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terça-feira, 9 de março de 2021

Mata Leão de Sobreiro a Eucalipto

Primeiro Domingo de Março, ainda em confinamento. Almocei e decidi ir dar caminhada pelo monte junto ao rio, a começar junto ao Campidouro (parque de campismo local) e embrenhar-me nos estradões cobertos de mimosas e eucaliptos. Por ali cheguei, várias vezes a andar de bicicleta e sei que por ali se encontram algumas plantas autóctone como gilbardeiras e pilriteiros, por exemplo, que resistem à pressão das exóticas invasoras. 

Da caminhada surpreendeu-me o estrangulamento que um enfurecido sobreiro fazia a um eucalipto, um autêntico mata-leão! 


Mas reparei também nos muitos cardos (Galactites tomentosa) que cresciam num bocado de terreno baldio que outrora foi terreno de cultivo, nas minhas sargacinhas, cheias de flores azuis, e pensei, quando vi imensas bordas de sargaços, que plantados e podados nos nossos jardins davam belas bordaduras!





E foi isto. Por entre uma selva de austrálias, mimosas e eucaliptos ainda se vislumbram algumas poucas autóctones.

domingo, 29 de março de 2020

Sobreiro de Semente Para Bonsai 9 Anos Depois

Por estes dias em que o tempo abunda, tenho dedicado bastante tempo aos bonsais. Hoje dei um pequeno jeito num pequenino sobreiro que trouxe do monte a germinar, em que ainda se podia ver a bolota. Para que o tronco tivesse engrossado mais rápido o ideal teria sido deixar a árvore crescer num vaso grande ou até na terra, e depois transplantada. Assim, num vaso não muito grande não engrossou grande coisa, apesar de já se começar a notar alguma cortiça.




domingo, 7 de outubro de 2018

O Abraço Florido


Com a cidade do Porto em fundo, vemos em primeiro plano um sobreiro, que por algum motivo morreu e uma trepadeira invasora de cores azul púrpura e rosa (Ipomoea indica) que aproveitou a oportunidade de trepar por ele acima. Junto ao mesmo sobreiro vemos ainda uma outra outra invasora, as muito conhecidas canas (Arundo donax).





quinta-feira, 22 de março de 2018

Árvore Europeia 2018

É portuguesa a árvore campeã europeia 2018! 
Esta era a 8ª edição do concurso europeu, em que estavam a concurso treze países mas foi a primeira vez que Portugal participou, e logo na primeira vez ganhou. Infelizmente as árvores por cá não têm o destaque do desporto ou dos festivaizinhos da canção e, de todos os jornais diários portugueses apenas o Diário de Notícias colocou a notícia na capa, e o Público dedicou-lhe uma página inteira sobre o assunto como se pode ver abaixo:


Trata-se de um sobreiro, conhecido como o "Sobreiro Assobiador" com 234 anos, com trinta metros de diâmetro de copa e dezassete metros de altura. Só é pena, digo eu, não conservar a casca que é tão caraterísitica desta árvore. E, segundo a reportagem do Público, já lhe extraíram a cortiça vinte vezes. Está situado em Águas de Moura (Palmela), e está inscrito no Livro dos Recordes do Guiness como "o maior sobreiro do mundo". Em segundo lugar ficaram os ulmeiros ancestrais de Cabeza Buey (Espanha) e em terceiro lugar um carvalho da Rússia.

2º classificado: Sete Ulmeiros de Espanha (450 anos)
3º classificado: Carvalho "Ansião das Florestas de Belgorod" (188 anos)

Podem ler a reportagem do Público aqui.

Tree Of The Year 2018

sábado, 31 de janeiro de 2015

Indignação: Autarcas que semeiam a morte

Durante as últimas semanas, pude constatar mais da mesma revoltante pouca vergonha. Em Gaia, trabalhadores da SUMA, empresa privada que enriquece com o negócio do "ambiente", pulverizavam zonas verdes delimitadas por passeios ,por exemplo, à volta do Estádio Jorge Sampaio, e que rapidamente passaram a zonas castanhas e sem vida. E eu só me perguntava "porquê"? Afinal a quem interessa o uso dos herbicidas? 
Já em setembro passado me revoltei contra pulverizações efetuadas aqui na minha aldeia, junto das habitações, das hortas e dos jardins das pessoas, e reportei a situação num e-mail bem esclarecedor, com fotografias e tudo à Junta de Freguesia. Infelizmente, só obtive o silêncio como resposta. 

O que se passa é muito grave e só a ignorância ou desconhecimento das pessoas pode fazer com que este estado de coisas se mantenha. Certo dia apercebi-me que as ervas junto ao passeio da minha casa estavam secas, e de imediato estranhei o facto, e foi então em conversa com os meus pais, que fiquei a saber, que foi a empresa (mais uma vez privada), a Rede Ambiente, que andou a aplicar herbicida, junto das casas das pessoas por toda a freguesia, e certamente que só o fizeram com a devida autorização da Junta de Freguesia ou da Câmara Municipal. Contaram-me os meus pais, que tiveram mesmo de berrar com a pessoa que andava a aplicar o veneno mortal, pois apesar da berma da estrada estar limpa de ervas junto ao muro de suporte do terreno (até porque muitas vezes são mesmo os meus pais que limpam) o trabalhador estava empenhado em pulverizar na mesma, sem qualquer espírito crítico, e não vendo que iria matar a sebe de maracujás que os meus pais têm, mesmo junto à estrada. 

