quinta-feira, 10 de junho de 2021

Em Vez de Ar Condicionado Plantemos Mais Árvores



Uma pequena experiência que fiz depois de no fim-de-semana, em Ponte de Lima ter reparado que,  ao sol, como é habitual estava imenso calor, mas debaixo da enorme alameda de plátanos estava mesmo muito fresco! 

Então experimentei o seguinte cá em casa: fui ao carro, que estava dentro da garagem, à sombra, e o termómetro indicava 33º

De seguida coloquei o termómetro ao sol, em cima do pequeno muro que delimita o espaço das tartarugas e este de imediato subiu até aos 50º

Peguei no mesmo termómetro e pousei-o debaixo da grande nespereira, que tem já uma copa assinalável e, surpresa! 28º!! 

Ou seja, a sombra de uma árvore conseguiu reduzir em à temperatura que estava na garagem! 

E é por isso que nas cidades deveriam ser plantadas muitas mais árvores, e estas deveriam ser respeitadas. Plantar árvores baixa significativamente a temperatura das selvas de pedra. A sombra de uma árvore é muito mais fresca que a sombra de um tolde, guarda-sol ou qualquer outra estrutura, porque, como sabemos quando chegamos a casa ao fim do dia, os materiais absorvem e depois libertam o calor. E basta pensar que as árvores absorvem água pelas raízes e depois esta é parcialmente devolvida à atmosfera sob forma de vapor de água através das folhas, criando uma frescura ao seu redor uma frescura natural. 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Proteger Cebolas com Estacas de Framboeseira Não Foi lá Muito Boa Ideia!

 A minha mãe tinha podado a framboeseira e deixado as estacas de lado. O meu padrasto, na ideia de tentar impedir que os gatos ali se deitassem, resolveu espetar as estacas junto das cebolas. Resultado: Uma rima de novas framboeseiras!

A Natureza Detesta o Vazio (2)

 Enquanto estava na esplanada do restaurante "A Muralha" em Ponte de Lima depois de ter visitado o festival de jardins reparo como crescem diversas figueiras por entre as frinchas dos blocos de granito da muralha. Fantástico!


Dois Ninhos no Telhado

 Cá em casa dos meus pais o canto da passarada é permanente, especialmente com o canto dos pardais que tomaram de assalto as chaminés. Mas além disso ouvem-se também, entre outros, melros, chapins, piscos, gaios, rolas e andorinhas e algumas aves de rapina.

No ano passado dei conta de que  as andorinhas tinham cá começado um ninho. Pois bem, para meu espanto elas (e quando digo elas refiro-me ao grupo e não só ao macho e fêmea) iniciaram simplesmente a construção com lama mas deixaram o ninho a meio antes de migrarem para outras paragens. Entretanto um ano depois regressaram e acabaram a construção do ninho, que ficou quase totalmente fechado, deixando só uma pequenina abertura para entrarem e saírem.

Este ninho das andorinhas está virado a sul. Já virado a poente, e aproveitando um pequeno buraco onde outrora esteve um tubo, os pardais ali fazem o seu ninho todos os anos. 

Ontem consegui esta imagem insólita. O pardal macho em cima do telhado a espreitar o ninho das andorinhas que andavam avidamente a alimentar as crias! As andorinhas são mesmo muito rápida, no máximo em dois segundos alimentam as crias e saem do ninho e já outra andorinha vem com o seu alimento para repetir o processo. Foi tudo tão rápido, que só ao ver a fotografia me apercebi que apanhei as duas andorinhas!


Quanto aos pardais eles têm um comportamento completamente diferente do espírito comunitário das andorinhas. Os pardais são mais conservadores e territoriais. O macho passa a vida a cantar e quem alimenta as crias é a fêmea:



Entretanto estarei atento ao que irá acontecendo às crias e cá darei notícias se for o caso. 

terça-feira, 8 de junho de 2021

Festival de Jardins de Ponte de Lima 2021

Depois de um ano sem festival de jardins, está de regresso o festival de Ponte de Lima com a sua 16 edição. Este fim-de-semana passei por lá, com máscara e limite de pessoas em cada jardim. Apesar de tudo o que não falatava por lá era gente, especialmente espanhóis. 

