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terça-feira, 7 de novembro de 2023

A Botânica de 97 Anos que Cuida de Plantas Raras


Margaret Bradshaw agacha-se, encharcada pelas chuvas em Widdybank Fell, Teesdale.. A botânica de 97 anos murmura nomes de plantas misteriosas enquanto vasculha o solo húmido.

Esta parte das terras altas é uma paisagem aparentemente vazia, fortemente pastada por ovelhas, mas esconde tesouros botânicos que estão aqui há mais de 10 mil anos. Algumas das plantas não podem ser encontradas em nenhum outro lugar do Reino Unido e -  até Bradshaw chegar ao local - muitas estavam desaparecidas.

Bradshaw é a principal responsável de algumas das flores mais raras do país. Passou sete décadas a estudar obsessivamente a flora única de Teesdale, no norte da Inglaterra.

Nesta estação, as flores parecem joias, mas hoje parecem pequenas coleções de folhas. No entanto, isso não diminui o entusiasmo de Bradshaw e, ao descrever as plantas, ela move as mãos como se estivesse regendo uma orquestra invisível. Onde antes eram comuns na Grã-Bretanha, agora restam apenas fragmentos e 28 espécies estão ameaçadas de extinção.

“Tudo em Teesdale é único”, diz Bradshaw com orgulho  e com a autoridade de alguém que acabou de publicar um livro de 288 páginas sobre o assunto.

Flora especial: lugares, plantas e pessoas de Teesdale foi publicado como parte da série Princeton Wild Guides em fevereiro. A “Assembleia Teesdale” é celebrada porque é uma mistura de flores alpinas-árticas e espécies do sul da Europa; em nenhum outro lugar da Grã-Bretanha crescem juntos.

Agora, porém, os atributos únicos da área estão ameaçados. Bradshaw tem registado as plantas raras desde o início da década de 1950 e testemunhou grandes declínios. Os seus dados foram os primeiros a provar isso e a necessidade de fazer alguma coisa.

Bradshaw ouviu falar de Teesdale pela primeira vez quando era estudante na Universidade de Leeds, há quase 80 anos. “Isso ficou-me na cabeça”, diz ela. “Eu sabia que tinha uma flora especial.” Ela mudou-se para a área e fez doutoramento em botânica na Universidade de Durham. Após um período de 20 anos em Devon, a partir de 1980, retornou a Teesdale e descobriu que todas as plantas haviam “diminuído substancialmente”.

Desde a década de 1960, a abundância de plantas caiu em média 54%. Algumas desapareceram, como a erva-leiteira anã, que caiu 98%, e a erva-branca, que caiu 100% (agora há apenas uma planta registada). Os seus dados sugerem que este declínio “chocante” continua.

Bradshaw vê esses declínios como o desaparecimento da herança britânica. “Temos vários edifícios no país – Stonehenge, Catedral de Durham e outros; se estivessem a ruir, haveria dinheiro para o impedir, porque as pessoas diriam: ‘Não podemos deixar isso acontecer.’ As comunidades dessas flores são muito, muito mais antigas e, em alguns aspectos, são mais bonitas.”

A principal razão para o declínio destas plantas é incomum - não há ovelhas suficientes. O número de ovelhas nas colinas foi reduzido para metade até 2000, uma vez que se acreditava que as terras altas eram geralmente “sobrepastoreadas”.

Bradshaw diz que embora algumas áreas montanhosas estejam “naufragadas”, a redução do pastoreio em Teesdale tem sido devastador. A erva mais alta ofusca as flores delicadas, tirando a luz de que precisam para crescer. Ela critica critica a ideia de que uma só abordagem serve para todos os problemas da conservação (one-sizefits-all) e fala com entusiasmo sobre a renaturalização e a existência de mais árvores sempre que possível mas não onde há flores raras.

