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domingo, 2 de agosto de 2020

Não Tão Prolífera no Lago das Tartarugas

Já no ano passado contei aqui a história do jacinto aquático, a "A Planta Mais Prolífera do Mundo". Em Portugal a planta tem estatuto de invasora e há um decreto, creio que de 1976, que proíbe a planta. Proibir é a coisa mais fácil do mundo, não custa nada, é só assinar um papel, mas as juntas de freguesia e as câmaras municipais meterem mãos à obra e ir limpar todos os focos de infestação conforme forem aparecendo é que já custa um bocadinho mais. Em tudo que é infestação ou invasão, tal como numa pandemia ou num incêndio, por exemplo, é logo no início que se ganha a batalha e não já quando está tudo a arder e espalhado por todo o lado. 



Eu recolho jacintos do rio para colocar no meu lago das tartarugas, servindo assim de filtro natural e para se alimentarem, mas, segundo a lei é proibido, mesmo que esteja a contribuir para que haja menos plantas na natureza! Aliás, mais irónico é que as próprias tartarugas (ou cágados) exóticos que adotei, são elas também proibidas! Só foi pena o Estado não se ter lembrado de as proibir antes de ter permitido que elas fossem vendidas, e só as ter proibido depois de terem infestado tudo que é curso de água ou lago em Portugal, estando assim a contribuir para que as nossas duas espécies, os nossos cágados, sejam ainda mais ameaçados de extinção. 

Mas o que vos queria mostrar é que, mesmo a planta mais prolídera do mundo, quando não tem predadores fica controlada e não invade nada. O jacitnto aquático é originário da Amazónia e lá não é invasora. De lá nunca deveria ter saído! No seu espaço natural tudo está em equilíbrio, mas, quando pegamos numa planta e levamos para outra qualquer parte do mundo nunca sabemos o que pode acontecer. Quer dizer, uma coisa sabemos: o resultado nunca será bom!

Mas vejamos então o que acontece quando colocamos jacintos aquáticos no meu lago de 500L com sete tartarugas. Isto é uma planta adulta:


Que passado uns dias fica assim:


Que acabam por ficar assim!


Estando a planta neste estado retira-se e coloca-se em água e a planta recuperará. Quando se tem plantas a mais, porque se propagam muito rapidamente, o ideal é deixar secar ao sol que a planta seca e depois pode ir para o compostor. É preciso muito cuidado onde a abandonar porque se for parar a um curso de água propagar-se-à rapidamente. 

domingo, 22 de dezembro de 2019

Jacinto Aquático - História de uma Invasão por Culpa do Homem

"A Planta Mais Prolífera do Mundo"

O jacinto de água multiplica-se com uma incrível rapidez; numa só temporada, dez pequenos jacintos podem converter-se em mais de seiscentas mil plantas estreitamente entrelaçadas. Estas formam um tapete com a extensão de meio hectare, tão espesso que pesa 180 toneladas e com tal flutuabilidade - devida a uma série de ampolas de ar com quatro ou cinco centímetros de espessura, situadas na base de cada planta - que pode suportar o peso de um homem. 

Jacinto-de-água em flor (Eichhornia crassipes) em minha casa

O homem é o único culpado desta propagação monstruosa. A planta só atravessou as fronteiras da América do Sul, de onde é originária, em 1884, data em que foi levada à Exposição Comemorativa do Centenário de Nova Orleães, fugurando na secção de horticultura.

Atraídos pelas suas belas flores, alguns jardineiros levaram várias estacas para os seus tanques e fontes. Ao verem que se multiplicavam rapidamente, atiraram o resto para os arroios próximos. Um visitante da Florida levou para a sua cidade um caixote cheio de jacintos, tencionando embelezar com eles o rio St. John: as inundações, os temporais e as correntes encarregaram-se do resto. Seis anos depois,  jacinto tinha-se espalhado desde a Florida ao Texas, avançando em seguida para o norte até à Virgínia e para o oeste até à Califórnia.

Invasão de Jacinto-de-água na Pateira de Fermentelos
A Planta chegou à Austrália em 1895, provavelmente levada por alguma pessoa que se deixou seduzir pela sua beleza. Na Índia era já conhecida em 1902, enquanto que a África só começou a ser invadida por ela em 1950. Neste continente foi vista pela primeira vez no rio Zaire, perto de Brazzaville, onde, segundo se diz, fora introduzida por um missionário. Seis anos mais tarde, estendia-se, ao longo de mil e quinhentos quilómetros, pelo rio Zaire e afluentes penetrando também no Sudão, Uganda Etiópia, Rodésia e Malawi. 

