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terça-feira, 25 de abril de 2017

Sabugueiros em Flor

Estamos em Abril e os sabugueiros estão em flor. O sabugueiro é um arbusto ramificado, que cresce por norma entre os 2 e 5 metros de altura, de ramos ocos, originário da Europa. E esta é a boa altura portanto, para quem quiser ir colher as suas flores para as secar de imediato para depois poder utilizar em infusões. É verdade que se podem comprar pacotinhos de ervas por cerca de 1€ nos supermercados ou lojas da especialidade, mas para mim, nada como irmos nós mesmos apanhar as flores, quando ainda por cima os temos mesmo ao pé da porta. 

Reparei num primeiro sabugueiro em flor, quando estive domingo de Páscoa no Parque Alta Vila em Águeda. As flores de sabugueiro já são minhas conhecidas há algum tempo, quando a minha mãe andava bastante mal, e preocupada com uma complicada tosse alérgica. Até já tinha consulta marcada na especialidade mas entretanto eu quis ir pesquisar o que encontrava nos meus livros de plantas medicinais, e disse à minha mãe que deveria experimentar infusões de flor de sabugueiro. E a verdade é que, no espaço de uma semana, quando foi à consulta a tosse já tinha desaparecido.

Sabugueiro (Sambucus nigra)
Na consulta, em jeito de brincadeira, perante a confissão da minha mãe, que andou a beber infusão de flor de sabugueiro, o médico soltou uma graça, que não deixa de ter um fundo de verdade: "Ó minha senhora, não me venha estragar o negócio!" E não deixa de ser curioso que, tal como os cangalheiros que não querem que ninguém morra, mas não querem ir à falência, também os médicos devem, supostamente querer que as pessoas sejam saudáveis, mas por outro lado, se tiverem muita saúde, a sua profissão deixaria de ser necessária.

E não deixa de ser também triste, que em meia dúzia de anos, os médicos tenham deixado de prescrever ervas para tratar as pessoas. Tudo fruto da indústria farmacêutica. E eu ainda me lembro de ouvir aqui o médico de família, entretanto já falecido, receitar, por exemplo, malvas para curar feridas. 

Flor de Sabugueiro
Está-se a perder todo o enorme conhecimento que as pessoas mais antigas tinham nas aldeias, tudo em prol da facilidade. Parece que ir apanhar ervas, pô-las a secar, e guardá-las no armário é uma chatice, parece que dá um imenso trabalho. É muito mais fácil ir ao médico, pagar uma consulta a um preço absurdo, e depois passar na farmácia para comprar uns comprimidos, que fazem bem a uma coisa e vão fazer mal a outra, para a qual será preciso outro comprimido. 

Flores de Sabugueiro a secar para usar posteriormente em infusões
E os sabugueiros estão agora em flor um pouco por todo o lado para quem quiser colher algumas flores. Da planta pode-se colher flores, folhas e frutos. As flores em infusão são boas para a tosse e constipações. E não deixa de ser muito curioso que a Primavera seja complicada para muitas pessoas, devido aos pólenes, mas a mesma Natureza, na mesma estação, nos dá a flor de sabugueiro que é indicada para tratar a febre dos fenos (rinite alérgica). Mas é recomendado que esta infusão deve ser tomada por alguns meses antes da chegada da estação da febre dos fenos.

No livro O simbolismo das Plantas de Frank Lipp, fiquei ainda a saber que:

 A Árvore da Terra

Nos países eslavos do Báltico, o sabugueiro era considerado a residência de Puschkayt, o deus da Terra, a quem se ofereciam alimentos colocados, ao princípio da noite, junto ao tronco da árvore, e no Norte da Europa era a residência de Holda, deusa da morte e da fertilidade. Empunhando pés de sabugueiro novo as mulheres dançavam em honra durante a festa da Candelária e com eles batiam em qualquer homem que se aproximasse do recinto da dança. A destruição destas árvores desgostava a deusa. e para lhes evitar danos graves, era sempre pedida autorização antes de se retirar um ramo, que, colhido na véspera de São João à meia-noite, protegia de tempestades, ladrões, espíritos malignos e bruxedos. 
Os bolinhos fritos feitos com flores de sabugueiro, uma tradição do dia de São João, agradavam à deusa e evitavam a discórdia entre maridos e mulheres, e na véspera de Natal, era costume ungir os olhos com o interior da casca da árvore ou deixar flutuar num copo de água um pequeno tronco a arder, para saber se estava alguma bruxa nas imediações. 
Na Alemanha, os caixões eram de madeira de sabugueiro e colocavam-se na sepultura cruzes e grinaldas feitos com os seus ramos. No norte de Inglaterra e no Tirol, os arbustos da planta eram aparados em forma de uma cruz e depois colocados sobre as sepulturas, havendo quem sustente que a cruz onde Cristo foi crucificado era de madeira de sabugueiro e que foi num que Judas se enforcou.

