quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sargacinha

Existem plantas no monte, a poucos metros da minha casa, mas que quero também ter no meu terreno. Já transplantei recentemente, e com sucesso um sargaço, e agora queria ver se tinha o mesmo sucesso com a sargacinha, mas já percebi que esta planta é bem mais difícil de o conseguir, mas eu também sou persistente, e não conseguindo na primeira tentativa, penso que acabarei por conseguir, nem que tenha de tentar mais umas quantas vezes!

Sargacinha ou Sete-sangrias
O meu interesse por esta planta rasteira de aspeto frágil é duplo. Por um lado pelo seu aspeto decorativo, a sua floração que salpica de ponto azuis onde se instala, e depois é uma também ela, uma planta medicinal, que até já usei em infusões para ajudar a tratar a psoríase. É depurativa, e tem muitas outras aplicações (baixa o colesterol, hipertensão, insónias, etc), e creio até que se trata também de uma erva com propriedades abortivas. 
É também conhecida por outros nomes, o mais comum é talvez Sete-sangrias, mas aqui onde vivo é conhecida por sargacinha, e especulando, talvez por ser mais ou menos parecida com o sargaço, mas como no entanto é mais delicada, daí venha o diminutivo. 

Por estes dias estava a andar de bicicleta, e avistei ao longe uma pequena bola cheia de pontos azuis, e de imediato me apercebi que era sargacinha.  


Esta planta aparece muito nos combros dos caminhos, muitas das vezes no meio de rochas, mas também aparece no meio de pinhais, muitas vezes convivendo no meio de outras plantas, como silvas e matos por exemplo. 

É uma planta que conheço muito bem, não me engano na identificação, mas que não conheço o seu nome científico. É verdade que a Internet poderia de imediato responder à minha ignorância, mas tento sempre cruzar a informação, para minimizar a ocorrência de gafes. E nas muitas pesquisas que fiz, encontrei em diferentes sites e blogues, pelo menos, a atribuição de quatro diferentes nomes científicos para a sargacinha. Encontrei até listagens de plantas, em que a sargacinha e a sete-sangrias eram duas plantas diferentes.

Flor da Sargacinha
Talvez esta confusão se deva aos diferentes nomes comuns, confusão que acontece muito entre o alecrim e o rosmaninho, em que apesar de serem duas plantas muito diferentes, o nome científico de uma, confunde-se com o nome comum da outra. 

Eu fui procurar inclusive nos saquinhos que comprei em tempos com a planta para fazer infusão, mas no rótulo só estava descrito como sargacinha (ou sete-sangrias), mas não tendo identificado qualquer nome científico. É mais uma questão para eu tentar perceber e chegar à verdade.

Planta seca para fazer infusões

Curiosamente, também não é planta que se venda, ou eu pelo menos nunca encontrei à venda. Não sei se não encontrarão nela valor comercial, ou se existe outro motivo para este facto. Mas tendo em conta que é uma planta com propriedade medicinais interessantes, e é vendida seca para infusões, alguém a planta para esse efeito, não deixa de ser estranho que depois a planta não se venda também para plantar. 
Li também nas pesquisas que fiz, que costuma florir em maio, mas eu tenho-a visto em flor desde dezembro...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Proteger as suculentas

Quem tem suculentas, sabe que, se as tiver no exterior, chegando o inverno tem de as proteger, principalmente do frio e da geada, para impedir que se queimem e apodreçam, mas também da saraiva que as pode pisar e deixar com marcas muito feias, como se pode ver nesta Echeveria que tenho. 

Suculenta com folhas danificadas pela saraiva
Mas não só! 

Ainda esta semana estava a admirar uns pequenos vasos que tenho com uns pequenos rebentos que troquei com uma senhora num desses sites de vendas/trocas, e admirava-os porque estavam com muito bom aspeto, pegaram muito rapidamente e cresceram bem, principalmente a espécie que procurava: a Aeonium arboreum 'Schwarzkopf'.                   

Suculenta Aeonium arboreum 'Schwarzkopf'

Mas parece que não fui só eu que reparei nestas pequenas suculentas! Os pequenos vasos estão num parapeito, no exterior de uma janela , mais ou menos abrigados de todo o mal que poderia ocorrer, mas não protegidas contra os bicos afiados da passarada! O meliante não se contentou em saborear uma só planta, e depenicou pelo menos três!  