O tema deste ano é "As religiões nos Jardins" e  aqui ficam os onze jardins a concurso:


1 - OLHO DE DEUS / POLÓNIA

A união da natureza e da alma remove o véu da ignorância que cobre a nossa inteligência, disse uma vez um homem sábio. Ao entrar no abrigo no meio do jardim, todos podem ver o reflexo do ambiente: o céu, as pessoas que estão ao redor, mas também ele ou ela mesma. Ou talvez haja uma partícula divina escondida em cada um de nós? Sente-se e olhe para fora através dos buracos nas paredes e inspire-se. Pode respirar e libertar a sua mente.

Todos os elementos arquitetónicos são feitos de madeira – os visitantes entram no jardim através do caminho de boas vindas com um lancil de madeira. Podem encaminhar-se para o pavilhão com as paredes abertas e sentar-se no banco que tem uma inscrição gravada – o lema do jardim. O abrigo tem uma abertura no topo, através da qual o céu é visível.

2 - JARDIM DE OSÍRIS / PORTUGAL

Os jardins egípcios são dos mais antigos que conhecemos, datam do ano 2000 a.c. e estavam presentes em todas as casas. Estes jardins eram espaços protegidos entre muros, organizados em torno de uma ou mais piscinas que serviam de reservatório de água para a rega e muitas vezes viveiros de peixes. Por vezes tinham pequenas cascatas ou repuxos de água para refrescar as casas devido ao clima quente e árido.

Eram um símbolo de fertilidade, sintetizando as forças da natureza e eram a imagem de uma sistema racional e arquitetural baseado no monoteísmo. Este foi o modelo de jardim que exerceu maior influência nos jardins ocidentais.

Osíris era o mais importante Deus de todo o império antigo. No início do seu culto, era a deificação da força do solo, que faz a vegetação crescer. O crescimento da representação de Osíris na cultura religiosa do antigo Egipto foi monumental ao ponto de substituir o culto solar.


3 - CAIXA DE PANDORA / ITÁLIA

A caixa de Pandora pode ser comparada à árvore da qual Adão e Eva comeram o fruto proibido, renunciando para sempre ao Éden. Zeus havia confiado a caixa a Pandora, dizendo-lhe para deixá-la sempre fechada. Porém, motivada pela curiosidade, Pandora desobedeceu a Zeus e, abrindo a caixa, libertou todo o mal do mundo. Antes de a caixa ser aberta, assim como para Adão e Eva, a humanidade vivia livre do mal, do trabalho e da discriminação: os homens eram imortais como os deuses. Depois de abrir a caixa de Pandora, o mundo tornou-se um lugar desolado, escuro e inóspito.

Durante a Idade Média, também chamada de “Idade das Trevas”, os únicos a cuidar dos jardins eram os monges, que fechados dentro das paredes das suas abadias e mosteiros, criaram com o Hortus Conclusus o paraíso terrestre descrito na Escritura. O Hortus Conclusus, nas descrições literárias e na iconografia do tempo, é um jardim protegido por um muro alto, separado por ele do mundo exterior, santificado por uma fronteira inviolável: fora o mundo físico e tangível, dentro o divino, o sobre-humano.

O projeto visa recriar essa dicotomia: cinco paredes, símbolo das cinco religiões mais professadas no mundo (Cristianismo, Islamismo, Budismo, Hinduísmo, Religião Tradicional Chinesa) configuram-se como protetores e guardiães do que permaneceu no fundo da caixa de Pandora: ter esperança.

A esperança de um lugar melhor, além do mundo terreno, para recriar aquele jardim prometido a homens bons e sábios por muitas religiões.


4 - TERRAMOTO DO DIA DE TODOS OS SANTOS / ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA


A 1 de novembro de 1755, enquanto muitos se encontravam nas igrejas, o terremoto do Dia de Todos os Santos sacudiu a capital de Portugal, Lisboa. A cidade foi destruída e as pessoas que sobreviveram ficaram com medo.

Enquanto alguns encontraram consolo na religião, outros começaram a questionar a visão bíblica do mundo e a procurar respostas distintas. O terremoto impulsionou a época tecnológica e intelectual, a Era da Razão.

Durante esse período, as ciências e as humanidades floresceram. Um exemplo disso é a “gaiola pombalina”, uma estrutura anti-sísmica de madeira usada na reconstrução dos edifícios destruídos de Lisboa. Este jardim “Terramoto do Dia de Todos os Santos” fala-nos sobre o antagonismo entre religião e razão. Baseadas na geometria cruzada, as estruturas com colunas inclinadas colocadas no seu interior simbolizam a religião, enquanto as estruturas baseadas na geometria da “gaiola pombalina” com colunas retas representam a razão. O debate entre religião e razão aparece-nos nas áreas de plantações separadas e nos blocos de pedra espalhados aleatoriamente, representando o movimento das placas tectônicas durante um terremoto e as ruínas que se formam posteriormente.


