quarta-feira, 17 de maio de 2017

Transplantes dos Pré-bonsais: dois meses depois

Cerca de dois meses depois dos transplantes dos pré-bonsais, posso agora com certeza absoluta, assegurar que todas as árvores estão de boa saúde. Mas na verdade fiquei um pouco preocupado com a piracanta. Já estava com a nova brotação numa fase adiantada, cortei-lhe bastantes raízes, e ela sofreu um pouco, pois secaram muitas folhas, e durante algum tempo temi que pudesse mesmo morrer. 

Mas a arvorezinha que acho mais engraçada será provavelmente a figueira, que está diferente de tudo que tenho!


A piracanta, a tal que me deu mais preocupações e que pensei que pudesse morrer. Mas felizmente não, andei sempre em cima dela, e como se pode ver na fotografia, já está com folhinhas novas:


A árvore em que os rebentos mais cresceram foi a romãzeira. Vejam o comprimento que atingiram, e aproveitei para os cortar, e deixar, como é habitual, um ou dois pares de folhas:



A abélia também está com bom aspeto:


E o acer, apesar de ainda não estar com grande estética, também:


segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Vírus da Moto-Serra ataca Jardins do Porto

Já na semana passada, quando andei a fotografar os pavões nos jardins do Palácio de Cristal que tinha reparado que andaram a deitar uma série de árvores abaixo. Hoje, andavam por lá a serrar enormes ramos de árvores. 

Eu não sou propriamente grande especialista em poda de árvores de grande porte em ambiente urbano, mas também não difere assim tanto de outro tipo qualquer de poda. A única diferença é que as árvores são gigantes. E creio também que não será preciso fazer um curso para perceber o que são podas abusivas - ramos cortados com mais de 30 centímetros - tal como me parece que esta não é a melhor altura do ano para fazer este tipo de trabalhos. Deveriam ser feitas na época de repouso vegetativo, ou seja, de Novembro a Março, e não agora, em que as árvores estão com o máximo do seu vigor. E infelizmente este tipo de podas têm sido recorrentes nos Jardins do Palácio de Cristal, basta pesquisar na internet para se ver as aberrações que se cometeram ao longo dos anos. E podas abusivas diminuem drasticamente o período de vida de árvores, muitas vezes já seculares. 

E o que me parece é que, quando as autarquias pagam a privados a gestão deste tipo de trabalhos, estas empresas, que visam o lucro, até vão inventar trabalhos desnecessários, e que acabam muitas vezes por serem criminosos, para depois receberam por isso. Eu deixo aqui algumas fotografias, e cada um que julgue por si, mas a mim choca-me que se cortem árvores de grande porte, como quem desfaz um castelo de areia. 

Na Alameda dos Plátanos o cenário é este:



Junto ao Cedro Branco:


Junto à Biblioteca:


Na Avenida das Tílias o cenário era este:




Visto que eu não me tenho por especialista no assunto, gostaria que alguém esclarecesse:

- Quem mandou abater as árvores e porquê?
- Todas as árvores abatidas estavam doentes?
- Se estavam, foi feito algum tratamento para evitar a todo o custo o seu abate? 
- E por que é que este tipo de intervenção está a ser feito a um mês do Verão? Não deveria ser feito de preferência no Outono/Inverno?

Este tipo de intervenção não é caso único do Palácio de Cristal. Ao passar pelo Jardim do Carregal vi árvores que também viram os seus grossos ramos cortados muito recentemente. Caso para dizer que, infelizmente o vírus da mota-serra anda a provocar grandes danos nos jardins do Porto.

sábado, 13 de maio de 2017

Abelhas: Sexo Mortal

Hoje, por mero acaso dou de caras com um casal de abelhas a tratarem da próxima geração. Mas no mundo das abelhas ainda não se fala em igualdade de género. O mundo das abelhas é uma monarquia onde as fêmeas mandam e os machos só cumprem determinadas funções, como esta de procriar. E depois de procriarem - dependendo das espécies - os machos morrem. 

E não deixa de ser também curioso que, apesar do macho ser maior e é quem tem o pénis, a fêmea é que adota uma postura dominante:




O Espírito das Ruas

"Se tivesse um conto de réis por cada vez que falei revoltado com a mania de mudarem os nomes às ruas, estava rico. Tenho para mim que trocar topónimos bonitos, sensíveis e significantes por referências políticas de gosto duvidoso (e, quando não, usando sintaxe canhestra) ou por nomes de correlegionários, amigos, conhecidos, apanigados ou familiares, é desdém e desamor à cidade. 

O despautério ganhou forma com o advento do liberalismo, desenvolveu-se com as políticas oitocentistas, enraizou na 1a República e assumiu contornos antológicos durante o salazarismo. Para não ficarem atrás, com a 2a República, cuidaram de mudar, remudar, trimudar umas tantas designações. (Esqueceram-se, no afã, de restituir à cidade um do seus mais belos topónimos: Praça das Flores, pervertida com nome de político a quem o Porto nada deve.) Tem sido um vêr-se-te-avias no ataque à personalidade produnda do burgo, já que chamar a sítios cujos nomes têm centenas de anos coisa totalmente desadaptada do espírito do lugar é maneira insidiosa de descaracterização. (Convenhamos que quando se batiza o Jardim do Carregal por Carrilho Videira, ou se chama João Chagas à Cordoaria não há memória urbana que resista). 


