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sábado, 8 de maio de 2021

Tempo de Apanhar Flor de Sabugueiro

 Desde que há uns anos curei uma tosse alérgica à minha mãe (ainda antes mesmo de ela ir à consulta) com flor de sabugueiro, que tenho por tradição, todos os anos, entre o final de Abril e o início de Maio, ir fazer uma ronda aqui pelos sabugueiros da aldeia para recolher uma boa quantidade de flor, para secar e depois ter para fazer infusões, se necessário, ao longo do ano inteiro. 

Convém que quando a recolhermos a flor esteja seca e como tal é de evitar tempo de chuva.



Curiosamente, logo este ano (no outono passado) em fiz algumas estacas de sabugueiro para enraizar é que por estes dias descobri vários sabugueiros a nascer espontaneamente no meu terreno. Contudo, a verdade é que um sabugueiro é um arbusto/árvore, que além de bastante ramificado, para dar bastante flor é preciso deixá-lo crescer bastante e eu já não terei espaço em casa para plantar um. Mas posso sempre plantar no terreno algo que está ao abandono!

# Sabugueiros em Flor

segunda-feira, 1 de março de 2021

Erva-de-São-Roberto ou Bico-de-Grou

Foi ontem que fotografei esta bela e rica erva, no último fim-de-semana de fevereiro, e ainda sem poder sair do meu concelho por causa do confinamento da pandemia. Almocei, coloquei a bicicleta no carro e fui novamente até à Praia de Melres, desfrutar de magnífico tempo que fazia e esticar um pouco as pernas. Estacionei o carro, abrigado do sol e à sombra de uma verdadeira infestação de mimosas. No chão, uma belíssima erva de caules avermelhados destacava-se: a erva-de-são-roberto ou bico-de-grou.

A erva-de-são-roberto, mesmo para alguém, como eu, que não conhece muitas ervas, identifica-a muito facilmente, precisamente por causa daqueles caules vermelhos, e até pelo seu cheiro característico. Os botânicos dizem-nos que se trata de pelargónio, muitas vezes também designados por gerânio tal como as sardinheiras. 

Segundo li, a denominação robertianum é, segundo algumas opiniões, uma adulteração de rupertianum que evoca a memória de São Roberto, bispo de Salzburgo no século VII que teria descoberto as suas propriedades hemostáticas. 

É uma erva anual, que encontramos muito facilmente em qualquer lado, normalmente em terrenos baldios, como foi no meu caso, ou matas, muros, muitas vezes abrigada à sombra. 

Eu lembro-me de uma caminhada que fiz há uns anos com o grupo do costume, creio que no Gerês, em que o guia do grupo, quando falou desta erva, provavelmente porque alguém a teria identificado, e recordo que mencionou que era, por exemplo, usada por pessoas que recorriam às suas propriedades como alternativa à quimioterapia em casos de cancro. 

No livro "Segredos e virtudes das plantas medicinais" das Seleções do Reader's Digest de 1983, refere que a planta pode ser usada fresca ou crua, podendo ser usada para: aftas, anginas, boca, dartro, diabetes, diarreia, ferida, hemorragia, nefrite, olhos, rouquidão, seio. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Aloe arborecens - Livro de Frei Romano Zago



Quando aqui mostrei a minha floresta de Aloe arborescens, falei acerca do seu uso medicinal e deixei a receita que consta no livro "Cancer tem cura" de Frei Romano Zago /Editora Vozes. Esse livro tenho em PDF (encontra-se facilmente disponível gratuitamente na internet) mas entretanto, por curiosidade, comprei o segundo livro, uma espécie de continuação do livro anterior do mesmo autor intitulado "Babosa não é remédio... mas cura!"

Neste pequeno livro de 2002, o autor responde a algumas dúvidas levantadas pelos leitores acerca do primeiro livro, nomeadamente quando às possíveis variações na receita. Podem-se alterações as proporções? Pode-se usar o cato puro sem mel e bebida destilada? As folhas, como se devem colher? (nem colher muito novas nem secas) E o mel, pode-se retirar por causa de pessoas diabéticas e o alcoól por causa de ex-alcoólicos ou pessoas como eu que detestam bebidas alcoólicas? Qual o melhor tipo de Aloe / Babosa devemos usar? (Aloe arborescens).