5 - SANTUÁRIO DA INVULNERABILIDADE

SANTUÁRIO da INVULNERABILIDADE é um esconderijo sagrado de ritual e proteção divina, um lugar salvaguardado para a alma, para estar consigo mesmo, seguro e imperturbado.

Cada vida é uma jornada. Estamos em constante busca de nós próprios, as escolhas certas, o caminho certo, a nossa conexão com um poder superior e o mais importante: SEGURANÇA. Desejamos, acima de tudo, o sentido de proteção na nossa vida.

Em todas as religiões existe um elemento comum: ÁGUA. Mais importante ainda, em cada religião tem um significado especial. Com este jardim procuramos apreender a sua essência e mostrá-la como a vemos: o elemento essencial da vida, um líquido purificador, uma superfície transparente onde se pode ver o seu reflexo, como num espelho.

Neste jardim, a água representa um desafio constante, como as lutas da vida, mas à medida que se percorre o caminho, encontra-se a promessa e a esperança em forma de pétalas, que nos lembram continuamente que vale a pena assumir a ESPIRAL DA VIDA.

Neste percurso, somos permanentemente atraídos para o centro, por uma espécie de gravidade enfatizada na forma espiral ,no sentido horário.



6 - A PROCURA

Nas nossas vidas, estamos sempre a caminho de algum lugar. Talvez à procura de algo. Mas o que é isso exatamente? Este é um mundo diverso, com muitas culturas, religiões e estilos de vida diferentes - mas todos temos algo em comum.

Procuramos o local / comunidade onde nos possamos sentir em casa. Portanto, seja o que for que estejamos à procura: religião, amor, futebol ou música, encontraremos assim uma comunidade.

Este jardim é uma homenagem a quem continua a procurar e a quem o encontra. Este jardim convida-o a entrar num labirinto - um labirinto que simboliza que às vezes pode demorar para encontrar o que deseja, o que não é necessariamente fácil.

Mas no meio da selva de caminhos a percorrer, é possível encontrar o que procura. E encontrará a sua comunidade ao percorrê-lo.


7 - PEREGRINAÇÃO / INGLATERRA

Bem-vindos, peregrinos. Viagem pelo jardim da vida. Cheio de múltiplas contradições. Escuro e claro. Crença e dúvida. Nascimento e morte. Através de um pequeno portal - uma porta emoldurada. Um começo. Um ventre. Depois uma fonte simbólica de pedra. Uma sensação de antecipação. Tu és atraído pela luz. Para o desconhecido.

Navegue pelo caminho sinuoso em busca de ti mesmo. Procura um espaço de contemplação e reflexão; verdade e iluminação. A própria vida liga das trevas à luz e às trevas de volta à luz. E por aí fora. Interligado. Translúcido. Trevas e luz. A tua caminhada é a busca por um momento sagrado de verdade pessoal. Uma conexão com o espírito do lugar.

Um espaço de contemplação é marcado por uma torre e um santuário - uma escultura de aço e uma estrutura de pedra - símbolos de pureza e simplicidade, forma e espaço. Expressões de certeza, integridade e interconexão. A torre alcança os céus e representa as tuas orações; as tuas esperanças e sonhos.

Uma estrutura simples de granito e metal - talvez um templo, uma casa ou o paraíso - oferece tranquilidade e descanso à sombra das trepadeiras. A luz dança na superfície de uma piscina radiosa, as sombras tremeluzem alegremente com os espíritos brilhantes e reluzentes. Um salpico de cor é um eco das antigas tradições de oração. Tu estás exaltado. Limpo. Iluminado.


Tu meditas. Tu até podes acreditar. Toda a vida aqui está interligada, neste pequeno santuário. Uma catedral do espírito humano. Para o teu e o meu. Para a natureza. Para a memória. Para a fé. Para a esperança e confiança. Para a humanidade. Para os elementos. Para a terra. Para os céus. E além...


8 - Jardim do Diálogo / Espanha e República Checa

O nosso jardim representa um símbolo de diálogo e respeito mútuo entre as diferentes religiões do mundo. Nos tempos atuais, devemos concentrar-nos mais nos valores que temos em comum do que nas diferenças. Temos muito mais semelhanças do que diferenças e, muitas vezes, concentramo-nos mais nas coisas que são diferentes hoje em dia. O propósito deste jardim é facilitar o encontro de semelhanças, pensar sobre elas e talvez iniciar um diálogo. Ao mesmo tempo, pretende estimular a tolerância. Não são as nossas diferenças que nos dividem, é a nossa incapacidade de reconhecer, aceitar e abraçar essas diferenças.

