domingo, 8 de março de 2015

Parque Botânico do Castelo

Em Crestuma, a dois passos da barragem, e ao lado do Clube Náutico, fica situado mais um dos parques de Gaia, provavelmente o menos conhecido e visitado, mas nem por isso menos interessante. 


Tinha lá estado pela última vez há poucas semanas e a sensação com que se fica quando o atravessamos, principalmente quando passarmos a Casa da Eira e descemos para o rio, é estarmos num bosque encantado.

Entretanto estive lá hoje, munido da máquina fotográfica, mas como seria natural, todo aquele verde carregado, cheio de musgos e liquens já se está a começar a desvanecer, fruto do sol e do calor que já se tem feito sentir desde a última semana. 

O Parque Botânico do Castelo foi inaugurado há poucos anos, e quem o visita pode observar muita da nossa flora autóctone, tem ao ser dispor mesas para um bom repasto ou descanso, uma belíssima paisagem sobre o rio Douro, e ainda alguns vestígios arqueológicos para observar.

Parque Botânico do Castelo

À semelhança do Jardim das Virtudes ou do Parque de São Roque, este é outro espaço que se apresenta em socalcos, aconselhando-se calçado apropriado e alguma atenção, pois muitos dos acessos são feitos através de degraus escavados nas fragas. A primeira parte do percurso é feita sempre a subir até à Casa da Eira lá no alto, e depois continua-se, sempre a descer até chegarmos às traseiras do clube náutico e à pequena praia fluvial. 

Vamos então começar a visita, é sempre a subir até à Casa da Eira:

Início do percurso





Bancos e mesas para usufruir do espaço


Murta









Musgos nas fragas


Quase...



Casa da Eira

Chegado lá cima à Casa da Eira, podemos então observar alguns dos trabalhos de escavação arqueológica que têm sido desenvolvidos.




Escavação arqueológica delimitada





Sepultura Medieval


Sardanisca

Depois de descansar um pouco da subida, saciando a vista com a paisagem e lendo as informações disponibilizadas sobre a escavação arqueológica, é tempo de começar a descer encosta abaixo, pelas traseiras da Casa da Eira. E mal começamos a descer, encontramos logo um ponto de interesse. Um medronheiro imenso, cravado nas rochas. 


Medronheiro no meio dos penedos

Raízes do medronheiro


Gilbardeira




Madressilva



Musgo e Hera


Esporos de feto

Tronco de árvore a decorar o caminho



Liquens e umbigo de vénus




E está feita a visita. Um pequeno espaço, mas com enorme riqueza, uma espécie de bolha de espécies autóctones, sempre muito bem documentado, com placas informativas junto das árvores e arbustos.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Porto: Cidade das Camélias de 7 a 14 de Março





A Exposição de Camélias do Porto, que este ano celebra a sua vigésima edição, a 7 e 8 de março, no Mosteiro de S. Bento da Vitória, vai alargar o seu âmbito à cidade, com várias iniciativas que se prolongam até 14 de março, sempre tendo a camélia como mote.

O Porto sempre foi conhecido pelo seu forte apego às camélias, cuja espécie, originária do sudeste asiático e também conhecida por japoneira, é já considerada "património natural e cultural" da cidade.

Considerada por muitos como "a rainha das flores", foi a partir do Porto que a camélia partiu para conquistar todo o norte de Portugal e também a Galiza. Entre as quase 400 espécies de camélias exclusivamente portuguesas, há mesmo uma que, florindo no mês de março, tem ela própria o nome de "Cidade do Porto".

Esta estreita ligação entre o Porto e as camélias tem sido anualmente perpetrada com a organização de uma exposição que, em 2015, cumpre a sua vigésima edição, nos dias 7 e 8 de março. Mas este evento será apenas o ponto de partida de um intenso programa de ações e iniciativas que se estenderá a vários locais da cidade, até 14 de março.

O objetivo é convidar todos os que vivem ou visitam a cidade por esta altura a conhecerem mais de perto esta flor e a sua longa e estreita ligação com a cidade, num evento estruturante que inaugurará uma nova marca e identidade: "Porto. Cidade das Camélias", da autoria da STILL urban design.

MOSTEIRO DE S. BENTO DA VITÓRIA ACOLHE EXPOSIÇÃO

Organizada pela Câmara Municipal do Porto, através do seu Pelouro do Ambiente e da empresa municipal PortoLazer, em conjunto com a Associação Portuguesa das Camélias, a Exposição de Camélias do Porto terá este ano lugar, e pela primeira vez, nos Claustros do Mosteiro de S. Bento da Vitória.