Em princípio as plantas recuperarão facilmente, mas ficam sempre com este aspeto pouco bonito de se ver, e é preciso estar atento, porque por norma, e já tenho essa experiência, quando um pássaro descobre uma planta que goste, voltará de certeza! Mas isto também é especular um pouco, porque não vi, e posso estar a difamar a passarada sem razão de ser. Mas para ser, por exemplo um inseto, parece-me que teria sido comida a mais para um bicho tão pequeno, mas por outro lado, a forma como o Aeonium está roído também é suspeita. Na volta só mesmo fazendo uma análise forense!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A história de um selo

Hoje recebi uma encomenda proveniente de Singapura, e de imediato reparei no selo (agora usam umas etiquetas foleiras com o código de barras) mas de imediato chamou-me a atenção, pois tinha o desenho de uma flor, acompanhado do seu nome, e um nome bastante português "Joaquim", mais precisamente Vanda Miss Joaquim. 

Etiqueta/Selo proveniente de Singapura "Vanda Miss Joaquim"

De imediato quis saciar a minha curiosidade para desvendar este mistério, e descobri que Vanda Miss Joaquim é uma orquídea híbrida. O feito deveu-se a uma senhora de origem arménia, de seu nome Agnes Joaquim (1854-1899), que se dedicava à jardinagem e que conseguiu cruzar duas espécies diferentes, uma da Birmânia (Vanda teres) com outra da Malásia (Vanda hookeriana). Tendo-se depois confirmado que se tratava de uma nova espécie, foi atribuído o nome da senhora à orquídea por forma a homenagear a sua criadora. A 15 de abril de 1981, Vanda Miss Joaquim foi proclamada flor nacional de Singapura. 

E eis como num pequeno selo, podemos ficar a conhecer um pouco da cultura de um país distante, e mais um pouco sobre plantas. Se um dia encontrar esta Miss Joaquim por aí, já conhecerei a sua história.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Jardins de Nova Sintra

"Não existem no Porto, jardins como estes. Autêntica maravilha, que poucos conhecem e raros notam, suspenso sobre o Douro, num dos sítios privilegiados do Porto. Belo, quase bárbaro, mais rude que harmonioso é (...) um autêntico museu ao ar livre (...) onde estão recolhidas as antigas fontes e chafarizes da cidade (...)" Germano Silva


Estou em crer que os Jardins Nova Sintra serão, por diferentes motivos, pouco conhecidos da grande generalidade dos portuenses, e por esse motivo terão poucas visitas, como pude constatar das vezes que lá estive recentemente. Desde logo devido à sua localização, porque apesar da vista privilegiada sobre o rio Douro, fica delimitado e sem acesso a sul pela linha férrea que desagua na Ponte São João, e a oeste delimitado pelo cemitério do Prado do Repouso. Além disso está situado numa zona bastante desertificada e pouco atrativa, onde o maior movimento de juventude, serão as salas de ensaio do centro comercial STOP situado na Rua do Heroísmo. Outro dos motivos será o próprio desconhecimento, pois na verdade o espaço foi aberto ao público há poucos anos e está inclusive fechado ao fim-de-semana, sendo só visitável (nesses dois dias) com prévia marcação por escrito e respetiva autorização. 

Este espaço, antiga Quinta da Nova Sintra, era propriedade de uma antiga família inglesa, os Wright, que a venderam à Câmara Municipal do Porto em 1932, e onde a Câmara instalou os serviços municipalizados e onde estão hoje os SMAS. Por esse motivo, à entrada, na portaria, é pedida a identificação aos visitantes e estes devem-se fazer acompanhar, durante a visita, por um cartão identificativo.

Este parque situa-se ao fundo da Rua do Barão de Nova Sintra (José Guimarães), destacado capitalista e filantropo que fez fortuna no Brasil, e após vários anos a viver pela Europa, e de ter morado seis anos em Lisboa, se instalou no Porto.

Vista da Rua do Barão de Nova Sintra para o Torreão-cisterna

O parque é um espaço bucólico por excelência, e funciona quase como museu ao ar livre e onde podemos encontrar imensos pedaços de história da cidade do Porto, nomeadamente a história de muitas fontes e chafarizes que ali estão expostas, e que foram retiradas, quando a partir de 1875 a água canalizada foi levada ao domicílio e progressivamente as fontes e chafarizes foram sendo desmantelados.
Apesar de situado na segunda maior cidade do país, por estar afastado de ruas movimentadas, se fecharmos os olhos ao percorrer os jardins, apenas vamos ouvir o som dos pássaros, e quanto muito, o som de algum comboio a passar ao longe.