E num terceiro capítulo (depois de no segundo abordar as razões de porquê usar) aborda o seu uso e as doenças que alegadamente cura e previne, e que são imensas! Depois de ler o livro ficamos a pensar que se fizermos a receita ou comermos o cato nada nos pega, nem mesmo o coronavírus!

Ironicamente como referi, cultivo este cato/suculenta há trinta anos e nunca fiz a receita (que teria de excluir a bebida alcoólica) nem sequer o introduzi na alimentação. Limitei-me unicamente a aplicá-lo na pele. Estou fortemente inclinado a começar a fazê-lo, ainda por cima uma das doenças que promete curar é uma das doenas auto-imunes que me aflige. Veremos. Se não virar "jacaré", depois conto-vos como correu!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Floresta de Aloe Arborescens


As estacas que fui cortando de Aloe arborecens de minha casa, estão agora assim no campo dos meus pais, e que parece uma autêntica floresta. Este cato ou planta suculenta, além dos óbvios efeitos decorativos, com as suas inflorescências vermelhas por alturas do Natal. está também, como é sabido, muito associado às plantas medicinais. 

Esta planta é muito procurada e usada também na fabricação de um xarope celebrizado por frades franciscanos, e que prometia curar ou prevenir o cancro. Conheci pessoas que garantem que sim, eu, ironicamente, propago muito as plantas mas nem sempre as uso, até na alimentação, muitas vezes por mero desleixo, até porque "casa de ferreiro, espeto de pau". 

Na receita desse conhecido xarope, que quem não conhece encontra facilmente na internet o download do e-book do livro "Câncer Tem Cura! Manual Que Ensina A Tratar Do Câncer E De Outras Doenças" de Frei Romano Zago (Editora Vozes) é deixada a seguinte receita que transcrevo na íntegra:

Ingredientes :

a) Meio quilo de mel de abelha (mel puro, natural); 
b) 40 a 50 ml (5 a 6 colheres) de bebida destilada (cachaça de alambique ou uísque ou conhaque); 
c) Folhas de babosa (Aloe arborescens): duas ou três ou quatro ou cinco ou mais, tantas que, em fila indiana, se aproximem de um metro de comprimento. Se, eventualmente, superassem tal medida, não se preocupe, uma vez que a babosa não é planta tóxica. Não esquecer que a babosa é o mais importante dos elementos, encontrando-se nele o princípio ativo contra o câncer. 2) 

Procedimento:

Remover os espinhos das bordas das folhas, bem como a poeira que a natureza aí pode depositar, utilizando-se de um pano limpo ou esponja. Picar as folhas, sem remover a casca, jogando-a no liquidificador, junto com o mel e o destilado escolhido. Triturar bem. Pois o preparado... estará pronto para o consumo. Não cozinhar nem filtrar. Se conservado em geladeira, envolver o frasco em embrulho escuro ou vidro de cor (âmbar). Fora da geladeira não azeda. 

Posologia (como tomar) Tomar uma colher, das de sopa, uns 10 a 20 minutos antes do café da manhã, almoço e jantar. Agitar o frasco antes de servir-se do seu conteúdo. Iniciado o tratamento, ingerir o conteúdo todo do frasco. Se o problema for câncer, terminada a primeira dose, submeter-se a exames médicos. O resultado das análises dirá a atitude cabível. Se não houve cura nem melhoras, é preciso repetir a operação, observando-se curto intervalo (três, cinco ou sete dias). Tal procedimento (de repetir a dose) deve-se tê-lo tantas vezes quantas forem necessárias para eliminar o mal. Somente após os primeiros três a quatro frascos sem o êxito desejado deve-se recorrer a uma dose dupla, ou seja, duas colheres antes das três refeições, já que temos tido casos de pessoas que, mesmo em fase terminal, com um frasco e uma colher antes de comer, conseguiram livrar-se do mal.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Tamus comnunis - Norça-preta


