domingo, 6 de maio de 2018

Depois do Preto dos Incêndios, da Chuva e do Vento, o Verde e o Amarelo da Primavera




Por aqui passo todos os dias junto ao Miradouro da Barragem de Crestuma-Lever (que com o arvoredo em frente não dá para mirar nada, não é Câmara Municipal de Gaia?). Desde o fim-de-semana dos grandes incêndios de Outubro, durante meses, todo este espaço esteve preto, carbonizado, e cinzento da cinza, das árvores e ervas que arderam. E esta mimosa, depois de queimada, manteve-se sempre de pé, até que veio a chuva e forte vento, e tombou. Mas entretanto todo o preto da terra, aos poucos, foi substituído por um mar de malmequeres amarelos bem como outras ervas silvestres.





Na falta das minhas próprias fotografias, podemos pode como estava a mimosa em 2015 com recurso ao Google Maps:




O enorme tronco da mimosa, partido ao meio...


Por entre as ervas ainda se vêem vestígios do incêndio, raízes queimadas.


E os pinheiros queimados...



Apesar dos milhares de flores disponíveis os polinizadores que se vêem são muito poucos, o que não é bom...






Mas o que é fantástico é como neste local (como em muitos outros) num curto espaço de tempo, depois do preto dos incêndios, a Natureza rapidamente coloriu de verde e amarelo a paisagem fazendo esquecer o que aconteceu há meio ano.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Livro Portugal Natural

Mais um livro que me chegou às mãos (fruto de mais uma troca por plantas) para ser certamente futura fonte de pesquisa. É uma edição de 320 páginas da Deco Proteste com a colaboração da Liga para a Proteção da Natureza de Abril de 1995. 

Aborda diferentes temas da fauna e flora portuguesa com capítulos sobre árvores (folhosas e resinosas); plantas e flores silvestres invertebrados; aves (terrestres e aquáticas); mamíferos; répteis; animais de água doce e ainda um capítulo sobre cogumelos. 



O Homem Abandona - A Natureza toma Conta (14)



segunda-feira, 30 de abril de 2018

Contrabando de Suculentas

A notícia é do The Guardian. Neste momento, na China, Japão e Coreia há uma grande moda de comprar suculentas. E se na China são valorizadas pelas suas formas gordas, na Coreia são um passatempo valioso para as donas de casa, e são apelidadas em diversos artigos como a "febre suculenta". E na China fazem tudo o que esteja na moda na Coreia! Esta é uma moda tão séria que já alguém a comparou com o próximo Pokémon!

As plantas suculentas foram apelidadas pelos primeiros exploradores da Califórnia como "sempre vivos", graças à sua capacidade de sobreviver a longas travessias oceânicas, e porque exigem poucos cuidados são, muitas vezes, erradamente, consideradas ideais para viver em apartamento. E para se ter uma ideia, cada planta com cerca de 12cm que crescem com os filhotes em círculos, podem custar entre 30 a 40 euros!

Estamos a falar de plantas que não são raras, podem ser cultivadas em viveiros mas o processo leva anos e os proprietários disseram que não estavam disponíveis para propagar e fornecer as enormes quantidades que os importadores asiáticos precisam. E quando há algo que pode valer muito dinheiro, logicamente que as pessoas não olham a meios para enriquecer. 


A investigação sobre o contrabando de suculentas começou por mero acaso. Houve uma denúncia de uma mulher anónima, que ficou muito tempo na fila dos correios, porque um homem enviava dezenas de caixas para a Ásia. E quando foi perguntado pelas pessoas que estavam na fila sobre o que ele estava a enviar disse "Shhh.... algo muito valioso". E quando os investigadores passaram as 60 caixas por raios-X, ficaram surpreendidos por lá dentro não conter qualquer animal marinho raro (as caixas iam pingando) mas sim centenas de suculentas da espécie Dudleya farinosa

E foi assim que começou a investigação sobre os traficantes de dudleyas. Rapidamente foi encontrado um homem que estava a retirar plantas de um penhasco e a colocá-las numa grande mochila. Quando questionado para que eram aquelas cinquenta plantas disse que eram para o seu jardim, mas quando confrontado sobre as plantas que estavam a ser despachadas nos correios, o homem admitiu que estava a enviar para fazer dinheiro. 

Como nestas coisas da Justiça não se brinca nos Estados Unidos, o homem foi considerado culpado por ter levado material vegetal e apanhou um multa de 3000€, 240 horas de serviço comunitário e três anos de liberdade condicional. 

Um capitão do departamento de peixes e vida selvagem disse que dedicou toda a sua carreira na captura de caçadores furtivos. Agora existe um novo tipo de caça ilegal: os caçadores de plantas.

Entretanto na semana passada muitos defensores das plantas nativas da California foram ajudar a replantar os milhares de dudleyas apreendidas nas falésias.

domingo, 29 de abril de 2018

PR3 Fisgas de Ermelo

Ontem desloquei-me mais uma vez com a AMUT, associação que entre muitas outras coisas organiza diversas caminhadas ao longo do ano, para fazer uma caminhada em plena serra do Alvão, concelho de Mondim de Basto. O nosso destino era a aldeia de Ermelo (que outrora foi sede de concelho e ainda exibe junto da Junta de Freguesia o seu pelourinho) para fazermos o trilho PR3 Fisgas de Ermelo e nos deslumbrar-nos com a sua cascata, uma das maiores de Portugal.