O jardim é dividido em 7 espaços separados que representam as 7 religiões mais amplamente difundidas em todo o mundo. Pode visitar o jardim islâmico, o jardim cristão, o jardim judeu, o jardim do taoismo, o jardim hindu, o jardim budista e o jardim étnico. Os jardins individuais são simplificações destinadas a cada projeto de jardim específico. Na realidade, cada estilo é muito mais complexo, no entanto, usamos apenas os símbolos principais, elementos básicos e vegetação única para demonstrar os diferentes estilos.

Existem paredes feitas de estacas de madeira que separam cada jardim. A característica importante é que essas paredes estão incompletas, de modo que os jardins não ficam estritamente separados. Isto pretende simbolizar as idéias e valores comuns compartilhados entre as diferentes religiões.

A parte central de todo o desenho deste jardim mostra um elemento que todas as religiões tinham ou têm em comum. A árvore sagrada. Podemos encontrar árvores sagradas em todo o mundo. Existem árvores que representam o símbolo da vida e também o símbolo da conexão entre Deus (Natureza) e um ser humano. Essas árvores foram elogiadas por seus aspectos espirituais, místicos e bioenergéticos. E também, havia a Árvore do Éden. Existem diferentes espécies de árvores sagradas, mas para o nosso jardim, escolhemos uma oliveira como símbolo de paz.

Outro elemento compartilhado por diferentes religiões é o local de contemplação sobre Deus. Cada jardim é composto por um local para sentar e pensar (orar) ou apenas relaxar com vista para a oliveira (paz). Cada estilo de jardim tem uma forma diferente de sentar que reflete os costumes culturais específicos. O uso de plantas não é aleatório. Algumas plantas e árvores têm significados simbólicos muito fortes. As diferentes condições climáticas para cada estilo de jardim também afetam a seleção das plantas.

Para colocar mais ênfase em todos esses pensamentos, ideias e símbolos, a combinação de duas cores foi escolhida. O azul como símbolo de profundidade e lealdade e o branco como símbolo de espiritualidade e compreensão. Ambas as cores também têm outros significados, a primeira representa o céu, enquanto a última representa a fé.

10 - Jardim da Vida / Polónia

A Religião é um sistema sócio-cultural de determinados comportamentos e práticas, moralidades, visões do mundo, textos, profecias e éticas que relacionam a humanidade com elementos sobrenaturais, transcendentes ou espirituais, ou somente Deus nos livros sagrados ou na Grécia Antiga as lendas dos Deuses.

A Religião é também a crença e a adoração de um poder de controlo sobre-humano, o Deus ou Deuses, já que hoje em dia ninguém pode provar a verdade de qualquer religião porque não estamos na era dos milagres. Pode-se praticar a religião em muitos lugares, numa mesquita, numa igreja, num templo ou num jardim. Pode simplesmente sentar-se num jardim e olhar ao redor e de certa forma meditar e questionar o mundo e o universo no sentido do relacionamento com a própria religião.

O Jardim da Vida é a representação do início da vida. As primeiras pessoas e o primeiro pecado. A ideia do Jardim da Vida é mostrar a vida do ser humano na perspectiva das boas e más decisões. Como base temos a história de Adão e Eva do Éden. A macieira representa a árvore da vida e ao mesmo tempo um pecado. Dois caminhos simbolizam o “mau” e “bom”. O “mau caminho” passa pela árvore e termina com um espelho para ver o seu reflexo e pensar no que fez.

Já o “bom caminho” tem uma forma circular para que se possa dar a volta à cúpula e, assim, ver a beleza da árvore, sentar-se nos bancos, olhar para o céu, aproveitar o sol e até passar pelo “caminho do mal”, mas pretende-se que se saia do jardim realizado e satisfeito com a jornada.


A Cúpula representa duas coisas: o paraíso, que é a área dentro dela; a Terra que é a forma exterior, onde encontramos sete entradas simbolizando os Portões de Jerusalém ou no Islamismo “Os sete níveis do céu que levam ao paraíso”.


