Uma das regras básicas em jardinagem é nunca comprar uma planta sem a conhecermos minimamente. Há alguns anos, ainda eu não me tinha dedicado verdadeiramente a cuidar do meu terreno, a minha mãe pediu-me para plantar algumas plantas que tinha comprado porque achava-as bonitas, e que iriam embelezar o espaço. Mas mais tarde percebi, que ela não fazia a mínima ideia do que tinha trazido para casa!
De uma dessas plantas eu só sabia uma coisa: picava que se fartava! Entretanto há poucos anos comecei a fazer umas renovações no terreno (ainda não se podia chamar jardim!) e tratei de pesquisar acerca daquela planta em particular. Ora aquela planta que a ingénua da minha mãe pensava que seria uma espécie de cato, mais não era que uma árvore que pode crescer até aos quarenta metros de altura!
De seu nome Araucária-do-Chile (Araucaria araucana) é uma árvore de crescimento lento - certamente o motivo porque são plantas bastante caras nas grandes superfícies - e que não devia ter sido plantada no sítio em que estava. Então resolvi na altura retirar a árvore da terra e colocá-la num vaso grande onde esteve até hoje.
Há já algum tempo que sabia que a tinha de tirar daquele vaso, pois estava a crescer, e as raízes já deveriam ter ocupado completamente o vaso e iria ser uma enorme chatice tirá-la pois o vaso é em cimento e é pesadíssimo, só a muito esforço é possível arrastá-lo.
 |
| Araucária-do-Chile (Araucaria araucana) |
A minha ideia inicial seria tentar retirar ao máximo a árvore com o torrão intacto, caso não fosse possível, provocar como é lógico o menos danos possíveis. E decidi-me fazê-lo hoje, porque entrou o outono, as temperaturas desceram e a partir de amanhã, choverá durante muitos dias seguidos, e usando o senso comum parece-me que isso é bastante favorável para a árvore. Mas isto é puro senso comum, pouco sei acerca da tolerância destas árvores ao transplante.
Para começar o trabalho, proteger as mãos, isto se não quisesse ficar com as mãos todas picadas das agulhas das folhas que fazem logo sangue mal se toca! E ter a consciência que a segurança está em primeiro lugar. O vaso como já referi é pesadíssimo, qualquer pequena distração pode tombar em cima de um pé e é uma chatice, ou então fazermos um esforço numa posição incorreta e darmos cabo das costas. Trabalhar com calma e com muita paciência era o que tinha em mente.
A primeira coisa a fazer é descolar a terra das paredes do vaso, e para isso, e não arranjando nada mais apropriado, servi-me de uma verguinha de ferro que tinha e de um martelo, e encostava a verguinha ao vaso e martelava até chegar ao fundo e fui repetindo o processo ao longo de todo o perímetro do vaso.
Seguidamente tinha que tombar o vaso e ir tentando soltar o torrão abanando o vaso tentando como é óbvio não destruir o torrão todo! Como o vaso é muito pesado, coloquei uns troncos para o calçar, porque acho que se tombasse totalmente no chão já não teria força para o levantar de novo! De referir que estava sozinho e não tinha a ajuda de ninguém!
Quase duas horas depois, e depois de não sei quantas espetadelas e cortes nos braços consegui finalmente soltar o torrão. O fundo não descolou totalmente, as raízes já estavam demasiadamente fixadas no cimento, e a terra do fundo estava muito dura. Espero que a árvore não tenha sofrido muito e vamos ver agora se consegue sobreviver.
Acabei por colocá-la para já num velho recipiente plástico, deve levar 80/90L, bem maior do que o espaço onde estava e agora é esperar que corra tudo bem.