sábado, 20 de junho de 2026

Morreu a Árvore Mais Famosa do Mundo

Reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a morte do carvalho com cerca de mil ano que na lenda abrigou o Robin dos Bosques na Floresta de Sherwood.


"Todos os anos, até 350 mil pessoas vinham admirar o carvalho Major, com a sua impressionante circunferência de 11 metros e uma copa que se estendia por 28 metros. Mas ontem realizou-se um funeral improvisado junto da árvore, depois de Sociedade Real para a Proteção das Aves anunciar a sua morte.

Pensa-se que o aumento das temperaturas - e a admiração humana - tenham acelerado o seu fim natural. Este ano não produziu quaisquer folhas, depois de ter sido enfraquecido por uma sucessão de verões quentes e secos.

Robert Brackley, educador de atividades ao ar livre que mostrou as maravilhas do carvalho Major a milhares de crianças, vestido com um traje completo de Robin Hood, afirmou:

«As histórias que nos deu são o seu legado. É a árvore mais famosa do mundo. A lenda viverá para sempre.»

Visitantes vindos de Espanha, Sheffield, dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e da Austrália pararam junto da árvore para lhe prestar homenagem.

«É gigantesca!», disse Carter Jackson, de oito anos, de Sheffield. «É uma árvore realmente bonita e é triste que tenha morrido.»

Ryan Jackson, pai de Carter, comentou:

«É um pedaço de história que está a desaparecer, mas tinha 1.000 anos. Não se pode viver para sempre.»

«Pobre árvore», disse Kirsty Champion, de Adelaide, na Austrália. «Via sempre o Robin Hood na televisão e lia os livros. É muito triste que tenhamos tentado ajudá-la e conservá-la, mas provavelmente acabámos por piorar a situação.»

A Inglaterra possui uma riqueza única de carvalhos muito grandes e antigos: existem 114 com uma circunferência superior a 9 metros. Todo o resto da Europa, incluindo a Escócia e o País de Gales, reúne apenas 98 exemplares. Os conservacionistas descrevem-nos como «os rinocerontes-brancos do Reino Unido».

A árvore recebeu o seu nome do major Hayman Rooke, historiador local que escreveu uma descrição dela em 1790.


Na década de 1970 foi colocada uma barreira em redor do carvalho, que se encontrava enfraquecido pela degradação do solo, causada em parte pelo peso dos pés dos visitantes.

As intervenções bem-intencionadas também não ajudaram. Em 1904, foram instalados escoras e correntes metálicas para sustentar os seus ramos. Nos anos 1960, as partes ocas da árvore foram preenchidas com betão para reforço estrutural, enquanto alguns ramos foram revestidos primeiro com chumbo, depois com fibra de vidro e até tratados com tinta retardadora de fogo.

Os especialistas acreditam que as escoras foram um grande erro. Quando deixados ao seu destino natural, os carvalhos antigos perdem gradualmente os ramos e «crescem para baixo», retraindo-se para o tronco e necessitando assim de menos água e nutrientes à medida que envelhecem.

A RSPB assumiu a gestão do local em 2018 e descobriu que o enorme tronco do carvalho estava a secar, porque a água era absorvida pelos ramos exteriores artificialmente sustentados.

Segundo Chloe Ryder, gestora de operações da propriedade da RSPB na Floresta de Sherwood, as escoras:

«Provavelmente afetaram a sua capacidade de se sustentar por si própria.»

No entanto, a árvore teria colapsado se estas tivessem sido removidas.

Ryder, que visitava a árvore desde criança, declarou:

«É devastador. Estou genuinamente arrasada por isto ter acontecido durante a minha vida, quanto mais durante o período em que sou responsável pelo local.

Quase temia vir vê-la e receber essa confirmação, e constatar que não tinha folhas. Ainda assim, continuo a achar que é uma das árvores mais belas. Chamamos-lhe um museu vivo porque tem tanto para nos ensinar, tanto sobre o que foi bem feito como sobre o que foi mal feito.»

Embora esteja sem folhas e sem vida, o carvalho permanecerá de pé, porque a sua madeira morta é quase tão valiosa para a vida selvagem como uma árvore viva.

Um quarto de todas as espécies florestais depende da madeira morta em alguma fase do seu ciclo de vida.

