sábado, 26 de agosto de 2017

Eucaliptos: um ano depois do incêndio

Há um ano, como aqui mostrei, ocorreu um incêndio junto da barragem de Lever e tudo ficou queimado e preto, mas poucas semanas depois, já milhares de sementes tinham germinado. Um ano depois, o cenário é este:


Atente-se na diferença, dois meses depois as sementes germinaram e já estavam com um tamanho entre 5 e 10 centímetros:


E um ano depois do incêndio, as pequenas plantas estão agora com cerca metro e meio de altura:



E é este o cenário um ano depois de um incêndio. Corta-se alguma madeira queimada para fazer algum dinheiro, as sementes do eucalipto dispersam-se e novos eucaliptos tomarão conta de tudo, e ficam assim os terrenos ao abandono. Nada se limpa, tudo fica na paz do Senhor. Até ao próximo incêndio.

# Eucalipto: resistência e disseminação pós incêndio



4 comentários:

  1. Doí-me e indigna-me demais ver isto Konigvs, será talvez um caso único na Europa, um país que substituiu a maioria da sua floresta autóctone (e assim todo o ecossistema e possibilidade que vinham com ele) por fábricas in situ de papel...felizmente moro numa zona que fustigada como todas as outras por fogos, ainda têm bastantes exemplares de carvalhos portugueses, azinheiras, sobreiros, um ou outro freixo, medronhais etc, os eucaliptos por la andam mas em menor quantidade que as autóctones e sem causar grande mal; penso ser esta parte da solução, para além da gestão e ordenamento territorial, a criação de florestas mistas ou de corredores autóctones entre os eucaliptais (por cada 10 hectares de eucaliptal, 1 ou 2 de floresta autóctone)É sempre um prazer perdermo-nos nesses poucos locais semi virgens e absorver os cheiros, sons a historia dos locais, é afinal de contas o nosso património natural e que faz parte de nós mesmos e da nossa cultura que dele brota

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    1. Olá boa noite,
      Dói mesmo. É um completo absurdo que os nossos políticos tenham destruído a nossa floresta e hipotecado o futuro cedendo aos interesses da indústria da pasta de papel. É uma desolação completa caminhar por um eucaliptal, que tudo desertifica.
      Vou-lhe contar uma história. O namorado de um amigo de uma amiga minha, arquiteto romeno que vive em Londres, esteve cá em Portugal este verão pela primeira vez. E eles foram com ele ao Bussaco de carro, e na viagem ele mostrava-se muito surpreendido com aquelas árvores que nunca tinha visto na Europa e queria saber que árvores eram! A minha amiga e o amigo português, que também vive em Londres, e ambos falam muito bem inglês, creio que não lhe souberam dizer eucalipto em inglês, mas disseram-lhe que era a árvore dos Koalas! O homem nunca tinha visto eucaliptos na vida, só os viu em Portugal!
      Ninguém no seu juízo perfeito quer eucaliptos no seu país. Mas muito bem estaríamos nós se o único problema fosse só o eucalipto! Mas não é! Estamos completamente invadidos por austrálias e mimosas, háqueas, etc etc! As mimosas e austrálias então são terríveis! Espalham tantas sementes, que invadem tudo, e torna-se quase impossível passar no meio delas, e depois o seu combate torna-se dispendioso. Talvez brevemente as mostre aqui no blogue.

      E depois temos os problemas que temos com os incêndios. Tínhamos árvores que elas mesmas travam o avanço das chamas, mas de forma inteligente trocamo-las por espécies que adoram o fogo, não tivessem todas elas vindo da Austrália, terra dos maiores incêndios no planeta! As haqueas por exemplo, só libertam as sementes se a árvore arder! Ou seja, vem um fogo e espalha as sementes todas! E o mesmo se passa com o eucalipto, e depois vêm os políticos falar no financiamento ao eucalipto? Mas está tudo doido? É um absurdo, é revoltante, e dá pena ver as pessoas a defenderem o indefensável. Todos perdemos infelizmente.

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  2. A verdadeira praga! Seca os solos, quando há incêndios é terrível, as pessoas cortam floresta autóctone para plantar isto e ainda por cima é feio. Eu que o diga, que o meu concelho deve ter mais de 75% de eucalipto e a paisagem fica feia que dói.
    Para além disso, nem sei se é paranóia minha, mas este ano que pouco choveu, aqui ainda menos choveu. Enquanto nos concelhos à volta caiam verdadeiras cargas de água, aqui caiam 4 ou 5 pingas. Eu digo com ironia que é dos eucaliptos...

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    1. Olá Catarina tudo bem?
      Sabes, um dia destes vou escrever um texto, mas no meu outro blogue (que este é supostamente uma coisa mais séria!) onde escrevo toda as barbaridades que me passam pela cabeça, e será uma coisa mais ou menos com este título:
      - "E se os pretos, os ciganos e os refugiados fossem eucaliptos"?
      É que eu acho mesmo muita piada, que as mesmas pessoas que não querem cá pretos, ciganos nem refugiados (desde que não sejam ricos! pois para esses criaram os vistos dourados!) são depois as mesmíssimas pessoas que defendem com unhas e dentes os eucaliptos! Que raio de coerência é essa? Por que é que essas pessoas não se insurgem com manifestações violentas e dizem "Eucaliptos fora, ide lá para a vossa terra?". Porque os eucaliptos dão muito dinheiro, esse é o problema!

      Feio?! Bota feio nisso! Pior, nada debaixo deles nasce! E são perigosos, porque de vem em quando largam os ramos e é bom que ninguém esteja a passar por debaixo deles! Se fores ao Jardim Botânico do Porto (que até tem patente neste momento uma exposição interessante) tem lá um enorme eucalipto vedado com uma fita para ninguém entrar lá dentro, e a explicação que lá tem é mesmo a de que pode largar ramos e são enormes!

      E esta troca, que o nosso primeiro-ministro Costa - o tal que diz que o eucalipto não é o Diabo! -(e atendendo aos fogos que temos tido não me parece uma expressão feliz!) esta troca que quis fazer, trocando áreas de eucaliptos plantadas no interior, por eucaliptos no litoral, também é de rir! Mas convém que haja sempre muito eucalipto para a indústria da pasta do papel, e convém também que haja muito incêndio para alimentar todo o negócio em torno. Lamentável.

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