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domingo, 14 de abril de 2024

Polinizadores nas Piracantas

 Depois de tantos fim de semana seguidos de chuva, e sem poder fazer nada, com a chegada do sol e do calor, ontem, aproveitei para levantar cedo e aparar a sebe de heras na frente da casa que, diga-se, dá sempre o seu trabalho para uma só pessoa. Primeiro aparar na frente e, depois, aparar por cima. De tarde comecei a aparar a relva em frente da casa, que estava mesmo muito alta - a propósito, acho que preciso comprar um novo corta-relva, logo verei diferentes possibilidades. 

E hoje, domingo, pouco depois das 8h da manhã, já andava a aparar a relva e erva do monte, para depois poder começar a aparar a sebe. 

E piracantas expõem milhares de pequenas flores brancas e, ao seu redor, centenas de insectos, com destaque óbvio para as abelhas. 







sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Por Que é Que nos Últimos Três Meses Morreram 500 Milhões de Abelhas no Brasil?

Enquanto milhares de fogos avançam pela floresta Amazónica, o Brasil enfrenta uma tragédia mais silenciosa nas quintas agrícolas do país: o silêncio das colmeias vazias. No inicio do ano os apicultores relataram ter perdido mais de 500 Milhões de abelhas em apenas três meses. A velocidade e a escala das mortes lembram o colapso das colmeias devido a uma doença que começou a dizimar as abelhas na América do Norte e na Europa em 2006.

Fotografia Boston Globe/Boston

Mas os sintomas são notoriamente diferentes. Enquanto que o colapso das colmeias fez com que as as abelhas operárias abandonassem as suas colmeias e desaparecessem, no Brasil as abelhas estão a cair mortas no local. Mas no caso Brasil os especialistas apontam para uma causa abrangente: os pesticidas

Há um paralelo no Brasil entre a crise da Amazónia e a morte das abelhas. O afrouxamento na exigência do cumprimento das regras florestais levou a mais incêndios, assim como o afrouxamento das restrições sobre os pesticidas expôs as abelhas a mais dose letais. Cerca de trezentos novos produtos foram rapidamente aprovados mesmo que fossem estritamente proibidos e regulamentados noutros países. E assim como a queima de uma floresta tropical afeta muito mais do que as árvores, o mesmo se passa com a perda de abelhas que ultrapassa as paredes da colmeia. 

Dependendo de como analisamos os números, as culturas que são polinizadas por abelhas, são responsáveis por até cerca de um terço dos alimentos da dieta humana. 

Além da agricultura, os cientistas só conseguem adivinhar a escala do problema, mas a situação gera uma pergunta preocupante. Se as colónias nutridas e cuidadas por apicultores profissionais estãoa morrer, qual será então o destino das abelhas na natureza?

Quando pensamos em abelhas, ou mentes voltam-se imediatamente para a espécie que conhecemos melhor - a abelha doméstica. Mas as nossas paisagens também são abundantes em abelhas selvagens e as estimativas colocam o número total de espécies de abelhas acima de 20.000, mais do que todas as aves e mamíferos do mundo juntos. Muitos deles também são polinizadores essenciais, tanto de culturas quanto de plantas nativas no coração dos ecossistemas, desde florestas tropicais até prados de montanha. E embora a maioria das abelhas selvagens nunca tenha sido estudada em detalhes, sabemos que elas são vulneráveis ​​às mesmas ameaças químicas que as abelhas. Então, sabemos que quando abelha doméstica começa a morrer o mesmo se passará na natureza.

Os desafios enfrentados pelas abelhas do Brasil, assim como as suas florestas, resumem -se em parte a más políticas. Mas isso não deixa ninguém louco, porque numa democracia a política do governo equivale a uma expressão de vontade coletiva. E o Brasil dificilmente é o único país democrático em que a proteção ambiental está desprotegida. Movimentos recentes nos Estados Unidos reduziram as áreas selvagens e enfraqueceram a Lei de Espécies Ameaçadas, sem mencionar a promoção do uso de pesticidas nas Reservas Nacionais de Vida Selvagem e a reaprovação do sulfoxaflor, um produto proibido em 2015 especificamente devido à sua toxicidade para as abelhas.



Sim, devemos exigir mais dos nossos líderes políticos, mas também devemos exigir melhor de nós mesmos - nas urnas e para além disso. Há um aumento exponencial na procura por alimentos orgânicos, refletindo uma tendência global que deverá dobrar as vendas e a produção em menos de cinco anos. É um lembrete de que a forma como compramos alimentos afeta diretamente a maneira como os cultivamos e os métodos orgânicos - mesmo que entremeados por campos de cultivo convencionais - suportam uma diversidade muito maior de polinizadores. Mas, para ajudar as abelhas mais diretamente (ou quando os produtos orgânicos não são acessíveis), é possível dar passos ainda mais próximos de casa através do simples ato de plantar flores. Fontes de alimento (néctar e pólen) livres de pesticidas podem aumentar a abundância de abelhas em qualquer habitat, desde janelas urbanas a parques da cidade, jardins de quintal e até nas margens de estradas.

"A Silent Spring", de Rachel Carson, deu ao movimento ambientalista a sua metáfora mais duradoura, um mundo sem canto de pássaros. Mas ela também alertou sobre as flores sem o zumbido das abelhas, e há paisagens em que essa visão já se está a aproximar demais da verdade. A boa notícia é que o declínio das abelhas, tal como o desmatamento, são tragédias evitáveis. O primeiro passo é perceber. Agora é hora de agir.

