No último dia do ano decidi arrancar parte de uma roselha que estava morta e plantar ali outra coisa qualquer que se pudesse dar bem. Dei uma volta cá por casa para dar uma vista de olhos nas muitas plantas que tenho e, ainda pensei em plantar um cato, mas depois pensei que vai apanhar alguma sombra da romazeira e não seria a opção mais apropriada.
Pensei depois em plantar uma hortênsia, afinal elas gostam de sombra... Mas depois resolvi-me a plantar um bonito vaso que tenho de gilbardeira fêmea, que dá aquelas bonitas bolinhas vermelhas.
Primeiro Domingo de Março, ainda em confinamento. Almocei e decidi ir dar caminhada pelo monte junto ao rio, a começar junto ao Campidouro (parque de campismo local) e embrenhar-me nos estradões cobertos de mimosas e eucaliptos. Por ali cheguei, várias vezes a andar de bicicleta e sei que por ali se encontram algumas plantas autóctone como gilbardeiras e pilriteiros, por exemplo, que resistem à pressão das exóticas invasoras.
Da caminhada surpreendeu-me o estrangulamento que um enfurecido sobreiro fazia a um eucalipto, um autêntico mata-leão!
Mas reparei também nos muitos cardos (Galactites tomentosa) que cresciam num bocado de terreno baldio que outrora foi terreno de cultivo, nas minhas sargacinhas, cheias de flores azuis, e pensei, quando vi imensas bordas de sargaços, que plantados e podados nos nossos jardins davam belas bordaduras!
E foi isto. Por entre uma selva de austrálias, mimosas e eucaliptos ainda se vislumbram algumas poucas autóctones.
Bagas de gilbardeiras que caíram e estavam todas germinadas. Vou pegar nelas e colocar numa bordadua que fiz em volta das paletes de compostagem, porque é uma zona sombreada e as gildardeiras gostam mais de sombra ou meia-sombra. Não são lindos estes bebés?
Existem plantas que temos em casa e que por vezes mais parecem uma peça de mobília que já mudamos de sítio várias vezes e que ainda não encontramos o sítio certo para ela. É o que se passa com uma Cyca que tenho, e que já esteve nos mais variados sítios, e que hoje coloquei na zona das tartarugas, e espero que agora ali fique definitivamente!
Já esteve na frente da casa, quase moribunda, creio que porque tinha pequena cova com pedras em volta, onde acumulava água das chuvas, e estas plantas não toleram muito bem o encharcamento, nem as geadas, e a frente da minha casa, virada a sul, é muito exposta às geadas. Esteve quase morta, só com duas folhas (como se vê na imagem) pois cortei todas as outras que estavam a secar, e remexi a terra em volta, acrescentei areia e fiz uma espécie de montinho para a água escorrer e não acumular. E tive sucesso, pois aos poucos a planta recuperou e regenerou-se.
Cyca a definhar em Fev 2011
A Cyca (Cyca revoluta) é uma planta quase semelhante a uma pequena palmeira, de folha persistente, com tronco direito e sem ramificações, e que poderá atingir os três ou quatro metros de altura. Depois na base do tronco nascerão filhotes e que podem ser retirados como forma mais prática para propagar a planta. A planta, que pode ser masculina ou feminina, só dá uma nova rodada de folhas por ano, e as folhas velhas não devem ser cortadas antes de nasceram as novas, pois esse procedimento irá enfraquecer a planta.
É considerada um fóssil vivo, pois as suas caraterísitcas mantêm-se inalteradas desde o tempo dos dinossauros (era Mesozóica há 200 milhões de anos). É uma planta originária da China e Japão, de crescimento muito lento, e como tal, logicamente que quanto maior for a planta, maior valor tem.
Nova rodada de folhas
Tendo já em mente a colocação de relva, o que se vê na imagem ainda é o "ervado", achei que aquele não seria o sítio para esta planta e tratei então de a arrancar, cobrir o buraco para a tarefa de plantar posteriormente a relva.
Janeiro 2013
Retirei a planta e coloquei-a num grande recipiente, provisoriamente, até ver onde a colocaria depois.
