sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Plantas ajudam a arrefecer a casa?

Artigo de Aline Flor, publicado no Público de 27 de Agosto sobre mitos ambientais.


"Com as temperaturas de Verão a subir e as ondas de calor a tornarem-se mais frequentes, multiplicam-se as sugestões para tornar as casas mais frescas sem recorrer ao ar condicionado. Entre elas, surge a ideia de que basta encher a casa de plantas para sentir alívio térmico. Mas será mesmo assim? A resposta exige algumas distinções, incluindo entre plantas de interior e soluções de vegetação no exterior dos edifícios. A principal vantagem, contudo, estará mesmo na sensação de conforto.

Sara Campos, da equipa de Comunicação da Quercus e coordenadora do programa Minuto Verde, explica que os benefícios das plantas de interior estão bem documentados ao nível da qualidade do ar e da humidade, mas não tanto ao nível da temperatura.

“Em relação à melhoria da qualidade do ar interior, sem dúvida, aí há vários estudos”, afirma, sublinhando que as plantas “libertam vapor de água e, portanto, logo aí criam humidade”, o que pode ser útil sobretudo em espaços com ar condicionado, que tende a secar o ambiente. Falamos aqui de plantas como a espada-de-são-jorge (Sansevieria), costela-de-adão (Monstera deliciosa) ou samambaias.

Já quanto à redução efectiva da temperatura, a responsável admite que a evidência é escassa. “Há um estudo que menciona que, de facto, plantas interiores podem reduzir a sensação - não uma redução efectiva da temperatura, mas a sensação de conforto térmico - menos 2ºc”, refere, acrescentando de imediato uma ressalva importante: esse resultado “tinha de ser uma instalação algo robusta”, ou seja, não se aplica a um vaso isolado numa sala.

Islene Façanha, da associação ambientalista Zero, concorda que a expectativa de que uma ou duas plantas mudem a temperatura de uma casa não tem sustentação, mas traz mais contexto. As plantas “por si só não substituem medidas como o sombreamento das janelas”, como estores ou persianas, devendo antes ser encaradas como parte de “um conjunto de soluções”. Reforça ainda que “também contribuem para a qualidade do ar e para o isolamento de fachadas”.

Se dentro de casa o impacto das plantas na temperatura é limitado, o cenário muda quando se olha para o exterior dos edifícios.

“Se pensarmos em plantas exteriores que possam fazer sombreamento pelo exterior dos envidraçados, aí, sem dúvida, reduzem imenso”, afirma Sara Campos, referindo-se a coberturas verdes e fachadas verdes que impedem a radiação solar de aquecer paredes e vidros. A responsável da Quercus aponta ainda comparações urbanas já realizadas entre ruas com e sem arborização: “Há mesmo evidências que comprovam a redução da temperatura no próprio solo, no asfalto, a diferença é incrível.”

Também Islene Façanha destaca a importância de haver vegetação dentro e fora dos edifícios, associando-a à criação de “refúgios climáticos” e à “protecção das ondas de calor e sombreamento natural das habitações” - um ponto que, segundo alerta, é frequentemente subestimado, apesar de as ondas de calor serem “a causa de morte relacionada com fenómenos climáticos com maior mortalidade na Europa”.

As plantas, mesmo as mais eficazes, não dispensam um bom isolamento do edifício. “O ideal é a pessoa apostar em bons materiais de isolamento térmico”, sublinha Sara Campos, admitindo que em edifícios antigos “não há plantas que nos safem”.

Islene Façanha reforça essa ideia ao questionar se o ar condicionado é a única resposta eficaz ao calor. Para a Zero, “existe um conjunto de soluções complementares e mais acessíveis: sombreamento, ventilação natural, isolamento térmico do edifício, plantas no exterior, cores claras em fachadas e planeamento urbano com mais zonas verdes e sombra.”

A ideia de que basta ter plantas em casa para sentir a temperatura descer tende a ser, portanto, um mito. Dentro de portas, o efeito é sobretudo indirecto, com melhoria da qualidade do ar e da humidade, e a redução de temperatura propriamente dita carece de estudos robustos.

Já no exterior, coberturas e fachadas verdes, ou simplesmente árvores junto às janelas, têm um impacto comprovado na redução da radiação solar e da temperatura envolvente. O consenso é que as plantas fazem parte de uma estratégia mais ampla, que deve incluir sombreamento, ventilação natural e, sobretudo, um bom isolamento térmico do edifício.

sábado, 1 de agosto de 2026

Primeira Vez Que Vi Usarem o Lavatório como Bebedouro

Depois do inverno muito chuvoso, com tempestades em fevereiro, temos tido algumas vagas de calor em Portugal, ainda assim não tanto quando noutros países da Europa, como aqui ao lado a Espanha e a França que têm vivido em sobressalto com os incêndios. 