Ed Pyne, conselheiro sénior de conservação do Woodland Trust, afirmou:

«Continua a ter um valor de habitat totalmente insubstituível. Continua a ser uma das maiores árvores da Europa e continua a desempenhar um papel muito importante para o ecossistema.»

Embora tudo tenha sido feito para salvar o carvalho Major, Pyne alertou que outras árvores antigas estão a desaparecer sem que ninguém se aperceba.

Apelando à ação do governo, declarou:

«Perdemos uma árvore como esta todos os anos. Não possuem qualquer proteção legal específica e estamos a perdê-las porque não lhes damos o valor adequado.»

O artigo original pode ser lido aqui.

Comprei Mais umas Umas Suculentas

No final de maio comprei mais duas suculentas: um Aeonium medusa e um Agave Lophanta "Quadricolor", depois de uma visita a uma loja de Gaia, mais especializada em catos e suculentas (apesar de também ter muitas orquídeas). Os preços estão dentro da média, 15€ pelo aeonium e 10€ pelo agave. O Agave cresce muito lentamente e um um pouco maior já custava 50€.

Ainda assim, para se ter ideia da especulação dos preços das plantas, há uns seis, sete anos,  um aeonium medusa do tamanho deste que comprei, poderia custar mais de 100€. E o que alimenta este mercado especulativo é a voragem por plantas suculentas diferentes. Eu dei agora 15€ e na verdade até acho caro para a plantinha pequena que é. 

Veremos como vão evoluir cá em casa.


 # Contrabando de Suculentas

terça-feira, 26 de maio de 2026

50% da Vida na Terra Vive na Copa das Árvores

 Entrevista de Ima Sanchís à bióloga Meg Lowman, publicada no jornal espanhol La Vanguardia de 26 de Maio de 2026:

"63 anos. Nasci em Nova Iorque e vivo na Florida. Sou divorciada e tenho companheiro: ele ensina-me golfe e eu ensino-o a subir às árvores. Tenho dois filhos. Dirijo a Tree Foundation. As árvores dão-nos a vida e, durante a minha vida, 50% das árvores das florestas foram abatidas. Sinto uma ligação espiritual com as árvores.


Como é que lhe ocorreu subir à copa das árvores?

Todos os que estudavam as florestas eram homens e só viam as copas quando as árvores eram abatidas. Olhavam à altura dos olhos.

A senhora olhou para cima.

Decidi subir. Concebi um arnês e pedi emprestadas umas cordas de escalada para não danificar a árvore. Tinha muito medo.

Mas subiu.

E fiquei maravilhada. Estava cheio de criaturas a mastigar, a polinizar, a voar...

Leve-nos consigo.

Lá em cima convivem pássaros com os seus ninhos, milhões de insetos de todas as cores imagináveis, morcegos, coalas, macacos, leopardos, preguiças... Cada árvore alberga uma comunidade diferente.

A senhora chama-lhe o oitavo continente.
Sim, é outro mundo. 50% da vida na Terra vive na copa das árvores.

E quis tornar esse mundo acessível.

Trabalhava num projeto de ecoturismo na Austrália e tinha dois filhos pequenos que não podiam subir com cordas, por isso construí uma passagem suspensa entre as copas.

Foi um sucesso?

Sim. Aquela passagem foi o princípio. Agora, através da Mission Green, ajudamos a construir passagens por todo o mundo que protegem as florestas e permitem estudá-las.

Então vão encher-se de turistas.

Sim, mas isso dá trabalho e dinheiro às populações locais. Já não precisam de abater as suas florestas e os cientistas podem conhecer e proteger um mundo que antes era inacessível.

A senhora é uma cientista de campo.

Casei na Austrália com um agricultor e a família dele via com maus olhos que eu trabalhasse. Foi muito duro tornar-me dona de casa: divorciei-me e regressei aos Estados Unidos.

Como conciliou maternidade e trabalho?

Fui uma mãe solteira feliz. Quando eram pequenos, os meus filhos acompanhavam-me muitas vezes nas minhas expedições. Eu era a única mulher e, ao princípio, alguns cientistas olhavam para mim de lado. Depois confessavam-me que tinham inveja de não poder levar os seus filhos.

Não lhe facilitaram a vida.