Esta liana de frutos vermelhos na imagem e já sem folhas, é uma planta autóctone que cada vez menos vou encontrando pelos montes. Chama-se Arrebenta-boi, Norça-preta, Boidanha, Uva-de-cão, Tamo ou Baganha, de nome cientifico Tamus comnunis. Segundo um dos meus livros de plantas medicinais, informa que é a única planta europeia aparentada com os inhames tropicais. Apesar dos pássaros, como melros e tordos ingerirem os seus frutos, estes, como o nome indica "Arrebenta-boi" são muito venenosos para nós. A planta é medicinal, usada na artrite e reumatismo.

Num grupo de jardinagem do Facebook onde partilhei a fotografia, uma senhora deixou o curioso testemunho:

"A minha bisavó fazia um remedio para o reumatismo com estas bolas, cânfora que se comprava na farmácia álcool ou água ardente, dentes de alho e pinhas de espinheira brava ficava num frasco fechado a macerar durante um mês ou dois e depois coava se e era só esfregar aquele liquido no lugar da dor, atenção que tem um cheiro horrível, mas diz quem usou que fazia bem."

segunda-feira, 9 de março de 2020

Para Reforçar o Sistema Imunitário


A Equinácea é uma maravilha da Natureza para fortalecer o sistema imunitário e tratar infeções respiratórias. É uma planta medicinal usada nas gripes e constipações, alergias, faringites, infeções urinárias, infeções cutâneas, etc. Tem propriedades antibióticas, é anti-inflamatória, depurativa, antialérgica. Por reforçar o sistema imunitário será contra indicada em pessoas que (como eu) têm doenças auto-imunes.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Mandar às Malvas

As malvas são ervas que toda a gente conhece, principalmente pelas suas flores que abrem na Primavera e Verão. Nascem um pouco por todo o lado, em terrenos ricos em azoto e podem chegar a um metro de altura.



No livro "Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais" ficamos a saber que esta planta é apreciada como remédio desde o século VIII a.C. Os pitagóricos consideravam uma planta sagrada que libertava o espírito das paixões; Carlos Magno não a dispensava como planta ornamental nos seus jardins imperiais. E em Itália, no século XVI, denominava-se omnimorbia, isto é, remédio para todos os males. 

Das propriedades medicinais ficamos a saber que trata abcesso, rosácea, afta, asma, boca, bronquite, dentes, faringite, furúnculo, hemorróidas, nervosismo, obesidade, obstipação, olhos, picadas e tosse.

Mas há uma expressão curiosa associada a esta planta: "mandar às malvas"!

Germano Silva, jornalista e historiador (provavelmente a pessoa que mais saberá da cidade do Porto) no site do JN, revela-nos a origem da expressão, que tem que ver com uma história de amor que acabou em tragédia.

Ao que parece, ali pelo século XVIII, haveria um taberneiro que tinha uma filha muito prendada, muito bonita e cheia de qualidades que era muito pretendida pelos rapazes. Só que ela já tinha namorado, um cordoeiro, só que, um sobrinho do bispo também se interessou por ela. E, aconselhada pelo pai que, se calhar, um sobrinho do bispo era um partido bem melhor, certo dia, o cordoeiro, ao vir ter com ela, apanha-a a conversar com o sobrinho do bispo! Movido pelo ciúme envolvem-se em pancadaria, e o cordoeiro acaba mesmo por matar o sobrinho do bispo. Resultado: foi condenado à morte na forca. E naquele tempo, quem morria na forca, não tinha direito a ser enterrado nas igrejas como era costume na época. E foi enterrado num terreno chamado o "campo das malvas", onde haveria, mais tarde, de ser construída a igreja e a Torre dos Clérigos. Daí a canção:

"Adeus que vou para as Malvas, 
passando pelas urtigas, 
Vão os rapazes para a forca
Por causa das raparigas"

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Apanhar Flor de Sabugueiro


De manhã saí de casa e fui fazer uma ronda pelos sabugueiros da aldeia para colher as flores. Já o deveria ter feito, visto que em muitas flores já o fruto nasceu. Ainda assim apanhei um bom saco de cinquenta litros.  

