segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Os Jardins, a Solidão e a Perda de Espaços Verdes na Cidade do Porto

 Excertos da reportagem do jornal Público de 18 de Fevereiro:

"Estudo realizado com mais de 600 residentes no Porto revela que viver muito perto de árvores pode ajudar a combater o isolamento. A biodiversidade também oferece um amortecedor contra a solidão.

Viver em zonas urbanas muito próximas de jardins ou bosques está associado a menores níveis de solidão, sugere um estudo liderado por investigadores portugueses. Este trabalho, publicado em Janeiro na revista científica Health & Place, envolveu mais de 600 adultos residentes no Porto e destaca a importância de criar (ou manter) espaços verdes de proximidade em regiões onde há maior concentração de idosos.

“Para cada aumento de um ponto no índice de vegetação, a pontuação média de solidão diminuiu cerca de 1,6 pontos”, lê-se no estudo. Este efeito esbate-se quando se alargam os limites de análise, o que sugere que a vegetação visível no quotidiano imediato tem um impacto emocional maior do que a natureza remota.


A presença de mais espécies de aves, répteis e anfíbios num raio de 300 a 500 metros também mostrou um efeito protector na população. Um aumento de apenas uma espécie nestes perímetros esteve associado a uma redução entre 0,5 e 0,6 pontos na escala de solidão.

Também por isso, a existência de espaços verdes próximos desempenha um papel relevante na saúde da população. “São espaços que promovem interacções sociais, actividade física e funcionam como um refúgio em termos de recuperação mental e emocional”, observa. Os jardins de proximidade também constituem, por serem mais frescos e ventilados, abrigos seguros durante ondas de calor.

A cidade do Porto oferece um caso exemplar para estudos deste género. Isto porque a quantidade de espaços verdes diminuiu ao longo das últimas décadas e os que existem não estão distribuídos de forma igual pela cidade, nota Ana Isabel Ribeiro.

A geógrafa recorda que as zonas mais desfavorecidas têm menos áreas verdes e de menor qualidade. Isso significa, na prática, maior exposição à solidão para quem já está à partida num contexto mais vulnerável. “Ter árvores, jardins e pequenas áreas verdes muito próximas de casa é essencial para promover saúde e bem-estar numa cidade envelhecida”, afirma Ana Isabel Ribeiro.

“A solidão é o resultado de vários factores, e um deles é o ambiente em que vivemos. Os espaços onde vivemos podem agravar a solidão ou podem atenuá-la. É essencial pensarmos em cidades que privilegiam interacções sociais, nomeadamente através dos espaços verdes”, conclui a médica.

A reportagem completa pode ser lida aqui

Esta reportagem foi também o tema do último programa "O amor é" da Antena 1 com Júlio Machado Vaz e Inês Menezes, intitulado: Podem os Jardins Combater a Solidão? 

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