terça-feira, 26 de julho de 2016

Ronronar de Prazer

A primeira coisa que ouviu assim que a porta do aerofone se abriu foi um "Que pouca vergonha!" coletivo. Azucena começou por se surpreender, mas depois entristeceu-se muito. As suas plantas tinham estado sete dias sem água e tinham todo o direito de a receber daquela maneira. Azucena costumava deixá-las ligadas ao plantofalante, um computador que traduzia em palavras as suas emissões elétricas, pois ela gostava de chegar ao trabalho e que as suas plantas lhe dessem as boas-vindas. 




Geralmente, as suas plantas eram muito decentes e carinhosas. Mais ainda, nunca a tinham insultado. Agora, Azucena não as censurava; se havia alguém que soubesse a raiva que dava ficar à espera , era ela. Deitou-lhes logo água. Enquanto o fazia pediu-lhes mil desculpas, cantou-lhes e acariciou-as como se fosse ela própria a ser consolada. As plantas acalmaram-se e começaram a ronronar de prazer.  (Laura Esquivel / 1995)


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