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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Deixem as Toupeiras em Paz

 A seguir às cobras, outro dos animais mais odiados por hortelãos e jardineiros talvez seja a toupeira, ódio esse, quase sempre fruto de muita ignorância, até porque as toupeiras não comem as plantas mas sim os bichos da terra! Todos os anos milhões de roupeiras são mortas porque causam alguns prejuízos menores e deixam aqueles montículos de terra. 

Contudo, as toupeiras prestam-nos um grande serviço, porque, além de comerem muita bicharada, algumas que até são verdadeiras pragas, graças a todos aqueles túneis que escavam, acabam por descompactar o solo e enriquecê-lo. 

E, se na horta pode ser chato ver uma ou outra planta tombada e ter apertar a terra de novo de volta delas, no relvado nem compreendo a fúria, porque a mim não me incomoda grande coisa. O que faço aqueles montes de terra? Simples! Eu pego numa mangueira e deito água por cima! A terra infiltra-se pelo buraco abaixo e restam unicamente as pedras por cima da relva que depois muito facilmente se apanham. 


terça-feira, 30 de março de 2021

Relvado: Que Graminha Escolher? Santo Agostinho ou Brasileira?

Se eu fosse uma espécie de psicólogo que ouve os donos de jardins, insatisfeitos com o seu relvado a desabafar no divã, eu poderia dizer que, o que ouço com mais frequência é: eu tinha um relvado de estilo inglês (semeado ou onde foi aplicado tapete) muito verdinho e bonito, mas depois, passado um ano ou dois, começou a ganhar peladas e hoje tem mais ervas infestantes do que relva.

Daí que as graminhas, são, a meu ver, uma sólida opção a considerar, especialmente para quem não quer andar sempre a ressemear, adubar, arrancar ervas, etc. E do que eu vou conhecendo, há duas graminhas mais utilizadas nos relvados portugueses. São elas a graminha Santo Agostinho (Stenotaphrum Secundatum) e, mais recentemente, a graminha São Carlos, vulgarmente conhecida por "graminha brasileira" (Axonopus compressus).

Quais as diferenças entre ambas e qual escolher? Bom, eu diria que são ambas boas opções a considerar, e, dependendo do gosto pessoal, de como se apresenta esteticamente o relvado quando está bem estabelecido, há pequenas características que cada pessoa pode considerar.

Aqui deixo um resumo da minha experiência com estas duas variedades, das vantagens de cada uma delas e dos aspetos menos positivos, tendo em conta que estou sempre a comparar uma espécie com a outra.


Graminha Santo Agostinho (Stenotaphrum Secundatum)

Vantagens:

- Folha mais fina, assemelha-se mais ao relvado estilo inglês (também é conhecida por "grama inglesa")

- Muito resistente ao ser pisada

- Combate as ervas infestantes

- No Verão resiste mesmo sem água

Desvantagens:

- Queima-se com a geada / fica acastanhada ou esbranquiçada no Inverno

- É mais dura ao pisar

- Fica mais esbranquiçada depois do corte

- Com o passar do tempo forma um tapete alto e esponjoso - uma espécie de colchão que é preciso escarificar para remover altura / palha

- Mais difícil cortar com corta-relva (tem que ser mais potente)

- É invasora, trepa inclusive pelo meio das outras plantas ou árvores se a deixar estender-se livremente


Graminha São Carlos "Brasileira" (Axonopus Compressus)


Vantagens:

- Forma um tapete denso com um verde mais escuro e brilhante

- Mais fofa e suave se andar descalço ou deitar em cima dela

- Baixa manutenção

- Adaptada ao frio e geada do Inverno

- Pega e cresce mais rapidamente na fase da plantação

- É mais tenra e portanto mais de cortar com o corta-relva

- Não cresce tanto para cima formando aquele "colchão" da graminha Santo Agostinho

- Apropriada para terrenos mais húmidos (lameiro)

Desvantagens:

- Não tolera a falta de água no Verão

- Algumas pessoas não gostam do aspeto da folha mais larga



Há ainda algumas características que não acrescentei por não saber em concreto como, por exemplo, qual será melhor para solos arenosos e para plantar junto ao mar, mas diz-se que junto ao mar a Santo Agostinho é mais resistente. Vou tentar reunir mais informação e, se for o caso, depois edito e coloco aqui. Se alguém que tenha destas relvas passar por aqui e quiser deixar a sua experiência seria ótimo.

