Recentemente passei a treinar num antiga escola primária que entretanto foi encerrada por causa de não cumprir um limite mínimo de alunos. E uma das primeiras coisas que me chamou logo a atenção na escola foi o pinheiro-manso centenário, mesmo ao lado da escola, que exibe boa envergadura.
E um dos meus colegas, sabendo da minha ligação à natureza, um destes dias guardou uma pinha que tinha caído, e quando esteve comigo entregou-ma ainda com os frutos intactos.
Aqui a norte é cada vez mais raro encontrar pinheiros-mansos. O pinheiro-manso era usado para lhe extraírem a resina, para ser usado na construção de móveis, na gastronomia (os pinhões têm alto valor) e até como planta medicinal. Mas entraram em declínio, não sei ao certo, mas estou em crer que, devido ao seu crescimento muito lento, bem mais lento que o pinheiro-bravo, que por sua vez é bem mais lento que o eucalipto, e certamente que isso explica o porquê da invasão do eucalipto pela indústria do papel.


Trouxe então a pinha de pinheiro-manso para casa e comecei a retirar todos os seus valiosíssimo frutos que lhe estavam agarrados. Contei cerca de cinquenta. Entretanto o que fazer? Não!, não os comi! Guardei-os e entretanto trouxe do trabalho umas quantas garrafas plásticas de litro e meio, e fiz uma sementeira! Claro que não os vou poder plantar no meu terreno, mas isso fica para depois. Se germinarem vinte ou trinta (não faço ideia qual é a taxa de germinação) são vinte ou trinta futuras árvores, pois posso doá-las ou plantá-las em alguns terrenos baldios.
E é nisto que as pessoas e os governos e as câmaras municipais não pensam. O pinhal de Leiria foi vítima de um crime e ardeu completamente. Bem o vi este verão quando por lá passei para ir à praia. No entanto o que é que está a ser feito? Se cada português, todos os anos enterrasse cinquenta sementes (que não é nada!) ao fim de um ano seriam cinquenta milhões de novas árvores que iriam crescem. Mas alguém faz alguma coisa? Que eu saiba, muito pouco. E depois os jovens fazem greve pelo clima, culpam os governos, mas afinal o que é que eles fazem pelo planeta? Nada. É pena, porque o futuro é dos jovens, não de nós que já temos alguns cabelos brancos.
E o resultado para já é este, quatorze sementes de pinheiro-manso enfiadas na terra. Veremos se e quando começarão a germinar.