Situado na Cordoaria, junto à Cadeia da Relação, é um dos edifícios religiosos mais importantes da cidade, estando classificado como Monumento Nacional desde 1977.

Com entrada livre, a XX Exposição de Camélias do Porto será inaugurada às 14h30 do dia 7 de março.

Para além do concurso que elege a Melhor Camélia e a Melhor Camélia de Origem Portuguesa, a exposição que se prolonga até domingo, 8 de março, inclui o tradicional mercado da camélia, uma exposição de trabalhos escolares subordinada aos 150 anos do Palácio de Cristal, Workshops que ensinam a identificar e cultivar camélias, mas também Oficinas onde as crianças podem aprender a desenhar, recortar, pintar e até a personalizar postais com as diferentes formas das camélias.
No sábado e domingo à tarde, haverá ainda teatro de sombras chinesas, na sala do Tribunal do Mosteiro, com uma história que narrará a chegada das camélias ao Porto, pela artista plástica Beniko Tanaka.

Durante os dois dias da exposição, a PortoLazer vai dinamizar várias iniciativas no exterior, entre performances de dança, espetáculos de novo circo, horas do conto, teatro de marionetas, leituras encenadas ou concertos de música, sempre com a camélia como pano de fundo.

Domingo, às 21h30, será celebrada uma missa na renovada Igreja dos Clérigos homenageando os padres José d'Almeida, Manoel Silvestre e António Cardoso dos Santos, criadores de algumas das mais belas Camélias Portuenses em meados do século XIX.

UMA SEMANA INTEIRA A CELEBRAR A CAMÉLIA

Mas a grande novidade deste ano é que o evento alargará o seu âmbito à cidade, prolongando-se por toda a semana, entre 9 e 14 de março. Envolvendo diferentes parceiros, o programa extraexposição incluiu mais de 30 iniciativas, todas de entrada gratuita, ainda que por vezes sujeitas a inscrição prévia e à lotação dos espaços onde se realizam.

Abrangendo todo o tipo de públicos, as atividades distribuem-se por locais como a Biblioteca Municipal Almeida Garrett, onde decorrerá a mostra documental "Porto. Cidade das Camélias", o Museu Nacional Soares dos Reis, que além do convite para visitar o jardim de camélias terá patente uma mostra de objetos para consumo de chá e uma exposição de pintura, mas também o Museu Romântico e da Macieirinha, a Fundação José Rodrigues, a Casa do Infante ou a Cooperativa Artística Árvore.

Além de um convite para acompanhar Germano Silva num "Passeio com Camélias por Fundo", o programa propõe visitas guiadas às camélias do Jardim Botânico do Porto, Parque de Serralves e ainda ao antigo Horto das Virtudes, onde o escritor Mário Cláudio recordará a história de José Marques Loureiro, famoso horticultor e colecionador de camélias, agraciado pela família Real e pelo Porto.
"Em torno das Camélias com um Porto" é o sugestivo tema da tertúlia agendada para 12 março no Instituto Vinho do Douro e Porto, com António Filipe, Eduarda Paz, Francisco Laranjo e Alberto Allen, onde estará também patente uma exposição aguarelas.

Sábado, 14 de março, a Igreja dos Clérigos abre as suas portas para a palestra "Para Além das Camélias", presidida pelo Padre Américo Aguiar e tendo como convidados a Coordenadora da Licenciatura em Auto-Conservação e Restauro da Universidade Católica do Porto, Maria Aguiar, e o professor da Universidade de Coimbra e mais prestigiado biólogo português, Jorge Paiva.

A fechar o programa da Semana da Camélia, o varandim da Torre dos Clérigos será palco do espetáculo "La Traviata de Verdi", baseado no romance "A Dama das Camélias" de Alexandre Dumas", numa readaptação pela Ópera de Bolso.



Retirado daqui.

domingo, 1 de março de 2015

À noite, todos os gatos são pardos - mesmo no rio!

Ontem, por volta das oito horas, caminhava pelo passadiço de Valbom, zona reabilitada nos últimos anos, por onde se pode passear à beira rio, correr, ou andar de bicicleta (apesar das marcas da ciclovia já terem desaparecido) zona que desagua junto ao Palácio do Freixo (falarei dele aqui brevemente), quando de repente, um barulho na água interrompe o silêncio. Que teria sido aquilo?