Maracujá roxo

Depois deste acontecimento, não pude deixar de estar atento e observar o que se passava um pouco por toda a aldeia. Tudo que era berma de estrada estava seco, castanho, morto. Incluindo espécies autóctones, e algumas protegidas por lei, como o sobreiro por exemplo. Afinal, parece que esta empresa privada, acha que está acima da lei, pois estes trabalhadores empenhados matam tudo o que encontram pela frente. 

Sobreiro seco a mais de um metro da estrada


Extensa faixa morta incluindo um castanheiro e vários sobreiros

Aplica-se o herbicida, mata-se toda a vegetação, contamina-se os solos, e envenena-se o solo, mas afinal qual é o benefício? Será que é o gosto pelo castanho em detrimento do verde? Não encontro outra explicação. 

Aplicou-se herbicida, mas os fetos continuam a estorvar a quem passa

Aplicou-se o herbicida e ali ficaram os fetos, secos, que continuavam a estorvar a carros, ciclistas como eu, ou peões que passem. Mais tarde, e já depois da minha reclamação, os trabalhadores andaram então a cortar a vegetação seca. Mas então qual é a lógica disto tudo? Não poderiam ter cortado a vegetação, enquanto estava verde sem aplicar o veneno, e matar e contaminar tudo à volta? No fundo tiveram dois trabalhos, uma duplicação de tarefas que só mais prejuízo. E eu volto a insistir: a quem dá lucro o uso dos herbicidas? Mas esta obsessão pela morte e o ódio ao verde tem contornos absurdos. Na primavera do ano passado, escrevia aqui sobre a diabelha, planta com propriedades medicinais, que cresce naturalmente por entre o empedrado da estrada. Pois bem, até aquela erva, que não deve ter mais de um milímetro de altura, pois os carros e pessoas a pisarem não a matam, parece que incomoda esta empresa Rede Ambiente, e os seus trabalhadores, pois tiveram o cuidado de espalhar herbida na própria estrada, para matar todo o qualquer ponto verde. Basta ver o antes e o depois. 

Diabelha no empedrado

Nem a estrada escapa à aplicação do herbicida

Mas pouco tempo depois foi ainda maior a minha revolta. No meu próprio relvado, imaculadamente verde e cuidado por mim, encontrei uma mancha de relva seca, com uns dez centímetros de diâmetro, prova mais do que evidente que da pulverização, saltou herbicida para o meu terreno, a uns cinco metros de distância. 

Salpico de herbicida no meu relvado...

...a cinco metros da estrada


Quer dizer, assinei uma carta compromisso "Jardim ao Natural" da LIPOR, comprometendo-me a não aplicar pesticidas nem herbicidas no meu jardim, e vêm estes autarcas ignorantes, permitir que uma empresa privada contamine tudo aquilo que eu cuido com tanto cuidado. Mas afinal em que país é este em que vivemos? Eu volto a perguntar a quem me quiser responder: qual é a lógica da aplicação de herbicidas junto das populações, dos seus jardins e das hortas? Dêem-me uma e só uma vantagem para as pessoas da aplicação dos herbicidas. Só uma. 

Cada vez mais são conhecidos os efeitos negativos do Glifosato, o herbicida mais vendido em Portugal e no mundo, tanto para o meio ambiente como para as pessoas, em especial a sua toxicidade crónica, efeitos hormonais e cancerígenos. As consequência do uso dos herbicidas estão à vista de todos, a contaminação ambiental, problemas para a saúde de animais de pessoas, e a criação de ervas infestantes resistentes aos próprios herbicidas, uma coisa mais ou menos semelhante à resistência que o nosso corpo ganha face ao uso excessivo de antibióticos. 

A QUERCUS tem uma campanha contra o uso dos herbicidas nos espaços públicos. Até ao momento só quatro municípios e oito freguesias aderiram. Compete-nos a nós fazer força para que este estado de coisas se inverta. Eu já questionei a minha Junta de Freguesia. Certamente ficarei sem resposta, mas se muitos mais se revoltarem e insurgirem contra este envenenamento generalizado, talvez os senhores autarcas comecem a abrir os olhos. 

Eu estou em crer que encontro o grande interesse da massificação do uso dos herbicidas. Desde logo no seu fabricante, a multinacional Monsanto, e certamente estas novas empresas privadas que aplicam a fatura às Câmaras Municipais. Nós pagamos com os nossos impostos, que vão direitinhos para o bolso destes privados do "ambiente" e pagamos também com a nossa saúde.