11 - LA CHAPELLE / ESPANHA

Dizem que num lugar inóspito o solo foi fraturado. Do seu interior proveio a cinza, subindo em direção ao céu quando um rugido quente foi ouvido. Na sua subida, as cinzas dançando ao ritmo do vento, formaram um belo jardim colorido por uma luz cintilante. Ao mesmo tempo que o rugido se transformava em cálidas harmonias, moldavam-se as formas e cores emergentes.

Desde então, esse lugar é sagrado.

Como ideia de concepção de jardim, procurou-se uma imagem que fosse profunda e flexível o suficiente para que qualquer observador pudesse compreender o seu significado e enriquecê-lo com a sua própria experiência. Assim, neste breve texto estão implícitos alguns dos conceitos sobre os quais o ser humano tem refletido através da religião desde a sua origem, no momento em que toma consciência de sua própria existência.

A paisagem sempre fez parte da religião, tanto na sua dimensão espacial externa tanto como parte de um ambiente floral efêmero dentro de um templo. A Sua beleza, em muitas ocasiões, ultrapassa-nos e, assim, faz-nos passar do meramente contemplativo ao transcendente. Nesta proposta, o jardim é dividido em duas áreas separadas por duas cercas semicirculares, com postes de madeira de pinho cravados no solo, as quais estão ligadas por um caminho envolvente.


Gera-se assim um espaço interior côncavo e protegido, origem de La Chapelle e outro exterior, que serve de átrio de chegada ou de espera. De uma paisagem para contemplação, passa-se a outra para transcendência. O espaço La Chapelle é um lugar reservado à transcendência. No centro está um depósito embutido no solo, dentro do qual há cinzas. A partir dele surgem vasos horizontais e verticais ajardinados com plantas de diferentes variedades, com e sem flores.

La Chapelle é um espaço sagrado que responde à ideia de vida após a morte; um belo jardim que nasce e transcende o tempo em movimento contínuo e harmonioso, que nos envolve, transporta e nos acompanha para sempre com sua luz e sua cor.


12 - JARDIM RELIGARE / BRASIL E PORTUGAL

A escultura e o jardim.

Um jardim com seixos de pedras entrecortado por nichos de vegetações que tem como objeto ornamental atravessando todo o perímetro uma instalação artística uma escultura de 20 metros por 1.20 mts largura e 3.10 mts de altura. representando A serpente Boitatá entidade protetora da natureza nas religiões e folclores dos povos da Amazônia. Esta escultura produzida dentro dos conceitos da eco arte é apoiada nas políticas éticas dos 5R (Reduzir, Reciclar, Reutilizar, Recuperar e Reintegrar).

A enorme escultura em forma de serpente,é confeccionada com resíduos sólidos de tecnologia (sucatas) restos de cabos electro eletrônicos,de computadores, e o corpo da escultura revestido com teclados de computadores criando a ilusão óptica de escamas . No seu interior estão plantadas mudas de vegetação que germinadas dão outra textura e cor à escultura da serpente, criando a ilusão de mudança de pele da cobra.

Assim como a natureza, a escultura em forma de serpente terá mudanças imagéticas de acordo com as estações do ano. Porquê uma serpente: Elegemos o ícone da serpente como elemento unificador entre religiosidade e natureza. A Sua representação é utilizada como símbolo de religiões, possuindo vários significados e aparecendo em diversas simbologias.

A serpente ou a cobra tem sido um símbolo de sabedoria, eternidade, cura, mistério, poder mágico, e santidade pela maior parte do mundo. O Seu símbolo até hoje é utilizado na medicina, e outras profissões de cura. A Serpente foi venerada na antiga Babilônia, México, Egito, bem como em diversas civilizações em diferentes períodos da humanidade. Em toda a linguagem mitológica a serpente é também um emblema da imortalidade. A Sua representação do infinito com a sua cauda na sua boca (Ouroboros), e a constante renovação de sua pele e vigor, tornam vivos os símbolos da juventude continuada e eternidade.

A importância da Serpente (cobra) para o meio ambiente: Na natureza, a cobra - nome popular dado às serpentes - tem uma grande importância ambiental, pois sinaliza problemas nos seus habitats. Sendo animais pecilotérmicos (que têm sangue frio, e não mantêm a temperatura corporal), são muito sensíveis às mudanças climáticas e a quaisquer alterações que ocorram em seus habitats. Como todos os outros animais, as cobras também são de suma importância para o equilíbrio do ecossistema!


Como é habitual, o jardim vencedor fica patente no ano seguinte, por isso o jardim nº é o "Jardim Vertigem (Ir)reversivel de 2019.