Como resultado das suas descobertas e do seu trabalho com os agricultores locais cujos animais pastam na terra, bem como com a Natural England, que a gere, o número de ovinos está a aumentar e o momento do pastoreio está a ser cuidadosamente gerido. Isto levou à recuperação parcial de algumas plantas. 

Mas surge a questão de outros factores: os efeitos dos fertilizantes artificiais; coelhos, que têm efeito próprio no pastoreio; e a crise climática, sobre a qual Bradshaw diz precisar de mais dados. “Com as alterações climáticas, tudo pode ser em vão”, diz ela.

Bradshaw está empenhada em resolver esses mistérios - e é a forma como quer viver nos seus 90 anos. Aos 93 anos, fundou o Teesdale Special Flora Research and Conservation Trust para registar plantas raras e encontrar pessoas para continuar seu trabalho no futuro. Aos 95 anos, como entusiasta equestre, fez um passeio de 90Km a cavalo por Teesdale, arrecadando 10 mil euros para o fundo. Pergunto-lhe o segredo da longevidade. “Apenas continue”, diz. “Continue assim. Não se sente e apenas veja televisão.

Um dos maiores legados de Bradshaw é o número de botânicos que ela ensinou e incentivou. Diz que fazer com que as pessoas se preocupem com Teesdale é essencial para lutar pela sua preservação.

Requer também uma compreensão do que existe lá fora: grandes áreas ainda não foram pesquisadas e o mapeamento é um trabalho lento e repetitivo. “Reconheço que estou envelhecendo e tenho tentando fazer com que mais pessoas assumam o controle e façam os registos. Eles não acreditam que não estarei aqui para sempre”, diz Bradshaw.

Apesar da tutela desta terra por Bradshaw e do amor e energia que ela dedicou para salvá-la, o futuro aqui é desconhecido.

As últimas palavras de seu livro falam sobre essa perda implacável. “Esta é a nossa herança, este conjunto único de espécies de plantas, minhas e suas”, escreve ela. “Apesar de tentar, não consegui evitar o seu declínio, agora depende de vocês.”

The Guardian / 4 de Novembro de 2023

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Por Que é Que nos Últimos Três Meses Morreram 500 Milhões de Abelhas no Brasil?

Enquanto milhares de fogos avançam pela floresta Amazónica, o Brasil enfrenta uma tragédia mais silenciosa nas quintas agrícolas do país: o silêncio das colmeias vazias. No inicio do ano os apicultores relataram ter perdido mais de 500 Milhões de abelhas em apenas três meses. A velocidade e a escala das mortes lembram o colapso das colmeias devido a uma doença que começou a dizimar as abelhas na América do Norte e na Europa em 2006.

Fotografia Boston Globe/Boston

Mas os sintomas são notoriamente diferentes. Enquanto que o colapso das colmeias fez com que as as abelhas operárias abandonassem as suas colmeias e desaparecessem, no Brasil as abelhas estão a cair mortas no local. Mas no caso Brasil os especialistas apontam para uma causa abrangente: os pesticidas

Há um paralelo no Brasil entre a crise da Amazónia e a morte das abelhas. O afrouxamento na exigência do cumprimento das regras florestais levou a mais incêndios, assim como o afrouxamento das restrições sobre os pesticidas expôs as abelhas a mais dose letais. Cerca de trezentos novos produtos foram rapidamente aprovados mesmo que fossem estritamente proibidos e regulamentados noutros países. E assim como a queima de uma floresta tropical afeta muito mais do que as árvores, o mesmo se passa com a perda de abelhas que ultrapassa as paredes da colmeia. 

Dependendo de como analisamos os números, as culturas que são polinizadas por abelhas, são responsáveis por até cerca de um terço dos alimentos da dieta humana. 

Além da agricultura, os cientistas só conseguem adivinhar a escala do problema, mas a situação gera uma pergunta preocupante. Se as colónias nutridas e cuidadas por apicultores profissionais estãoa morrer, qual será então o destino das abelhas na natureza?

