Estou em crer que o Parque de São Roque, na cidade do Porto, à semelhança, por exemplo, dos
Jardins Nova Sintra e
Jardim das Virtudes, é mais um espaço aprazível, com características de jardim romântico, desconhecido da maioria dos próprios portuenses. Esta minha afirmação baseia-se unicamente na afluência de pessoas que por lá vejo, quando lá me desloco, e que é pouca. E curiosamente, o Parque de São Roque, fica mesmo junto ao Estádio do Dragão, casa do maior clube de futebol da cidade, e junto também de um dos seus grandes centros comerciais, e como tal, local de grande afluência de pessoas que ali vão ver a bola ou fazer compras.
O espaço, com mais de quatro hectares, é disposto em patamares e tem duas entradas. Uma, a que eu habitualmente uso, na rua São Roque da Lameira que fica a sul no nível inferior, e a outra, virada a norte, no patamar superior, na travessa das Antas. Entrando pela entrada da rua de São Roque da Lameira, temos de fazer o percurso sempre em subida mas depois descemos, ao passo que entrando pela travessa das Antas, descemos todos os patamares para depois ter de os subir.
O Parque de São Roque tem vários motivos de interesse e que merecem uma visita: a casa apalaçada oitocentista de 1792; o belíssimo labirinto de Buxus sempervirens, as camélias (que estão agora em flor) o lago com a sua ponte, o espaço de recreio onde adultos e crianças podem brincar e que tem um pequeno lago com repuxos (a funcionar), a gruta; e muitos outros recantos e elementos escultóricos a descobrir sem pressa.
Entrando pelo portão da rua de São Roque da Lameira, depará-mo-nos de imediato com a casa oitocentista. Apesar do seu evidente e lamentável estado de abandono a que foi deixada por parte da Câmara Municipal, que adquiriu o espaço em 1979 à família Cálem, ainda assim permite admirar a riqueza dos seus pormenores.
Passamos o portão em ferro da rua, e temos uma escadaria em empedrado, ladeada por canteiros com camélias (ou japoneiras) e podemos então começar por ver a casa e o espaço ao seu redor:
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Camélia em flor |
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Anno de 1792 |
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Pormenor dos beirais |
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Pormenor das grades nas janelas do rés-do-chão |
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Detalhe do pavimento do chão |
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Vinha virgem em destaque no outono |
Nas traseiras da casa destaca-se uma estrutura em betão, simulando troncos de árvores, assente em cima de uma gruta e de um pequeno lago.
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Planta-jade (Crassula ovata) |
Um outro espaço delimitado que encontramos a seguir, é uma zona povoada de camélias, com um imponente chafariz no centro, e bancos debaixo de uma estrutura com uma trepadeira, que agora de inverno se encontra caduca, permitindo assim apanhar alguns raios de sol. Ao fundo um tanque com alguns peixes.
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Acer palmatum despido |
Ao fundo, uma parede cheia de heras e outras trepadeiras, que da última vez que lá estive, já invadiam completamente, uma estrutura que embelezava o tanque onde se viam alguns peixes.
Seguindo a visita sempre a subir, encontramos outro do ex-líbris do Parque de São Roque: o Labirinto.
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Labirinto de Buxus sempervirens |
Continuando a subir, encontramos um espaço amplo, com um lago com repuxos e uma área infantil.
Numa vista superior, temos uma panorâmica para este espaço recreativo bem como para o labirinto.
Continuando pela estrada do parque, subindo escadas e caminhos, vamos chegando aos pontos de interesse a norte, o lago e a ponte por onde se passeiam patos, e outros habitantes, e também uma estrutura onde estão plantadas trepadeiras, em que a ideia é que subam e a tapem totalmente,
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A ponte do lago, com receção à porta! |
Nesta zona do lago podemos encontrar alguns habitantes, como patos, gaivotas, pombas, gatos, gaios, melros, e se não virmos, poderemos sempre ouvir o pica-pau verde com o seu canto estridente muito caraterísitco. Desta última vez que lá estive, vi vários gaios a remexer na terra e musgo à procura de alimento, bem com os melros e um pica-pau verde, mas sempre muito esquivo que não consegui fotografar.
Começando pelo gaijo que fotografei, muito ao longe, escondido atrás das árvores:
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Gaio a remexer no chão |
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Gaivota empoleirada |
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Pombas nas árvores |
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Pombas e gaivota a aquecerem-se ao sol |
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Patos junto ao lago |
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Jovem gato a mirar-me escondido nas ervas! |
Como referi, perto do lago, encontramos uma estrutura com pilares de granito e uma estrutura em ferro. Em cada pilar colocaram uma cana a servir de sustentação às trepadeiras.
No que se refere às árvores, além das já referidas camélias, destacam-se algumas exóticas, como os imensos eucaliptos e austrálias, mas também podemos encontrar vários sobreiros.
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Tronco de um imenso eucalipto |
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Sobreiros |
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Tronco do sobreiro em detalhe |
Encontrei também uma árvore que ainda não identifiquei. Tem um tronco bastante atraente, e dá umas bolas um pouco maiores que o azevinho, e mais pequenas que cerejas. Recolhi uns frutos, quem sabe, depois se propaga.
Como referi no início, é um espaço aprazível, e que merece uma visita, assim como a casa merece também, sem dúvida que cuidem melhor dela. O Parque de São Roque fica mesmo junto ao Estádio do Dragão e a entrada é gratuita.
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Parque São Roque visto no Google Maps |