sábado, 7 de setembro de 2019

As Alterações Climáticas Combatem-se Com Medidas Efetivas, Não com Falinhas Mansas


Na mesma semana em que ficamos a saber que Portugal continua a ser dos países da Europa aquele que está em maior risco de desertificação e que, pasme-se, o Estado não tem sido capaz de atacar o problema (talvez alguns achem - como a ex-ministra Cristas que a desertificação se resolva plantando mais e mais eucaliptos!) e na mesma semana que entrou em vigor a lei que vai multar quem atirar beatas de cigarros para o chão (como se varrer o problema para debaixo do tapete resolvesse alguma coisa) ficamos a saber que há países que tomam medidas que realmente fazem a diferença.

É o caso da Irlanda em que o governo tem uma meta de tornar o país neutro em carbono até 2050, mas começa já com medidas concretas e efetivas: plantar cerca de vinte e dois milhões de árvores por ano, totalizando 440 milhões nos próximos vinte anos

E o que é que está a ser feito em Portugal? 

Por cá, estamos a um mês de eleições legislativas e nunca como hoje o tema Ambiente entrou no léxico dos partidos políticos. Só que, infelizmente para alguns, especialmente os que vêm pela direita, é uma moda não sentida. É falar porque está na ordem do dia. Falar para parecer bem. Falar para tentar granjear simpatias nos mais jovens, para depois fazer o oposto caso os incautos lhes dêem votos. 

Artigo completo no Ecowatch

sábado, 31 de agosto de 2019

Propagação de Pinheiro-manso

Recentemente passei a treinar num antiga escola primária que entretanto foi encerrada por causa de não cumprir um limite mínimo de alunos. E uma das primeiras coisas que me chamou logo a atenção na escola foi o pinheiro-manso centenário, mesmo ao lado da escola, que exibe boa envergadura.



E um dos meus colegas, sabendo da minha ligação à natureza, um destes dias guardou uma pinha que tinha caído, e quando esteve comigo entregou-ma ainda com os frutos intactos.

Aqui a norte é cada vez mais raro encontrar pinheiros-mansos. O pinheiro-manso era usado para lhe extraírem a resina, para ser usado na construção de móveis, na gastronomia (os pinhões têm alto valor) e até como planta medicinal. Mas entraram em declínio, não sei ao certo, mas estou em crer que, devido ao seu crescimento muito lento, bem mais lento que o pinheiro-bravo, que por sua vez é bem mais lento que o eucalipto, e certamente que isso explica o porquê da invasão do eucalipto pela indústria do papel.



Trouxe então a pinha de pinheiro-manso para casa e comecei a retirar todos os seus valiosíssimo frutos que lhe estavam agarrados. Contei cerca de cinquenta. Entretanto o que fazer? Não!, não os comi! Guardei-os e entretanto trouxe do trabalho umas quantas garrafas plásticas de litro e meio, e fiz uma sementeira! Claro que não os vou poder plantar no meu terreno, mas isso fica para depois. Se germinarem vinte ou trinta (não faço ideia qual é a taxa de germinação) são vinte ou trinta futuras árvores, pois posso doá-las ou plantá-las em alguns terrenos baldios.

E é nisto que as pessoas e os governos e as câmaras municipais não pensam. O pinhal de Leiria foi vítima de um crime e ardeu completamente. Bem o vi este verão quando por lá passei para ir à praia. No entanto o que é que está a ser feito? Se cada português, todos os anos enterrasse cinquenta sementes (que não é nada!) ao fim de um ano seriam cinquenta milhões de novas árvores que iriam crescem. Mas alguém faz alguma coisa? Que eu saiba, muito pouco. E depois os jovens fazem greve pelo clima, culpam os governos, mas afinal o que é que eles fazem pelo planeta? Nada. É pena, porque o futuro é dos jovens, não de nós que já temos alguns cabelos brancos.

E o resultado para já é este, quatorze sementes de pinheiro-manso enfiadas na terra. Veremos se e quando começarão a germinar.


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Por Que é Que nos Últimos Três Meses Morreram 500 Milhões de Abelhas no Brasil?

Enquanto milhares de fogos avançam pela floresta Amazónica, o Brasil enfrenta uma tragédia mais silenciosa nas quintas agrícolas do país: o silêncio das colmeias vazias. No inicio do ano os apicultores relataram ter perdido mais de 500 Milhões de abelhas em apenas três meses. A velocidade e a escala das mortes lembram o colapso das colmeias devido a uma doença que começou a dizimar as abelhas na América do Norte e na Europa em 2006.

Fotografia Boston Globe/Boston

Mas os sintomas são notoriamente diferentes. Enquanto que o colapso das colmeias fez com que as as abelhas operárias abandonassem as suas colmeias e desaparecessem, no Brasil as abelhas estão a cair mortas no local. Mas no caso Brasil os especialistas apontam para uma causa abrangente: os pesticidas

Há um paralelo no Brasil entre a crise da Amazónia e a morte das abelhas. O afrouxamento na exigência do cumprimento das regras florestais levou a mais incêndios, assim como o afrouxamento das restrições sobre os pesticidas expôs as abelhas a mais dose letais. Cerca de trezentos novos produtos foram rapidamente aprovados mesmo que fossem estritamente proibidos e regulamentados noutros países. E assim como a queima de uma floresta tropical afeta muito mais do que as árvores, o mesmo se passa com a perda de abelhas que ultrapassa as paredes da colmeia. 

