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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Uma Bicicletada Bucólica no Confinamento - Praia de Melres

Primeiro fim-de-semana prolongado de feriado da independência com tolerância de ponto na segunda-feira e eu basicamente passei os dias a jardinar. Ontem, véspera de dia de trabalho é que decidi que tinha que desconfinar a bicicleta e ir dar uma volta que para tirar a ferrugem à bicicleta e aos meus músculos e arejar um pouco da rotina do dia-a-dia. 

Decidi então a ir até aqui perto, à Praia de Melres e aproveitar o sol depois de almoço.





Da Praia de Melres e retornando à estrada national nº108 podemos depois dar uma voltinha no Parque de Lazer de Rio Mau junto ao rio com o mesmo nome com um percurso de cerca de 2Km (ida e volta).

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Ecopista do Minho

Este sábado novo passeio de bicicleta. Dirigi-me a Vila Nova de Cerveira, mais concretamente à Praia da Mota em Gondarém para fazermos a Ecopista do Minho, que foi distinguida em 2017 como 3ª Melhor Via Verde da Europa.

Saí cedo de casa, o dia estava fresco (tal como tem estado bastante fresco este Verão de 2019) e ao chegar ao Minho estava também bastante nevoeiro. Na estrada nacional passei por muita gente a caminhar com mochilas às costas. E pouco antes das nove horas cheguei ao local combinado, estacionei e comecei a tirar a bicicleta do carro, enquanto esperava pelos meus amigos que, pontualmente à hora certa haveriam de chegar. 



Já todos juntos, pusemos a conversa em dia, afinal desta feita não iria haver furo que nos atrapalhasse porque "depois de pneu furado, muitas alternativas anti-furo na mochila" e lá metemos pés nos pedais, para cerca de trinta e seis quilómetros até Monção e depois regressar.

A manhã não estava muito propícia a grandes fotografias neste início do percurso por causa do nevoeiro, e tinha em mente tirar mais fotografias depois no regresso, o que acabou por não se concretizar. Mas aqui ficam as fotografias possíveis, começando com o início da Ecopista:







E, aos poucos, as brumas dissipavam-se...









Um hibisco na frente do jardim de uma bela vivenda...





Cerca de 20Km depois estávamos a passar pela Fortaleza de Valença:





Ao longe avistava-se a Catedral de Tui...





E entretanto a fome começava a apertar e decidimos parar na antiga estação de Friestas para comer. Estávamos a cerca de 6Km do fim da Ecopista e de chegar a Monção.











Chegados a Monção paramos numa zona comercial onde reabastecemos água, fomos aos quartos de banhos e a namorada do meu amigo acabou mesmo por almoçar. Eu, que já estava de barriga cheia, limitei-me a comer um dos antigos gelados Epá, mas além de agora serem bem mais pequenos do que eram (três colheradas e está no fim!), nem sequer trazem no fim uma pastilha elástica de jeito! Está tudo falsificado! E só passado um bom bocado, e de energias repostas, é que nos fizemos de novo à estrada. 

Só que, alguns quilómetros depois, acabamos por seguir em frente, e não voltar pelo percurso que viemos, e, em vez de irmos junto ao rio, acabamos por ir até Valença pela antiga linha de comboio, mas assim acabamos por conhecer ambos os trajetos, algo que na ida até chegamos a pensar fazer. 



Só que seguir neste troço acabou por dar mau resultado. O meu amigo, que pedalava mais à frente, sozinho, e enquanto pedalava com a cabeça inclinada para o chão, acabou por embater violentamente contra as estruturas de madeira que metem na pista sempre que há um cruzamento, nem que seja pouco mais que um caminho de cabras. Eu não consigo compreender quem são as almas inteligentes que decidem colocar aquelas estruturas, visto que, mais do que proteger os ciclistas, acabam por ser elas mesmas, como facilmente se vê, a causar graves acidentes. 
Se me dizem que é para impedir os carros e tratores de invadir a pista, bom, isso faz sentido, mas para isso bastaria colocar um ou dois postes lá no meio, e não uma verdadeira barreira que precisa ser contornada!