Localização no Google Maps

Mapa do percuso (SMAS) (editado por mim)


Logo à entrada está o primeiro de muitos elementos históricos que iremos encontrar ao longo do percurso principal, assinalado a vermelho acima no mapa. Trata-se do Medalhão da Fonte de São Domingos (1850).
O Medalhão encontra-se neste jardim desde 1922, data em que a fonte foi desmontada.

1 - Medalhão da Fonte de São Domingos (1850)


Logo ao lado, encontramos um segundo elemento, neste caso um brasão e várias árvores, com destaque agora no inverno, para as japoneiras em flor. Ao fundo já se avista o Torreão-cisterna.

2 - Brasão

Japoneira em flor

Flor de japoneira

Torreão-cisterna


4 - Fonte de Cedofeita (1826)

Caminho com bordadura em agapantos (Agapanthus africanus)



18 - Brasão da Fonte da Rua D. Pedro V
19 - Universo (obra em bronze de Irene Vilar 1987)

Por trás da antiga casa da quinta existe um jardim formal (bastante descuidado) com um chafariz originário do local, ao qual foi dado o nome de Fonte dos Passarinhos pelos trabalhadores dos SMAS, por ser poiso habitual da passarada.

17 - Fonte dos Passarinhos


Cedros-do-japão (Cryptomeria japonica elegans)


5 - Fonte da Rua Fontinha

15 - Chafariz do Convento de Ave Maria (1528)
Este chafariz fazia parte do Mosteiro de São Bento da Avé Maria, que foi demolido em 1895, para construir a atual Estação de São Bento situada na baixa da cidade.



11 - Arca de Água de Santo Isidro
A Água saía pela carranca em granito e caía numa pia em forma de concha

12 - Arca do Anjo 1893 (Construída no extinto Mercado do Anjo atual Shopping dos Clérigos 

Depois destas Arcas do Anjo e Santo Isidro inicia-se o percurso completar, assinalada a laranja no mapa, uma espécie de mata, e no meio do arvoredo, destacam-se enormes eucaliptos que inundam o chão das suas cascas e ramos que se desprendem. 




Depois de fazer o percurso complementar, inicia-se, a sul do parque, o designado percurso panorâmico com vista para o rio Douro, ponte do Freixo, praia do Areinho e linha do comboio. Ao longo deste percurso existem vários sítios onde sentar e lanchar, ou simplesmente usufruir do espaço.

Vista sobre o rio, ponte do Freixo e praia do Areinho



Ficaram ainda alguns elementos por descrever porque não tirei fotografias para poder ilustrar, mas numa próxima visita depois completarei este artigo. É um espaço que, sem dúvida, merece uma visita, quer por parte de quem vive na cidade, e serão muitos que o desconhecerão, como por parte de quem chega e a vem conhecer a cidade. Pena é que, fruto da crise ou não , grande parte do espaço esteja bastante descuidado, e nas várias pesquisas que fiz para recolher algumas informações, pude ver fotografias do espaço em 2006 muito bem cuidado, e infelizmente não é o que se passa quando por este dias o visitei. Desde ervas daninhas por arrancar, a arbustos do jardim formal por podar, a um quase total abandono na zona da mata, com cascas e ramos caídos dos gigantes eucaliptos, há um pouco de tudo, que não dignificam este jardim.

Os Jardins de Nova Sintra são visitáveis de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h30 (encerrado ao fim de semana) e têm acesso gratuito.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Orgia de percevejos

Já anteriormente tinha aqui falado deste inseto, que descobri no meu jardim, e ao qual dei o nome dei o nome percevejo "inca" devido aos padrões pretos que exibe na coloração laranja/avermelhada. Mas há poucos dias atrás, não descobri um, descobri sim dezenas, ou mesmo centenas deles!

Numa recente visita aos Jardins de Nova Sintra descobri centenas deles, uns por cima dos outros, ao longo de uma pequena sebe de buxo (Buxus sempervirens) que delimitava o passeio. 