Quando pensamos em abelhas, ou mentes voltam-se imediatamente para a espécie que conhecemos melhor - a abelha doméstica. Mas as nossas paisagens também são abundantes em abelhas selvagens e as estimativas colocam o número total de espécies de abelhas acima de 20.000, mais do que todas as aves e mamíferos do mundo juntos. Muitos deles também são polinizadores essenciais, tanto de culturas quanto de plantas nativas no coração dos ecossistemas, desde florestas tropicais até prados de montanha. E embora a maioria das abelhas selvagens nunca tenha sido estudada em detalhes, sabemos que elas são vulneráveis ​​às mesmas ameaças químicas que as abelhas. Então, sabemos que quando abelha doméstica começa a morrer o mesmo se passará na natureza.

Os desafios enfrentados pelas abelhas do Brasil, assim como as suas florestas, resumem -se em parte a más políticas. Mas isso não deixa ninguém louco, porque numa democracia a política do governo equivale a uma expressão de vontade coletiva. E o Brasil dificilmente é o único país democrático em que a proteção ambiental está desprotegida. Movimentos recentes nos Estados Unidos reduziram as áreas selvagens e enfraqueceram a Lei de Espécies Ameaçadas, sem mencionar a promoção do uso de pesticidas nas Reservas Nacionais de Vida Selvagem e a reaprovação do sulfoxaflor, um produto proibido em 2015 especificamente devido à sua toxicidade para as abelhas.



Sim, devemos exigir mais dos nossos líderes políticos, mas também devemos exigir melhor de nós mesmos - nas urnas e para além disso. Há um aumento exponencial na procura por alimentos orgânicos, refletindo uma tendência global que deverá dobrar as vendas e a produção em menos de cinco anos. É um lembrete de que a forma como compramos alimentos afeta diretamente a maneira como os cultivamos e os métodos orgânicos - mesmo que entremeados por campos de cultivo convencionais - suportam uma diversidade muito maior de polinizadores. Mas, para ajudar as abelhas mais diretamente (ou quando os produtos orgânicos não são acessíveis), é possível dar passos ainda mais próximos de casa através do simples ato de plantar flores. Fontes de alimento (néctar e pólen) livres de pesticidas podem aumentar a abundância de abelhas em qualquer habitat, desde janelas urbanas a parques da cidade, jardins de quintal e até nas margens de estradas.

"A Silent Spring", de Rachel Carson, deu ao movimento ambientalista a sua metáfora mais duradoura, um mundo sem canto de pássaros. Mas ela também alertou sobre as flores sem o zumbido das abelhas, e há paisagens em que essa visão já se está a aproximar demais da verdade. A boa notícia é que o declínio das abelhas, tal como o desmatamento, são tragédias evitáveis. O primeiro passo é perceber. Agora é hora de agir.

Tradução livre do artigo Why have 500m bees died in Brazil in the past three months? de Thor Hanson no The Guardian.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Contrabando de Suculentas

A notícia é do The Guardian. Neste momento, na China, Japão e Coreia há uma grande moda de comprar suculentas. E se na China são valorizadas pelas suas formas gordas, na Coreia são um passatempo valioso para as donas de casa, e são apelidadas em diversos artigos como a "febre suculenta". E na China fazem tudo o que esteja na moda na Coreia! Esta é uma moda tão séria que já alguém a comparou com o próximo Pokémon!

As plantas suculentas foram apelidadas pelos primeiros exploradores da Califórnia como "sempre vivos", graças à sua capacidade de sobreviver a longas travessias oceânicas, e porque exigem poucos cuidados são, muitas vezes, erradamente, consideradas ideais para viver em apartamento. E para se ter uma ideia, cada planta com cerca de 12cm que crescem com os filhotes em círculos, podem custar entre 30 a 40 euros!

Estamos a falar de plantas que não são raras, podem ser cultivadas em viveiros mas o processo leva anos e os proprietários disseram que não estavam disponíveis para propagar e fornecer as enormes quantidades que os importadores asiáticos precisam. E quando há algo que pode valer muito dinheiro, logicamente que as pessoas não olham a meios para enriquecer. 


