domingo, 20 de novembro de 2016

Porque racham as romãs?

Por estes dias observava, fascinado, as primeiras romãs da minha romãzeira. Uns frutos quase pareceram ter crescido aos pares, e uns cresceram muito ao passo que outros ficaram bem mais pequenos. E um grande fruto (como é normal acontecer com as romãs) estava completamente rachado ao dependuro, ficando quase só uma espécie de tampa agarrada ao ramo que suportava o fruto, como que convidando toda a gente para provar do fruto (sementes) saboroso. 


E isto fez-me transportar no tempo e lembrar que, certa vez, um professor deu-me boleia no seu Renault 4L e tinha em cima do tablier, como que a servir de decoração, várias romãs de tamanho médio, e pareciam quatro autênticas bolas de madeira! Olhar para as minhas primeiras romãs todas rachadas, completou essa informação das romãs em cima do tablier, que mais pareciam quatro bolas de madeira. 

As plantas dão flores mas não é para agradar aos olhos dos humanos, ou porque são seres vivos verdadeiramente altruístas e dão alimento gratuito aos insetos que se alimentam do pólen ou dos animais que se alimentam dos seus frutos. Não há flores, frutos nem pólenes grátis. Tudo está inserido numa perfeita cadeia que cumpre uma missão.   

A romã dá os seus preciosos frutos, que guardam as suas saborosas sementes, porque o arbusto ou pequena árvore quer-se propagar. E lá está, se os frutos não rachassem, cairiam ao chão e ficariam as tais bolas duras, que impediriam a dispersão das sementes. Então a árvore arquitetou esta brilhante estratégia de abrir os frutos, e envolver as sementes de uma polpa saborosíssima que atrai todo de aves, sem falar, é claro, em nós humanos!



E se as romãs começam a rachar significa que os frutos estão maduros. E é provavelmente graças a esta estratégia, que a romã se dispersou pelo mundo graças aos pássaros. Eu bem vi muitas vezes ali, os pássaros, alguns piscos de volta das romãs abertas. E eu dividi, mais ou menos irmamente, pois retirei a parte maior para mim (também sou maior não é?) e deixei a pequena tampa para os pássaros!

E os frutos são de facto muito saborosos, mas da forma como as sementes estão projetadas, os pássaros só têm mesmo é de comer a saborosa polpa com semente e tudo (tal como nós comemos os maracujás por exemplo!) e mais tarde, sabe-se lá quantos quilómetros depois, libertam-nas e estas tentarão a sua sorte onde forem aterrar. 

A romãzeira é originária da Ásia e mais tarde difundida pelos países do Mediterrâneo. E foram, por exemplo, encontradas romãs em túmulos egípcios que datam de há 4500 anos. E os árabes, que apreciavam muito a romã, introduziram-na também em Espanha, e não é à toa que Granada significa romã em espanhol.

Do muito simbolismo associado à árvore e ao fruto, está desde logo a fecundidade. No que se refere às propriedades medicinais, o fruto é usado como adstringente e vermífugo. 

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