P.S. Quase duas semanas depois da publicação deste artigo, recebi resposta do presidente da junta de freguesia, que se mostra interessado nas minhas sugestões. Ainda bem.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Aprendiz de Mr. Miyagi

Estou em crer que a primeira vez que ouvi falar de bonsai foi no filme Karate Kid. O filme é de 1984, cá terá passado na televisão anos mais tarde. Agora é que um filme está em cartaz e por vezes meses depois já passa na televisão, mas nos anos oitenta não era assim. Estou em crer que teria 13/14 anos quando vi o filme na RTP. 

Nesse filme, o protagonista, um adolescente que cai nas boas graças da menina bonita, rapidamente passa a ser o alvo do grupinho dos rufias lá do sítio. Até que por acaso conhece Mr. Miyagi, um senhor asiático de cabelos brancos muito simpático, de aspeto bonacheirão, muito pacato que, ora passa a vida a tentar apanhar moscas com pauzinhos ora a podar os seus bonsais!

A verdade é que, culpa do filme ou não, os bonsais sempre me fascinaram. O curioso é que nunca comprei nenhum para mim mas acabei mesmo por receber um de prenda no meu vigésimo quinto aniversário. Foi o meu primeiro bonsai, um ulmeiro (Ulmus parvifolia) provavelmente a espécie mais comercializada, e que mantive de perfeita saúde até aos dias de hoje. Vários transplantes e mudanças de vaso depois está assim:

Ulmeiro (Ulmus parvifolia)
Mais recentemente comecei a interessar-me por criar os meus próprios bonsais. Não é propriamente fácil. Mais do que dominar as técnicas mas é preciso ser-se criativo, é a diferença entre interpretar e ter jeito para compor, e é nisso que ainda me sinto muito verde. Mas é experimentando, errando a aprendendo que vamos evoluindo, e aos poucos acho que vou melhorando.

Como já contei no artigo sobre o azevinho, tentei criar um bonsai a partir desta espécie porque tenho dezenas deles, portanto nada melhor que começar com o que se tem à mão! Em ano e meio a evolução foi esta:


Azevinho (Ilex aquifolium)
Há algum tempo vi que uma azálea enorme da minha mãe tinha um pequeno rebento junto ao solo, e de imediato resolvi arrancá-lo para ficar para mim, para plantar no meu jardim, ou quem sabe tentar fazer dali um bonsai. Acabei mesmo por destiná-la para bonsai, e ainda estou a tentar, esperando que vá resultar. A pobre azálea já passou por alguns imprevistos, mas vamos ver como continuará a evoluir. Comecei por colocá-la num vaso de barro para engrossar um pouco:

Azálea
Mais tarde podei-a mas sofreu o primeiro imprevisto, enquanto transportava uma pedra, deixei-a cair por cima do vaso e parti-lhe  um bocado, mas o pior foi que quase parti a azálea, e esgaçou parte do tronco, então coloquei um bocado de borracha à volta e amarrei com um arame:


Há umas semanas resolvi transplantá-la, desbastar as raízes e meti num vaso de bonsai, que apesar de pequeno para o efeito lá teve de servir. No transplante ocorreu o segundo imprevisto, e sem querer parti-lhe o rebento que estava no topo, mas pronto entretanto já está a puxar novos rebentos de novo, não será grande problema espero.


Entretanto tinha um cotoneaster (Cotoneaster horizontalis) que é uma planta arbustiva rasteira muito usada para cobertura de solos, e que estava num vaso sem nenhuma estética nem interesse para mim, mas que já sabia que é uma planta que resulta muito bem em bonsai porque tem a folha muito pequena e dá uns pequeninos frutos. 

Cotoneaster horizontalis

Fui-lhe dando várias podas mais drásticas, e por estes dias resolvi transplantá-la, fazendo um verdadeiro desbaste nas raízes. Há falta de vasos de bonsai, coquei-a mesmo num antigo recipiente plástico, estando agora com este aspeto:

Cotoneaster horizontalis
Tenho outras árvores que espero conseguir fazer alguma coisa com elas a nível de bonsai. Um sobreiro que tenho desde semente recolhida no monte:


Sobreiro (Quercus suber)

Escallonia Rubra que arranquei da sebe e que espero que vingue:


Laranjeira que nasceu espontaneamente:


E ainda tenho mais umas quantas arvorezinhas para ir brincando ao bonsai. No fundo não precisamos de ir a uma loja gastar bastante dinheiro num bonsai - é verdade que também se compram bonsais nas grandes superfícies por 10€ - mas a verdade é que também esteticamente pouco interesse têm, por isso, por que não, nós mesmos, tentarmos criar os nossos próprios bonsais? Podem não ficar muito bonitos ao início é verdade, mas aos poucos vamos melhorando e passados uns anos podemos dizer à família ou amigos "este bonsai fui eu que o criei". Vivemos num mundo de consumismo, de querer tudo no imediato, as pessoas querem, compram, já têm e depois deitam fora. No mundo do bonsai é preciso paciência, tal como o Mr. Miyagi ensinava no filme, para termos o bonsai ambicionado hoje devíamos ter começado há dez anos atrás.