Pagavam-me menos, davam-me a pior rede e eu tinha de trabalhar mais do que os homens para provar que merecia estar ali. Estavam sempre a pôr-me à prova.

Como se portavam os seus filhos?

Eram eles que descobriam mais bichos diferentes. No Belize vivíamos numa cabana, e por cima das camas dos meus filhos havia doze tarântulas. Eles adoravam!

E a senhora?

Noutras ocasiões, os outros cientistas já me fizeram dormir na rede sobre a qual havia um ninho de aranhas venenosas.

Encantadores.

O que eles não sabiam é que os meus filhos e eu tínhamos uma tarântula como animal de estimação: a Harryet.

E era carinhosa?

Interagíamos com ela. São venenosas, mas ela não se sentia ameaçada por nós. Viveu oito anos.

Custou-lhe ser aceite.

Quando uma mulher faz algo melhor do que um homem, alguns sentem-se ameaçados. Por isso escrevi as minhas memórias, sobretudo para que as mulheres pudessem aprender com a minha experiência.

Nem tudo foi bonito.

Durante a minha vida, metade das florestas do mundo foram abatidas.

Há quem diga: plantem outras.

Não é a mesma coisa. As árvores mais antigas sustentam mundos inteiros ainda por descobrir.

As florestas primárias.

Sim, e o que faço com mais sucesso é com crianças. Ponho-as a subir a uma árvore e depois elas contam aos pais essa maravilha e educam-nos no respeito. Falo com um milhão de crianças por ano, faço programas de televisão e livros para chegar até elas. Essa é a minha arma secreta.

O que a emociona a cem metros de altura?

Ver que inseto come as folhas, que pássaro come que inseto..., ver tanta vida.

É como ser detetive.

Sim, sou a detetive das folhas. Lá em cima tudo está ligado. Na Índia trabalho com tigres porque eles estão ligados às copas das árvores. Tudo é um ecossistema. Os tigres sobem às copas e deitam-se nos ramos a comer o seu veado, que come as árvores, mantendo o ecossistema equilibrado.

Dormia na copa das árvores?

Sim, mas durante anos procurei insetos durante o dia e não os encontrava. Uma noite, como não conseguia dormir, ouvi o som dos insetos a mastigar e percebi que comem de noite para se protegerem dos pássaros.

O que a fez chorar?

Pensar que esse mundo desaparece demasiado depressa sem que o tenhamos conhecido.

Que ideia a sustenta?

Quero que cada dia conte. A minha ferramenta fundamental é a alegria e a tenacidade.

Não há tristezas lá em cima?

Lá em cima vê-se claramente que a morte faz parte da vida, que fazemos parte de um ciclo.

domingo, 17 de maio de 2026

Taça de Barro com Echinopsis tubiflora em Flor

 Tenho estas pequenas bolas de catos Echinopsis nesta taça já há algum tempo. Hoje, e pela primeira vez, deram a primeira flor. 



segunda-feira, 11 de maio de 2026

A Aranha Verde no Jarro

A aranha verde, que não faz teia, escondida num jarro, à espera que uma presa ali possa entrar.

 


sábado, 9 de maio de 2026

As Flores Amarelas da Euphorbia

Está agora em flor este lindo cato com as suas flores pequeninas flores amarelas. Sem total certeza, mas talvez seja a espécie Euphorbia Resinifera.



As Minhas Estrelinhas Azuis - Glandora prostrata

 A minha erva-de-sete-sangrias, planta autóctone que também lhe ouvi chamar, (correta ou incorretamente) sargacinha, e que há uns bons anos transplantei do monte está agora em flor abundante, e assim estará até ao fim da primavera. Adoro estas estrelinhas azuis!



sexta-feira, 1 de maio de 2026

Polygonum capitatum em Muro de Casa

 Esta planta conhecida por tapete inglês (Polygonum capitatum) é muito usada como cobertura de solo, e eu mesmo estou a usá-la num canteiro em frente da casa, onde tenho alguns catos e suculentas. Forma um bonito tapete, pode também ser usada pendente, mas se não tivermos cuidado invade tudo, daí o estatuto de invasora. No entanto é assinalável a forma como nasce em pequenas fendas de muros e como depois de estende, como se pode ver aqui neste muro que fotografei. 







Em minha casa:

Catos em Flor - Mammilaria