sábado, 4 de abril de 2020

Um Carvalho no Relvado

Ontem, quando tinha começado a cortar a relva dum espaço mais pequeno e que, como se vê, não tem tido a manutenção devida, reparo numas folhitas a furar a graminha. Vou ver mais de perto e dou de caras com um carvalho! Ainda se pode ver a bolota de onde germinou! Então, tratei de o tirar dali e coloquei num pequeno vaso. Logo vejo o que lhe vou fazer, mas no relvado é que não podia ficar!

O aparecimento deste carvalho ali, pode ser explicado por alguma bolota que tenha vindo no vento, proveniente de um carvalho que tem a uns cinquenta metros, que ali caiu e germinou. Mas isso para mim parece-me pouco provável. Não sei até que ponto não terá sido algum gaio, dos muitos que andam aqui em volta da casa, e que levou uma bolota no bico e a deixou cair. 



sábado, 14 de março de 2020

Primeira Escarificação do Ano


Aproveitando o bom tempo, no fim de semana passado, além de ter aproveitado para pedir ao vizinho para podar as minhas heras e o Pittosporum tobira que já estava cerca de meio metro do lado dele, meti mãos à obra e escarifiquei o lado maior do meu relvado. 

Por norma a escarificação faz-se no início da Primavera ou no início do Outono e eu já o fiz em final de Setembro ou início de Outubro, mas, e isto é só a minha opinião no que se refere à graminha, considero um erro fazê-lo no final do Verão, porque esta espécie entra em dormência com as temperaturas mais baixas e não terá depois tempo de se regenerar. 

Pelo contrário, agora, que as temperaturas estão a subir, apesar do relvado ficar com muito mau aspeto depois da escarificação, rapidamente ficará verdinho e viçoso. 


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Graminha Comum de Jardim é Indestrutível!

A relva mais comum que se vê nos jardins portugueses é a graminha de nome científico Stenotaphrum Secundatum, também conhecida por Santo Agostinho. É a que tenho em casa e já por diversas vezes aqui falei dela no blogue. 

Esta espécie tem vários méritos, bem como algumas desvantagens, mas tudo depende também das necessidades e do uso que as pessoas vão fazer do seu relvado. 

Mas o que eu hoje aqui queria mostrar é sobre a sua resistência à seca, um fator a ter em contra cada vez mais no nosso país, tanto pela questão das temperaturas elevadas,  quer por outro lado pelo preço elevado que pagamos pela água e, não menos importante a gestão dos recursos e a sua sustentabilidade. 

Muitas vezes temos de cortar aquelas guias de graminha que ultrapassam os limites dos canteiros, e o que eu faço é, muitas vezes, espalhar esses bocados de relva no monte. E o que vos posso mostrar é que, os pés unicamente pousados agarraram-se à terra e, mais impressionante, resistem à seca dos nossos Verões sem ver uma única pinga de água. 


Pode-se ver aqui a relva, no monte, completamente seco, mas a resistir, ao lado do tojo e silvas:




Portanto, se questão da água é um fator muito importante no jardim, bem como a resistência da espécie que se pretende aplicar, então, a graminha comum (Santo Agostinho) é a escolha acertada. Ela é indestrutível!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Como plantar graminha

Já por aqui escrevi várias vezes sobre esta relva comum dos jardins portugueses, a graminha Santo Agostinho (Stenotaphrum secundatum)  a que escolhi para as minhas áreas relvadas, mas na verdade nunca escrevi como se planta, pois parece-me demasiado evidente. Mas na verdade já várias pessoas me têm perguntado como é que se planta, e questionam-me também qual a distância que se deve deixar entre cada pé. Então aproveitei que andei este ano a plantar nas traseiras de casa, e tirei umas fotografias, até para se ver como evolui.

E na verdade eu comecei a plantar e fiz da forma que me pareceu melhor, mais lógica, não sei se é o método melhor, mais prático, mais correto, mas é assim que faço, com a experiência que adquiri. Então é assim, eu por norma arranco a graminha e depois corto de dois em dois elos (ou mais) e com boa raiz, para garantir que vai pegar de certeza.