Mas este ainda não foi o seu último sítio! Ainda a mudei novamente, para um vaso em cimento, bastante decorativo, e ali a deixei até hoje, dia em que resolvi mudá-la para o espaço das tartarugas, porque já me parecia que não teria mais terra para se alimentar, e foi o que pude comprovar quando a arranquei.
Setembro 2013
No espaço das tartarugas onde plantei a cyca, tinha ali uma gilbardeira fêmea, que plantei há ano e meio para substituir uma outra gilbardeira macho, mas enorme, cresceu demasiado (nunca vi nenhuma daquele tamanho) e por outro lado, uma tartaruga gostava de a trepar e depois mandar-se lá de cima, o que não era nada boa ideia.
Arranquei então a gilbardeira, e coloquei num vaso a aguardar novo sítio, e lá coloquei a cyca, esperemos que definitivamente.
No fundo da cova coloquei bastante composto orgânico proveniente da compostagem, e depois acrescentei alguma da terra que saiu e cobri com a areia para ficar com um aspeto uniforme,.
As raízes já ocupavam totalmente o espaço do vaso
A gilbardeira que retirei
Cyca acabada de plantar
Vista geral do espaço
E fico assim um espaço todo ele exótico, desde as tartarugas às plantas. Um cato Cereus - que está enorme - as plantas aquáticas para servir de alimentação e filtragem natural, a relva também ela exótica, a e agora uma Cyca revoluta! Esperemos é que se dê bem ali, vai apanhar bastante sol, tenho ideia que se darão melhor a meia sombra, mas vamos ver.
Em Crestuma, a dois passos da barragem, e ao lado do Clube Náutico, fica situado mais um dos parques de Gaia, provavelmente o menos conhecido e visitado, mas nem por isso menos interessante.
Tinha lá estado pela última vez há poucas semanas e a sensação com que se fica quando o atravessamos, principalmente quando passarmos a Casa da Eira e descemos para o rio, é estarmos num bosque encantado.
Entretanto estive lá hoje, munido da máquina fotográfica, mas como seria natural, todo aquele verde carregado, cheio de musgos e liquens já se está a começar a desvanecer, fruto do sol e do calor que já se tem feito sentir desde a última semana.
O Parque Botânico do Castelo foi inaugurado há poucos anos, e quem o visita pode observar muita da nossa flora autóctone, tem ao ser dispor mesas para um bom repasto ou descanso, uma belíssima paisagem sobre o rio Douro, e ainda alguns vestígios arqueológicos para observar.
Parque Botânico do Castelo
À semelhança do Jardim das Virtudes ou do Parque de São Roque, este é outro espaço que se apresenta em socalcos, aconselhando-se calçado apropriado e alguma atenção, pois muitos dos acessos são feitos através de degraus escavados nas fragas. A primeira parte do percurso é feita sempre a subir até à Casa da Eira lá no alto, e depois continua-se, sempre a descer até chegarmos às traseiras do clube náutico e à pequena praia fluvial.
Vamos então começar a visita, é sempre a subir até à Casa da Eira:
Início do percurso
Bancos e mesas para usufruir do espaço
Murta
Musgos nas fragas
Quase...
Casa da Eira
Chegado lá cima à Casa da Eira, podemos então observar alguns dos trabalhos de escavação arqueológica que têm sido desenvolvidos.
Escavação arqueológica delimitada
Sepultura Medieval
Sardanisca
Depois de descansar um pouco da subida, saciando a vista com a paisagem e lendo as informações disponibilizadas sobre a escavação arqueológica, é tempo de começar a descer encosta abaixo, pelas traseiras da Casa da Eira. E mal começamos a descer, encontramos logo um ponto de interesse. Um medronheiro imenso, cravado nas rochas.
Medronheiro no meio dos penedos
Raízes do medronheiro
Gilbardeira
Madressilva
Musgo e Hera
Esporos de feto
Tronco de árvore a decorar o caminho
Liquens e umbigo de vénus
E está feita a visita. Um pequeno espaço, mas com enorme riqueza, uma espécie de bolha de espécies autóctones, sempre muito bem documentado, com placas informativas junto das árvores e arbustos.