Já na Ecopista do Dão, a senhora da empresa que aluga bicicletas disse-me que no dia anterior alguém se tinha magoado por causa das lombas que decidiram colocar. Lombas? Para bicicletas? Tenham juízo! E, tal como estou sempre a dizer, um cicloturista usar capacete quase nada protege, porque quando se cai, geralmente o que sofre são os joelhos, mãos, braços, e muito raramente se embate com a cabeça. 

Ainda assim poderia ter sido bem pior. Ele só magoou o joelho mas fez um enorme hematoma e a bicicleta, tirando um travão que rodou, não teve problemas de maior. Só que, estávamos agora longe do rio, e não dava para ao menos enfiar o joelho em água fria. Mas com calma lá continuamos.




Mas tinha havido um outro pequeno problema. No dia anterior eu tinha trocado de selim, substituí o que vinha com a bicicleta, que comprei há uns oito anos, por um melhor, em gel, e que esperava fosse bem mais confortável, porque a minha principal queixa quando faço alguns quilómetros é sempre a mesma, e não são as pernas! E, se durante os primeiros quarenta quilómetros estava tudo bem, de repente apercebi-me que o selim se começou a mexer e começou a piorar! Resultado: tive de começar a pedalar de pé, e a ideia de fazer mais trinta quilómetros assim não era coisa que me agradasse muito!

Até que, depois de ter pedalado alguns quilómetros dessa forma, vejo ao longe uma povoação junto da estrada nacional e reparo numa oficina automóvel, e quando já me preparava para fazer um desvio e ver se alguém me emprestava uma chave para conseguir apertar o selim, eis que vejo aproximarem-se três ciclistas, que teriam de abrandar passar naquela espécie de barreira de madeira! Levanto o braço e a última pessoa pára e simpaticamente chama pela esposa, para ela chamar pelo pai que seguia mais à frente, porque ele tinha um jogo de chaves que à partida daria para a medida do parafuso. E assim foi. Depois do senhor ter sugerido, a brincar, que nestes casos o ideal seria retirar o selim e seguir em cima do espigão!, lá conseguimos resolver o problema. 

- Conversamos se tinha sido causa-efeito ou karma? Mas a verdade é que se na Ecopista do Dão eu ajudei um ciclista que tinha a corrente toda embrulhada e sozinho não ia conseguir sair dali, agora, tinha sido a minha vez de ser ajudado!



Um pouco mais à frente demos com uma espécie de antigo lavadouro, pelo menos foi o que me pareceu, e por ali paramos. O meu amigo pôde assim enfiar a perna naquela água gelada, e, já agora também nós aproveitamos para nos refrescarmos!




Depois de ter tido os pés de molho em água gelada é que os últimos vinte quilómetros não iam custar nada!




Até ao ponto inicial onde tínhamos deixado os carros, na Praia da Mota em Gondarém, tirei só mais algumas fotografias junto ao rio, e acabei por não fotografar os parque de Vila Nova de Cerveira como de manhã tinha pensado fazer, primeiro porque depois da última paragem para lanchar e de algum tempo de descanso, já iríamos partir perto das 19h, e depois porque, ao contrário do que acontecia de manhã, os parque estavam pejados de turistas e não ia dar muito jeito para andar a recolher algumas fotografias.








Gostei bastante desta Ecopista do Minho. A mais valia é pedalar-se quase sempre na companhia do Rio Minho, muitas vezes abrigado das árvores, e passar por entre os parque de Vila Nova de Cerveira, onde vimos algumas obras de arte, certamente da sua bienal. Quem quiser encurtar o percurso pode-se ficar pela parte mais bonita Vila Nova de Cerveira - Valença.

