi uma zona um pouco degradada que foi recuperada especialmente para o efeito. 

O tempo foi mesmo muito contado, três horas de carro, ainda que logicamente não seguidas até Allariz, e outras tantas que nos esperavam no regresso. Nem deu para conhecer minimamente a vila medieval de Allariz, mas deu para um pequeno passeio, junto ao rio, nas imediações do Festival de Jardins. É uma zona de grandes árvores, de um bonito espelho de água sobre o rio, e de uma pequena ponte românica, a Ponte de Vilanova. 







Tal como no festival português, em Ponte de Lima, também aqui em Allariz estão doze jardins expostos, e o vencedor do ano anterior mantém-se no ano seguinte. Existe ainda um outro jardim, das escolas locais que não está a concurso.

Mas venham então comigo que vou-vos mostrar o que o festival de jardins espanhol tem para nos mostrar a quem o visita.


Logo à entrada "A noria de sangue"




Seguida de "Auga e pedra. Pedra e auga."
(muito curioso como, por aqui onde vivo, sempre ouvi as pessoas mais antigas dizerem "auga" tal e qual como os nossos vizinhos galegos)


"A pedra foi cantar á auga,
A auga dálle forma à pedra
Exuntas danse voz e vida, 
Auga e pedra resaltam a Beleza de Allariz"



1 - Ecos-Oikos

Esta secuencia de lugares: horta, patio, praza… forma un continuo que interactúa co que pasa e cos sons próximos e afastados. Introducímonos nesta nova selva entre as rubideiras que enmarañan o espazo tridimensional. Aos poucos desaparecen, os sons reláxanse, e ao final descubrimos o remanso de paz: unha pradería silvestre asubiando.







2 - Soñando el Futuro

“Sempre nos proxectamos cara ao futuro ou quedamos no pasado, pero estamos moi pouco no presente” (Mariña Abramovic)









3 - Jardim de Luz

A globalización, a principios do século xxi, causou gran individualización no comportamento humano e gran masificación das cidades. Debido á altura dos edificios e á excesiva compactación construtiva xurdiu a necesidade dun novo recurso, que ata agora nunca fora escaso: a luz do sol.

O xardín da luz é un espazo onde levar as túas plantas para que tomen o sol e onde relacionarse con persoas afeccionadas á xardinería.










4 - A la IMAGINE de Allariz (vencedor 2015)

A la IMAGINE de Allariz, pretende que cada visitante reflexione, contemple, camiñe, que percorra o espazo e se encontre en harmonía e equilibrio, que se sensibilice, que sinta a arte, que e entenda e comprenda o valor do verde, o valor do xardín e que todo isto mellora a súa calidade de vida, é unha pequena mostra para que cada visitante sinta, cambie e transforme o seu ámbito, a súa comunidade e por que non, o seu país.











5 - Rent a Garden

Ofrecemos produtos para todos os petos: a nosa variedade de produtos inclúe o modelo Estándar Básico, cun prezo moi razoable e resultados efectivos, o modelo Económico e, para finalizar, o noso modelo Luxoso, extravagante e cheo de sorpresas e accesorios. Os nosos xardíns posúen unha gran variedade de tamaños e equipamentos, e son fáciles de gardar no seu fogar. Vostede pode alugar o seu xardín desde 10 minutos, durante medio día ou por un tempo prolongado de ata seis meses.




                           


6 - Huerta Cibernética

Se supone que la tierra y el suelo son tóxicos. Hay que buscar otras maneras de cultivo para comer, vivir y respirar. Se propone cultivar en el aire, sin tierra, como experimento desde una perspectiva catastrófica, en la cual se encuentra nuestra madre naturaleza.








7 - Terraformación

Ano 2168
Tras anos de investigación sobre o terreo no planeta Marte, as conclusións foron positivas no referente á habitabilidade da raza humana neste novo mundo.
(...)

O obxectivo da misión é instaurar vexetación no planeta para poder conseguir unha atmosfera habitable, con osíxeno e controlando o CO2.





~





8 - Xardín da Escola (fora do concurso)


Os alumnos e alumnas do CEIP PADRE FEIJOO achegan, por terceiro ano consecutivo, os seus deseños ao Festival Internacional de Xardíns de Allariz. Unha actividade que enriquece a súa formación máis alá das aulas e permite fomentar actitudes de respecto e coidado do medio. Nesta ocasión os nenos e nenas imaxinaron como serán os xardíns do futuro do que eles formarán parte. Un futuro que, con entusiasmo, fixeron presente nestes xardíns coa fin de lograr un mundo máis fermoso, á vez que máis xusto e solidario.


 




9 - Better Future

Os efectos do cambio climático xa se senten en todo o mundo: desastres naturais, especies ameazadas, recursos escasos…
Debemos inspirar e mobilizar a sociedade na construción dun futuro mellor para as próximas xeracións.
No proxecto, a área central representa as paisaxes naturais que foron destruídas polas erróneas accións humanas. As árbores son esculturas metálicas; os ríos seguen cursos alterados e represéntanse mediante un espello de auga de liñas rectas; os reforzamentos son artificiais.






10 -  Green Cloud Garden

O xardín de nubes verdes consiste nun xardín de plantas colgantes, contidas en bólas de brión. Estas bólas e as súas plantas varían en tamaño, desde pequenas herbas ata arbustos máis grandes. Ao colgar as plantas, estas son visibles desde novos ángulos e adquiren outra xerarquía: cada planta convértese nun obxecto único. Cada bóla é un xardín en si, permitindo a utilización de mesturas de plantas inusitadas.





11 - [RE]Evolución


Considerando que o sistema monocultural de cultivo empregado na actualidade é inviable, a permacultura preséntase como unha alternativa válida. A permacultura consiste na creación de agrosistemas naturais, policulturais, baseados nuns principios éticos e de deseño concretos que permiten producir alimento sen degradar nin consumir a contorna onde se practica. Unha simbiose entre os seres humanos e a súa contorna. Unha actitude de respecto e harmonía tanto co medio coma coas plantas, os animais e as persoas.










12 - The futur is futurist?


Imaxinemos dous xardíns idénticos, formais, que teñen todos os elementos dun xardín: espazo para pasear, gozar da natureza, para o refresco. Que son harmoniosos na forma e agradables á vista. Un deles é o xardín de hoxe, xa que estamos afeitos a velo coa vexetación natural, e o outro é o xardín do futuro: formalmente idéntico pero esencialmente diferente. Cada elemento farase de material artificial. Un xardín artificial. Os dous xardíns están separados por un aceiro marco no que se instalará un veo de organza que permite entrever, desde o xardín de hoxe, o xardín do futuro. A fronteira é borrosa, o paso é curto. O futuro xa pode estar aquí.










Por entre as diferentes porções de terreno onde serão, todos os anos, instalados os jardins a concurso, existem vários elementos decorativos, para além dos dos que já descrevi logo do recinto, além de um espaço para recreio infantil. 























O Festival de Jardins de Allariz, abre, tal como o de Ponte de Lima, de Maio a Outubro e a entrada custa 2€.