sábado, 12 de novembro de 2016

Parque Alta Vila

Do município de Águeda, já anteriormente escrevi aquando da caminhada pela Pateira de Fementelos, uma das maiores lagoas naturais da Penílsula Ibérica. E da lagoa ao centro de Águeda são cerca de dez minutos de carro. 

A pequenina e colorida cidade (desde 1985) muito virada para a arte de rua, com um roteiro e tudo, está encostada ao rio que lhe dá nome, tem pouco mais de dez mil habitantes e, segundo o folheto, para fazermos o "Trilho do Águeda" que vai até ao "Souto do Rio"não precisamos mais do que duas horas e meia. E podemos muito facilmente percorrer a pé todo o centro urbano sem grande dificuldade e em demorarmos muito tempo.

Um dos locais que eu quis visitar, por me parecer que é um antigo espaço muito aprazível, com árvores centenárias e de antigos jardins de cariz romântico foi o Parque Alta Vila que faz parte do pequeno percurso PR6.1


Mas este parque é um parque que ainda não o é verdadeiramente. 
Quem ali chega, facilmente percebe que aquele espaço foi sítio de gente abastada, que ali quis criar um ambiente romântico, com diferentes jardins e estruturas decorativas de belo efeito, ao jeito dos jardins ingleses.

O espaço ainda tem uma zona murada e entradas a fazer lembrar um pequeno castelo.




Mas ainda não é um verdadeiro parque, primeiro porque percebe-se que para já está abandonado à sua sorte. Abandonado desde logo pelos sucessivos autarcas, e na pesquisa que fiz fiquei a saber que querem requalificá-lo, mas querem primeiro ouvir as pessoas e não desatar a "plantar árvores" e isso até me parece bem.



Contudo a minha primeira impressão foi oposta. Não precisam desatar a plantar árvores, poderiam começar por simplesmente tentar salvar as que já ali estão há muitas décadas, e refiro-me às palmeiras que estão quase todas mortas graças ao escaravelho, e se não se despacharam não restará nenhuma viva. E não é que eu seja grande defensor das palmeiras, que não sou, mas já que ali estavam, acho que deveriam tentar ser mantidas, porque árvores com muitos anos são verdadeiros monumentos vivos.





Li também que houve um grande temporal no início do ano de 2013 e que muitas árvores do parque caíram, mas curiosamente as declarações que vi dos políticos são do mesmo ano. E três anos é muito tempo, até porque os mandatos são de quatro. Não quero ser injusto, não faço ideia do que terá sido feito ou não, li que recuperaram a casa, mas não sei se se recuperou alguma coisa dos jardins e parece-me que não.

Mas o que sei, até por aquilo que vou vendo por todo o lado, é que talvez preservar o património natural não dê muitos votos, pois é raro que se faça algo a este respeito, e acho que é pena que as pessoas que vivem nas cidades não exijam e defendam mais espaços verdes e que se plantem muitas mais árvores e não ocupar tudo que é terra com betão e prédios. 


Ironicamente também li, num outro blogue, que os habitantes de Águeda estão divorciados deste espaço. Parece que ninguém o frequenta. E isso eu mesmo pude atestar. Num domingo à tarde vi um casal, e alguém que passou de bicicleta. De resto mais ninguém. Mas não é caso único, pois como tenho vindo a escrever sobre outros belíssimos espaços que visito, esses vão estando muitas vezes abandonados, enquanto que, à mesma hora, por certo que os centros comerciais (que deveriam estar fechados ao Domingo) devem estar a abarrotar de gente. Preferências muito questionáveis. 





E o que me apetece mesmo dizer é que "Deus dá nozes a quem não tem dentes". 

O Parque Alta Vila tem enormes potencialidades. Desde logo é um espaço generoso, são mais de três hectares, e não é preciso que inventem muito, nem têm de desatar a plantar árvores. Bastaria limpar as infestantes que invadem o espaço, refazer os canteiros de buxo, no fundo unicamente preservar e restaurar o que foi feito pelo seu proprietário, Eduardo Caldeira, na segunda metade do século XIX. 
E que depois de preservado que as pessoas dele possam usufruir.