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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Como é Que as Árvores Sabem Quando é Primavera ou Outono?

 

"Nas nossas latitudes, a queda das folhas no Outono e os novos rebentos na Primavera são acontecimentos naturais nas florestas. Mas se olharmos com maior atenção, todo o processo é um grande milagre, uma vez que, para tal, as árvores necessitam acima de tudo de uma coisa: noção de tempo. Como é que elas sabem que o Inverno está de novo aí ou que uma subida da temperatura não é apenas passageira, mas sim o anúncio da Primavera? 

Já muitas vezes se deu o caso de termos períodos mais quentes logo em Janeiro ou Fevereiro, sem que os carvalhos ou faias tenham exibido o seu novo e fresco verde. Como é que estas árvores sabem que ainda não está na altura de formar rebentos novos? Pelo menos em relação a árvores de fruto, foi possível desvendar um pouco do mistério. Ao que parece, as árvores sabem contar. Só quando passa um determinado número de dias quentes é que elas confiam na situação, classificando-a de Primavera. No entanto, a Primavera não é apenas feita de dias quentes. 

A queda e reaparecimento da folhagem não depende apenas da temperatura, mas também da duração do número e de dias. A título de exemplo, as faias só começam a despontar quando há pelo menos 13 horas diárias de luz. É por conseguinte surpreendente verificar que as árvores têm necessariamente de dispor de uma espécie de visão, uma vez que se encontram dotadas de uma espécie de células solares, pelo que estão da melhor forma equipadas para receber ondas de luz. 

E de que forma sabem as árvores que os dias mais quentes não correspondem ao final do Verão, mas sim à Primavera que se inicia? O que desencadeia a reação correta é a combinação da duração do dia com a temperatura. As temperaturas a subir correspondem à Primavera, enquanto as temperaturas que descem estão relacionadas com o Outono. Também isso conseguem as árvores registar. É por isso que espécies nossas como o carvalho ou a faia conseguem de igual modo adaptar-se ao ritmo inverso do hemisfério sul, quando, por exemplo, são exportadas para a Nova Zelândia e aí plantadas. Isso prova também algo mais: as árvores têm necessariamente de ter memória. De que outro modo são elas capazes de comparar interiormente as durações dos dias ou contar o número de dias quentes?

terça-feira, 28 de julho de 2020

Gostas de Dormir com uma Luz Virada para Ti?

As árvores também não. 

"Relativamente ao sono, o leitor já algumas vez se perguntou se as árvores precisam sequer de dormir? O que aconteceria se, cheios de boas intenções, as iluminássemos de noite para que pudessem produzir mais açúcar? Se nos basearmos nos conhecimentos atuais veiculados pela investigação, isso não seria nada boa ideia. Aparentemente, as árvores precisam do seu período de repouso tanto como nós, sendo que uma privação desse tipo teria consequências também catastroficas. Já em 1981, a revista Das Gartenamt publicou um artigo em que a iluminação noturna era apontada como a causa da morte de 4% dos carvalhos de uma cidade americana".

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O Bosque Como Bomba de Água

"Mas afinal como é que a água chega à floresta, ou ainda mais elementar que isso, como é que a água chega sequer às partes terrestres do planeta? Ainda que a pergunta pareça simples, responder-lhe é inicialmente tarefa difícil. Uma das principais caraterísticas das regiões terrestres é estarem a um nível mais elevado do que os  mares. A força da gravidade faz com que a água escoe sempre para o nível mais baixo, o que em princípio faria com que os continentes secassem. Isto é evitado pelo permanente reabastecimento de água proporcionado pelas nuvens, as quais se formam no mar e são transportados pelos ventos. No entanto, este mecanismo só funciona até umas poucas centenas de quilómetros de distância da costa. Quanto mais avançamos para o interior, mais seco se torna o território, uma vez que as nuvens se desfazem entretanto em água e desaparecem. A 600 quilómetros da costa é já tão seco que começam a aparecer os primeiros desertos. Em princípio, a vida só seria possível numa estreita faixa continental costeira, pois o interior seria seco e desolado. Mas só em princípio, pois felizmente existem as florestas. Estas constituem a forma de vegetação com a maior superfície de folhagem. Por cada metro quadrado de floresta, estendem-se nas copas 27 metros quadrados de folhas e agulhas. Na copa fica desde logo retida uma parte da precipitação, evaporando logo de seguida. No verão, as árvores consomem até 2500 metros cúbicos adicionais de água por quilómetro, que libertam durante a respiração. Este vapor de água faz com que se voltem a formar nuvens, que depois avançam para o interior, onde dão origem a precipitação. Este jogo vai-se desenrolando em zonas cada vez mais interiores, de modo que a humidade é também fornecida às regiões mais distantes. Esta bomba de água funciona tão bem, que a precipitação em algumas regiões do nosso planeta, como, por exemplo, na bacia do rio Amazonas, a vários milhares de quilómetros da costa mal se distingue daquela que se verifica no litoral. A única condição é que entre o mar e o canto mais recôndito haja floresta (...)