Tradução livre do artigo Why have 500m bees died in Brazil in the past three months? de Thor Hanson no The Guardian.

domingo, 8 de julho de 2018

Frenesi de Abelhas na Escalónia Branca


De manhã, enquanto regava os muitos vasos dispersos pelo jardim, deparei-me com imensas abelhas, num verdadeiro frenesi, em volta dos cachos de flores da Escalónia branca (Escallonia illinita). Agora que aos poucos os cachos de flores da buddleja vão secando, os insetos centram as suas atenções na escalónia que, diga-se, está muito bonita!



sábado, 13 de maio de 2017

Abelhas: Sexo Mortal

Hoje, por mero acaso dou de caras com um casal de abelhas a tratarem da próxima geração. Mas no mundo das abelhas ainda não se fala em igualdade de género. O mundo das abelhas é uma monarquia onde as fêmeas mandam e os machos só cumprem determinadas funções, como esta de procriar. E depois de procriarem - dependendo das espécies - os machos morrem. 

E não deixa de ser também curioso que, apesar do macho ser maior e é quem tem o pénis, a fêmea é que adota uma postura dominante:




quarta-feira, 29 de março de 2017

Em Busca do Enxame Perdido

Acabava agora mesmo de almoçar, e estava aqui no computador a descansar um pouco com a porta de casa aberta. E eis que, de repente, começo a ouvir um zumbido muito intenso, mesmo muito fora do normal e fui ver o que se estaria a passar. Fiquei muito espantado porque era um enxame de abelhas a voar!

Desde criança que ouvia a minha mãe falar de quando as abelhas fugiam, lá ia o senhor apicultor atrás delas, com o cortiço para as apanhar e trazê-las de volta. 




Mas nunca até hoje tinha constatado tal coisa! E então lá me decidi e ir dar uma pequena caminhada pelo monte, na direção que elas levaram, levando comigo a máquina fotográfica compacta, mas nunca pensado ter alguma sorte de as encontrar. Afinal elas poderiam ter ido por qualquer lado!

Mas não é que as encontrei! O intenso barulho denunciou-as e encontrei-as talvez a um metro do chão, nuns pequenos eucaliptos. Mas o enxame é imenso! 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Frenesim num cardo mariano

Os cardos marianos (Cardus marianus) estão por esta altura em flor, e já se encontram até a libertar as suas valiosas sementes para quem sofre de "maus fígados". 

Sementes de cardo mariano  (Cardus marianus) levadas pelo vento

As sementes de cardo mariano contêm silimarina, e são a principal planta usada para proteger o fígado, bem como para lhe renovar as células. É usado em casos de hepatite, icterícia, cirrose, mas também em casos de infeções e problemas com álcool. É também usada para limitar os danos causados quando se faz quimioterapia para tratar o cancro, e ao mesmo tempo acelera a recuperação dos efeitos secundários do tratamento. Os capítulos (pés com as flores) são ainda usados como remédio para tratar a depressão. Tradicionalmente ferviam-se os capítulos de cardo-mariano e comiam-se como se fossem alcachofras, pois consideravam-se excelentes para a melancolia.  

Hoje passei por um cardo mariano, ainda com bastantes flores, e era impressionante a vida que estas atraíam. Desde abelhas, cigarras, borboletas, percevejos, escaravelhos, besouros, e todo um sem número de insetos diferentes, que ora se alimentavam do pólen, ora de serviam das flores como cama para os seus encontros amorosos. 

 Começando pelas abelhas:








Besouros, uns solitários em pose, outros a tratar da sua vida íntima:







Uma borboleta:

Argynnis paphia?

Um percevejo vermelho (certamente da família dos Incas!):


Escaravelhos:

Escaravelho-das-flores (Oxythyrea funesta)



Cigarras:





O cardo mariano é uma planta anual, bastante espinhosa e pica bastante, espontânea em Portugal, que como descrevi, além de ser excelente para uso medicinal, é ainda um importante foco de atração de biodiversidade. Acho que vou mesmo apanhar umas quantas sementes e enterrar nuns cantos do jardim. 

domingo, 17 de novembro de 2013

Vida selvagem caseira - Vespas predam abelhas

Para observar e tentar compreender a vida animal, não é obrigatório que nos sentemos à frente de um televisor a ver um qualquer programa de de vida selvagem. É verdade que nas nossas casas não temos a savana africana - e ainda bem! - mas é possível observar algumas coisas, ainda que numa escala mais pequena.

Estamos no outono, e neste momento poucas flores existem, tanto no monte como em minha casa. Talvez por isso se concentre um elevado número de abelhas nas flores brancas da minha nespereira. O número é tão grande que mesmo a alguns metros se ouve aquele zumbido de fundo de abelhas, e principalmente dos abelhões que debitam uns quantos decibéis acima

Nespereira em flor
Encontro também nesta altura algumas abelhas meias moribundas e até abelhões mortos no chão. No meu entender de leigo, e de quem não sabe nada de apicultura, talvez simplesmente tenham chegado ao fim da sua vida, como todos nós um dia chegaremos.

Mas isto leva-me de encontro ao que tenho visto acontecer todos os dias, que é, observar vespas a atacar abelhas no chão nas imediações da nespereira. E a minha dúvida é, se elas o fazem indiscriminadamente e têm capacidade de apanhar uma qualquer abelha saudável, ou se, à semelhança dos grandes predadores, que investem sempre as suas energias nos elementos mais fracos ou doentes das manadas.


O comportamento é sempre igual, depois de imobilizar e matar a abelha, retira-lhe a cabeça, deixando o resto do corpo abandonado. Estou em crer que só leve aquela parte específica para a alimentação da sua prole. Curiosamente o ninho de vespas que estava no poste de eletricidade em frente de minha casa e que começou a ser construído este ano foi abandonado e não mora lá nenhuma vespa.