O festival de jardins estará aberto até ao final de Outubro de 2021 e a entrada tem um custo simbólico de 1€. 

Está Assim o Meu Jardim

 Depois de muitas horas investidas a aparar a sebe de hera, primeiro do lado da rua, depois da parte de dentro, e, o pior, por cima, porque se não for sendo cortada, todos os anos se amontoam uns vinte centímetros de nova ramagem a fazer peso, e já estamos a falar de quase cem metros de sebe, e depois de mais algum tempo a fazer contornos com paralelos e cubos de granito que vou encontrando abandonados, e do relvado aparado, eis que o jardim, na parte da frente da casa se encontra assim:





Cuidar dum jardim implica uma quase atenção diária, como quem arruma a casa e aspira o pó. Como por estes dias tem tido bastante tempo livre, tenho-o aplicado a fazer o que gosto.

domingo, 30 de maio de 2021

Nos Trilhos dos Moinhos de Jancido


 Se não estou em erro, a primeira vez que andei a caminhar e a visitar os moinhos de Jancido terá sido em Janeiro de 2018 com o grupo de caminhadas habitual. Ficamos a saber que era um grupo de pessoas, voluntários, que andava, aos sábados, a limpar os caminhos e a restaurar os moinhos. Fizemos um percurso mais ou menos circular, partindo do pavilhão desportivo, passando pelo centro de saúde, e caminhando pela estrada, passando pela antiga Central de Captação de Água da Foz do Sousa, que foi outrora quem abasteceu de água Porto durante cerca de cem anos, seguimos pelo Parque de Lazer de Travaços, e depois embrenhamo-nos num trilho pelo meio do monte em direção aos moinhos. 

Nessa altura tudo ainda estava muito no início e Jancido ainda não estava no mapa das caminhadas. O mais estranho é que, apesar de ser aqui muito perto, desde então nunca mais lá tinha ido ver. Limitei-me a ir acompanhado as várias reportagens que o jornal do município "Vivacidade" fez (imagem abaixo) e, aos poucos e poucos, observando a enorme publicidade, merecida, que os media em geral lhes foram fazendo. 

Jornal Vivacidade

Até que, findo o Estado de Emergência, comentei com um amigo que já não via há um ano, se não queria ir até lá, caminhar um pouco e conhecer os moinhos, ainda por cima porque o trilho PR1 GDM – Linha de Midões e os Moinhos de Jancido” tinha sido inaugurado dias antes enquanto púnhamos a conversa em dia. E assim foi. Num sábado de manhã, cedo, deixámos os carros abrigados pelas árvores no Parque de Merendas de Santo Amaro (em frente da farmácia e centro de saúde) e tentamos fazer o trilho principal, como está sinalizado, mas a verdade é que, logo no início, a sinalização induz um pouco em erro, alias, é nesse ponto que no mapa está marcado como o início do trilho, mas depois na estrada encaminham as pessoas para um parque automóvel junto ao pavilhão desportivo. 


Mas rapidamente lá fomos dar à escultura em forma de carril, evocando a memória da linha de comboio de Midões que operou até 1927. E a partir daqui lá seguimos o estradão em terra batida em direção aos moinhos. 


Mapa do Trilho PR1 GDM Linha de Midões - Moinhos de Jancido



Já depois de lá ter ido mostrar o trilho e os moinhos ao meu amigo, regressei lá mais duas vezes, inclusive uma de bicicleta em que voltei a fazer a caminho que tinha feito em 2018, indo pela Central de Captação de Águas, Parque de Lazer de Merendas de Travassos e depois rumar pelo monte, mas acabei por ficar meio perdido pelo meio do monte e fui ter a Gens (tendo passado por debaixo da autoestrada) mas voltei para trás pelo mesmo trilho e lá consegui encontrar o desvio certo, muito escondido e manhoso, numa descida acentuada e de bicicleta à mão, chegando à Ponte de Longras que permite atravessar para a margem onde estão, uns duzentos mais à frente os moinhos. E as fotografias que aqui vos deixo são o resultado destes dois passeios, porque quando fui com o meu amigo quase nem fiz registos fotográficos.

Nesta fotografia podemos ver o Parque de Merendas de Travassos na margem oposta ao trilho que passa nos moinhos, mas o caminho também lá vai dar, encontrando o tal desvio certo e atravessando a Ponte de Longras. Mas para quem não conhece, o melhor mesmo é fazer o trilho como está assinalado no mapa, mas se estiverem com tempo e com GPS também facilmente podem explorar estes pontos envolventes.

