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sábado, 18 de agosto de 2018

Papiro e Junça: Serão Familiares?

Foi já há alguns anos que arranjei papiros (Cyperus papyrus), no meu entender a planta palustre arbustiva mais bonita. Originária do Egito, onde cresce abundantemente ao longo do rio Nilo, com troncos triangulares que terminam naquela espécie de cabeleira de folhas fininhas e pêndulas. Podem alcançar vários metros de altura,  e foi, há já cerca de seis mil anos o percursor do papel. Era desta planta que se utilizava a matéria-prima para fazer, como o próprio nome indica, o papiro. 


É uma planta lindíssima, que pode ser plantada em lagos, ou em solos húmidos, ou em alternativa, como eu faço, que as mantenho em grandes recipientes sem furos, precisamente para sustentar a água.





Mas entretanto comecei a observar uma outra planta, que à partida não teria nada que ver com este papiro, a muito conhecida junça (tiriria no Brasil) que infesta campos de cultivo de forma extremamente agressiva e quase impossível de erradicar. Mas prestando atenção, comecei a achar que aquelas espigas de sementes muito semelhantes.

E comecei a pesquiar o assunto e a descobrir coisas interessantíssimas!

Então não é que a junça era utilizada no fabrico de móveis nomeadamente de assentos de cadeiras? E os seus tubérculos são comestíveis e sabem a nozes? E que em Espanha (onde é muito cultivada) utilizam o tubérculo para fazer um refresco chamado chufa (o nome que se dá ao tubérculo)?
E a junça é também ela uma planta medicinal usada para problemas de estômago. Bem, certamente que não há razões para que ninguém sofra do estômago à quantidade de junça que há um pouco por todo o lado!

Mais importante ainda, é saber que da junça podemos fazer uma hormona de enraizamento caseira, para que as estacas que queremos propagar, principalmente aquelas mais difíceis de pegar, possam ter uma melhor taxa de sucesso.

Mas será então que a junça é parente do papiro?
Sim! Se o papiro tem o nome científico Cyperus papyrus, a junça tem o nome científico Cyperus esculentus o que significa que partilham o mesmo género! Ou seja, se duas plantas, aparentemente partilham determinadas caracterísiticas, então é muito provável que sejam mesmo familiares.


Ainda assim fica o conselho, não plantem junça em casa, pois não tenho dúvidas que depois se irão arrepender seriamente.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Jardim Botânico do Porto


Não devem existir muitos jardins, parques ou meros espaços verdes de lazer no grande Porto que eu não conheça ou não tenha visitado, mas curiosamente, só há quatro ou cinco anos fui pela primeira vez ao Jardim Botânico do Porto. Também é verdade que só reabriu ao público em 2001 depois de muitos anos fechado, mas não creio que seja aí, que resida a explicação para eu ter a perceção que terá muitíssimos menos visitantes que, por exemplo, os Jardins do Palácio de Cristal ou o Parque de Serralves em que até é preciso pagar entrada.

O Jardim Botânico do Porto fica ali meio escondido na Rua do Campo Alegre e cercado pela Via de Cintura de Interna. Muita gente que não conheça, passa por ali e nem se apercebe do que está dentro daquele gradeamento.

Frente do Jardim vista no Google Maps

Das primeiras vezes que lá estive, a Casa Andresen era branca, entretanto recentemente foi pintada e exibe agora um vermelho escuro. Habitualmente decorrem lá exposições, lembro-me de ter visto uma interessante exposição sobre Darwin em 2011, e no ano passado uma exposição sobre insetos, uma coisa mais virada para os mais jovens, em que na entrada os visitantes escolhiam um inseto qualquer, que levavam consigo, e depois com a ajuda de uma chave dicotómica iam fazendo um percurso, passando por vários pontos de paragem, até descobrirem a que ordem pertencia o inseto em questão. 

Entrada - Casa Andresen
Depois de entrarmos e virando à esquerda, encontramos uma placa de agradecimento a todos os jardins botânicos pelo mundo, que doaram sementes ao Jardim Botânico do Porto num total de 1071 espécies. 


Jardins do Rapaz de Bronze

Foi junto desta pequena estátua de uma senhora com chafariz, que a poetisa Sophia de Mello Breyner (neta dos últimos proprietários) se inspirou para o conto do Menino de Bronze.  





Jardim do Xisto

Chegamos ao jardim do xisto atravessando uma pérgola com trepadeiras, e temos diante de nós um enorme espaço com o chão todo em pedra, onde estão desenhados três pequenos lagos, com peixes e rãs, e onde podemos encontrar plantas aquáticas como os nenúfares, com suas exuberantes flores agora no verão, ou os papiros (cyperus papyrus), planta sagrada de onde os antigos egípcios faziam o papiro. 





Atrás da casa, e virado a sul, temos três jardins escondidos por altos muros de camélias, aconselhando-se como tal uma visita em pleno inverno para contemplar a época de floração. À direita temos o jardim dos jotas (à esquerda na imagem abaixo), ao centro e mesmo em frente da casa, o roseiral, e do outro lado o jardim do peixe. Consegue-se perceber melhor a ideia com a ajuda da vista aérea do google maps:

Jardim dos Jotas - Roseiral - Jardim do Peixe



Jardim dos Jotas


Jardim dos Jotas por causa das iniciais dos nomes dos antigos donos do espaço, a Quinta do Campo Alegre como era assim conhecida. Neste jardim temos uma pérgola com uma glicícia e um painel de azulejos, os arbustos dipostos em forma de J e uma estátua de Sophia de Mello Breyner.





Jardim do Peixe


Jardim do Roseiral


Jardim dos catos e suculentas

Uma área bastante generosa em torno das estufas é dedicada em exclusivo aos catos e suculentas. Aqui encontramos enormes exemplares de agaves, aloes, euphorbias e opuntias.





Jardim dos Lagos

O jardim dos lagos nada mais é que um grande lago, bem maior que os do jardim do xisto, que tem um lago mais pequeno dentro do maior, que permite até que andemos lá no meio, e que está também com muitos nenúfares e imensas libelinhas coloridas que por lá voam e se reproduzem como tive oportunidade de ver desta última vez que lá estive.


Árvore da Seda (Ceiba insignis)
Detalhe do tronco

Libelinha a depositar ovos

Fica a sugestão, para quem não conhece e gosta de jardins, de árvores de espécies raras, se estiver pela invicta desloque-se ao jardim botânico. A entrada é gratuita.