Acho que será um ótimo sítio para revisitar com calma, e provavelmente noutras alturas do ano, na Primavera por exemplo, ou para observar as cores do Outono, mas tendo cuidado, pois vi vários castanheiros junto à Ecopista que será muito bom para furar alguns pneus! Quem sabe se, numa próxima ida ao Festival de Jardins não passe mesmo por lá. A ver vamos!

quarta-feira, 24 de julho de 2019

A Odisseia dos 100Km na Ecopista do Dão

Inicialmente a ideia inicial era ir até Santa Comba Dão e fazer só parte da Ecopista do Dão. Ir talvez até Tondela, ou fazer uns 25Km (metade do percurso) e depois regressar para almoçarmos, e de tarde dar uma volta pela cidade.

Mas mal cheguei já os meus amigos tinham planos mais ambiciosos em mente! Fazer a Ecovia toda, o que significava percorrer os cem quilómetros de extensão. Bem, na verdade tínhamos o dia todo por nossa conta, íamos fazer paragens, almoçar (levamos merenda) e certamente que iríamos encontrar cafés lá pelo meio para pararmos e nos refescarmos como fizemos na Ecopista da Linha do Tâmega . Mas os cem quilómetros nas pernas ninguém nos tiraria!

Tiramos as bicicletas dos carros e lá pusemos pés a caminho, ou melhor dizendo, pés nos pedais!







Estava uma manhã fresca, e tudo estava a decorrer lindamente até atravessarmos a ponte sobre o rio Dão. Pouco depois, a tragédia. Pffffff ouviu-se! O meu amigo acabava de furar. E não tínhamos remendos nem câmara de ar para a medida do pneu da bicicleta dele. Sim, é um pouco irresponsável, mas numa ciclovia asfaltada ninguém pensa que vai furar! Mas a verdade é que não foi só ele a furar, acabamos por depois ver mais algumas pessoas, paradas, e a reparar furos e no regresso também ainda estava reservada uma outra surpresa desagradável. 

"Já estraguei tudo" disse o C. desanimado.
"Não estragaste nada!, acontece! Já me aconteceu a mim também"!

Pensamos em várias alternativas, por exemplo, ir visitar a cidade onde nasceu o ditador Salazar, e depois fazer uma caminhada, e quem sabe não se encontraria uma loja onde arranjar uma câmara de ar. Tudo de haveria de arranjar de uma maneira ou de outra para não dar por perdido o tempo o dinheiro que gastamos a viagem desde o distrito do Porto. 

Até que eu me lembrei que passamos, logo no início do percurso, por um local, bem identificado, que alugava bicicletas! Poderiam ter câmaras de ar para substituir, ou até também se poderia alugar uma bicicleta. Parecia uma boa solução. E assim fizemos. Os meus amigos foram vindo nas calmas a pé, enquanto eu fui de bicicleta até à Abelenda Bike Rental. Entrei pela quinta adentro e como não fui vendo ninguém (apesar de ter o número de telefone cá fora!) continuei a pedalar até que já estava quase junto da casa e ouço um afirmativo "Bom dia!" e cães a latir a vir na minha direção! "Talvez já tenha vindo longe demais", pensei! Lá expliquei à senhora, alta, de olhos claros e sotaque estrangeiro (é holandesa), que precisava de ajuda para, ou comprar uma câmara de ar, ou alugar mesmo uma bicicleta. A senhora mandou-me esperar que ia buscar a sua bicicleta, e lá fomos ter ao barracão de madeira (que parece uma pequena casa pré-fabricada) onde estavam as bicicletas e respetivo material. 

Quando a senhora me disse que alugar uma bicicleta custava 10€ telefonei ao meu amigo e contei-lhe que câmara de ar para bicicleta dobrável ela dificilmente teria. Mas ele nem pensou duas vezes e quis logo alugar a bicicleta! Lá tratei das formalidades, dos dados e do pagamento e entretanto eles chegaram. Deixou-se a bicicleta com furo lá, e trouxemos uma bicicleta grande (talvez roda 28) que ficou para a namorada do meu amigo, enquanto ele passou a seguir na dobrável dela como vemos na imagem em baixo.