Parque de Merendas de Travassos - Foz-do-Sousa


Depois de atravessar esta ponte - a Ponte de Longras - é só virar à esquerda e rapidamente encontram o ponto mais emblemático, a Cascata do Caiáguas - e os respetivos moinhos.

Ponte de Longras



Carvalho

Dedaleiras (Digitalis purpurea)















Papoilas (Papaver rhoeas)


Licranço

Em jeito de conclusão, posso dizer que fiquei muito agradavelmente surpreendido com o que fui encontrar cerca de três anos depois da primeira visita, ainda em estado "selvagem". Acho que Gondomar e a freguesia da Foz-do-Sousa pode-se orgulhar deste grupo de homens que, não estando à espera que a edilidade do concelho fizesse alguma coisa, meteram eles mesmos mão-à-obra no sentido de revitalizar uma beleza natural, que é o curso de água que desagua no rio Sousa, bem como restauraram também os moinhos e limparam os trilhos. Muito importante também, as plantações de árvores (são já mais de mil) e o combate às exóticas. Uma coisa leva à outra, e foi agora inaugurado o trilho para se caminhar ou andar de bicicleta (faz-se muito bem de BTT) ainda que eu ache que, se calhar não faz muito sentido inaugurar um trilho, e duas semanas depois, andarem os madeireiros a deitar eucaliptos abaixo, dando cabo do trilho com os tratores... Se calhar, digo eu, faria mais sentido fazer todos os trabalhos que fossem necessários primeiro e depois sim inaugurar o trilho, mas estamos em ano de eleições autárquicas e já sabemos que o que importa mesmo é fazer inaugurações para o povo ver.

Acho que este é um sítio com enorme potencial, sendo, como está a ser, devidamente preservado e melhorado. E que possa servir de inspiração a outras pessoas, para que, nas suas terras copiem a iniciativa de meter mãos à obra e cuidar do que é de todos. É certamente um local a que regressarei mais vezes, até para fotografar com calma a fauna e flora, até porque, ainda por cima porque vivo a meia dúzia de quilómetros dali.

sábado, 22 de maio de 2021

A Obsessão por Suculentas Raras Está a Levá-las à Extinção

Ute Schmiedel/Handout


Numa reportagem do The Guardian ficamos a saber que, depois de quase uma década sem precipitação, 10 mm de chuva foi o suficiente para causar o florescimento de um deserto inteiro na África do Sul. Espécies raras no Parque Nacional Richtersveld despertaram e floresceram pela primeira vez em nove anos, para depois serem roubadas para o comércio ilegal de plantas. A caça furtiva de plantas não é nova, nem é exclusiva da África do Sul, mas as compras de plantas de interior, inspiradas pela pandemia exacerbaram o problema em todo o mundo.

De acordo com Pieter van Wyk, botânico do viveiro de Richtersveld, este é o deserto com a maior biodiversidade do mundo. Com sua geologia única, incluindo as montanhas mais antigas do mundo e localização criando um ecossistema perfeito para o desenvolvimento de muitas plantas, mais de 3.000 espécies de plantas existem em uma área relativamente pequena, incluindo 400 endémicas da região. Muitas dessas são suculentas muito apreciadas que alcançam preços elevadíssimos no mercado negro. Algumas espécies que são tão especializadas que existem apenas num vale ou no topo de uma montanha. Há até casos até em que uma espécie inteira vive numa área mais pequena do que um campo de futebol, então, "um caçador pode extinguir uma espécie só numa manhã".



"Em relação às raras, mais da metade das plantas da região não eram raras, mas agora estão-se a tornar raras" devido a fatores ambientais e humanos, disse van Wyk ao EcoWatch.

Van Wyk acrescenta que, como a procura é muito elevda e a oferta é baixa, especialmente para espécies carismáticas e ameaçadas de extinção, torna o mercado negro bastante lucrativo. Plantas sul-africanas como as de Richtersveld são vendidas para lugares distantes por organizações criminosas que revendem para moradores desesperados e até turistas.

"As pessoas aqui não têm trabalho ... estão estão desesperadas por dinheiro e comida, dispostas a ganhar dinheiro rápido". Devido ao aumento do interesse em plantas raras, "agora estas organizações criminosas pagam vários meses de salário aos moradores locais por plantas que, no final, irão ser vendidas para a Ásia e Europa, bem como para a América, por valores que poderiam sustentar uma família durante anos em Namaqualand."