A investigação sobre o contrabando de suculentas começou por mero acaso. Houve uma denúncia de uma mulher anónima, que ficou muito tempo na fila dos correios, porque um homem enviava dezenas de caixas para a Ásia. E quando foi perguntado pelas pessoas que estavam na fila sobre o que ele estava a enviar disse "Shhh.... algo muito valioso". E quando os investigadores passaram as 60 caixas por raios-X, ficaram surpreendidos por lá dentro não conter qualquer animal marinho raro (as caixas iam pingando) mas sim centenas de suculentas da espécie Dudleya farinosa

E foi assim que começou a investigação sobre os traficantes de dudleyas. Rapidamente foi encontrado um homem que estava a retirar plantas de um penhasco e a colocá-las numa grande mochila. Quando questionado para que eram aquelas cinquenta plantas disse que eram para o seu jardim, mas quando confrontado sobre as plantas que estavam a ser despachadas nos correios, o homem admitiu que estava a enviar para fazer dinheiro. 

Como nestas coisas da Justiça não se brinca nos Estados Unidos, o homem foi considerado culpado por ter levado material vegetal e apanhou um multa de 3000€, 240 horas de serviço comunitário e três anos de liberdade condicional. 

Um capitão do departamento de peixes e vida selvagem disse que dedicou toda a sua carreira na captura de caçadores furtivos. Agora existe um novo tipo de caça ilegal: os caçadores de plantas.

Entretanto na semana passada muitos defensores das plantas nativas da California foram ajudar a replantar os milhares de dudleyas apreendidas nas falésias.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Europa Prepara-se Para Banir Pesticidas

Notícia exclusiva que se pode ler no site do The Guardian, diz que a Europa (Comissão Europeia) está pronta para a proibição total de pesticidas prejudiciais à abelha.


"A quantidade de evidências científicas sobre a toxicidade desses inseticidas é tão alta que não há como esses produtos químicos devam permanecer no mercado", disse Martin Dermine, da Pesticide Action Network Europe, que divulgou e compartilhou a informação com o Guardian . "A PAN Europa vai lutar com seus parceiros para obter apoio à proposta da maioria dos Estados membros". Uma petição para proibir os neonicotinóides , da Avaaz, reuniu 4,4 milhões de assinaturas.

Ler a notícia completa aqui.

terça-feira, 7 de março de 2017

Do Deserto ao Eden: Lições de Permacultura vindas de Portugal

Frequentemente são precisos os estrangeiros reconhecer aquilo que de bom se vai fazendo no nosso país, para nós próprios nos olharmos para dentro. O jornal ingês The Guardian que ainda no ano pasado deu destaque, ao facto de Portugal ter estado quatro dias, a consumir energia exclusivamente vinda de fontes renováveis (eólicas), deu hoje destaque, no seu sítio da internet, ao caso de Tamera em Odemira, onde uma pequena comunidade de trinta alemães, que para ali se mudaram em 1995, transformaram por completo o local. 

Apontado como caso de estudo, a comunidade quis ser o mais sustentável possível e decidiu cultivar a sua própria comida em vez de importá-la, mas rapidamente perceberam que precisavam de água para viverem autonomamente. 

Fotografia: Nigel Dickinson



"Quando cheguei a Tamera em 2006 as árvores estavam a morrer e os poços estavam a secar". Naquela altura, nos meses de verão, Tamera parecia um deserto com nenhuma vegetação. Contudo, nos meses de inverno havia inundações. 

Hoje, 200 pessoas de todo o mundo vivem lá. E através de práticas simples de escavação de valas e criação de espaços de retenção de água, os especialistas em ecologia de Tamera transformaram uma área à beira da desertificação e dizem que podem fazer o mesmo em qualquer parte do mundo. 

Ler artigo completo aqui.