A flor de sabugueiro está indicada no tratamento da tosse, constipações e febre dos fenos (rinite alérgica). Depois de apanhada a flor, coloca-se a secar, e temos ervas para usar durante o ano todo! É verdade que podemos ir a uma ervanária e comprar por pouco dinheiro, mas nada como fazermos nós mesmos o trabalho, e ajudando também assim a reduzir a pegada ecológica. 

Ainda ontem tinha passado por vários sabugueiros em flor nas beiras das estradas. Só que o problema é que estão muito sujeitos à poluição dos automóveis, daí que, o melhor será apanhar de arbustos que estejam longe da poluição. 





Mais sobre sabugueiro: AQUI


sábado, 18 de agosto de 2018

Beldroegas: As Campeãs do Omega 3 que Nascem em Todo o Lado!

As beldroegas quase dispensam apresentações visto que, na Primavera e Verão, nascem um pouco por todo o  lado. É uma planta anual, rasteira, que cresce sobre o solo. De folhas bastante verdinhas e suculentas, talos mais ou menos avermelhados e pequenas flores amarelas. 

Não há campo e pedaço de terreno fértil onde elas não apareçam! E até me foram nascer numa floreira onde tinha plantado algumas suculentas. Deixei-as crescer à vontade, e veja-se como até já alcançaram o chão!



Apesar de quase odiadas por algumas pessoas, por causa da sua dispersão, a verdade é que estamos na presença de uma planta muito rica, que tanto pode ser usada na alimentação (são conhecidos alguns pratos da cozinha alentejana) nomeadamente em sopas e saladas e, não menos importante, esta é a planta do reino vegetal mais rica em Omega 3, mais até que alguns peixes! Mas além disso, é baixa em calorias e rica em vitaminas, mineiras e anti-oxidantes. 

Tem também propriedades medicinais sendo usada, entre outros, como analgésico para tratar dores de cabeça, dores de estômago, remédio para a artrite, anti-hemorrágica e diurético. 



Não deixa de ser portanto irónico, que uma planta tão rica, quer do ponto de vista nutritivo como do ponto de vista medicinal, que nasce por tudo quanto é lado, sem necessidade de se ter trabalho a plantar (como por exemplo a alface) e que depois seja desprezada e considerada uma erva daninha. 

domingo, 24 de junho de 2018

Hipericão-do-Gerês

Há plantas que me vão aparecendo em casa espontaneamente. Neste caso nasceu-me um hipericão-do-Gerês (ou androsemo) que poderá ser extremamente útil, pois trata-se de uma planta medicinal com propriedades adstringente, anti-sético, cicatrizante, diurético, sedativo, vermífugo e vulnerário. 







domingo, 7 de maio de 2017

Salva em Flor

Se existisse algum remédio contra o poder da morte, o homem não morreria no jardim onde cresce a salva.  (Santa Hildegarda)

Segundo uma lenda grega, as propriedades medicinais da salva foram descobertas pelo herói Cadmo, a quem as folhas eram oferecidas todos os anos numa cerimónia religiosa. Na Europa medieval, empregava-se planta no fabrico da cerveja, na magia e na preparação de uma infusão que prolongava a vida, além de que graças a ela - e a algumas palavras mágicas - as jovens podiam ver os seus futuros maridos.


O nome salva deriva do latim salus, saúde, aludindo às propriedades curativas da planta. Apesar das suas muitas utilizações: aromatizar alimentos; purificar fígado e rins, boa contra tosse, constipações e gripes; reumatismo, etc, segundo li, hoje em dia é usada, essencialmente em gargarejos contra inflamações das gengivas e da garganta, mau hálito laringite e amigdalite e as suas folhas podem esfregar-se nos dentes, pois têm uma ação desodorizante fortalecendo as gengivas. O banho de folhas de salva elimina os piolhos e cura a sarna. 