Van Wyk observou que o apelo do mercado negro continua a crescer porque os viveiros éticos e legais podem levar entre cinco a quinze anos para ter stock suficiente para revenda, enquanto ter que lidar com toda a burocracia das regulamentações de exportação e obter licenças.

Ele contou ao The Guardian que a caça ilegal de plantas na África do Sul pode eclipsar a lucrativa indústria de cornos de rinoceronte. O botânico teme que muitas espécies icónicas possam extinguir-se dentro durante a sua vida, tendo já testemunhado perdas massivas nos últimos cinco anos. Isso deve-se principalmente à caça ilegal e à perda de habitat para agricultura, mineração e por causa da crise climática.

O botânico também alertou que o ciclo do crime global-local fez com que os moradores locais caçassem ainda mais do que lhes é pedido. "O esquema de ganhar dinheiro rápido tornou-se viral entre os moradores que agora apanham as plantas mesmo não tendo compradores, causando destruição em grande escala com muitas plantas acabando por ir para o lixo".

Ele alertou também que essa perda de biodiversidade terá um impacto maior na ecologia geral, na saúde do ecossistema e na regulação do clima. "Isso tem um impacto grave sobre os humanos também, já que esta área eventualmente se tornará inabitável, e provavelmente em breve".

A caça furtiva por si não é um crime novo nem se limita à África do Sul. O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos da América define o ato como a remoção ilegal de plantas raras e ameaçadas de extinção de seu habitat natural. As plantas são roubadas sem levar em conta as leis e regulamentos criados para sua proteção, e o roubo pode ocorrer em terras do Estado ou propriedade privada.

Em 2020, num alerta de consciencialização o FWS pediu às pessoas que não comprassem plantas carnívoras e pediu aos colecionadores que ajudassem na caça furtiva do popular vaso de planta. É que as populações desta planta carnívora endémica da Carolina do Norte e do Sul estão em sério declínio por causa da perda de habitat e foi declarado crime em 2014.

Num outro artigo do The Guardian destacou como a recente moda global da jardinagem, incentivada pela quarentena da pandemia também está a estimular a caça ilegal de plantas nas Filipinas. Plantas carnívoras e usadas para em bonsai tornaram-se especialmente populares, e essas e outras espécies ameaçadas de extinção estão a ser desenterradas de florestas e montanhas como nunca se viu.

Os emblemáticos catos Saguaro são outra planta selvagem agora ameaçada de extinção devido às mudanças climáticas e à caça ilegal. Segundo a Natural Curiosity, os Saguaros crescem muito lentamente, levando cerca de 50 anos para atingir um metro de altura. Os catos normalmente não começam a desenvolver seus famosos braços antes de terem pelo menos 70 anos de idade, e podem viver cerca de 150 anos. Cobiçados pelos colecionadores, os cacos são vendidos por 80€ o pé. Mas a caça furtiva do Saguaro chegou ao ponto em que plantas silvestres são agora microchipadas para serem rastreadas e impedir a caça furtiva.

Segundo a Natural Curiosity, embora não seja tão amplamente noticiado como a caça furtiva de animais, a remoção de plantas da natureza tem um "efeito igualmente um impacto importante no equilíbrio vital necessário para manter os ecossistemas saudáveis". O artigo também abordou um problema enfrentado por pequenas suculentas em forma de roseta na Califórnia. Essas suculentas evitam a erosão em rochas e penhascos onde poucas outras plantas conseguem sobreviver, e removê-las desestabiliza toda a base do ecossistema. E é exatamente isso que está acontecer devido à demanda consumista por plantas durante a pandemia.

À medida que plantas como monsteras, hoyas e suculentas ganharam popularidade nas redes sociais, caçadores furtivos foram recrutados para obtê-las independentemente das consequências que isso provoque.

Foram sugeridas algumas dicas para colecionadores de plantas raras para perceberem como podem estar a comprar plantas roubadas e evitar fazê-lo:

- Examinar todo o tabuleiro. As plantas propagadas em viveiro têm uma dimensão uniforme. As plantas recolhidas na natureza ilegalmente têm maior probabilidade de variar em tamanho.

- Examinar o solo. O solo do viveiro é uniforme, geralmente com turfa estéril. Cascalho e areia misturados no solo são uma sinal.

- Procure outras espécies no mesmo vaso. Vasos com ervas daninhas são outra indicação de que as plantas foram retiradas da natureza.