Pés de graminha (Stenotaphrum secundatum)




Depois então é pegar num pequeno sacho ou colher de jardineiro, ou outra qualquer ferramenta que seja apropriada, e é cavar e enterrar os pés de relva, como se fôssemos plantar outra coisa qualquer. Cava-se, coloca-se o pedaço de relva, e cobre toda a parte da raiz. Simples. 

A distância que deixo entre os pés, será talvez entre 10 e 15cm, não é preciso medir, coloca-se a olho. Mas já se sabe, quanto mais junto colocarmos os pés, mas rapidamente o relvado fechará, mas por outro lado precisaremos de mais quantidade; se deixarmos os pés mais afastados entre si, não precisaremos de tantos pés, mas demorará mais tempo a fechar. 






Depois de plantada, rega-se muito bem, e convém regar bem nos dias seguintes até pegar, e esta tarefa é mais importante ainda se estivermos no verão. Se estivermos na primavera e com algumas chuvas nem é preciso regar, a chuva fá-lo naturalmente. E nesta fase do transplante não se deve adubar. É deixar os pedaços de graminha agarrarem-se à terra e começarem a crescer naturalmente. 

Podemos ver aqui um pedaço de terra onde foi plantada graminha no final de abril... 




...e em meados de julho já quase fechou completamente e poucos espaços de terra se vêem.




E estamos a falar de dois meses e meio. Por norma eu costumo dizer que em quatro meses a terra o relvado quase fica completamente pronto, mas também vai depender da distância a que os pés foram colocados, e de outros fatores, mas regra geral, em quatro meses o relvado de graminha está quase pronto.

Mais sobre a graminha aqui no blogue:






quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Relvado esbranquiçado no inverno - porquê?

A brincar, costumo dizer, que a minha relva é sempre mais verde que a dos vizinhos. É a brincar, mas na verdade é um facto! E isso acontece, não porque eu seja um grande especialista em relvados, simplesmente não cometo alguns erros básicos que a maioria das pessoas comete.

Já no início do blog escrevi sobre o meu relvado e expliquei detalhadamente porque escolhi a gramínea para o efeito (há quem lhe chame grama ou graminha porque é uma erva brasileira). E falei de algumas desvantagens face ao uso de outros tipo de ervas, nomeadamente a questão de poder ficar com um aspeto mais esbranquiçado no inverno, mais ainda se estiver numa zona (como acontece no meu caso) de queda de muita geada.

Mas existem formas de contornar o problema, e neste caso, o essencial é, por um lado não cortar demasiado rente, e por outro, fazer o último corte em meados de outubro. Muitas pessoas mais parece que cortam a relva a pente zero, para olhar para o relvado como se fossse uma espécie de tapete. Mas no caso da gramínea, que é o que eu conheço bem, isso é errado  pois no inverno a planta não irá crescer, e depois apresentará um aspeto branco ou acastanhado, bem longe do agradável relvado verde.

Para melhor se perceber, vou mostrar mostrar um exemplo. Há algumas semanas, estive a cortar a relva num pequeno canteiro, onde está uma estrelícia. Tive de podar a planta e aproveitei para cortar a relva (à tesoura), pois descuidei-me e aquilo já estava parecia uma selva. Poucas semanas depois este é o aspeto:


Como facilmente se percebe, a relva além de ter sido cortada demasiado rente, foi cortada já no inverno, e está toda branca/acastanhada. Mas agora pode-se comparar com outras zonas onde tenho relva, e em que o último corte, além de ter sido feito em meados de outubro, foi feito mas só aparando ligeiramente.



De referir que todas as fotografias foram tiradas hoje, e nestas zonas maiores, a relva tem sido intensamente pisada pois tenho andado a podar as sebes. Mas ainda assim, creio que a diferença é abissal. Daí a importância do último corte da relva, bem como a importância da altura do corte, mas refiro-me só à graminha ou grama (Stenotaphrum secundatum), pois é a espécie que tenho, e com a qual tenho experiência. 

P.S: Tenho desta relva Santo Agostinho para venda, em caso de interesse contacte por e-mail ou deixe comentário.