Salva (Salvia officinalis)
Em compressa ou cataplasma, a salva está ainda indicada no tratamento da gota, ataques cardíacos, ferimentos supurados, membros trémulos ou paralisados e úlceras renitentes nas pernas ou pés, e uma decoação forte das folhas, acrescentada à água do banho, tonifica e limpa a pele e o couro cabeludo, além de relaxar os músculos cansados. Também serve para fazer limpezas faciais, pois tem um efeito adstringente sobre a pele e é um remédio tradicional contra resfriados graves.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Sabugueiros em Flor

Estamos em Abril e os sabugueiros estão em flor. O sabugueiro é um arbusto ramificado, que cresce por norma entre os 2 e 5 metros de altura, de ramos ocos, originário da Europa. E esta é a boa altura portanto, para quem quiser ir colher as suas flores para as secar de imediato para depois poder utilizar em infusões. É verdade que se podem comprar pacotinhos de ervas por cerca de 1€ nos supermercados ou lojas da especialidade, mas para mim, nada como irmos nós mesmos apanhar as flores, quando ainda por cima os temos mesmo ao pé da porta. 

Reparei num primeiro sabugueiro em flor, quando estive domingo de Páscoa no Parque Alta Vila em Águeda. As flores de sabugueiro já são minhas conhecidas há algum tempo, quando a minha mãe andava bastante mal, e preocupada com uma complicada tosse alérgica. Até já tinha consulta marcada na especialidade mas entretanto eu quis ir pesquisar o que encontrava nos meus livros de plantas medicinais, e disse à minha mãe que deveria experimentar infusões de flor de sabugueiro. E a verdade é que, no espaço de uma semana, quando foi à consulta a tosse já tinha desaparecido.

Sabugueiro (Sambucus nigra)
Na consulta, em jeito de brincadeira, perante a confissão da minha mãe, que andou a beber infusão de flor de sabugueiro, o médico soltou uma graça, que não deixa de ter um fundo de verdade: "Ó minha senhora, não me venha estragar o negócio!" E não deixa de ser curioso que, tal como os cangalheiros que não querem que ninguém morra, mas não querem ir à falência, também os médicos devem, supostamente querer que as pessoas sejam saudáveis, mas por outro lado, se tiverem muita saúde, a sua profissão deixaria de ser necessária.

E não deixa de ser também triste, que em meia dúzia de anos, os médicos tenham deixado de prescrever ervas para tratar as pessoas. Tudo fruto da indústria farmacêutica. E eu ainda me lembro de ouvir aqui o médico de família, entretanto já falecido, receitar, por exemplo, malvas para curar feridas. 

Flor de Sabugueiro
Está-se a perder todo o enorme conhecimento que as pessoas mais antigas tinham nas aldeias, tudo em prol da facilidade. Parece que ir apanhar ervas, pô-las a secar, e guardá-las no armário é uma chatice, parece que dá um imenso trabalho. É muito mais fácil ir ao médico, pagar uma consulta a um preço absurdo, e depois passar na farmácia para comprar uns comprimidos, que fazem bem a uma coisa e vão fazer mal a outra, para a qual será preciso outro comprimido. 

Flores de Sabugueiro a secar para usar posteriormente em infusões
E os sabugueiros estão agora em flor um pouco por todo o lado para quem quiser colher algumas flores. Da planta pode-se colher flores, folhas e frutos. As flores em infusão são boas para a tosse e constipações. E não deixa de ser muito curioso que a Primavera seja complicada para muitas pessoas, devido aos pólenes, mas a mesma Natureza, na mesma estação, nos dá a flor de sabugueiro que é indicada para tratar a febre dos fenos (rinite alérgica). Mas é recomendado que esta infusão deve ser tomada por alguns meses antes da chegada da estação da febre dos fenos.

