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Não existem no Porto, jardins como estes. Autêntica maravilha, que poucos conhecem e raros notam, suspenso sobre o Douro, num dos sítios privilegiados do Porto. Belo, quase bárbaro, mais rude que harmonioso é (...) um autêntico museu ao ar livre (...) onde estão recolhidas as antigas fontes e chafarizes da cidade (...)" Germano Silva
Estou em crer que os Jardins Nova Sintra serão, por diferentes motivos, pouco conhecidos da grande generalidade dos portuenses, e por esse motivo terão poucas visitas, como pude constatar das vezes que lá estive recentemente. Desde logo devido à sua localização, porque apesar da vista privilegiada sobre o rio Douro, fica delimitado e sem acesso a sul pela linha férrea que desagua na Ponte São João, e a oeste delimitado pelo cemitério do Prado do Repouso. Além disso está situado numa zona bastante desertificada e pouco atrativa, onde o maior movimento de juventude, serão as salas de ensaio do centro comercial STOP situado na Rua do Heroísmo. Outro dos motivos será o próprio desconhecimento, pois na verdade o espaço foi aberto ao público há poucos anos e está inclusive fechado ao fim-de-semana, sendo só visitável (nesses dois dias) com prévia marcação por escrito e respetiva autorização.
Este espaço, antiga Quinta da Nova Sintra, era propriedade de uma antiga família inglesa, os Wright, que a venderam à Câmara Municipal do Porto em 1932, e onde a Câmara instalou os serviços municipalizados e onde estão hoje os SMAS. Por esse motivo, à entrada, na portaria, é pedida a identificação aos visitantes e estes devem-se fazer acompanhar, durante a visita, por um cartão identificativo.
Este parque situa-se ao fundo da Rua do Barão de Nova Sintra (José Guimarães), destacado capitalista e filantropo que fez fortuna no Brasil, e após vários anos a viver pela Europa, e de ter morado seis anos em Lisboa, se instalou no Porto.
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Vista da Rua do Barão de Nova Sintra para o Torreão-cisterna |
O parque é um espaço bucólico por excelência, e funciona quase como museu ao ar livre e onde podemos encontrar imensos pedaços de história da cidade do Porto, nomeadamente a história de muitas fontes e chafarizes que ali estão expostas, e que foram retiradas, quando a partir de 1875 a água canalizada foi levada ao domicílio e progressivamente as fontes e chafarizes foram sendo desmantelados.
Apesar de situado na segunda maior cidade do país, por estar afastado de ruas movimentadas, se fecharmos os olhos ao percorrer os jardins, apenas vamos ouvir o som dos pássaros, e quanto muito, o som de algum comboio a passar ao longe.
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Mapa do percuso (SMAS) (editado por mim) |
Logo à entrada está o primeiro de muitos elementos históricos que iremos encontrar ao longo do percurso principal, assinalado a vermelho acima no mapa. Trata-se do Medalhão da Fonte de São Domingos (1850).
O Medalhão encontra-se neste jardim desde 1922, data em que a fonte foi desmontada.
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1 - Medalhão da Fonte de São Domingos (1850) |
Logo ao lado, encontramos um segundo elemento, neste caso um brasão e várias árvores, com destaque agora no inverno, para as japoneiras em flor. Ao fundo já se avista o Torreão-cisterna.
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2 - Brasão |
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Japoneira em flor |
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Flor de japoneira |
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Torreão-cisterna |
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4 - Fonte de Cedofeita (1826)
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Caminho com bordadura em agapantos (Agapanthus africanus) |
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18 - Brasão da Fonte da Rua D. Pedro V |
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19 - Universo (obra em bronze de Irene Vilar 1987) |
Por trás da antiga casa da quinta existe um jardim formal (bastante descuidado) com um chafariz originário do local, ao qual foi dado o nome de Fonte dos Passarinhos pelos trabalhadores dos SMAS, por ser poiso habitual da passarada.
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17 - Fonte dos Passarinhos |
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Cedros-do-japão (Cryptomeria japonica elegans) |
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5 - Fonte da Rua Fontinha |
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15 - Chafariz do Convento de Ave Maria (1528) |
Este chafariz fazia parte do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, que foi demolido em 1895, para construir a atual Estação de São Bento situada na baixa da cidade.
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11 - Arca de Água de Santo Isidro |
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A Água saía pela carranca em granito e caía numa pia em forma de concha |
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12 - Arca do Anjo 1893 (Construída no extinto Mercado do Anjo atual Shopping dos Clérigos |
Depois destas Arcas do Anjo e Santo Isidro inicia-se o percurso completar, assinalada a laranja no mapa, uma espécie de mata, e no meio do arvoredo, destacam-se enormes eucaliptos que inundam o chão das suas cascas e ramos que se desprendem.
Depois de fazer o percurso complementar, inicia-se, a sul do parque, o designado percurso panorâmico com vista para o rio Douro, ponte do Freixo, praia do Areinho e linha do comboio. Ao longo deste percurso existem vários sítios onde sentar e lanchar, ou simplesmente usufruir do espaço.
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Vista sobre o rio, ponte do Freixo e praia do Areinho |


Ficaram ainda alguns elementos por descrever porque não tirei fotografias para poder ilustrar, mas numa próxima visita depois completarei este artigo. É um espaço que, sem dúvida, merece uma visita, quer por parte de quem vive na cidade, e serão muitos que o desconhecerão, como por parte de quem chega e a vem conhecer a cidade. Pena é que, fruto da crise ou não , grande parte do espaço esteja bastante descuidado, e nas várias pesquisas que fiz para recolher algumas informações, pude ver fotografias do espaço em 2006 muito bem cuidado, e infelizmente não é o que se passa quando por este dias o visitei. Desde ervas daninhas por arrancar, a arbustos do jardim formal por podar, a um quase total abandono na zona da mata, com cascas e ramos caídos dos gigantes eucaliptos, há um pouco de tudo, que não dignificam este jardim.
Os Jardins de Nova Sintra são visitáveis de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h30 (encerrado ao fim de semana) e têm acesso gratuito.