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domingo, 26 de janeiro de 2014

Jardins de Nova Sintra

"Não existem no Porto, jardins como estes. Autêntica maravilha, que poucos conhecem e raros notam, suspenso sobre o Douro, num dos sítios privilegiados do Porto. Belo, quase bárbaro, mais rude que harmonioso é (...) um autêntico museu ao ar livre (...) onde estão recolhidas as antigas fontes e chafarizes da cidade (...)" Germano Silva


Estou em crer que os Jardins Nova Sintra serão, por diferentes motivos, pouco conhecidos da grande generalidade dos portuenses, e por esse motivo terão poucas visitas, como pude constatar das vezes que lá estive recentemente. Desde logo devido à sua localização, porque apesar da vista privilegiada sobre o rio Douro, fica delimitado e sem acesso a sul pela linha férrea que desagua na Ponte São João, e a oeste delimitado pelo cemitério do Prado do Repouso. Além disso está situado numa zona bastante desertificada e pouco atrativa, onde o maior movimento de juventude, serão as salas de ensaio do centro comercial STOP situado na Rua do Heroísmo. Outro dos motivos será o próprio desconhecimento, pois na verdade o espaço foi aberto ao público há poucos anos e está inclusive fechado ao fim-de-semana, sendo só visitável (nesses dois dias) com prévia marcação por escrito e respetiva autorização. 

Este espaço, antiga Quinta da Nova Sintra, era propriedade de uma antiga família inglesa, os Wright, que a venderam à Câmara Municipal do Porto em 1932, e onde a Câmara instalou os serviços municipalizados e onde estão hoje os SMAS. Por esse motivo, à entrada, na portaria, é pedida a identificação aos visitantes e estes devem-se fazer acompanhar, durante a visita, por um cartão identificativo.

Este parque situa-se ao fundo da Rua do Barão de Nova Sintra (José Guimarães), destacado capitalista e filantropo que fez fortuna no Brasil, e após vários anos a viver pela Europa, e de ter morado seis anos em Lisboa, se instalou no Porto.

Vista da Rua do Barão de Nova Sintra para o Torreão-cisterna

O parque é um espaço bucólico por excelência, e funciona quase como museu ao ar livre e onde podemos encontrar imensos pedaços de história da cidade do Porto, nomeadamente a história de muitas fontes e chafarizes que ali estão expostas, e que foram retiradas, quando a partir de 1875 a água canalizada foi levada ao domicílio e progressivamente as fontes e chafarizes foram sendo desmantelados.
Apesar de situado na segunda maior cidade do país, por estar afastado de ruas movimentadas, se fecharmos os olhos ao percorrer os jardins, apenas vamos ouvir o som dos pássaros, e quanto muito, o som de algum comboio a passar ao longe.


Mapa do percuso (SMAS) (editado por mim)


Logo à entrada está o primeiro de muitos elementos históricos que iremos encontrar ao longo do percurso principal, assinalado a vermelho acima no mapa. Trata-se do Medalhão da Fonte de São Domingos (1850).
O Medalhão encontra-se neste jardim desde 1922, data em que a fonte foi desmontada.

1 - Medalhão da Fonte de São Domingos (1850)


Logo ao lado, encontramos um segundo elemento, neste caso um brasão e várias árvores, com destaque agora no inverno, para as japoneiras em flor. Ao fundo já se avista o Torreão-cisterna.

2 - Brasão

Japoneira em flor

Flor de japoneira

Torreão-cisterna


4 - Fonte de Cedofeita (1826)

Caminho com bordadura em agapantos (Agapanthus africanus)



18 - Brasão da Fonte da Rua D. Pedro V
19 - Universo (obra em bronze de Irene Vilar 1987)

Por trás da antiga casa da quinta existe um jardim formal (bastante descuidado) com um chafariz originário do local, ao qual foi dado o nome de Fonte dos Passarinhos pelos trabalhadores dos SMAS, por ser poiso habitual da passarada.

17 - Fonte dos Passarinhos


Cedros-do-japão (Cryptomeria japonica elegans)


5 - Fonte da Rua Fontinha

15 - Chafariz do Convento de Ave Maria (1528)
Este chafariz fazia parte do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, que foi demolido em 1895, para construir a atual Estação de São Bento situada na baixa da cidade.



11 - Arca de Água de Santo Isidro
A Água saía pela carranca em granito e caía numa pia em forma de concha

12 - Arca do Anjo 1893 (Construída no extinto Mercado do Anjo atual Shopping dos Clérigos 

Depois destas Arcas do Anjo e Santo Isidro inicia-se o percurso completar, assinalada a laranja no mapa, uma espécie de mata, e no meio do arvoredo, destacam-se enormes eucaliptos que inundam o chão das suas cascas e ramos que se desprendem. 




Depois de fazer o percurso complementar, inicia-se, a sul do parque, o designado percurso panorâmico com vista para o rio Douro, ponte do Freixo, praia do Areinho e linha do comboio. Ao longo deste percurso existem vários sítios onde sentar e lanchar, ou simplesmente usufruir do espaço.

Vista sobre o rio, ponte do Freixo e praia do Areinho



Ficaram ainda alguns elementos por descrever porque não tirei fotografias para poder ilustrar, mas numa próxima visita depois completarei este artigo. É um espaço que, sem dúvida, merece uma visita, quer por parte de quem vive na cidade, e serão muitos que o desconhecerão, como por parte de quem chega e a vem conhecer a cidade. Pena é que, fruto da crise ou não , grande parte do espaço esteja bastante descuidado, e nas várias pesquisas que fiz para recolher algumas informações, pude ver fotografias do espaço em 2006 muito bem cuidado, e infelizmente não é o que se passa quando por este dias o visitei. Desde ervas daninhas por arrancar, a arbustos do jardim formal por podar, a um quase total abandono na zona da mata, com cascas e ramos caídos dos gigantes eucaliptos, há um pouco de tudo, que não dignificam este jardim.

Os Jardins de Nova Sintra são visitáveis de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h30 (encerrado ao fim de semana) e têm acesso gratuito.