Mas também temos tido alguns dias de muito calor, com aconteceu, por exemplo, em Maio. Tenho visto muitas abelhas e vespas, às dezenas, a beber água nos lagos das tartarugas e, finalmente, consegui ver que colocar água no lavatório antigo a servir de bebedouro, finalmente foi utilizado pelas aves, nomeadamente um melro pousou e bebeu. 

Eu estava ao longe e só tive tempo de sacar do telemóvel do bolso e filmar, com a pouca qualidade que se vê, mais aqui fica o registo. 

Uma Libélula numa Folha de Erva


Sessão Fotográfica com Louva-a-Deus Branco

No canteiro das suculentas, por onda muita bicharada, destaca-se um louva-a-deus branco (vou chamá-lo assim para diferenciar dos verdes e castanhos) que imerge quando rego. Decidi pegar nele e pousá-lo num pau para fazer uma sessão de fotografias com o telemóvel. 






quinta-feira, 30 de julho de 2026

Cato Gymnocalycium em Flor


 Fiquei a saber que cato que tenho cá em casa a dar a primeira flor, é do género gymnocalyciumoriginário do Paraguai. A particularidade é que dá bastantes flores ao longo do ano. Obviamente precisa de exposição solar mas não muito sol direto nas horas de maior calor, e tem preferência regas mais frequentes. Veremos como irá evoluir. 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Trovisco em Flor e Frutos

 


O trovisco é um pequeno arbusto autóctone (Daphne gnidium) quase desconhecido para mim. Ironicamente, tenho dois exemplares que deixei crescer no monte há anos, mesmo ao lado dos muros da minha casa.

Precisamente por ser uma planta desconhecida, enquanto estava pequena achei-a ornamental e ao limpar o mato deixei-a crescer para perceber o que dali sairia. 

Fiquei a saber que se trata de uma planta altamente tóxica e por isso tinha a particularidade de ser ancestralmente usada para pescar, envenenando os peixes, daí o termo "troviscar".

Consultando outros blogues, como o Dias com Árvores e Jardim Autóctone percebi que é uma planta de muito difícil propagação, não aceita o transplante e mesmo por sementes também é muito difícil. Ainda assim vou recolher as sementes que forem caindo ao chão e tentarei a minha sorte, ainda que, sem qualquer expectativa.

Como já referi, considero a planta muito ornamental, especialmente nos primeiros anos, e agora em flor emana um cheiro bastante agradável, atraindo também muitos polinizadores. Não deixa de ser também curioso que, à semelhança do medronheiro, está em abundante flor e apresenta ao mesmo tempo frutos. 



quinta-feira, 23 de julho de 2026

Manjerico Um Mês Depois


 Confesso que, depois de ter ouvido vários colegas a dizer que o manjerico é uma planta que se trás para casa para morrer nos dias seguintes, que fiquei um pouco apreensivo, ainda que, esta planta me tenha sido oferecida na farmácia aqui da terra e, no fundo, não fosse deitar dinheiro ao lixo, mas gosto sempre, dentro dos possíveis, de proporcionar as melhores condições às plantas. 

E a verdade é que não é assim tão difícil manter um manjerico bonito. Este pelo menos está cá em casa há um mês e não para de crescer e de emanar o seu cheiro característico. A única coisa mesmo que faleceu foi o poema do papelinho!

Claro, é uma planta anual e como é lógico, só durará mais uns meses, mas até lá, espero que cresça mais ainda!


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Picos Vernelhos

Quem vai seguindo aqui o blog, sabe que eu tenho dois "assentos de sogra" Echinocactus grusonii, um que comprei e plantei em 2020 (creio que custou 25€), em plena pandemia, e plantei outro, no ano passado, e que estava em casa da minha mãe (tinha custado 15€ há muitos mais anos), e acabei por o plantar poucas semanas antes dela morrer. Ficaram um ao lado do outro, o cato da mãe e o cato do filho. 

Entretanto tenho aqui em casa ou outro cato, uma outra bola, mas de picos vermelhos. A taça não está identificada, mas facilmente cheguei à identificação: Ferocactus pilosus, que até agora não encontrei nenhum nome comum utilizado em português. É chamado de Viznaga de cabuches (espanhol) ou em ingês Mexican fire barrel. 

O mais interessante que fiquei a saber é este cato que com este tamanho parece ir formar uma bola gigante, afinal, não cresce assim como os Assentos de Sogra e ira crescer num formato fálico, alto, até dois ou três anos, mas isto no espaço de muitos anos. 


Transtorno de Défice de Natureza

 "As crianças americanas podem identificar mil logos de empresas, mas não são capazes de dizer os nomes de dez animais, ou plantas, que vivem no seu jardim".

Christine Webb, autora do livro "O Símio Arrogante", em entrevista no programa "Visão Global" da Antena 1.