Percevejo (Pyrrhocoris apterus

Sebe de Buxo (Buxus sempervirens)


Não sei se o facto de os ter observado neste arbusto seja uma simples coincidência, ou seja uma espécie preferida para se alimentar por exemplo, ou se simplesmente por ali proliferaram e multiplicaram.

# Percevejo Inca

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Barba-de-velho

Há coisa de meio ano, comprei num desses sites de vendas de usados, esta planta aérea que dá pelo nome comum de Barba-de-velho ou Musgo espanhol, para assim poder juntá-la à minha pequena coleção de tillandsias. Já quando aqui escrevi aqui sobre "plantas aéreas" comentei como acho fascinante como existem plantas que se alimentam de "ar"! Podem ter raízes, mas é só mesmo para se fixarem, pois não parasitam a outra planta sobre a qual se agarram. 

A primeira vez que vi esta planta sem sem em fotografias na net, foi numa grande superfície comercial de jardinagem, e de imediato achei graça, e claro, quando tive oportunidade comprei, e comprei duas plantas, uma para mim e outra para dar à minha mãe, até porque já tínhamos andado a trocar, quase como quem anda a trocar cromos da bola!

Não sei bem porquê, quer dizer, acho que sei, em minha casa é mais soalheiro, e talvez tenha sido por isso que a minha planta cresceu mais do que a da minha mãe, ou então foi só coincidência. Eu coloquei-a numa grade de uma janela mesmo junto à garagem. 

Mas hoje quando olhava para a romãzeira despedia pensei "e por que não colocar ali a Barba-de-velho"? Na natureza, onde ainda existe esta planta, elas fixam-se nos ramos das árvores e ficam dependuradas dando um efeito brutal. Então resolvi experimentar colocar ali a planta. Veremos como se dará. 

 







Em meio ano a planta cresceu bem, tanto que já tenho outra planta de igual tamanho, que se desprendeu. Agora é esperar que se desenvolvam mais, e ver se irá dar-se ali bem e se resultará.

Relvado esbranquiçado no inverno - porquê?

A brincar, costumo dizer, que a minha relva é sempre mais verde que a dos vizinhos. É a brincar, mas na verdade é um facto! E isso acontece, não porque eu seja um grande especialista em relvados, simplesmente não cometo alguns erros básicos que a maioria das pessoas comete.

Já no início do blog escrevi sobre o meu relvado e expliquei detalhadamente porque escolhi a gramínea para o efeito (há quem lhe chame grama ou graminha porque é uma erva brasileira). E falei de algumas desvantagens face ao uso de outros tipo de ervas, nomeadamente a questão de poder ficar com um aspeto mais esbranquiçado no inverno, mais ainda se estiver numa zona (como acontece no meu caso) de queda de muita geada.

Mas existem formas de contornar o problema, e neste caso, o essencial é, por um lado não cortar demasiado rente, e por outro, fazer o último corte em meados de outubro. Muitas pessoas mais parece que cortam a relva a pente zero, para olhar para o relvado como se fossse uma espécie de tapete. Mas no caso da gramínea, que é o que eu conheço bem, isso é errado  pois no inverno a planta não irá crescer, e depois apresentará um aspeto branco ou acastanhado, bem longe do agradável relvado verde.

Para melhor se perceber, vou mostrar mostrar um exemplo. Há algumas semanas, estive a cortar a relva num pequeno canteiro, onde está uma estrelícia. Tive de podar a planta e aproveitei para cortar a relva (à tesoura), pois descuidei-me e aquilo já estava parecia uma selva. Poucas semanas depois este é o aspeto:


Como facilmente se percebe, a relva além de ter sido cortada demasiado rente, foi cortada já no inverno, e está toda branca/acastanhada. Mas agora pode-se comparar com outras zonas onde tenho relva, e em que o último corte, além de ter sido feito em meados de outubro, foi feito mas só aparando ligeiramente.



De referir que todas as fotografias foram tiradas hoje, e nestas zonas maiores, a relva tem sido intensamente pisada pois tenho andado a podar as sebes. Mas ainda assim, creio que a diferença é abissal. Daí a importância do último corte da relva, bem como a importância da altura do corte, mas refiro-me só à graminha ou grama (Stenotaphrum secundatum), pois é a espécie que tenho, e com a qual tenho experiência. 

P.S: Tenho desta relva Santo Agostinho para venda, em caso de interesse contacte por e-mail ou deixe comentário.