Excertos do livro "O Assombroso Mundo da Natureza" / Seleções do Reader's Digest (1970)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Jacintos a passar a Barragem de Crestuma-Lever

Nas últimas semanas, a caminho do trabalho, fui surpreendido com uma enorme mancha verde à deriva no meio do leito do rio Douro, junto à barragem de Crestuma-Lever, entre Gondomar e Gaia. Hoje, apesar do tempo cinzento, dos chuviscos e, por vezes com a lente embaciada, passei lá e tirei algumas fotografias aos muitos jacintos (Eichhornia crassipes) que se preparam para descer o rio em direção ao Porto. 

Tudo isto, a meu ver e especulando um pouco, acontecerá graças ao cada vez maior movimento dos barcos, que os arrastarão de zonas infestadas para zonas que até agora estavam livres desta invasora aquática. E se as autarquias nada fizerem, em breve, o problema que agora só se está a iniciar, irá rapidamente multiplicar-se com todos os efeitos negativos que isso acarretará.






Já a montante da barragem, junto à marina de Covelo, podemos ver que aquela zona também já infestada:


sábado, 29 de abril de 2017

Jacintos-de-Água a Florir em Abril

Para mim é quase fenómeno do Entroncamento chegar a casa e ver jacintos-de-água a florir em Abril! Até pode ser normal noutras paragens, mas por aqui costumo vê-los e flor sim, mas no verão, em Agosto ou Setembro. Em Abril é novidade! Provavelmente, digo eu, talvez tenha a ver com a Primavera mais quente e sem chuva que temos tido. 





quinta-feira, 20 de abril de 2017

Pateira: Remoção de Jacintos e diferença na Paisagem

Se no primeiro dia do ano, tínhamos os jacintos-de-água da Pateira de Fermentelos completamente castanhos por causa do frio, agora, já em plena Primavera, temos a paisagem de novo verde, mas os jacintos, uma invasora que se propaga rapidamente, foram, e bem. entretanto removidos:



Janeiro 2017

Setembro 2016
Da remoção, ainda se podiam ver alguns montes de jacintos, deixados em terra, a secar, mas é curioso como mesmo assim, alguns ainda resistiam e se mostravam bem verdinhos:


domingo, 1 de janeiro de 2017

Pateira: Diferenças na paisagem

Se em Setembro, pleno verão, aqui mostrei as infestações de jacintos-de-água, muito em floração na Pateira, agora com os rigores do inverno a fazerem-se sentir, esta exótica sul-americana começa agora a ressentir-se.

Se em Setembro a cor reinante era o verde...


 ... em Janeiro tudo em volta parece acastanhado. E não são só os jacintos, tudo parece estar adormecido:



Afinal, não são só os meus jacintos que mantenho num pequeno lago para servir de alimento a tartarugas e filtro de água que apodrecem e morrem no inverno. Só os que abrigo conseguem sobreviver. Mas estes aqui também não estão a ficar com boa cara por causa do frio. Mas pude observar que muitas destas plantas aquáticas estão com as esponjam em formato de pequenas bolas, que servem para flutuarem, comidas, o que significar que também há por ali quem deles se alimente. Serão aves? 


Aqui, numa zona abrigada, podemos ver uns quantos ainda bem verdes:


sábado, 24 de dezembro de 2016

Jacinto-de-água no rio Douro

Há coisa de dois meses, quando andei pela zona ardida junto à ETAR de Lever, em que aqui falei da rápida proliferação dos eucaliptos, não estava a querer acreditar no que me parecia estar a ver: jacintos-de-água no rio Douro. Mas era mesmo verdade, a poucos metros da barragem de Jancido-Lever/Crestuma (Jancido do lado do Gondomar, e Lever/Crestuma do lado de Gaia (duas freguesias que andaram sempre em guerra daí a barragem ser conhecida por dois nomes da mesma margem)  via alguns jacintos solitários pousados no rio. 


Ponte sobre o rio Douro (Auto-estrada CREP) vista de Pombal (Medas)
Já este ano os tinha visto em grande quantidade mais a norte até, no rio Cávado, mas no rio Douro nunca tinha visto nenhum, tanto que, quando há uns anos quis arranjar alguns (a planta está proibida de ser vendida, apesar de se encontrar à venda em alguns hortos) para servir de filtro natural e de comida para as minhas tartarugas exóticas, tive mesmo de me deslocar a Mira para apanhar alguns numa zona infestada.

E foi então que, por estes dias, descobri aquele que julgo ser o principal foco da rápida propagação. No lugar de Pombal da freguesia de Medas (em Gondomar) abrigados numa pequena marina de barcos que já por ali existe há uns trinta anos, estão ali ancorados já uma boa quantidade deles. 


Jacinto-de-água e Azola

Esta infestação é recente. Até fui pesquisar no Google Maps ver se, naquela zona eles já por ali estariam, mas não, a coisa foi recente. E das duas uma, ou vieram ali parar, vindos de outra zona de infestação, trazidos pelos barcos, ou então foram ali deixados por alguém que os quis propagar, e isso é ilegal, porque a planta tem estatuto de invasora, está proibida de ser comercializada e deixada em zonas da natureza onde possa causar invasão.