No livro O simbolismo das Plantas de Frank Lipp, fiquei ainda a saber que:

 A Árvore da Terra

Nos países eslavos do Báltico, o sabugueiro era considerado a residência de Puschkayt, o deus da Terra, a quem se ofereciam alimentos colocados, ao princípio da noite, junto ao tronco da árvore, e no Norte da Europa era a residência de Holda, deusa da morte e da fertilidade. Empunhando pés de sabugueiro novo as mulheres dançavam em honra durante a festa da Candelária e com eles batiam em qualquer homem que se aproximasse do recinto da dança. A destruição destas árvores desgostava a deusa. e para lhes evitar danos graves, era sempre pedida autorização antes de se retirar um ramo, que, colhido na véspera de São João à meia-noite, protegia de tempestades, ladrões, espíritos malignos e bruxedos. 
Os bolinhos fritos feitos com flores de sabugueiro, uma tradição do dia de São João, agradavam à deusa e evitavam a discórdia entre maridos e mulheres, e na véspera de Natal, era costume ungir os olhos com o interior da casca da árvore ou deixar flutuar num copo de água um pequeno tronco a arder, para saber se estava alguma bruxa nas imediações. 
Na Alemanha, os caixões eram de madeira de sabugueiro e colocavam-se na sepultura cruzes e grinaldas feitos com os seus ramos. No norte de Inglaterra e no Tirol, os arbustos da planta eram aparados em forma de uma cruz e depois colocados sobre as sepulturas, havendo quem sustente que a cruz onde Cristo foi crucificado era de madeira de sabugueiro e que foi num que Judas se enforcou.

sábado, 2 de julho de 2016

Primeiras flores da Alcachofra

Recolhi esta única alcachofra (Cynara scolymus) que tenho, no ano passado, mais uma vez abandonada de um terreno baldio. Reconheci-a logo pelas suas folhas muito características e cheias de picos. Arranquei-a de onde estava, e já agarrada ao solo, e até pensei que, como estávamos com as temperaturas quentes, ela pudesse morrer, e na verdade sofreu bastante com o transplante, mas na verdade, rapidamente regenerou, e ora aí está, bem alta, com mais de metro e meio e a abrir as primeiras flores. 





A alcachofra apresenta diferentes vantagens. Desde logo, além do seu caráter decorativo no jardim, tem propriedades medicinais muito importantes e tem ainda utilidade na culinária. Para mim a sua importância está nas suas propriedades medicinais, onde tem grande importância, na regeneração do fígado, mas não só, é rica em anti-oxidantes, rica em ferro e como tal muito boa para as anemias, e baixa o colesterol.                               


Usam-se exclusivamente as folhas em infusão, mas aviso já que não é nada agradável de tomar. O melhor mesmo é beber a chávena de uma só vez e pronto está feito. As folhas vendem-se secas em qualquer ervanária. Mas nada como, se pudermos, como é o meu caso, ter as nossas plantas mesmo à mão para as usar. Não é tanto pelo dinheiro, porque um saquinho de ervas custa pouco mais de 1€, mas é pelo facto de sabemos que não usamos químicos ou pesticidas, nem contribuímos para a pegada ecológica. Este saquinho por exemplo foi importado de Marrocos. 

A planta-mãe durará uns anos, mas antes de morrer deixará bastante descendência, e depois separar os novos filhotes para propagarmos mais plantas e fazer, por exemplo, um canteiro só de alcachofras, que devem sempre ser plantadas sempre atrás, emoldurando, se for o caso as plantas mais pequenas que plantarmos na sua frente.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Linho-de-cuco

Já anteriormente aqui tinha falado do Linho-de-cuco (Cuscuta epithymum Murr.) planta anual e parasita que tinha nascido numa taça que eu tinha com uma suculenta. 

Tinha entretanto prestado atenção nos sítios por onde ando a ver se encontrava para aqui documentar, mas até agora, só uma vez, quando fui fazer um trabalho a Vila das Aves, e por lá vi uma grande concentração de linho-de-cuco, mas como não tinha comigo a máquina fotográfica não pude recolher imagens, e até à data, por aqui onde vivo ainda não tinha vislumbrado esta planta. 

Até que hoje, à vinda do trabalho, e a passar na estrada, vejo no monte ao lado, várias plantas e decidi encostar o carro e tirar umas fotografias para partilhar aqui no blogue.