Passadiço de Valbom (2010) junto ao rio Douro
Olho rapidamente para o rio, e vejo aquilo que me parecia ser, à primeira vista sem grandes dúvidas - imagine-se! - um gato preto, que trepou para cima de um barco, que estava coberto com uma proteção de lona e a uns quatro ou cinco metros da margem, e que em movimentos muito rápidos, felinos pois claro, investigava o barco, como que se procurasse algo.

Nada deve ter encontrado, e então resolve atirar-se à água com enorme à vontade. "Mas espera lá" pensei. Os gatos não gostam nada de água! Não pode ser um gato preto! Mas aquele rabo farfalhudo, fazia mesmo lembrar um gato! Mas não podia ser, e afinal à noite, todos os gatos são pardos! Até uma lontra, ao longe, pode parecer um gato preto!

E só poderia ter sido uma lontra. Era até possível ver o arrasto das ondas que ia deixando atrás de si, e diga-se que aquele animal nada mesmo muito rapidamente!

Foi pena que não tivesse comigo a fiel amiga máquina fotográfica, que ao longe vê certamente melhor que eu, e que claro, poderia documentar o acontecimento. Mas agora que vi aquele espetáculo, por lá passarei mais vezes, ao princípio da noite, para quem sabe, e com um pouco de sorte, fotografar as lontras. 

A suposta lontra foi avistada a investigar um barco nesta zona (ao fundo o Palácio do Freixo)

Já há algum tempo que tinha lido, acerca do regresso das lontras no rio Douro, mas esta foi a primeira vez que me deparei com uma no seu habitat natural.

Terceiro compostor

Não há dois sem três.

Como aqui dei conta, recebi o primeiro compostor, oferta da LIPOR, há cerca de ano e meio. Entretanto consegui um segundo, porque estava ligeiramente danificado (se antigamente entregavam até três, agora só entregam um por habitação para tentar chegar ao maior número possível de pessoas) e esta semana, um casal, que estava a vender o seu num site de vendas na internet, acabaram por oferecer-mo pois como estavam a mudar de casa, não iriam ter lugar para ele. 

O compostor não estava a ser usado para o seu fim, e o senhor disse-me que "aquilo ainda dá algum trabalho, é preciso remexer e tal"e era unicamente casa de centenas de caracóis, que ali se escondiam. Removi montes deles para o meter na mala do carro, mas já em casa, ainda dei com uns quantos escondidos! Se por lá ficarem mais umas semanas, acabarão por certo no estômago das minhas tartarugas, que são grandes apreciadoras deste molusco devorador de plantas. 





Já tinha os dois compostores cheios (apesar do volume ir sempre abatendo constantemente e ser preciso reabastecer), e mais um, albergou já alguns materiais que tinha separado, e ainda outros restos de jardim que juntei hoje mesmo. No fundo, quantos mais compostores, mais se aproveita e menos se desperdiça. 

Já sabemos que a compostagem caseira não tem grandes segredos. Camadas de castanhos e verdes, ir mexendo para cozinhar bem, e deixar apodrecer. Eu comecei por cobrir o fundo do compostor com folhas de castanheiro que tinha guardado num saco.



Depois juntei restos de relva.




Nesta fase a camélia deixa cair imensas flores, e juntei quase uns 20L que também foram lá para dentro. 



Mais cascas de laranjas.




E muitas folhas de nespereira, secas, e algumas já meias apodrecidas que caíram durante todo o inverno.



Daqui por uns dias o volume irá abater e há que continuar a juntar mais restos de jardim, para depois aproveitar o composto orgânico já cozinhado. 



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Relvado queimado pela neve

Olho agora para o meu relvado, que ainda há dois meses estava impecável, imaculadamente verde, com alguma desilusão. Um inverno bastante rigoroso, aliado ao facto de ter cortado a sebe de escalónias, e que protegia também o relvado da geada/neve, teve como resultado, que tudo que era verde, transformou-se agora em castanho ou esbranquiçado.

Ainda por estes dias, e já depois das dez da manhã, olhava para as duas floreiras que tenho cheias de água (estiveram com plantas aquáticas) e fiquei espantado, como apesar de terem bastante água, aquela hora, ainda tinham uma enorme pedra de gelo à superfície.




O resultado está à vista, podendo-se ver o antes e o agora:




Resta-me esperar que as heras cresçam o máximo possível durante este ano, para que, vindo novo inverno gélido, o relvado possa voltar a estar mais protegido que este ano.
Entretanto lá para a primavera, espera-me muito trabalho. Escarificar manualmente, cortar, e trabalhar para que ele volte a ficar verdinho como antes.