João de Araújo Correia, que não tinha papas na língua para apontar os dislates contra a santa terrinha (e talvez por isso seja ignorado por modernos e pós-modernos), escreveu num dos seus textos belos e penetrantes: "Os nomes das ruas, antigamente, eram simples, eufóricos e de saber popular. Casavam-se, entre nós, com a índole da nossa língua e o modo de ser da nossa gente. Não feriam o bom gosto nem o bom senso de quem os lesse. Eram admiráveis na sua profunda singeleza, como linhas de autor clássico". O número de vandalismos toponímicos antiportuenses é um rosário. Infelizmente os responsáveis passam, mas o atentado fica. E como a escola, os costumes e a tradição desaprenderam a leitura da cidade, os descalabros ganham raízes, e em tempo de memória construída ao ritmo dos anúncios televisivos, as pessoas deixaram de saber os nomes verdadeiros. 

Porto, memória e esquecimento / Hélder Pacheco / 1994

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Hospital Conde Ferreira

Como tinha divulgado aqui no blogue, no sábado passado ia-se realizar um dia aberto no Hospital Conde Ferreira, um programa com várias oficinas de ervas, degustações, passeios de charrete e atividades para crianças, numa organização da LIPOR e da Mesericória do Porto, que tutela o hospital.



O Hospital Conde Ferreira foi o primeiro hospital psiquiátrico em Portugal (1883) e conta desde 2015 com a maior horta social da Europa no Parque José Avides Moreira numa parceria do hospital com a LIPOR. O parque tem três hectares de terreno e inclui ainda animais, jardim, pomares, estufas, parque de merendas e parque infantil e a iniciativa visa apoiar as populações mais carenciadas.




Visto que o hospital tem o acesso vedado a visitantes - certa vez, tendo tido conhecimento das hortas e de certos eventos que por lá decorriam, entrei por lá adentro tranquilamente, mas de forma rápida o segurança veio ter comigo e perguntou onde é que ia - e então, aproveitei esta oportunidade, essencialmente para passear um pouco e tirar algumas fotografias  às frondosas árvores centenárias deste hospital do final do século XIX. 











domingo, 7 de maio de 2017

Salva em Flor

Se existisse algum remédio contra o poder da morte, o homem não morreria no jardim onde cresce a salva.  (Santa Hildegarda)

Segundo uma lenda grega, as propriedades medicinais da salva foram descobertas pelo herói Cadmo, a quem as folhas eram oferecidas todos os anos numa cerimónia religiosa. Na Europa medieval, empregava-se planta no fabrico da cerveja, na magia e na preparação de uma infusão que prolongava a vida, além de que graças a ela - e a algumas palavras mágicas - as jovens podiam ver os seus futuros maridos.


O nome salva deriva do latim salus, saúde, aludindo às propriedades curativas da planta. Apesar das suas muitas utilizações: aromatizar alimentos; purificar fígado e rins, boa contra tosse, constipações e gripes; reumatismo, etc, segundo li, hoje em dia é usada, essencialmente em gargarejos contra inflamações das gengivas e da garganta, mau hálito laringite e amigdalite e as suas folhas podem esfregar-se nos dentes, pois têm uma ação desodorizante fortalecendo as gengivas. O banho de folhas de salva elimina os piolhos e cura a sarna. 

Salva (Salvia officinalis)
Em compressa ou cataplasma, a salva está ainda indicada no tratamento da gota, ataques cardíacos, ferimentos supurados, membros trémulos ou paralisados e úlceras renitentes nas pernas ou pés, e uma decoação forte das folhas, acrescentada à água do banho, tonifica e limpa a pele e o couro cabeludo, além de relaxar os músculos cansados. Também serve para fazer limpezas faciais, pois tem um efeito adstringente sobre a pele e é um remédio tradicional contra resfriados graves.

Suculentas em Flor: Aloe Striata

Tinha oferecido um conjunto de suculentas à minha mãe, entre elas um pequeno Aloe striata que rapidamente começou a crescer bem. E de tanto crescer e ser mudado de vaso, que a minha mãe resolveu plantá-lo diretamente na terra para crescer à vontade quanto quisesse. 
E na Primavera cá está ele, exibindo a sua floração bem vermelha. Lindíssima.




sábado, 6 de maio de 2017

A Vida Secreta das Árvores

Acontecem coisas espantosas na floresta: árvores que comunicam entre si (enviando sinais elétricos através de uma rede subterrânea de fungos). Árvores que cuidam não só dos seus rebentos como também dos seus «vizinhos» doentes e velhos ou órfãos.

Árvores que têm sensibilidade, sentimentos e memórias. Incrível? Mas é verdade! O silvicultor Peter Wohlleben conta histórias fascinantes sobre as espantosas e pouco conhecidas caraterísticas das árvores. Com base não só nas descobertas científicas mais recentes, como também na sua própria experiência de vida na floresta, partilha com o leitor todo um mundo até agora desconhecido. Uma fascinante viagem pela vida secreta das florestas que é ao mesmo tempo uma verdadeira inspiração ecológica e nos leva a repensar a relação do homem com a natureza.



Após ter lido, no ano passado, algumas reportagens na net com este senhor Peter Wohlleben, de imediato fiquei com muita curiosidade em ler este seu livro, que estava a ser um sucesso lá fora. E já em Dezembro último tinha botado o olho ao livro de uma grande superfície comercial, mas achei que os quase 15€ (preço de qualquer livro em Portugal) eram dinheiro a mais e preferi aguardar. Tentei ver nas bibliotecas, mas como o livro é muito recente (2015) o título ainda não estava disponível. Comecei então a estar mais atento aos usados na net e por estes dias consegui comprá-lo por cerca de 5€ tendo a meu ver valido bem a espera para comprar no momento certo.

Seria certamente um livro para muitas pessoas lerem, tal é a forma, muitas vezes irresponsável, como se podam ou cortam árvores, que ali estavam há muitos muitos anos. Hoje em dia fala-se, e bem, da defesa dos animais (que não o homem) mas no que se refere ás plantas e árvores a insensibilidade ainda é muita.