Mas então por que é que várias pessoas furaram numa ciclova? Porque na zona inicial, três ou quatro quilómetros depois do início, e tal como me disse a senhora que aluga as bicicletas, eles andaram a cortar as silvas mas não limparam convenientemente o asfalto! Aliás, havia também restos de asfalto que, digo eu, conforme a pista vai sendo restaurada, (foi colocado asfalto daí não se ver o azul e colocados postes de madeira para fazer a vedação) deveria ser limpa e não se deixar ali tudo sujo.




A Ecopista do Dão, com os seus quase cem quilómetros (ida e volta) é a maior do país e foi inaugurada em 2011, fruto da parceria de três municípios: Santa Comba Dão, Tondela e Viseu. A própria ecopista está pintada com diferentes cores que identificam o município a que pertencem: azul para Santa Comba Dão, verde para Tondela e vermelho para Viseu.



Ao longo da Ecopista do Dão apanhamos zonas arborizadas, em que se pedala agradavelmente à sombra, mas apanhamos também muitas zonas expostas ao sol devido aos incêndios, como se vê, por exemplo, na imagem em baixo, em que se podem ver os sobreiros pretos com folhagem nova.

Quando já pedalávamos para o fim, eu vinha com a C., quando alguém parado na berma nos pediu ajuda. Tinha a corrente toda encravada e sozinho não iria conseguir sair dali. Depois de a algum custo o termos ajudado, vim com ele a conversar e fiquei a saber que é de Santa Comba Dão. E contou-me, precisamente, que a Ecopista era muito mais bonita antes dos incêndios de 2017.

Eu estou em crer que seria do interesse de todos, que as autarquias não gastassem só o dinheiro no asfalto a fazer ciclovias, mas pensassem também na questão da flora. Erradicar, pelo menos junto da Ecopista as árvores invasores (não esquecer que estamos na zona centro do país, quase totalmente eucaliptada) e plantar autóctones como carvalhos, sobreiros, azevinhos, medronheiros (vi alguns) etc, para que, por um lado se fique com uma paisagem bem mais apelativa e menos monótona, e, por outro, que se minimize a probabilidade de um incêndio destruir tudo.




À hora de almoço resolvemos parar em Tondela, junto da antiga estação e sentados à sombra das árvores.


E mais adiante, já o calor se fazia sentir, paramos num café em Parada de Gonta, para hidratar e refrescar.



Pavimento vermelho significa que já entramos no município de Viseu:


A sempre útil vegetação que, na maior hora de calor, nos abriga do sol...


Estação de Torredeita onde se pode ver uma antiga locomotiva...





Apeadeiro de Mosteirinho:


Já muito perto do final, entrando na zona urbana:




Já no sentido inverso, parando só para fotografar uma libelinha que insistia em levantar e depois voltar a pousar e depois voltar a levantar! E claro, estas paragens custam porque uns segundos que fosse implicava que lá tinha de pedalar com um pouco mais de vigor, para voltar a apanhar a C. e seguirmos no encalço do C. que era sempre o fugitivo do dia!


No regresso parei também para uma fotografia nas Ruínas da Estação de Santa Ovaia.


E quando faltariam uns três quilómetros para o fim, e para tornar o final ainda mais épico!, foi minha vez também de furar, na mesma zona onde na ida também o Carlos tinha furado! Depois entregou-se a bicicleta que se tinha alugado e lá nos dirigimos para os carros, que ficaram junto à Estação de Santa Comba Dão, no culminar de um dia muito bem passado.

Dizer também que, no sentido que fizemos, Santa Comba Dão - Viseu, na ida sobe quase sempre na maior parte do tempo, ainda que, como é lógico e por ser uma antiga linha de comboio, sobre ligeiramente, mas a boa notícia é que, depois, no regresso, é quase sempre, ligeiramente a descer, e os quilómetros passam bem mais rápido, mesmo já vindo com os quilómetros acumulados nas pernas.

E foi um belo dia para mais tarde recordar!