Chuvas regulares são de extrema importância para os nossos ecossistemas, já que água e floresta são dois elementos quase inseparáveis. Quer se trate de ribeiros, charcos ou do próprio bosque, todos os ecossistemas estão dependentes de proporcionarem aos seus habitats condições o mais constantes possível.  (...)

A importância que as árvores têm para os ribeiros também não diminui depois da morte destas. Se, por exemplo, uma faia cai e fica atravessada sobre o leito do ribeiro, então fica aí deitada durante décadas. Funcionando como uma pequena barragem, permite que aí habitem espécies que não suportam correntes fortes, como é o caso das discretas larvas de salamandra. 


sábado, 23 de setembro de 2017

Por que é que as Árvores duram tão pouco Tempo nas Cidades?

Passeava pelas ruas do Porto e observava os troncos das árvores que ladeiam os passeios e lembrava-me do que Peter Wohlleben escrevia no seu livro A Vida Secreta das Árvores a propósito das árvores não crescerem tanto e durarem tão pouco tempo nas cidades. E de facto, no que à Natureza diz respeito, muitas vezes para sermos especialistas, basta que olhemos com atenção para os que no rodeia. Não é preciso ler muito, pesquisar, nem fazer nenhum curso. Basta olharmos para as coisas com olhos de ver. Basta olharmos para as árvores da cidade, tal como olhamos para aquela planta que está no escritório e vêmo-la decrepita, a resistir com pela sua sobrevivência, porque ninguém cuida dela como deve ser, ou então porque , todos, ao mesmo tempo, decidem estar sempre a regá-la. 



É absolutamente deprimente olhar para as árvores nas ruas das cidades. Muito triste. Plantam-se árvores, sem quaisquer condições. Numa terra tão compacta que nem sei como as raízes conseguem resistir. Muitas vezes colocam asfalto quase até ao tronco, ou cimento como se vê na imagem abaixo. A árvore não tem qualquer matéria orgânica, não tem húmus, não tem um ambiente humedecido, nada. Está ali à sua sorte. Sofre podas assassinas, porque as árvores estorvam as pessoas e há empresas nas cidades que têm de justificar a sua existência, e então tem de se fazer qualquer coisa, mesmo que seja mal feito. E as podas em árvores de grande porte são um duro revés, pois significa que parte das raízes vão morrer E ainda são obrigadas a passar todas as noites com luz, porque é verdade, as árvores, tal como nós, também precisam de dormir. 



Até que deixam de resistir e começam a morrer. E aos primeiros sinais são deitadas abaixo, e no seu lugar são plantadas outras, a quem espera o mesmo destino. Depois ninguém percebe, ou não quer perceber, por que é que as árvores tombam nas cidades... 

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Lost in Translation

O livro A Vida Secreta das Palavras de Peter Wohlleben, revelou-se como um dos meus livros preferidos dos últimos tempos, e acho mesmo que todas as pessoas o deveriam ler. Contudo, a páginas tantas, o tradutor cometeu uma gaffe de tal ordem, que qualquer português comum, mesmo não sendo muito entendido em árvores percebia que há algo de errado na tradução.

Na página 170 do livro pode-se ler:

"O azevinho dispensa o moroso processo do crescimento ascendente, preferindo começar logo já lá em cima. É com esse objetivo que as suas sementes pegajosas se agarram aos ramos das copas, onde os pássaros vêm afiar os seus bicos. Mas como é que chegam lá a cima sem qualquer de contacto com o solo que lhe forneça água e nutrientes? Estes são recursos que se encontram em abundância nas zonas superiores, mais concretamente nas próprias árvores. Para isso, o azevinho estabelece as suas raízes no ramo onde se encontra, limitando-se depois a absorver aquilo que precisa."