Varzigueto

O percurso tem cerca de doze quilómetros e meio e é circular. Nós iniciamos o percurso junto da Igreja de Ermelo, percorremos algumas centenas de metros por entre as casas típicas da aldeia até entrarmos então no trilho propriamente dito e na companhia de grandes carvalhos e muros cobertos de musgo.




A primeira parte do percurso, pouco mais de um quilómetro, é bastante simpática, sempre a descer até à Ponte da Abelheira (construída em madeira) que atravessa o rio Olo.




A partir desta ponte inicia-se uma longa subida de cerca de 5Km, bastante exigente e que poderá deixar marcas para o resto do percurso. Será conveniente estar bem preparado fisicamente, pois ouvi vários relatos, de pessoas que até fazem muitos quilómetros (como os caminhos de Santiago e de Fátima) e que, por exemplo, até acharam este percurso de 12Km mais difícil que o de 24Km que fizemos na Via Romana da Geira




Neste local encontramos por ali um grupo de escuteiros, bastante animado e vestidos com t-shirts vermelhas bem visíveis ao longe. E eles ainda não sabiam, mas haveriam de regressar de boleia connosco! 


A carqueja em flor salpicava a montanha de amarelo... (sim, tenho de plantar carqueja no meu jardim!)


E toca a subir que o caminho é sempre para cima!...



Em verdadeiros caminhos de cabras...



E eis-nos chegados ao Alto da Cabeça Grande, podendo observar agora bem mais de perto a Cascata:






Lavadas as vistas, continuar a subir, porque o dia era para caminhar, não era para estender uma mantinha e descansar (como apeteceria a muito boa gente)!



Os escuteiros faziam o mesmo percurso que nós, e podíamos vê-los agora lá ao longe observando a Cascata...



Chegados lá acima ao alto, houve uma pequena incerteza momentânea, sem que as pessoas que comigo iam na frente do grupo (que se estendia montanha abaixo) não sabiam ao certo se o trilho era para a esquerda ou para a direita, e foi o momento oportuno para eu me esgueirar um pouco e caminhar em direção ao rio para tirar algumas fotografias. Caminhei mais umas centenas de metros junto à água (não lhe pus a mão mas tenho a certeza que estaria gélida!) e apanhei as minhas camaradas de caminhada no trilho certo. Ah, e lá em cima era para virar à direita, e só tínhamos de ignorar umas fitas brancas, marcas de uma associação de atletismo de Mondim de Basto.






E ao longe já se avistava a povoação de Varzigueto onde acabamos por ficar um pouco à conversa com a dona Odete que nos contou que de manhã tinham ido buscar madeira a Mondim de Basto e estava agora a preparar o almoço (batatas cozidas com peixe). Falou-nos também, com alguma tristeza, da senhora Aurora, "que Deus a tenha no céu", que vivia uns metros numa casa mais adiante, e que como acolhia muitos gatos, os caminheiros que por ali passavam gostavam muito de falar com ela... E ainda deixou umas dicas sobre uma casa lá na terra em que uma senhora prepara uns bons  almoços e petiscos, tudo com animais que cria em casa... mas o nosso destino era Ermelo. Quem sabe numa próxima vez alguns de nós vá iremos tirar a prova dos nove!



Chegados a Varzigueto era tempo de dar meia volta, atravessar e caminhar agora pela margem direita do rio Olo. Ao longe víamos muitas pessoas do nosso grupo que faziam a caminhada ao seu ritmo, ainda do outro lado do rio.


Por estas bandas vi muitos ninhos de lagarta do pinheiro...


E pinheiros que dão umas pinhas muito pequeninas:


A paisagem de Varzigueto ficava cada vez mais para trás....


E a 1,6Km tínhamos novo miradouro...


Ao longe avistava-se o Monte Farinha e a conhecida (muito por causa do ciclismo) Senhora da Graça:


Rebanhos de cabras sempre presentes ao longo do percurso...


E depois de se começar, finalmente a descer, aos poucos aproximavamo-nos, de novo, da Ponte da Abelheira, o que significava que só faltava cerca de 1Km para o final do percurso. 






Depois da ponte ainda consegui vislumbrar uma joaninha por entre  as ervas do chão...


E se do início do percurso até aqui foi, simpaticamente sempre a descer, agora, já cansados e com mais de dez quilómetros nas pernas, tínhamos ainda uma bela e desagradável subida para terminar em beleza!

Mapa do percurso:


De um modo geral posso dizer que este é um trilho de dificuldade acima da média, mas vale a pena o esforço. Eu vou encarar isto como uma descoberta que serviu de aperitivo. Para lá regressar por minha conta um dia destes, com a máquina fotográfica melhorzita, quem sabe também os binóculos, e certamente uma mantinha para deitar junto ao rio!