Dependendo de como analisamos os números, as culturas que são polinizadas por abelhas, são responsáveis por até cerca de um terço dos alimentos da dieta humana. 

Além da agricultura, os cientistas só conseguem adivinhar a escala do problema, mas a situação gera uma pergunta preocupante. Se as colónias nutridas e cuidadas por apicultores profissionais estãoa morrer, qual será então o destino das abelhas na natureza?

Quando pensamos em abelhas, ou mentes voltam-se imediatamente para a espécie que conhecemos melhor - a abelha doméstica. Mas as nossas paisagens também são abundantes em abelhas selvagens e as estimativas colocam o número total de espécies de abelhas acima de 20.000, mais do que todas as aves e mamíferos do mundo juntos. Muitos deles também são polinizadores essenciais, tanto de culturas quanto de plantas nativas no coração dos ecossistemas, desde florestas tropicais até prados de montanha. E embora a maioria das abelhas selvagens nunca tenha sido estudada em detalhes, sabemos que elas são vulneráveis ​​às mesmas ameaças químicas que as abelhas. Então, sabemos que quando abelha doméstica começa a morrer o mesmo se passará na natureza.

Os desafios enfrentados pelas abelhas do Brasil, assim como as suas florestas, resumem -se em parte a más políticas. Mas isso não deixa ninguém louco, porque numa democracia a política do governo equivale a uma expressão de vontade coletiva. E o Brasil dificilmente é o único país democrático em que a proteção ambiental está desprotegida. Movimentos recentes nos Estados Unidos reduziram as áreas selvagens e enfraqueceram a Lei de Espécies Ameaçadas, sem mencionar a promoção do uso de pesticidas nas Reservas Nacionais de Vida Selvagem e a reaprovação do sulfoxaflor, um produto proibido em 2015 especificamente devido à sua toxicidade para as abelhas.



Sim, devemos exigir mais dos nossos líderes políticos, mas também devemos exigir melhor de nós mesmos - nas urnas e para além disso. Há um aumento exponencial na procura por alimentos orgânicos, refletindo uma tendência global que deverá dobrar as vendas e a produção em menos de cinco anos. É um lembrete de que a forma como compramos alimentos afeta diretamente a maneira como os cultivamos e os métodos orgânicos - mesmo que entremeados por campos de cultivo convencionais - suportam uma diversidade muito maior de polinizadores. Mas, para ajudar as abelhas mais diretamente (ou quando os produtos orgânicos não são acessíveis), é possível dar passos ainda mais próximos de casa através do simples ato de plantar flores. Fontes de alimento (néctar e pólen) livres de pesticidas podem aumentar a abundância de abelhas em qualquer habitat, desde janelas urbanas a parques da cidade, jardins de quintal e até nas margens de estradas.

"A Silent Spring", de Rachel Carson, deu ao movimento ambientalista a sua metáfora mais duradoura, um mundo sem canto de pássaros. Mas ela também alertou sobre as flores sem o zumbido das abelhas, e há paisagens em que essa visão já se está a aproximar demais da verdade. A boa notícia é que o declínio das abelhas, tal como o desmatamento, são tragédias evitáveis. O primeiro passo é perceber. Agora é hora de agir.

Tradução livre do artigo Why have 500m bees died in Brazil in the past three months? de Thor Hanson no The Guardian.

domingo, 25 de agosto de 2019

Borboletas (6) - Argynnis pandora?

Pouco depois de ter fotografado uma Vanessa cardui no festival de jardins de Alllariz, foi a vez de, também numa budleia, ter desta feita fotografado, e pela primeira vez, esta linda borboleta:




Estou em crer que se trata de uma Argynnis pandora (Borboleta-cardinal) mas sem certeza

Graptopetalum paraguayense: Evolução de uma Suculenta ao Longo dos Anos

Enquanto remexia num cartão de memória antigo que estava num telemóvel, deparei-me com uma fotografia de 2013 de uma das suculentas mais bonitas que está em casa dos meus pais (apesar de ter sido eu que arranjei a planta).



Seis anos volvidos e, apesar da minha mãe há uns anos ter feito o disparate de cortar vários canos para oferecer a umas pessoas de família que cá apareceram, a verdade é que a planta voltou recuperou espetacularmente.


Esta suculenta Graptopetalum paraguayense (que na internet vi que também designam de planta fantasma chamam de forma estas grandes rosetas de cor cinzenta, com folhas pontiagudas muito bonitas e, estando num vaso como o das fotografias, acaba por pender dando um efeito muito bonito. É preciso cuidado para não tocar nas folhas pois estas desprendem-se com imensa facilidade. Por outro lado tem a vantagem de, cada nova folha dar origem a uma nova planta.

Pelo fácil cultivo e até resistência creio que estará indicada para os iniciantes no mundo das suculentas. É preciso no entanto ter cuidado com o granizo, visto que pequenas pedras de gelo acabam por deixar marcar muito feias. De resto é extremamente fácil de cuidar.