domingo, 19 de agosto de 2018

Bicho-pau: Especialista em camuflagem (2)

Na parede branca da casa, e antes de começar a regar o jardim, deparo-me com este bicho-pau que, de vez em quando lá se começava a abanar, tal como se fosse um graveto ao vento e mudava de pose:






# Bicho-pau: Especialista em Camuflagem (1)

Metrosidero Três Anos Depois



Passaram agora três anos que trouxe este metrosidero de um ecoponto, deixado ao abandono para ir para o lixo. E três anos depois já está um senhor metrosidero, a aproximar-se dos dois metros de altura apesar de já lhe ter cortado as pontas. Foi esta a evolução:

Julho - Setembro - 2015

Julho 2016

Agosto - 2018
Não sei bem porquê mas este ano, ao contrário do ano passado, não deu flores. A minha explicação vai para a imensa geada que caiu no Inverno passado e que, queimou inclusive as extremidades, e poderá ter sido isso que tenha impedido a floração. 

Entretanto resta-me tentar vender ou trocar porque não tenho onde plantar uma árvore que desenvolve e cresce de forma impressionante. E o meu papel está cumprido. 

O Regresso da Rola Brava (2)


Ao longe percebi que era uma rola-brava (Streptopelia turtur) mas para ter a certeza fui buscar os binóculos. Confirmou-se, era mesmo uma rola-brava. Fui então buscar a máquina fotográfica (se fosse uma rola turca não me ia dar ao traablho) e fui-me aproximando. Estando em campo totalmente aberto, sem árvores que me protegessem, já sabia que não ia ser fácil aproximar-me sem que ela não voasse para longe mas lá consegui algumas imagens, até que, depois desta última fotografia, e ao tentar aproximar-me ainda mais um pouco, ela voou para longe. Mas fica o registo de uma espécie cada vez mais ameaçada.  

Aprender a Distinguir: Escalracho de Relva Santo Agostinho e Graminha Brasileira

Tenho visto uma confusão muito grande em relação aos nomes comuns, e mais uma vez o problema é em relação aos nomes comuns que as pessoas dão às diversas gramíneas que se usam para fazer relvados. E como sabemos só os nomes científicos é que identificam verdadeiramente uma planta. E um dos erros mais comuns que tenho visto é as pessoas darem o nome de escalracho à relva mais comum de jardim, a graminha Santo Agostinho. E o escalracho é uma erva diferente.

Aproveitando o facto de ter andado a fazer uma limpeza de ervas infestantes debaixo de uma laranjeira e que, infelizmente, está infestada de escalracho, resolvi tirar umas fotografias para que facilmente as pessoas possam perceber as diferenças e não se confundam na hora de comprar ou plantar no jardim.

O escalracho ou, como eu sempre ouvi chamar desde pequeno, o gramão é isto:



As guias do escalracho (de nome científico Panicum repens) são muito duras, com raízes muito profundas e a ponta e muito fininha, fazendo lembrar muito os novos rebentos do bambu (que também é uma gramínea). Observe-se com atenção para o crescimento aprumado das folhas, que na verdade assemelham-se muito a pequenas novas canas de bambu. E as folhas em si são muito estreitas:



Na imgem seguinte, podemos ver quão invasivo é o escalracho. Como as suas finíssimas raízes penetram nas mais estreitas fissuras e alastram com grande virgor. E esta é outra característica terrível do escalracho, as suas raízes são muito profundas o que torna muito complicado depois de se conseguir erradicar totalmente.Mas observe-se então como é a parte aérea do escalracho e em pormenor como são as folhas que têm um tom verde claro, quase a fugir para o azulado:



E agora vamos comparar o escalracho (Panicum repens) com a comum relva de jardim, a graminha Santo Agostinho (Stenotaphrum Secundatum) e prestar atenção nas diferenças.




Na graminha Santo Agostinho temos a mesma guia dura, mas veja-se como as folhas, que já são mais largas, nascem muito junto à base da guia, ao contrário do escalracho que, da guia-mãe, nascem novas guias que darão então origem a folhas.Veja-se o formato das folhas:


A graminha Santo Agostinho também possui boas raízes, que lhe permitem fixar-se muito bem ao solo e ser de facto muito resistente, mas, ao contrário do escalracho, não mergulha profundamente, e a sua remoção completa é muito fácil visto que não deixa partes da planta no subsolo que irão alastrar.

E comparemos agora as duas gramíneas anteriores com a graminha São Carlos, que vai sendo também cada vez mais usada nos jardins portugueses. 


A graminha São Carlos comummente designada por graminha brasileira tem o nome científico de Axonopus compressus. À primeira vista quase se pode confundir com a graminha Santo Agostinho, mas mais uma vez olhemos para as folhas e facilmente concluímos que são diferentes. 

As folhas da graminha brasileira são de um verde mais escuro, e são bem mais largas que as da graminha Santo Agostinho. Vejam na imagem, ambas, lado-a-dado:



E agora até podemos comparar a graminha brasileira com o escalracho:



Mais uma vez relembro que só o nome científico identifica as espécies. Mas é necessário dar os nomes comuns certos às espécies sob pena de nos andarmos a baralhar e a confundir espécies diferentes.

sábado, 18 de agosto de 2018

Papiro e Junça: Serão Familiares?

Foi já há alguns anos que arranjei papiros (Cyperus papyrus), no meu entender a planta palustre arbustiva mais bonita. Originária do Egito, onde cresce abundantemente ao longo do rio Nilo, com troncos triangulares que terminam naquela espécie de cabeleira de folhas fininhas e pêndulas. Podem alcançar vários metros de altura,  e foi, há já cerca de seis mil anos o percursor do papel. Era desta planta que se utilizava a matéria-prima para fazer, como o próprio nome indica, o papiro. 


É uma planta lindíssima, que pode ser plantada em lagos, ou em solos húmidos, ou em alternativa, como eu faço, que as mantenho em grandes recipientes sem furos, precisamente para sustentar a água.





Mas entretanto comecei a observar uma outra planta, que à partida não teria nada que ver com este papiro, a muito conhecida junça (tiriria no Brasil) que infesta campos de cultivo de forma extremamente agressiva e quase impossível de erradicar. Mas prestando atenção, comecei a achar que aquelas espigas de sementes muito semelhantes.

E comecei a pesquiar o assunto e a descobrir coisas interessantíssimas!

Então não é que a junça era utilizada no fabrico de móveis nomeadamente de assentos de cadeiras? E os seus tubérculos são comestíveis e sabem a nozes? E que em Espanha (onde é muito cultivada) utilizam o tubérculo para fazer um refresco chamado chufa (o nome que se dá ao tubérculo)?
E a junça é também ela uma planta medicinal usada para problemas de estômago. Bem, certamente que não há razões para que ninguém sofra do estômago à quantidade de junça que há um pouco por todo o lado!

Mais importante ainda, é saber que da junça podemos fazer uma hormona de enraizamento caseira, para que as estacas que queremos propagar, principalmente aquelas mais difíceis de pegar, possam ter uma melhor taxa de sucesso.

Mas será então que a junça é parente do papiro?
Sim! Se o papiro tem o nome científico Cyperus papyrus, a junça tem o nome científico Cyperus esculentus o que significa que partilham o mesmo género! Ou seja, se duas plantas, aparentemente partilham determinadas caracterísiticas, então é muito provável que sejam mesmo familiares.


Ainda assim fica o conselho, não plantem junça em casa, pois não tenho dúvidas que depois se irão arrepender seriamente.