Certamente que o autor não se poderia referir ao azevinho, pois como todas as pessoas sabem, o azevinho, árvore espontânea em Portugal (apesar de ameaçada de extinção) nasce no solo, à sombra dos carvalhos ou sobreiros. Creio que o autor se quereria referir ao visco, essa sim, uma planta parasita, que nasce na copa das árvores.  

sábado, 24 de junho de 2017

Árvores: Política de Amizade II


"Há um fenómeno que foi observado nas savanas em África há já cerca de quatro décadas. Nesses territórios, as girafas alimenta-se de acácias, o que não é nada do agrado desta árvore. Para se verem livres detas devoradoras de árvores, as acácias libertam uma toxina nas suas folhas num espaço de minutos. A girafas sabes disto e abandonam uma árvore para passar a outra. Mas não passam para a que está mesmo ao lado. Nada disso. Deixam algumas árvores de intervalo e retomam a refeição uns 100 metros mais adiante. O motivo para isto é surpreendente: a acácia devorada emite um gás de alerta (neste caso, o etileno), que sinaliza às suas companheiras em redor que o mal está a caminho. Deste modo, todos os exemplares assim previamente alertados libertam de igual forma as suas toxinas para se prepararem para o pior. As girafas conhecem este jogo e por isso afastam-se um pouco mais, de modo a encontrar na savana árvores que ainda não tenham sido avisadas. Ou então prosseguem contra o vento, uma vez que as mensagens odoríferas são transportadas para as árvores seguintes através do ar, pelo que, se os animais avançarem na direção oposta ao fluxo do ar, logo encontram acácias sem a mínima ideia da sua presença.  

A Vida Secreta das Árvores / Peter Wohlleben / Pergaminho 


domingo, 4 de junho de 2017

Árvores: Política de Amizade

"Mas porque razão são as árvores seres tão sociais? Por que motivos partilham o seu alimento com as companheiras, cuidando assim tão bem da concorrência? As razões são as mesmas que conhecemos das sociedades humanas: juntos somos mais fortes. Uma árvore não faz a floresta, não é capaz de criar um clima local equilibrado, é vulnerável ao vento e às condições meteorológicas. Pelo contrário, muitas árvores juntas, logram formar um ecossistema, capaz e mitigar o calor e frios extremos, de armazenar toda uma quantidade de água e de produzir ar bastante húmido. É neste tipo de ambiente que as árvores são capazes de viver protegidas e por muitos anos (...)

Por conseguinte, cada árvore é valiosa para para a comunidade e merece ser preservada o mais possível. Daí que ate os exemplares doentes seja apoiados, sendo abastecidos de nutrientes até ficarem bons outra vez. Pode ser que da próxima vez seja ao contrário e seja a árvore que agora ajuda a necessitar por seu lado de auxílio. (...)


Será que também as árvores vivem numa sociedade de classes? Tudo indica que sim, embora o termos "classe" não seja exatamente o adequado. O que decide a disponibilidade ajudar os colegas é antes o grau de vinculação ou até mesmo de afeição. E isso podemos nós próprios compreender se levantarmos os olhos para as copas. Uma árvore mediana estende os seus ramos o mais que pode até tocar na ponta dos ramos de uma vizinha de altura idêntica. Além desse ponto já não é possível pois aí o espaço aéreo, ou melhor dizendo, o espaço de luz encontra-se já ocupado. Ainda assim, esses ramos tornam-se cada vez mais vigorosos, dando a impressão de que lá em cima a luta é intensa. Pelo contrário, um verdadeiro amigo coíbe-se à partida de formar ramos demasiado grossos na direção do seu companheiro. Ninguém deseja tirar nada a ninguém, pelo que as partes mais fortes da copa são apenas formadas para fora, ou seja, para longe de onde estão os amigos. Amigos assim encontram-se por vezes tão intimamente ligados através das raízes, que por vezes até morrem juntos. (...)

A vida secreta das Árvores: o que sentem, como comunicam - a descoberta de um mundo misterioso / Peter Wohlleben / Pergaminho