Como já referi, trata-se uma planta anual, desprovida de clorofila, que depois de nascer, procura um suporte através das suas gavinhas, e busca uma vítima para parasitar, alimentado-se diretamente do hospedeiro, sugando-lhe os nutrientes necessários. A partir daí o seu desenvolvimento é muito rápido, e de uns quantos fios, passamos quase a ter uma verdadeira cabeleira, não fosse até "cabelos" outros dos nomes comuns da planta.











Linho-de-cuco (Cuscuta epithymum Murr.)

Esta planta pode-se encontrar, tal como se vê pelas imagens, no meio de tojos e urzes.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Por entre Estevas e Papoilas

Fim de semana por terras de Bragança a convite dos meus pais. Este era dos poucos distritos em Portugal Continental que não conhecia, e na verdade agora com boas acessibilidades, de carro posso-me pôr lá em duas horas, e quando não tivermos de subir e descer o Marão, mais rápido ainda será.

Paisagem completamente diferente da daqui do Douro Litoral onde vivo. Não se vê um único eucalipto, mimosa ou austrália. Não se vêem matos, silvas e terrenos ao abandono. Pelo contrário, está tudo cultivado. Foi uma curta visita de médico, mas gostei bastante e quem sabe não volte lá em breve, com muito mais tempo, para ver tudo muito mais calmamente como eu gosto.

A primeira paragem foi na albufeira do Azibo, concelho de Macedo de Cavaleiros. Basicamente só deu mesmo para fotografar a paisagem e nada pude explorar, pois esperava-me um almoço-convívio com hora marcada. Paisagem muito apelativa: a água, as árvores e os trilhos a descobrir. E o cheiro caraterísitco das estevas no ar e o salpicado de papoilas por todo o lado.






Estevas (Cistus ladanifer)
Flor da Esteva 

Depois uma noite bem dormida, e muito bem acomodado na tranquilidade de uma quinta de Bragança, fomos fazer a visita da praxe ao castelo local, sítio onde me deleitei com o enorme tapete de papoilas que florescia mesmo junto à entrada do monumento.

Castelo de Bragança
Papoila (Papaver rhoeas)



Iniciando o caminho de retorno a casa, decidi passar por Vinhais, tendo sempre do lado direito da estrada, o Parque Natural de Montezinho como companhia. Em Vinhais tinha o Parque Biológico local para visitar. Parque com poucos anos, relativamente pequeno, e que em que pouco mais de meia hora chega para ver tudo, mas que gostei muito da visita. 




Gralha (Corvus corone)
Perdiz vermelha (Alectoris rufa)


Burro Mirandês 




Javali (Sus scrofa)



Cão de gado Transmontano
Veado (Cervus elaphus
Centro Micológico de Vinhais

Plantas aromáticas e medicinais

Centro Interpretativo das Raças Autóctones Portuguesas

Última paragem antes de chegar a casa: Mirandela, a cidade jardim. Mas foi uma curta estada. O cansaço aliado ao muito calor que se fazia sentir (mesmo à sombra) apressou o regresso, e só deu mesmo para caminhar um pouco junto ao rio, antes de me fazer de novo à estrada. Mas deu para constatar que tudo que sítio está arranjado, florido, cuidado. Quer-me é parecer que todas aquelas palmeiras das canárias que vi (de gosto muito duvidoso) terão de substituídas, pois já apresentam as folhas secas, sinal evidente, que o escaravelho-carrasco já por ali andará a dizimá-las sem misericórdia. 



Princesa do Tua





Da visita trouxe uma recordação deste distrito, e na verdade sem grande fé que pudesse ter sorte. Foi-me impossível resistir a não trazer umas quantas estevas, que arranquei (em Azibo) e coloquei com alguma terra e água num saco plástico, fazendo quase umas papas! 

Estavas transplantadas

Passaram dois dias dentro do carro, apanhando um calor tórrido... a esperança era pouco mais do que nula. Mas na verdade, ainda chegaram verdinhas, coloquei em vasos, reguei bem, vamos ver o que sai dali, mas começo a acreditar que vou ter estevas de Bragança no meu jardim!