Junto com os jacintos aquáticos, vêem-se também outras plantas aquáticas como a lentilha-de-água e aquelas grandes manchas avermelhadas, o que me parece ser a azola, um género de feto aquático flutuante, também ela outra planta com estatuto de invasora exótica em Portugal.


Foi por ali também que consegui pela primeira vez fotografar um guarda-rios (Alcedo atthis), se é que se pode chamar fotografia ao que consegui, dada a distância que estava, mesmo com uma objetiva de 300mm. Conseguia vê-lo ao longe, de peixe no bico, a tentar engoli-lo. A qualidade é fraca, mas aqui fica:





Tendo tempo, quem sabe me vá por ali esconder, para conseguir melhores fotografias, daquele que é talvez o pássaro mais bonito da nossa fauna. Também vi uma garça-real, mas dessa não consegui fotografias.  

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pateira de Fermentelos

A última caminhada que fiz levou-me a Águeda para o percurso PR1 "da Pateira ao Águeda", e levou-me aquela que é, a Pateira (ou Pateira de Fermentelos) e eu nem fazia ideia, que é uma das maiores (senão mesmo a maior) lagoa natural da Península Ibérica, e que chega a atingir os 5Km quadrados. A lagoa que vista do Google Maps faz-me lembrar, claramente, o mapa de Itália mas em água!, e que como o nome indicia - Pateira - significa abundância de patos.




Ao ver a localização da lagoa no Google Maps, de imediato me fez lembrar do Mapa de Itália, tal e qual!





Trata-se de uma vasta área de água que como é lógico concentra em si uma grande quantidade de vida, daí ser um espaço de grande riqueza e importância a nível de fauna e flora, e por isso mesmo alvo de proteção nacional e internacional.





Devo dizer que gostei bastante do espaço. Muita passarada para observar de perto, com os binóculos ou para fotografar. Muitas espécies aquáticas para conhecer. Vários locais onde se pode relaxar, fazer desporto, caminhar, andar de bicicleta... Claro que há sempre coisas que se podem melhorar, mas o mais importante já o têm, que é a lagoa em si, agora basta preservá-la e proporcionar cada vez melhores condições a quem a visita.




Ao longo do percurso apercebi-me que existem diversos pontos de acesso ao trilho, nomeadamente o Parque de Lazer de Espinhel, mas este pode ser iniciado em qualquer ponto visto tratar-se de um percurso circular. No entanto, este começa, digamos que, oficialmente, no Parque de Lazer de Ois da Ribeira junto ao restaurante. 









Segundo o folheto do percurso ficamos a saber que o percurso pedestre desenvolve-se em espaço natural e semi-natural, por entre amieiros, freixos, carvalhos, loureiros, choupos, eucaliptos e que podem também ser observadas (entre outras) espécies como: a Garça vermelha, o Milhafre-preto, a Águia-sapeira, a Águia-de-asa-redonda, o Guarda-rios, o Perna-longa, o Pato-bravo e o Galeirão.


Apesar de no site da Câmara Municipal de Águeda nos informar da grande remoção que se fez da infestação de jacinto-aquático (Eichhornia crassipes) na verdade ele ainda se vê a infestar densamente algumas zonas, não deixando no entanto de dar um bonito colorido verde sobre as águas. Aliás, quando por ali cheguei, bem cedo, por entre a bruma que se fazia sentir, não sabia bem que pequenas manchas eram aquelas que via ao longe no leito da lagoa, e só quando a neblina se começou a dissipar é que pude perceber que se tratava de alguns jacintos aquáticos que por lá andavam a flutuar. E são várias as espécies de plantas aquáticas que podemos vislumbrar como a Erva pinheirinha, os Nenúfares ou Lírio-amarelo-dos-pântanos.



Mas os jacintos não são, infelizmente, a única invasora que podemos observar. Enquanto caminhava vi no trilho que parece que no inverno passado terá estado afogado uma vez que vi muitos jacintos a dois ou três metros de altura, secos, pendurados nos ramos das árvores, e vi no trilho, restos daquilo que me pareceu ser, claramente, um Lagostim-vermelho-do-Louisiana. Algumas pessoas mais velhas alvitravam que seria tudo menos isso, mas pesquisando nas diversas fontes oficiais confirma-se, que a lagoa está também infestada por este lagostim exótico invasor. Tal como também avistei, por exemplo, várias Hakea-picante uma pequena árvore também ela invasora.



Um local que muito me surpreendeu, e que fica a uma hora de distância de casa, e que certamente quererei voltar, munido de binóculos e máquina fotográfica para tranquilamente poder observar com mais calma e pormenor todo aquele imenso habitat aquático.